segunda-feira, 2 de junho de 2014

Cerimônia de premiação do Concurso de Projetos para CCEE Cabo Frio, Nova Friburgo e Paraty

Pedro da Luz Moreira presidente do IAB-RJ, Luis Fernando
Pezão governador do Rio de Janeiro, um dos arquitetos
premiados e o Subsecretário de Obras Vicente Loureiro
No último dia 29 de maio de 2014 foi realizada no Palácio Guanabara solenidade de premiação do Concurso de Projetos para os Centros Culturais de Exposições e Eventos das cidades de Cabo Frio, Nova Friburgo e Paraty. Um processo bem conduzido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil departamento do Rio de Janeiro (IAB-RJ) e pela Subsecretaria de Obras do governo do Estado do Rio de Janeiro, chegava ao fim. Todo concurso de projetos de arquitetura envolve uma série de etapas e decisões, que podem construir a sua fortuna ou o seu fracasso. Cada uma delas envolve uma equipe de profissionais gabaritados que montam o edital, publicam e divulgam suas premissas, respondem as mais diferenciadas perguntas, recebem os trabalhos, convocam uma comissão julgadora e divulgam os resultados. Em cada uma dessas etapas podem acontecer surpresas. É uma atividade na qual o IAB-RJ possui uma ampla experiência, construída ao longo de seus quase cem anos de história. Na ocasião, tive a oportunidade de realizar o discurso abaixo, que transcrevo com algumas complementações, que foram suprimidas em função do tempo que dispunha:

Desde o seu nascimento, o IAB defende a realização de concurso de projetos para as obras das várias esferas de governo, ou para iniciativas privadas, que tenham uma certa relevância pública. Essa não é só uma luta corporativa dos arquitetos, mas é uma luta de toda a sociedade brasileira para que nossas obras ganhem maior transparência.

Num país onde a mídia constantemente denuncia obras mal feitas, orçamentos inadequados e cronogramas não cumpridos é fundamental dar protagonismo ao planejamento e ao projeto. E, o concurso de projetos de arquitetura é um dos instrumentos para promover essa maior transparência e visibilidade para as obras de relevância pública, pois confere protagonismo para a adequação e justeza das melhorias pretendidas. Nas sociedades mais avançadas, o controle da adequação das obras às prioridades da população é atingido pelos mecanismos de planejamento e de projeto, que ganham a dimensão do debate com uma série de agentes e atores se manifestando. O concurso público de projetos de arquitetura garante visibilidade e publicidade às intervenções pretendidas desde suas etapas iniciais - o estudo preliminar - fazendo com que sua adequação aos contextos físico, social e econômico seja socialmente debatido e aprimorado.

Na verdade, o projeto e o plano precisam passar a ser encarados como poderosos instrumentos na construção de consensos em nossas sociedades contemporâneas.

Os vários agentes e atores da sociedade podem e devem ter acesso às diversificadas hipóteses levantadas nas fases de plano e projeto, questionando e legitimando suas decisões. As recentes manifestações ocorridas nas cidades brasileiras apontam que nossos governantes precisam adequar as variadas infraestruturas à qualidade de vida. Isso pressupõe ações sobre o território realizadas de forma articulada, pensada e submetida aos diversos atores interessados de forma democrática. Nossas cidades precisam repensar suas infraestruturas de forma qualitativa e não mais apenas de forma quantitativa. As ações sobre o território não podem mais ser segmentadas, desarticuladas e desconexas, devendo levar em conta a complexidade do fenômeno urbano.

Nossas cidades metropolitanas precisam enfrentar seus problemas, de valor da terra urbana, de reconstrução do espaço público, da qualidade do caminhar, da mobilidade das pessoas, da sua interação com o meio natural de forma a garantir às gerações futuras uma melhor qualidade de vida. Nesse aspectos propomos uma mudança na forma de construir e de preservar as cidades brasileiras, rompendo com inércias instaladas e se fixando em quatro pontos prioritários:

Ponto 1: Cidades, que tenham bairros com diversidade de usos e de extratos sociais, revertendo a tendência de criação de guetos de ricos e pobres. A cidade segura é a da diversidade de extratos sociais, que se encontram no espaço público para celebrar a convivência entre diferentes.

