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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Minha palestra em João Pessoa, sobre "Todos os Mundos. Um só mundo. Arquitetura 21"

Nos últimos dias de março; 28, 29 e 30, a Diretoria Nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil se reuniu na cidade de João Pessoa no estado da Paraíba. No dia 28 de março se realizou um debate entre os presidentes do IAB-RGS Thiago Holzmann, do IAB-SP José Armênio e do IAB-RJ Pedro da Luz, que abordou o tema do Congresso Internacional de Arquitetos de 2020 no Rio de Janeiro, "Todos os Mundos. Um só mundo. Arquitetura 21". Disponibilizo abaixo o texto que elaborei para montagem da minha apresentação.


Tiago Holzmann (RS) Fabiano de Mello (PB) Pedro da
Luz (RJ) e José Armênio (SP) 
Todos os Mundos. Um só mundo. Arquitetura 21
O que queremos com esse tema? Como a arquitetura e o urbanismo se inserem na sociedade contemporânea e na brasileira? Como esses ofícios estão inseridos na cultura do nosso tempo? Qual a relevância do plano e do projeto na sociedade contemporânea e brasileira? Para responder a tais perguntas será necessário fazer uma breve revisão histórica sobre o nosso recente passado arquitetônico e urbanístico. Quais projetos foram compartilhados por diversas sensibilidades e que pretenderam enfrentar o problema da moderna cidade industrial, que passou a ser de forma definitiva o cenário da vida da maioria da humanidade nos últimos 150 anos. 

Em 2030, seis entre dez pessoas viverão em cidades. Hoje em dia 1 bilhão de pessoas vivem em favelas ou em loteamentos irregulares. Em 2030 serão 2 bilhões de pessoas e em 2050 3 bilhões de pessoas estarão na informalidade. Além desses dados a relação pessoas por domicilio passará nos próximos dez anos no Brasil; de 2,9 habitantes, para apenas 2 habitantes, o que significa que a demanda por habitação aumentará enormemente. A questão da habitação é central desde o advento da moderna cidade industrial, pois aproximadamente 80 % do contínuo construído das cidades se refere a esse uso.

A transformação da cidade industrial, de uma comunidade
unitária para um conjunto de comunidades
Há um desenvolvimento explosivo da população urbana no mundo, um processo que se acelera de forma definitiva com a Revolução Industrial. Na Inglaterra entre os séculos XVIII e XIX, a cidade de Manchester tinha no ano de 1760 doze mil habitantes, em 1850 ela atinge quatrocentos mil habitantes. No Brasil a cidade de São Paulo tinha em 1930 novecentos mil habitantes, chegando em 2011 a vinte milhões de habitantes. Nos próximos dez anos está previsto um êxodo rural da ordem de 200 milhões de pessoas na China, ou o correspondente a dez cidades de São Paulo.

Portanto, o desafio colocado para a arquitetura e urbanismo contemporâneos nesse inicio do século XXI, se refere ao problema iniciado pela cidade industrial, que determinou contingentes populacionais cada vez mais expressivos, que se destinam a elas. A história recente da humanidade nos oferece um rico referencial, mostrando como a cultura arquitetônica e urbanpistica procurou dar resposta  a esses problemas.

Modernismo:
O modernismo é um fruto da grande cidade industrial, a cidade de Chicago na passagem do século XIX para o século XX assiste um debate entre o Movimento do City Beatiful de Burnham - academicista e eclético - e as tendências organicistas e modernistas de Sullivan e de Wright que se antecipam em vários anos aos debates das vanguardas centro-européias. A Escola de Chicago anuncia a hegemonia americana, que se materializará de forma definitiva no segundo pós-guerra, o debate é entre a produção estratificada no tempo da cidade tradicional (city beautiful), ou a produção massiva e repetida da nova cidade industrial.

Oto Wagner, arquiteto vienense projeta em 1901 o Metrô de
Viena, não apenas as estações, mas toda a rede.
As vanguardas centro-européias seguindo preceitos da Escola de Chicago, fundaram o modernismo com a pretensão de instituir uma nova objetividade (neue sachlichkeit), na qual os monumentos eram a morte da arquitetura, onde se buscava uma nova essência que estava na grande cidade industrial. Basta lermos os textos de Adolf Loos ou Oto Wagner, arquitetos da Secessão Vienense, que afirmavam a emergência de uma nova ética do construir, onde o que lhes interessava não era mais; os organismos governamentais, o teatro de ópera ou o parlamento, a arquitetura da excessão, mas a habitação extensiva das periferias intermináveis da cidade industrial européia. A casa do operário ou da classe média, que se constituia na grande massa edificada da cidade industrial, as periferias desse fenômeno inusitado que também explodia na Europa na sua escala e tamanho, determinando um contínuo construído rápido, feio e inadequado. As infraestruturas urbanas e a habitação produzida em massa são os temas eleitos pelas vanguardas centro-européias.

