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terça-feira, 24 de junho de 2014

Entrevista com o físico Luiz Alberto Oliveira

O entrevistado será o curador do Museu do Amanhã no Rio de Janeiro, além disso foi interlocutor no escritório do Oscar Niemyer nos últimos anos de sua vida. Ele já esteve no IAB-RJ num evento memorável discutindo nosso futuro e nosso projeto, junto com Maria Alice Resende e Margareth Pereira. Naquela ocasião, sua visão me pareceu excessivamente confiante na ciência, quase positivista, apesar de nada otimista com relação ao futuro da humanidade, e da cidade. Na verdade, me pareceu então que provocava os profissionais do plano e do projeto para que buscassem o inusitado e o inesperado. Sua responsabilidade de ser o curador do Museu do Amanhã no Rio de Janeiro, bem como sua interação com Oscar Niemyer no final da vida trouxeram para o seu depoimento uma série de questões muito provocadoras para quem pensa o futuro. Destaco abaixo algumas frases e idéias provocadoras da entrevista;

- "Nós somos muito breves e muito acelerados..."

- "Homo sapiens 2.0..."

- " O cérebro é a última fronteira...há nele uma dimensão insignificante e ao mesmo tempo singular..."

- "Há uma capacidade de aprender e ao mesmo tempo de encontrar o outro..."

- "A faixa etária com maior crescimento será a dos centenários..."

- "Pela primeira vez temos a possibilidade de desenvolvimento de uma cultura humana planetária..."

- A intuição como explicadora da queda da maçã em Newton, numa analogia entre maçã e lua pelo menos para mim inusitada..

Vale a pena assistir a entrevista no link abaixo...

http://globotv.globo.com/globo-news/roberto-davila/v/roberto-davila-a-fisica-do-doutor-em-cosmologia-e-curador-do-museu-do-amanha/3441789/

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sérgio Bernardes, um arquiteto visionário

Residência de Lota Macedo Soares projeto
de Sérgio Bernardes
"Perdeu o nome, essa sabedoria. Beleza, é pouco. Verdade, é muito. Trata-se de um termo sutil que participa de uma  e outra, que se tornou inútil, insensato." HELDER, Herberto - Os Passos em Volta - Azougue editorial Rio de Janeiro 2010

Nessa segunda feira dia 16 de junho de 2014 assisti o filme sobre Sérgio Bernardes, numa avant premiére no cine Kinoplex do Shopping Leblon. Um maravilhoso documentário sobre um dos maiores provocadores do campo cultural no Brasil, um visionário incomodado com sua própria zona de conforto, um arquiteto na mais pura definição desse ofício. Um inventor, como ele constantemente se auto definia.  Ainda me lembro, quando era estudante de arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UFRJ, numa de suas palestras, da sua capacidade de sedução e persuasão, mesmo quando apresentava formulações visionárias e fantásticas.

O filme mostra uma série de projetos realizados por Sérgio Bernardes, que retratam sua face de inventor e empreendedor incansável. Desde residências como a de Lota Macedo Soares em Itaipava no estado do Rio de Janeiro, passando pela reordenação espacial de Copacabana com suas torres em parafuso, até propostas geopolíticas de reformulação das comunicações do território brasileiro, como a da integração
Proposta de reordenamento do bairro de Copacabana no
Rio de Janeiro de Sérgio Bernardes
das bacias hidrográficas do país. Enfim, os projetos e propostas do arquiteto, polemista e
animador cultural nos levam a refletir sobre a forma de ocupação do território do planeta Terra, pela humanidade em diversas escalas. Nada parece impossível para a prancheta desse arquiteto, que parece ter introjetado a missão de nos tirar da zona de conforto, com suas provocações nada ortodoxas.

Creio que um dos maiores méritos do filme é reconhecer que a produção desse incansável arquiteto ainda está por ser descoberta, e
Hotel Tambaú em Natal, projeto de Sérgio Bernardes
adormece no Núcleo de Projetos e Documentação (NPD) da FAU-UFRJ, que hoje guarda seu acervo. É engraçado, que eu mesmo me lembro de um projeto do Sérgio Bernardes, que me marcou profundamente e que nunca mais encontrei a fonte onde está guardado e registrado, da qual não me recordo mais com precisão. E, que ansiosamente esperava por reencontrá-lo nesse filme, mas que infelizmente não é mencionado. É verdade, todavia que o filme faz menção a atitude geradora do projeto - uma certa negação da arquitetura - um posicionamento que Bernardes chamava de não arquitetura, e que está presente no Hotel Tambaú de Natal. Na verdade, uma vontade de fazer a arquitetura desaparecer, mimetizando-a com seu entorno, um posicionamento raro e inusitado entre arquitetos, sempre afeitos aos afagos no seu próprio ego.