Ponto 2: Cidades, que tenham uma mobilidade eficiente, que atenda a todos, que se articule a partir dos grandes modais de deslocamento, e que se estruture de forma hierarquica, fazendo com que todos os seus cidadãos não demorem mais de quarenta minutos em seus movimentos pendulares, combatendo a tendência de condenar as populações frágeis economicamente de ser penalizadas por deslocamentos de longas horas.

Ponto 3: Cidades, que tenham uma densidade que garanta o acesso a todas as infraestruturas urbanas a todos os seus cidadãos, garantindo acesso a coleta de esgotos, abastecimento de água, coleta de lixo, transportes de qualidade e etc... Combatendo a tendência de dispersão interminável, que dificulta a universalização dos serviços de infraestrutura urbana.

Ponto 4: Cidades, que busquem uma aproximação positiva com meios ambientes complexos e diversificados, combatendo a tendência de destruição dos biomas adjacentes a mancha urbana, promovendo um convívio didático entre seres urbanos e meio natural.

Nessa perspectiva de mudança das formas de construir a cidade no Brasil, e buscando formas de ampliar os debates sobre a ocupação humana do território é que o IAB-RJ anuncia sua candidatura a sediar o Congresso Mundial de Arquitetos da União Internacional dos Arquitetos (UIA) em 2020. A disputa para conquistar esse grande evento de cunho internacional só se justifica na perspectiva de busca de uma nova qualificação da ocupação humana no território brasileiro.

sábado, 31 de maio de 2014

Entrevista minha no SportTV sobre obras da Copa do Mundo no Brasil


As entrevistas no canal Sport TV sobre as obras da Copa do Mundo no Brasil, mostram uma grande convergência de que é necessário dedicar mais tempo às fases de planejamento e de projeto, de forma a controlar a etapa da obra. A urgência e ansiedade nos fizeram achar que a escolha da empreiteira representava a resolução do problema, suprimindo as fases de planejamento e de projeto. Eu, Armando Abreu e Agostinho Guerreiro enfatizamos que obra não é alguma coisa mágica, precisa de planejar e estruturar para que se faça com precisão e controle. Muitas obras foram contratadas sem definição do projeto, o que representa uma temeridade, pois sem saber ao certo, o que vai ser feito.

Mas o engraçado é que fui com meu filho Felipe para essa entrevista. Ele é autista. E, ao fundo da minha fala se ouve de forma constante uma ladainha sua... Abaixo o link da entrevista

http://sportv.globo.com/videos/sportv-news/t/ultimos/v/especialistas-analisam-impacto-de-atrasos-nas-obras-da-copa-na-pressa-sai-mais-caro/3375983/

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Evento no IAB-RJ discute melhorias habitacionais em favelas como indutor de prosperidade local

Na foto, Pedro da Luz presidente do IAB-RJ e Mariana
Estevão do Soluções Urbanas
Na última terça feira, dia 21 de maio de 2014, foi realizado no IAB-RJ um debate; “Desafios da prosperidade local: o programa de melhorias habitacionais em favelas” , um tema que deveria se constituir numa ação continuada dos governos das cidades brasileiras. Estavam presentes e apresentaram suas experiências; Ruth Jurberg e Anderson Café da EMOP, órgão do governo estadual do Rio de Janeiro, Mario Vieira, diretor da ONG Habitat para a Humanidade, Mariana Estevão da ONG Soluções Urbanas, André Franco diretor da Rede Integração, e Ana Claudia Rossbach da Cities Alliance. As experiências apresentaram diferentes níveis de intervenção, envolvendo recursos diferenciados e diversas formas de financiamento ou subsídio integral.