O conjunto Karl Marx Hof de 1930 em Viena, produção
habitacional para a demanda explosiva de habitação da
moderna cidade industrial
Não há como negar que o modernismo conquistou corações e mentes em todas as partes do mundo, com diferentes nuances e formulações ele encarnou um desejo na sociedade de ampliação da autonomia dos povos na definição de seu futuro, de seu vir a ser. O modernismo celebrava uma ideologia industrialista, que acreditava na superação dos problemas da humanidade, a partir da repetição e do standart. No campo da produção habitacional de massa há exemplos de experiências notáveis, que pareciam demonstrar a potência do industrialismo para resolução dos problemas da moderna cidade industrial européia.

O conjunto do Pedregulho de 1947 de Afonso Eduardo Reidy
no Rio de Janeiro
Assim como em outras partes do mundo, o modernismo também conquistou uma ampla gama de discípulos, que produziram uma das suas mais belas vertentes. Ser moderno no Brasil era romper com um arcaismo agrário, com o patriarcado e adotar um comportamento urbano. O modernismo carioca explode a caixa da arquitetura se expandindo em direção a natureza e ao meio natural. Num cenário natural generoso pontuado de ícones geológicos como o Pão de Açúcar, Corcovado, Morro Dois Irmãos, Pedra da Gávea, a arquitetura modernista valoriza a fluidez entre exterior e interior  e se dedica a criação de espaços públicos notáveis.

Crítica e revisão ao movimento moderno:
A imensa destruição das bombas nucleares em 1945
No final da Segunda Guerra Mundial, as bombas de Hiroshima e Nagasaki demonstram uma imensa capacidade destrutiva e acabam vinculando fortemente tecnologia e destruição. O poderio industrial e militar americano e soviético ganham uma lógica particular, que se torna independente das aspirações comuns, se envolvendo numa espiral competitiva interminável. A crença na industrialização, padronização e repetição intermináveis como uma promessa de redenção das misérias da humanidade sofre um abalo definitivo, passando a ser encarada com desconfiança. Emerge uma hegemonia da diversidade entre os seres humanos, que passam a ser vistos como especificidades culturais, raciais, de gênero, ou de qualquer outra característica. O fordismo passa a ser visto com desconfiança.

Em 1961 a jornalista Jane Jacobs publica Morte e Vida das
Grandes Cidades Americanas
No começo da década de 60, a jornalista Jane Jacobs decreta a perda da vitalidade das cidades americanas em função de um rodoviarismo exacerbado, presente no modernismo nos projetos de Le Corbusier como o Plano Voisin para Paris.

"As cidades tem a capacidade de prover algo para alguém, somente porque, e apenas quando, são criadas por todos... Não existe melhor expert na cidade do que aqueles que vivem e experimentam seu dia a dia."

As intervenções de Robert Moses em Nova York elegem o rodoviarismo e destroem relações de vizinhança e de comunidades, a hegemonia do automóvel determina um certo isolamento do indivíduo na grande metrópole, reduzindo o espírito de participação na cidadania. Los Angeles emerge como paradigma do bem viver, onde o automóvel se articula com a baixa densidade, surgindo um modelo de baixa interação social e isolamento do ser urbano.

O 1o Congresso Internacional de Arquitetura Moderna de 1928
reúne trinta arquitetos
A década de 60, explode com a emergência de um mundo que decreta o fim das vanguardas e a presença de uma grande massificação em todos os campos. O mundo elitizado da primeira modernidade dá lugar a uma imensa massificação, que pode ser exemplificada nos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna, que começam em Sarraz no ano de 1928 com vinte e quatro arquitetos e terminam em Dubrovnick no ano de 1956 com uma multidão de estudantes.

Filósofos como Lyotard (1979) e Fukuyama (1992) decretam o fim dos discursos explicadores da modernidade como o marxismo e o iluminismo, que construiam uma ética do agir e do pensar. Emerge uma lógica localista, que se rebela contra o pensamento sistêmico e estruturador do modernismo. Desenvolve-se a consciência de que a utopia modernista era autoritária e congelava as aspirações de realização das futuras gerações.