Aerofotogrametria do Rio de Janeiro, mostrando a Lagoa
Rodrigo de Freitas e a praia de Copacabana, onde assinalo
o terreno do projeto perdido de Sérgio Bernardes
O meu grande encantamento por esse esquecido projeto de Sérgio Bernardes era seu caráter específico de referência a um lugar particular da cidade do Rio de Janeiro, e ao mesmo tempo e paradoxalmente sua capacidade de ser uma proposta genérica, utilizável em outros sítios, onde existam pedreiras desativadas. As mais novas gerações não tem na memória a ferida que esta pedreira desativada representava para o cenário estonteante da Lagoa Rodrigo de Freitas, pois nesse terreno havia uma concessionária de veículos, que era uma construção baixa, que não
Corte geral da proposta
escondia o estrago da antiga atividade mineradora. Hoje a construção de dois edifícios mais altos de habitação multifamiliar, de certa forma esconderam a ferida que a antiga exploração de granito e brita para construção determinavam na cidade. Nesse contexto, o arquiteto Sérgio Bernardes irá desenhar, num de seus mais belos gestos, um projeto simplesmente genial, que a cidade certamente até hoje se ressente por sua não realização. Recompondo o perfil da montanha, o arquiteto constroi um edifício de habitação multifamiliar com as lajes de cada pavimento escalonadas e alinhadas pela antiga silhueta do relevo. Esse escalonamento também determina um grande átrio com um imenso pé-direito, que
Corte ampliado da proposta
desnuda ao fundo o antigo corte da rocha, um espaço de convivência dos condôminos, uma imensa portaria com uma monumentalidade impressionante. Do lado externo, Sérgio Bernardes localiza nas bordas das lajes uma grande jardineira contínua, com capacidade para receber uma vegetação de médio porte, que garante a reconstituição do perfil da montanha. Os três núcleos de circulação vertical, são os únicos elementos artificiais que se destacam e pontuam a fachada verde escalonada, conforme descritos nos meus croquis ao lado, que desenhei de memória desse
Perspectiva da proposta de Ségio Bernardes
fabuloso projeto de arquitetura.

Concedi também uma entrevista ao jornal O Globo sobre a trajetória de Sérgio Bernardes, um arquiteto que precisa do reconhecimento da sociedade brasileira.

Abaixo link da entrevista sobre o filme no jornal O Globo

http://oglobo.globo.com/rio/design-rio-na-prancheta-de-sergio-bernardes-ideal-de-um-mundo-melhor-12866554

domingo, 15 de junho de 2014

Da série: Aulas de Teoria e História da Arquiteura IV - Premissas Gerais

As bombas de Hiroshima e Nagasaki marcam o fim da 2a
Guerra Mundial e o inicio de uma profunda descrença com
relação a técnica. A emergência da consciência de que os
recursos do planeta são esgotáveis
No último ano - segundo semestre de 2013 e primeiro semestre de 2014 - passei a ser o professor da matéria História e Teoria da Arquitetura IV na Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (EAU-UFF) em Niterói, na cidade metropolitana do Rio de de Janeiro. Essa solicitação fez com que tivesse que estudar o periodo do segundo pós-guerra, no campo da produção cultural urbanística-arquitetônica. Do final da segunda grande guerra, o ano de 1945 até nossa contemporaneidade, para colocar em termos precisos.

A primeira premissa que coloquei para mim mesmo para ser explicitada na primeira aula era buscar definições para o debate com os alunos dos conceitos; de história e de teoria, como uma base elementar do que tratava a matéria. Enfim um recorte, que procurava limitar um campo, que me parecia tão amplo e abstrato, diante do qual era necessário, uma contextualização. Por último, nessa primeira aula pretendia também explicitar, o que tinha sido minha trajetória, apresentando as reflexões que fiz na ocasião da defesa da minha tese no Prourb em 2007.