O que o IAB-RJ procurou também destacar, é que inciativas como as das melhorias habitacionais devem envolver uma grande pulverização de diferentes agentes econômicos, como escritórios de arquitetura de jovens arquitetos, micro-empreendedores, lojas de materiais de construção local, etc... O programa pode ter aspecto positivo na dinamização da micro economia local, gerando um processo virtuoso de prosperidade nas favelas. As experiências na cidade do Rio de Janeiro apontam para a inadequação, para esse tipo de serviço, da contratação de grandes e médias empreiteiras. A qualificação de jovens arquitetos recém formados, como foi a experiência do Programa de Aperfeiçoamento Profissional (PAP) do IAB-RJ no final da década de 90, mostra que o programa pode ter o objetivo de um periodo de aperfeiçoamento profissional, anterior ao exercício da plena atividade profissional, como é o periodo de residência médica.


A pergunta feita no final do debate pelo ex presidente do IAB-RJ, Jeronimo Moraes, é bastante pertinente, e deve ser matéria de reflexão mais aprofundada. De que, "apesar da imensa convergência verificada em torno do tema, inclusive de diferentes alinhamentos políticos, porque a proposta não se implanta no país de forma mais contundente? Para mim, a sociedade e as políticas públicas no Brasil ainda permanecem seduzidas por mega empreendimentos e mega eventos, esquecendo-se de promover e atuar sobre a atividade economica de pequena escala e pulverizada.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Debate no IAB-RJ lança manual de incentivo a bicicletas em Favelas

Foi lançado hoje dia 20 de maio de 2014 o Manual com normas para incentivar o uso de bicicletas em Favelas, com um debate com o arquiteto colombiano Ricardo Montezuma, que foi responsável pelo sistema Transmilênio de BRTs (Bus Rapid Transit) de Bogotá, durante o governo do prefeito Monclós. O debate foi patrocinado pela ONG Embarq Brasil, que é financiada pela Bloomberg Philantropies, estavam presentes a Secretaria Municipal de Habitação e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Cultura da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro.

O arquiteto Ricardo Montezuma iniciou sua palestra descorrendo sobre a apropriação simbólica da bicicleta no mundo contemporâneo, salientando que existe uma mudança de paradigma na forma de se visualizar a bicicleta. A representação social da bicicleta foi apropriada por uma visão que associou-a a uma movimentação limpa, saudável, responsável e ativa. Limpa, porque não poluidora. Saudável, porque geradora de uma vida mais ativa. Responsável, porque não se utiliza de recursos do planeta, e portanto não poluidora. E, ativa pois parte de uma atitude individual que pretende ser um posicionamento autonômo para enfrentar problemas da pauta contemporânea, como poluição, obesidade, saúde, etc...

Para o arquiteto colombiano, a bicicleta nos anos 50 do século XX era muitas vezes vista como um símbolo da carência de recursos e precariedade. Os países que então se utilizavam da bicicleta de forma intensa eram China, Vietnam e India e se associavam a formas de vida com escassez de recursos e limitações para uma mobilidade de maior conforto. A partir da década de 70 com a crise do petróleo, e, principalmente na Holanda e nos países nórdicos começa um movimento na base destas sociedades de celebração da bicicleta, como forma comportamental diferenciada. Os dados relativos a nossa contemporaneidade, apresentados pelo arquiteto colombiano são impressionantes; 26% da população holandesa se movimenta exclusivamente de bicicleta, 18% na Dinamarca, 12,5% na Suécia. E, o mais novo membro deste clube, a Alemanha apresenta 10% de sua população que se movimenta exclusivamente de bicicleta. Esse cenário também vem apresentando emergências inesperadas, como os EUAs, a França e a Espanha, que a partir de redes sociais diferenciadas vem forçando seus governos a ampliar as vias, os desenhos e as comodidades para os usuários. Na Espanha, nos últimos anos pela primeira vez o número de compra de bicicletas superou o número de compra de carros, é claro também que tal fato se deve a crise econômica pós 2008 que assola esse país.