Em 1980 Ronald Reagan assume a
presidência dos EUA, impondo uma forte
desregulamentação do capital
Em 1979 Margareth Thatcher assume como primeira ministra britânica, em 1980 Ronald Reagan assume a presidência dos EUA, desenvolvendo-se uma enorme desregulamentação do capital. O wellfare state ou estado de bem estar social desmorona, uma transformação que esvaziou o uso industrial e fez emergir um contínuo de serviços financeiros  e especulativos, que passaram a representar no mundo anglo saxão, um terço do emprego disponível. Inicia-se uma forte hegemonia do capital financeiro no mundo. Em 9 de novembro de 1989 cai o muro de Berlim, que dividia a Alemanha em dois, e o mundo da Guerra Fria das duas superpotências apresenta sinais de esgotamento.

Em meados dos anos 1990 o advento da internet e das Tecnologias de Informação e Comunicação lançam para a humanidade a possibilidade de acessar um amplo acervo de informações, que determinam uma imensa dispersão de energias, parecendo inviabilizar a possibilidade de construção de prioridades e consensos. A política se fragmenta numa infinidade de interesses que parecem irreconciliáveis, apontando para a impossibilidade da construção de consensos.

As respostas da crítica, ou a permanência do Projeto Moderno:
Também em meados dos anos 1990 o filósofo Habermas decreta num texto, no qual ironiza a tendência contemporânea de se utilizar do prefixo pós para caracterização do nosso tempo, a distinção entre modernidade e modernismo. O texto de Habermas ao distinguir a modernidade do modernismo, afirma que a pretensão humana de auto determinação do seu futuro, que as revoluções americana e francesa tinham expressado, permanecia inalcançado. Habermas também elabora sua teoria da racionalidade comunicativa, que se contrapõe a racionalidade meramente instrumental, determinando que a razão não deve estar carregada de personalismos, mas construída a partir de consensos. Abre-se uma nova perspectiva utópica, que não mais condena as gerações futuras a uma construção congelada e fixa, mas que celebra o processo de auto-construção e de auto-determinação.

1979 Teatro do Mundo Aldo Rossi
No campo específico da arquitetura e do urbanismo, Kevin Linch e Aldo Rossi apontam para a processualidade da construção da cidade, reforçando conceitos como o da Legibilidade, e o da História. Emerge a idéia das pré-existências na cidade e a leitura de que o projeto da cidade é único e coletivo, desenvolvido no longo tempo por uma série de agentes e atores. Emerge a idéia de legibilidade das partes da cidade, a partir da experiência concreta da vida nesses espaços.

O crítico italiano de arquitetura Manfredo Tafuri lança em 1968 o livro História e Teorias da Arquitetura, no qual elabora a idéia do arquiteto como ideólogo do habitar, um formulador de conceitos e proposições que propõe o Bem viver e possuem a capacidade de contaminar a sociedade para suas formas de operação e de prática.

Em 1977 o arquiteto Christopher Alexander lança o livro A Patern Language (Uma linguagem de padrões), que se propõe a mapear a gênese da evolução da forma no processo de desenvolvimento do espaço construído, com o claro interesse de impulsionar a participação do usuário na elaboração do seu ambiente. Desenvolve-se nos EUA o advocacy planning ou projeto participativo, no qual o processo de construção do vir a ser de comunidades específicas é celebrado como a verdadeira pulverização da democracia.

Nova York, apesar de um plano homogeneizador de 1811, a
cidade gerada é diversa e variada
No Brasil em 1988 Carlos Nelson dos Santos lança o livro A cidade como jogo de cartas, no qual celebra uma certa neutralidade do desenho da grelha, que impulsiona sua apropriação por diferentes agentes no longo prazo da cidade. O Plano de Nova York de 1811 é celebrado, pois apesar de decretar uma imensa homogenização do território baseado na malha xadrez, em um padrão de ruas e avenidas, e até nas mesmas dimensões dos lotes, acaba por gerar uma cidade diversificada. Os elementos celebrados são a rua, a quadra e o lote como unidades em torno dos quais o jogo da cidade é jogado. Num paradoxo, Carlos Nelsom dos Santos aponta que apesar desse inicio homogenizador a ilha de Manhattan apresenta hoje grande diversidade de tipologias, usos e contínuos diferenciados. Se restabelece a possibilidade da construção utópica, que deixa de ser um objetivo fixo e congelado, mas a celebração de uma processualidade que restabelece a necessidade da presença contínua da criatividade das futuras gerações. O jogo pressupõe agentes e atores igualmente empoderados, que declaram suas intenções e negociam objetivos, a racionalidade abandona a subjetividade isolada e se aproxima da inter-subjetividade.