O Conceito de História:

No dicionário de termos filosóficos de JAPIASSÚ e MARCONDES, o termo história está definido dentro de uma dualidade, ao mesmo tempo "uma disciplina, constituída de relatos, análises, pesquisas de documentos cujos os artífíces são os historiadores" uma pretensa objetividade, e por outro lado; "um relato e não os acontecimentos contados", portanto uma interpretação, uma pretensa subjetividade. Por outro lado, há uma pretensão humana de que a história na sequência dos acontecimentos segue um movimento determinado, e se materializa segundo grandes linhas de força. Ou numa outra visão, ela seria um suceder aleatório de fatos incontrolados, aos quais os homens se adequam, sem possibilidade de qualquer controle. A idéia de projeto e de plano está profundamente alicerçada na primeira concepção, ela também significa que existe um sentido geral para a história, uma teleologia.

Há uma pergunta nesse dicionário absolutamente desconcertante para todos nós, participantes da existência e da história;

"Seu alvo lógico consiste em saber se a história do mundo se desenrola no sentido de um aperfeiçoamento moral, de um progresso da cultura ou se exprime uma decadência dos costumes."
JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo - Dicionário Básico de Filosofia - editora Zahar 2011 

O anjo da história de Paul Klee,
segundo Walter Benjamim
A pretensão da historicidade é um respeito a factualidade do acontecido, no entanto, a sequência dos acontecimentos é passível de leitura, de interpretação, de construção de coerência e casualidade, como as buscas por sentido e coerência típicas do relato, que necessariamente é subjetivo e interpretativo. Em nosso mundo contemporâneo estamos sobrecarregados de informação. Inclusive, a histórica, paralisados diante de uma infinidade de dados, corremos o risco da imobilização, pois já não compreendemos as demandas e os sinais de uma forma sintética. Benjamim, o filósofo da Escola de Frankfurt, nos traz uma construção importante sobre a busca do sentido;

"Articular historicamente algo passado não significa reconhecê-lo como ele efetivamente foi. Significa captar uma lembrança como ela fulgura num instante de perigo... O perigo ameaça tanto os componentes da tradição quanto os seus receptores... A cada época é preciso sempre de novo tentar o que foi transmitido do conformismo que ameaça subjugá-lo... Captar no passado a centelha da esperança só é dado ao historiador que estiver convicto do seguinte: se o inimigo vencer, nem mesmo os mortos estarão a salvo dele. E esse inimigo ainda não parou de vencer."
BENJAMIM, Walter - Teses sobre a Filosofia da História - editora Ática São Paulo 1985

Aqui a noção de perigo e de esperança me parecem algo de fundamental, como um abandono da zona de conforto, que todo pensamento faz, quando quer mudar. Não interessa mais a reprodução mecânica da existência, mas "captar no passado a centelha da esperança", cada época precisa reconstruir seu sentido não de forma confortável, mas buscando o novo e o inusitado.

O Conceito de Teoria:

Outro conceito que precisa ser esmiuçado é o de teoria. Segundo o mesmo dicionário, na concepção clássica da filosofia grega era conhecimento especulativo, abstrato e puro, que se afasta do mundo da experiência concreta e sensível. Numa concepção mais contemporânea seria um modelo explicativo de um fenômeno ou conjunto de fenômenos, que construísse um sentido e uma direção da sua natureza. No conhecimento científico moderno seria um conjunto de hipóteses organizadas de forma sistemática que verificadas na experiência e na prática, produzem uma explicação convincente dos fenômenos. A teoria seria portanto um afastamento da sucessão aleatória de fenômenos incompreensíveis, para construção de um sentido explicativo, que passaria a uní-los ou vinculá-los numa relação interdependente.

A teoria da arquitetura e da urbanística se refere muitas vezes a dois campos estruturados, uma que pretende avaliar os objetos ou os projetos realizados vinculando-os aos fenômenos artísticos e históricos - uma teoria da excelência do objeto - e outra, que estuda a gênese e a concepção do mesmo objeto, buscando entender como o ofício dialoga com a sociedade, colonizando-a, e por ela sendo colonizado - uma teoria do projeto. A diferença entre as duas vertentes está materializada em trabalhos teóricos como; Espaço, Tempo e Arquitetura de Giedion, ou Por uma Arquitetura de Le Corbusier. Enquanto o primeiro é uma construção interessada em entender o desenvolvimento histórico da arquitetura moderna, mais alinhada com o primeiro campo, o segundo por sua vez é também uma construção interessada mas pretende de forma mais explícita doutrinar a sociedade para a aceitação da arquitetura moderna, se constituindo numa teoria do projeto, ou crítica operativa.  TAFURI, um crítico italiano de arquitetura da segunda metade do século XX possui um discurso esclarecedor no seu livro Teorias e Histórias da Arquitetura, num capítulo intitulado A Crítica Operativa;