O fenômeno está estreitamente articulado com a emergência das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), que celebram redes sociais que elegeram a bicicleta como um novo padrão de comportamento. O arquiteto colombiano mencionou um evento que se reproduziu viralmente na internet no mundo todo, marcado para amanhã dia 21 de maio, que marca a morte de ciclistas  no trânsito de nossas cidades por veículos motorizados. O evento menciona o uso de bicicletas brancas e a utilização de roupas brancas pelos ciclistas, simulando fantasmas que se movimentariam em nossas cidades, representando os ciclistas sacrificados nas ruas. O consumismo e o fetihismo da mercadoria e de formas de vida do nosso capitalismo contemporãneo parece ter também colonizado o outrora vanguardista "bicicletismo"? De qualquer forma assim como há cooptação pelo capital - foi mencionada a bicicleta desenhada por Philip Stark ou a da grife Loui Vuiton, que assumiram preços exorbitantes - há também resistência, em várias cidades, já surgem lojas que propõe aos usuários remontar bicicletas a partir de escombros ou partes de antigas recicladas, saindo do ciclo da produção convencional.

Enfim, a palestra do arquiteto Ricardo Montezuma foi um provocante estímulo a confrontação das idéias e aos pensamentos e ideologias que condicionam o cotidiano de nossas cidades. Ao final, procurei pontuar que as ações de desenho e de projeto que celebram a utilização das bicicletas deveriam se enquadrar ao sistema geral de mobilidade das cidades, procurando se enquadrar de forma complementar aos modais de alta capacidade, como trens, barcas e BRTs. No Rio de Janeiro, uma cidade de clima quente, deveria também pensar-se em instalar nos grandes estacionamentos de bicicletas, apoio como vestiários e outras comodidades, que permitissem aos usuários a operação cotidiana das magricelas.



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Morre o arquiteto Miguel Pereira

Morreu ontem dia 15 de maio de 2014 o arquiteto Miguel Pereira, grande nome nas lutas do Instituto de Arquitetos do Brasil. Miguel foi um incansável batalhador pelo reconhecimento da relevância da profissão dos arquitetos, como atores importantes na constituição do espaço humano construído no país. Possuia uma precisão cirúrgica e uma elegância ímpar nas falas e posicionamentos. Fiquei sabendo que seu último pedido foi de ser estendido sobre seu caixão uma faixa amarela com a palavra Arquitetura. Além disso, não queria ninguém triste em seu velório. Grande figura!!

Abaixo um video gravado após a constituição do CAU-BR



https://mail.google.com/mail/u/0/?tab=wm#inbox/146045e86c2fc749?projector=1

Entrevista na revista da ADEMI-RJ de abril 2014

Foi publicada entrevista comigo na revista da Associação dos Empreendedores do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (ADEMI-RJ). Nela procurei defender uma cidade mais misturada, tanto de usos, quanto de extratos sociais, pois acredito neste modelo como mais seguro e promissor para todos. A cidade brasileira não pode mais continuar reproduzindo os guetos de pobres e ricos, da forma estratificada como ela vem se constituindo. Precisamos mudar essa inércia.

Por outro lado, também mencionei a questão da urbanização de favelas, que precisa passar a ser encarado de forma mais contundente e articulada. Precisamos integrar essas áreas, garantindo níveis de serviços urbanos, como coleta de lixo, de esgoto, água, iluminação, espaços públicos bem desenhados, etc.

Mencionei também a questão dos centros históricos de nossas cidades, e mais especificamente o do Rio de Janeiro, que precisam ser revalorizados, recebendo o incentivo ao uso habitacional, que tanto dinamiza essas áreas.

Enfim, ao lado e abaixo imagens da revista da ADEMI-RJ.










terça-feira, 13 de maio de 2014

Artigo no jornal Valor Econômico

Foi publicado hoje terça feira dia 13 de maio de 2014 artigo de minha autoria no jornal valor Econômico, com o título MP630 é um equívoco. A Medida Provisória 630 confunde necessidade premente e urgência com ação impensada e atabalhoada, ela está na pauta do Senado Federal para ser votada hoje. Veja abaixo e no link
Exibindo Valor (jornal) - MP 630 é um equívoco.jpg






http://www.valor.com.br/opiniao/3545164/mp-630-e-um-equivoco