Kenneth Frampton lança em 2002 o livro Studies on Tectonic Culture, no qual aponta a saturação do problema do símbolo e da representação no campo da arquitetura, apontando como saída o desenvolvimento da tectônica, as opções construtivas como um vetor de reessencialização para os arquitetos. O compromisso com o construído. As obras de grandes arquitetos são analisadas a partir da escolha de diferenciados modos de construção, que recolocam a complexa relação entre custo e benefício no projeto.

Museu de Arte Romana em Mérida,
arquiteto Rafael Moneo
O arquiteto atuante Rafael Moneo lança em 2008 Inquietação Teórica e Estratégias Projetuais, no qual rejeita a adoção de um personalismo de linguagem por parte dos arquitetos, celebrando a idéia da reinvenção do arquiteto a cada novo projeto. Cada novo projeto representa uma oportunidade, que demanda do arquiteto uma leitura específica de cada lugar, celebrando uma reinvenção particular a cada novo projeto. Moneo também percorre no livro a obra de arquitetos notáveis, identificando em cada um deles as estratégias para convencer a sociedade da relevância do fazer arquitetônico. Nesse percurso reflete sobre a auto biografia de cada arquiteto, encarando as oportunidades de cada projeto como um momento estratégico de celebração do ofício. A obra construída de Moneo revela muito desse ecletismo de linguagem, principalmente quando comparamos o Museu de Arte Romana de Mérida de 1985, com o Kursaal de San Sebastian de 1999.

A partir desse momento apresentei alguns projetos que desenvolvi num escritório denominado Archi 5 arquitetos associados ltda. Um escritório com cinco sócios, que sempre se caracterizou pelo debate intenso entre os sócios e colaboradores na busca da melhor solução para as demandas que recebia. A apresentação dos projetos pretende ser uma reflexão sobre o quadro teórico pré apresentado.

Projeto Concurso Obra do Berço 1982 - A creche de longa permanência das crianças demandava um espaço da diversidade, que possibilitasse as crianças uma vivência variada e rica. O programa é fragmentado numa série de edifícios, que reproduzem a estrutura de uma minicidade, os ambientes habitação, os monumentos, a continuidade e a exceção.

Bidonville Araticum 1983 - Metodologia participativa de urbanização de favelas. A partir da apresentação do diagnóstico se elegem um conjunto de princípios de desenho (partners) que são consensuados e que também norteam a elaboração do desenho. A idéia de que o território do projeto é um espaço do conflito, onde diversos atores e agentes expressam suas expectativas, que são consensuados pelo desenho. O projeto foi escolhido para representar a FAU-UFRJ no Congresso da UIA em 1984 na Polonia.

Residências 1984/90 - O tema da residência particular é um desafio para os escritórios com autoria compartilhada como o Archi 5, onde o debate se processa independente da escala do objeto. A casa reflete uma série de especificidades das familias, que claramente se manifesta entre dois campos: a intimidade e a sociabilidade, os espaços particulares e os espaços de convívio social intenso. A expressão da casa acaba celebrando mais enfaticamente os momentos de reunião, quando a família se reúne, os espaços da sociabilidade.

Hospital de Jacarepaguá 1990/93 - A Unidade de Pacientes Externos do Hospital Geral de Jacarepaguá se baseia numa estrutura racional e clara que pretendia que a edificação pudesse suportar expansões e retrações dos diversos serviços médicos, garantindo flexibilidade e adaptabilidade. As diferentes especialidades médicas tinham como premissa do seu funcionamento o compartilhamento dos espaços de conforto, para evitar a autonomia e independência dos diferentes setores, intensificando o intercâmbio e a troca. O processo construtivo da edificação adotou uma estrutura pré-moldada, de forma a reduzir os transtornos sonoros para o funcionamento geral da unidade hospitalar, que permaneceu operando durante a execução da obra. A legibilidade geral da edificação se baseava num sistema de circulação claro que estratificava corredores médicos e de pacientes e suas esperas, permitindo uma apreensão imediata por parte dos usuários e médicos. A conexão do novo edifício com as estruturas pré-existentes buscava essa mesma legibilidade universal.

Projeto do Anexo da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro 1994 - Concurso público nacional de projetos de arquitetura organizado pelo IAB-RJ, para construção de dois anexos ao edifício da Prefeitura do Rio de Janeiro, de autoria do arquiteto Marcos Konder. No qual a proposta da Archi5 ficou em terceiro lugar. As duas edificações propostas procuravam estruturar uma melhor relação cidade e edificação, relacionando a plataforma de acesso do antigo prédio com a cidade existente, através de fachadas mais amigáveis. A antiga plataforma de acesso passa a articular as três edificações, conformando uma relação mais rica com os pedestres. As duas edificações propostas assumem um claro papel de coadjuvantes frente a edificação de Marcos Konder, que é celebrada como protagonista.