"Nesta acepção, a crítica operativa representa o ponto de encontro entre a história e a projetação. Assim pode dizer-se que a crítica operativa projeta a história passada projetando-a em direção ao seu futuro...O seu horizonte teórico é a tradição pragmatista e instrumentalista... Pode ainda acrescentar-se que esse tipo de crítica, antecipando as vias da ação, força a história..."
TAFURI, Manfredo - Teorias e História da Arquitetura - Editorial Presença Lisboa 1979

Esse segundo campo estará muito mais presente em nossas aulas, uma vez que a história nessas aulas não será encarada como um dado ou um fato objetivo, mas um conjunto de informações, que demanda interpretação e arranjo, pois o juízo crítico pode mais do que influenciar o curso da realidade, pode modificá-lo. Essa é enfim uma pretensão dessas aulas, de História e Teoria da Arquitetura IV, construir um instrumental para os alunos, que os habilite não apenas a analisar o seu tempo, mas também a projetá-lo e modificá-lo. Entendendo aqui o projeto como a atividade síntese do ofício da arquitetura e da urbanística, como uma forma de conhecer o real, como uma atitude que abandona o conforto do diagnóstico e se arrisca no campo do prognóstico, como um enfrentamento do real a partir da proposição.

Minha Trajetória:

Projeto para Ilha do Fundão para a exposição Penso Cidade
Além desses dois conceitos, tentei explicitar o que havia sido minha trajetória no campo da reflexão teórica, dentro do ofício da arquitetura e do urbanismo, e, porque esta havia sido convincente para meus colegas de curso, para me responsabilizar na matéria de História e Teoria da Arquitetura IV. Nesse contexto era importante fazer o esforço de mapear minha trajetória, de forma a deixar meus interlocutores - os alunos - conscientes da formação que nessa oportunidade discursava para eles. Para tal nada melhor, que apresentar minha tese de doutorado defendida no ano de 2007, no Programa de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, que teve o título de; Projeto, Ideologia e Hegemonia, em busca de um conceito operativo para as cidades brasileiras.

Uma das premissas dessa reflexão era que o projeto era um discurso, que invariavelmente fazia um esforço para convencer diferenciados interlocutores, de que aquela era a melhor forma para modificar uma determinada condição específica. Há no projeto uma dimensão operativa, que o carrega para uma dimensão persuasiva, isto é, um discurso de convencimento de variados atores e agentes, que gerenciam o processo de transformação. Segundo o Dicionário Básico de Filosofia de JAPIASSÚ e MARCONDES, o termo projeto seria;

"1. Na filosofia de Heidegger característica do Dasein (ser-aí), de estar sempre lançado para além de si mesmo pela preocupação. 2. No existencialismo de Sartre, o projeto é a resposta que cada indivíduo dá a situação em que se encontra no mundo, aquilo que dá sentido a sua existência, as escolhas que faz e que constituem sua liberdade: o para-si, com efeito, é um ser cujo ser está em questão sob forma de projeto de ser." JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo - Dicionário Básico de Filosofia - editora Zahar 2011

O projeto pelas definições filosóficas; é um incômodo, que nos leva a pensar um vir a ser diferente, e que controlamos. Uma insatisfação com uma condição presente que precisa ser modificada, um incômodo com situações postas. Projeta-se uma viagem, a perda de peso, a melhora de vida, a transformação do espaço humano... Enfim projetar segundo a etimologia da palavra está cindida pelo prefixo pro, que significa antecipar, antever, prever e pelo sufixo jactar que significa lançar, arriscar, atirar... Há uma motivação de incômodo com uma situação dada, que impulsiona um fazer que pretende a mudança a transformação. Argan, num passagem memorável menciona;

"Não se projeta nunca para mas sempre contra alguém ou alguma coisa: contra a especulação imobiliária e as leis ou as autoridades que a protegem, contra a exploração do homem pelo homem, contra a mecanização da existência, contra a inércia do hábito e do costume, contra os tabús e a superstição, contra a agressão dos violentos, contra a adversidade das forças naturais; sobretudo projeta-se contra a resignação ao imprevisível, ao acaso, à desordem, aos golpes cegos dos acontecimentos, ao destino."
ARGAN, Giulio Carlo - Projeto e Destino - Editora Ática São Paulo 2000

Há no projeto uma presença do operativo, uma vontade de realização. Essa construção aproxima muito esse discurso, daquilo que Bobbio qualificou como caracterização neutra do termo ideologia, uma idéia que pretende se transformar numa prática, uma idéia que pretende operar, atuar sobre o real. Para tal ela supera a mera idealização pura, e abraça a práxis. Em um sentido amplo, a ideologia pode ser caracterizada como um conjunto de idéias, princípios e valores, que refletem uma concepção do mundo e orientam uma forma de ação, sobretudo política. A idéia de projeto, seja edilícia ou urbanística, trazem consigo uma promessa de integração entre agir e pensar, como na conceituação da ideologia. Entende –se o termo ideologia como a transformação de idéias em operatividade, desfeito portanto de suas conotações negativas.


"Na verdade não se deve caracterizar a ideologia apenas de um modo negativo, como o que comumente se chamava de falsa consciência; ela é também, sempre positiva e necessariamente a teoria de prática." JAMESON, Frederic - Modernidade Singular, ensaio sobre a ontologia do presente - editora Civilização Brasileira Rio de Janeiro 2006

Portanto, a ideologia pode ser encarada como o ordenamento teórico que estrutura a ação, a operatividade, uma construção que pretende convencer diferentes agentes de sua adequação, ao tema, ao sítio, ao orçamento. Há um termo em Gramsci, que dinamizou o conceito de ideologia, conferindo-lhe um objetivo uma estratégia; a hegemonia. A idéia de Gramsci de construção da hegemonia, aponta que uma determinada classe só poderá obter o poder efetivo, na medida em que transformar sua ideologia particular e restrita em aspiração geral. Assim as revoluções americana e francesa, se estabilizaram como ideais na medida que conquistaram o conjunto do metabolismo social com suas teses; da eleição dos representantes, da supressão da indicação por linhagem familiar (do rei), mas por mérito, da idéia de sufrágio universalizado na sociedade, etc.. A hegemonia é portanto caracterizada como a capacidade de determinadas ideologias conseguirem conquistar o metabolismo social.

Le Corbusier e sua ideologia
Em nosso campo específico - a arquitetura e o urbanismo - percebemos como determinadas ideologias conquistaram o senso comum de forma contundente, determinando a forma de operar de diferentes atores e agentes, se tornando hegemônicas. Dois exemplos emblemáticos podem ser pinçados da história recente da arquitetura e do urbanismo. O primeiro, a doutrina corbusieana dos cinco pontos da arquitetura moderna, como mobilizou o fazer arquitetônico da geração modernista brasileira, que adotou o pilotis, a planta livre, a fachada livre, como padrão do bem construir. E o segundo exemplo, o rodoviarismo, que imperou soberano no mundo do segundo pós guerra até a crise do petróleo na década de 70, determinando a forma de desenhar cidades, que privilegia o automóvel particular como forma de locomoção no território urbano.

Portanto, ao longo dessas aulas os conceitos de projeto, ideologia e hegemonia serão tratados como ferramentas de interpretação da história e teoria da arquitetura e do urbanismo, procurando entender esses dois campos como expressão de manifestações culturais diversas e variadas.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Entrevista na rádio de Lobito em Angola

Foto aérea da cidade de Lobito em Angola na África
Entrevista a uma rádio na cidade de Lobito em Angola na África, na qual defendi a idéia de realização do Congresso da União Internacional de Arquitetos (UIA) na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 2020. O tema do congresso - Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21 - pretende enfatizar as diferenças de ocupação do território utilizadas pelo homem nas diversas culturas, e ao mesmo tempo, reforçar que nosso planeta é único, precisando ser cuidado de forma a preservar a existência das gerações futuras.