Projeto Rio Cidade Vila Isabel 1993 - Projeto selecionado a partir de Concurso Público de Metodologias para desenvolvimento de projetos de desenho urbano, organizado pelo IAB-RJ. A idéia do Programa Rio Cidade era privilegiar eixos comerciais existentes na cidade, prestigiando o comércio de rua em detrimento do comércio de shoppings center. O programa tinha pretensão de contaminar positivamente outras localidades, usando a teoria da metástase positiva elaborada por Bohigas em Barcelona. O projeto do Boulevard 28 de Outubro no bairro de Vila Isabel celebrou uma figura emblemática da região o compositor Noel Rosa, que recebeu uma estátua realista no Largo do Maracanã, numa referência a sua música Conversa de Botequim. As calçadas foram tratadas com pedra portuguesa, garantindo ampla acessibilidade, com o motivo das partituras das músicas de Noel, respeitando um desenho que já existia no bairro. A praça Barão de Drumond arremata a proposta de desenho urbano, celebrando o Convento das Carmelitas do século XVIII, como principal elemento do logradouro. A proposta destaca algumas pré-existências notáveis presentes no bairro, celebrando a vida urbana da rua comercial, que possui o papel de centro de bairro.

Projeto Favela Bairro Favela de Parque Royal na Ilha do Governador 1994 - Projeto selecionado a partir de Concurso Público de Metodologias para urbanização de favelas, organizado pelo IAB-RJ. A idéia do Programa Favela Bairro se inicia em quatorze comunidades de porte médio e pretende valorizar as pré existências auto construídas, procurando integrar essas ao seu entorno imediato, pretendendo gerar a integração econômica e social. O programa tinha uma vertente essencialmente localista e tinha a pretensão de trabalhar a auto estima das comunidades, impulsionando sua integração com o conjunto da cidade. A Favela de Parque Royal possui pré existências notáveis. A proposta reforça a frente marítima da Baía de Guanabara, pretendendo construir um logradouro de intenso uso público, que termine com a constante ampliação das palafitas sobre o espelho d´água.

Projeto Centro de Pesquisas do Jardim Botânico 2001 - Projeto para abrigar um dos maiores acervos botânicos do mundo, que teve seu início em 1808, com a fundação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A proposta desenvolve as diferentes unidades em edificações independentes, se adequando a disponibilidade de orçamento da instituição, procurando formalizar com um mesmo valor os espaços abertos e os construídos. Há uma continuidade intencional entre espaços edificados e não edificados de forma a configurar locais de convivência e de encontro entre os pesquisadores.

Projeto Penso cidade Ilha do Fundão 2008 - O Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro convoca alguns arquitetos para explicitar projetos para a cidade do Rio de Janeiro, que tenham uma vertente crítica. O escritório Archi 5 escolhe a Ilha do Fundão, onde está a cidade universitária projetada por Jorge Machado Moreira, um desenho emblemático da arquitetura moderna carioca, que apresenta claros problemas de escala e de dimensão. A proposta pretende ao mesmo tempo manter o traçado da implantação moderna, contrastando com essa uma malha a 45º, que preserva o desenho modernista. Nessa malha a 45o se implanta uma cidade densa baseada na quadra tradicional que recebe edificações com 8 andares de altura densificando o uso habitacional na cidade universitária, tirando o caráter exclusivo de cidade universitária. São alocados grandes ramais de transporte público, como metrô e sistema hidroviário, que se utiliza da Baía de Guanabara. No entrocamento de um intermodal de transportes públicos é proposto uma torre, com grande desenvolvimento em altura.

Projeto do Horto e Vale dos Contos em Ouro Preto Minas Gerais 2009 - No coração da cidade de Ouro Preto é proposto um parque, que conecta a rodoviária em São Francisco de Cima a Casa dos Contos e a Igreja do Pilar, abrindo para a cidade um passeio bucólico onde ocorrem uma série de eventos, que enquadram vistas maravilhosas do núcleo barroco. Os elementos se localizam explorando a topografia e visadas da cidade colonial, abrindo uma sequência de acontecimentos que celebram a vida urbana.


Projeto de Melhorias Habitacionais na favela de Santo Amaro Rio de Janeiro 2011 - Proposta de assessoria para promover melhorias nas habitações existentes na Favela de Santo Amaro, melhorando condições de salubridade e conferindo uma aparência de acabado as residências. O projeto pretendia se utilizar da lei de Assistência Técnica, configurando para arquitetos recém formados um periodo de aperfeiçoamento profissional análogo a da residência médica.