Ao lado imagem da cidade de Lobito em Angola na África. Um continente que vem apresentando um processo de urbanização intenso, que precisa ser pensado, regulado e planejado de forma a pensar a permanência da espécie humana sobre o planeta Terra. A proposta do Congresso da UIA no Rio de Janeiro, pretende fazer uma reflexão sobre as cidades e seus territórios, defendendo uma interação mais articulada entre humanidade e meio ambiente.

Abaixo o link da entrevista;

http://www.iabrj.org.br/Presidente_da_ordem_dos_arquitectos_do%20Brasil.06.06.14.mp3

http://www.iabrj.org.br/Presidente_da_ordem_dos_arquitectos_do%20Brasil.06.06.14.mp3

Viagem a Angola para Reunião do Conselho da União Africana dos Arquitetos


Apoio da África ao Congresso da UIA 2020 no
Rio de Janeiro
Do dia 05 de junho até o dia 07 de junho realiza-se em Angola na cidade de Lobito a 50a Reunião do Conselho da União Africana dos Arquitetos, que tem como tema, O Homem e o território. Vim para esse encontro, para atrair apoios para o Congresso Mundial de 2020 da União Internacional dos Arquitetos no Rio de Janeiro, Brasil. É a primeira vez que venho a África. Nessa tarefa de atrair apoios para a candidatura do Rio de Janeiro, de sediar o Congresso Internacional da UIA em 2020 tivemos um grande sucesso, uma vez que todos os países presentes manifestaram seu apoio. O presidente da União Africana dos Arquitetos fez questão de expressar esse apoio, através da fotografia tirada comigo, em frente ao slide inicial de minha apresentação de promoção do evento. Mas além da reunião e das deliberações, Angola e o tema do encontro O Homem e o Território nos forçam a uma reflexão sobre como se desenvolvem as cidades nos países do terceiro mundo.

A geografia da cidade de Lobito
A situação da ocupação humana no território em Angola é dramática, Luanda a maior cidade do país possui 2,8 milhões de habitantes, Huambo 1,2 milhões e Lobito 800mil, quase 40% das populações urbanas habitam em condições precárias. A população total de Angola é de 18 milhões de habitantes, sendo que quase 60% moram em cidades. A guerra civil angolana se estendeu desde a independência no ano de 1975 até o ano de 2002, e envolveu os diferentes movimentos e concepções que lutavam pela independência, o MPLA, a UNITA, e a FNLA. A origem da guerra é a adoção pelo MPLA corrente hegemônica no processo de obtenção de independência, do marxismo-leninismo e do sistema de partido único, que não foi aceito pelas duas outras correntes. Como a guerra se manteve constante principalmente no campo, houveram imensas levas de migração para as cidades, determinando grande presença de assentamentos informais, que aqui são chamados de musseques. Muitas das infraestruturas existentes no país foram destruídas pela guerra, inclusive algumas presentes nas cidades, as condições de vida urbana são precárias. Segundo dados oficiais a mortalidade infantil é de 320 para cada grupo de mil crianças nascidas vivas em Luanda, se compararmos com estados como São Paulo (14,5), Rio de Janeiro (18,3) e Minas Gerais (19,1) no Brasil, vemos que os dados são assustadores.

Aerofotogrametria de Lobito em Angola, a baixada litorânea
ocupada pelo tecido formal e as montanhas por Musseques
(Favelas)
A cidade de Lobito, ao sul de Luanda é a terceira cidade do país em número de população, sua geografia é dominada pela restinga, que configura uma baía, determinando o segundo porto em importância, uma faixa plana, que configura uma baixada e um conjunto de montanhas que correm no sentido norte e sul, que determinam o horizonte a oeste. A cidade possui imensos contínuos de Musseques (Favelas), que ocupam as montanhas, e que apresentam de uma maneira geral uma baixíssima densidade. Parecendo ainda ter uma unidade familiar vinculada a uma parcela terreno, não apresentando a verticalização das favelas brasileiras. Portanto, a cidade tem características na sua orla e na baixada adjacente, de um agradável balneário, apresenta junto as montanhas um imenso contínuo de informalidade. A via que leva em direção ao sul a cidade de Benguela, apresenta em suas margens; equipamentos industriais, concessionárias de veículos, grandes mercados de uma maneira geral estabelecidos de maneira formal, e nas montanhas as favelas ou musseques, conforme mostra a imagem da aerofotogrametria acima. O mercado imobiliário local não consegue produzir para atender a demanda das familias mais frágeis, determinando a presença da auto construção dos Musseques.

A cidade também apresenta uma imensa dispersão no território, ocupando uma área muito maior do que seria necessário. Esse fato dificulta muito a desejada universalização das infra estruturas urbanas, determinando que apenas uma área restrita da cidade desfrute de ruas e calçadas pavimentadas, iluminação pública, serviços de água, coleta de esgotos e lixo,  etc.. A mobilidade das pessoas no território é totalmente baseada em sistemas sobre rodas, que tendem a enfatizar ainda mais, a dispersão interminável das cidades.

Enfim, o tipo de desenvolvimento urbano segue um mesmo padrão dos países do terceiro mundo; cidades dispersas, infra estruturas não universalizadas, presença de informalidade, dependência total dos sistemas de pneus para se movimentar no território, fortes impactos no meio ambiente determinados pela não destinação correta dos esgotos.

domingo, 8 de junho de 2014

A cidade de Lobito em Angola

Vista geral da cidade de Lobito
Do dia 05 de junho até o dia 07 de junho de 2014 realizou-se em Angola na cidade de Lobito a 50a Reunião do Conselho da União Africana dos Arquitetos, que tem como tema, O Homem e o território. Vim para esse encontro, para atrair apoios para o Congresso Mundial de 2020 da União Internacional dos Arquitetos no Rio de Janeiro, Brasil. É a primeira vez que venho a África. A cidade de Lobito tem um ar de balneário, apesar de ser o segundo porto em importância de Angola. A cidade possui um sítio interessante, dominado por uma grande restinga, que configura de um lado o mar aberto e de outro a baía protegida que lhe serve de porto. A área mais antiga da cidade está localizada nessa restinga, bem como na sua conexão com o território.

Igreja de Nossa Senhora da Arrábida em Lobito Angola
 A influência da arquitetura portuguesa nas construções da cidade é um fato. A Igreja de Nossa Senhora da Arrábida, mostrada acima, é do arquiteto português Vasco Regaleiro (1897-1968), sendo um legítimo representante dos estilos historicistas e de restauração da tradição, do início do séculoXX. Ela também mostra muito da singeleza da arquitetura portuguesa, que ao contrário da espanhola, não se envolve com grandiloquências desmedidas, e mostra invariavelmente uma sensível adequação á escala humana.

Edifício dos Correios em Lobito
Outra presença forte na cidade de Lobito é o Art Decô, que possui alguns exemplares preciosos, como o edifício dos Correios, mostrado ao lado. É uma arquitetura que expressa sempre um esforço para se adequar ao clima tropical. Nesse esforço lança mão da utilização de elementos vazados como os combogós da arquitetura brasileira, e, que permitem ampla ventilação. De uma maneira geral, são bastante eficientes, nessa adequação ao clima, apresentando um desempenho térmico invejável,  com uma diferença de temperatura entre o exterior e o interior sempre substancial.

Edifício da Câmara Municipal de Lobito
Outro exemplar recorrente na cidade de Lobito é um modernismo simétrico e acadêmico, próximo da arquitetura do fascismo de Mussolini, que foi realizado por um órgão denominado Gabinete de Urbanismo Colonial (GUC) e posteriormente Gabinete de Urbanismo Ultramarinho (GUU), ligado ao regime de Salazar. Um dos exemplos é o edifício do Paço do Conselho, atual Câmara Municipal uma edificação feita para representar o poder colonial de Portugal em Angola, apenas finalizado em 1962. Os arquitetos Mario de Oliveira (1914-2013), Lucinio Cruz e Castro Rodrigues são os autores do projeto. E, mais uma vez emerge uma arquitetura com soluções de conforto térmico e de aclimatação aos trópicos bastante interessantes. Os projetos do Gabinete de Urbanismo
Estudo da fachada de um Liceu para Angola do Gabinete
de Urbanismo Ultramarinho
Ultramarinho apresentam uma constante preocupação com esse tema, e parecem querer expressar uma arquitetura de cunho nacionalista, que procura se distanciar da face internacional da arquitetura moderna, de acento corbusieano. Uma das comprovações desse fato são as soluções adotadas para as fachadas, que procuram resolver a questão das tomadas de ar fresco e expurgo do ar quente, conforme pode se notar no desenho ao lado feito no GUU para um Liceu na cidade de Luanda em Angola.

 Nesse contexto, ocorreu o encontro do Conselho da União Africana dos Arquitetos, onde os africanos demonstraram o seu apoio a realização do Congresso Internacional da UIA de 2020.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A despoluição da baía de Guanabara

O sociólogo Roberto Damata publicou ontem dia 04 de junho de 2014, no jornal O Globo, um interessante artigo sobre a baía de Guanabara, com o título de Um ponto de vista. O articulista é originário da cidade de Niterói, e nessa condição tem uma relação mais interativa com as águas da "mais bela baía do mundo."  Segundo seu depoimento,

"Escrevo sobre a baía não porque goste de acusar, mas porque nasci e - apesar de tudo - permaneço em Niterói."

Realmente, quem cruza a ponte, ou adentra a baía de barco, ou visita Paquetá ou as ilhas do Fundão e do Governador, ou vai a Niterói se depara com um dos mais belos cenários, literalmente um anfiteatro de montanhas expressivas e emblemáticas. Massas incríveis de granito nú cheias de personalidade, que começam no Pão de Açúcar e chegam até a serra do Órgãos em Teresópolis, que se constituem numa paisagem única e encantadora, que parece estar sempre disponível a desvendar um novo ângulo. Infelizmente esse incrível acontecimento inusitado vem sendo mau tratado pela ocupação humana do seu entorno - a cidade metropolitana do Rio de Janeiro - e, está completamente poluída, numa vazão "de seis mil litros de porcaria a cada segundo!"

A porcaria mencionada pelo sociólogo se constitui de esgoto doméstico, isto é saneamento básico, coleta executada casa a casa nos municípios da baixada que fazem parte de sua bacia de contribuição. O que aumenta a responsabilidade da população e dos governantes, como causadores desta tragédia ambiental é o fato de que as oito Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs), dimensionadas para tratar essa carga domiciliar, já estão construídas há mais de dez anos, sem entrar em funcionamento. Foram feitas dentro do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, mas não foram acompanhadas, pelo trabalho muito mais pulverizado e disseminado no território, que é a coleta domiciliar.

A pergunta que fica no ar e complica essas responsabilidades mencionadas, é que; estão executadas porque eram obras mais sedutoras e interessantes para as empreiteiras? Porque não foram acompanhadas pelas obras de coleta domiciliar? Abaixo o link do texto de Roberto Damatta.

http://oglobo.globo.com/opiniao/um-ponto-de-vista-12711479

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Cerimônia de premiação do Concurso de Projetos para CCEE Cabo Frio, Nova Friburgo e Paraty

Pedro da Luz Moreira presidente do IAB-RJ, Luis Fernando
Pezão governador do Rio de Janeiro, um dos arquitetos
premiados e o Subsecretário de Obras Vicente Loureiro
No último dia 29 de maio de 2014 foi realizada no Palácio Guanabara solenidade de premiação do Concurso de Projetos para os Centros Culturais de Exposições e Eventos das cidades de Cabo Frio, Nova Friburgo e Paraty. Um processo bem conduzido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil departamento do Rio de Janeiro (IAB-RJ) e pela Subsecretaria de Obras do governo do Estado do Rio de Janeiro, chegava ao fim. Todo concurso de projetos de arquitetura envolve uma série de etapas e decisões, que podem construir a sua fortuna ou o seu fracasso. Cada uma delas envolve uma equipe de profissionais gabaritados que montam o edital, publicam e divulgam suas premissas, respondem as mais diferenciadas perguntas, recebem os trabalhos, convocam uma comissão julgadora e divulgam os resultados. Em cada uma dessas etapas podem acontecer surpresas. É uma atividade na qual o IAB-RJ possui uma ampla experiência, construída ao longo de seus quase cem anos de história. Na ocasião, tive a oportunidade de realizar o discurso abaixo, que transcrevo com algumas complementações, que foram suprimidas em função do tempo que dispunha:

Desde o seu nascimento, o IAB defende a realização de concurso de projetos para as obras das várias esferas de governo, ou para iniciativas privadas, que tenham uma certa relevância pública. Essa não é só uma luta corporativa dos arquitetos, mas é uma luta de toda a sociedade brasileira para que nossas obras ganhem maior transparência.

Num país onde a mídia constantemente denuncia obras mal feitas, orçamentos inadequados e cronogramas não cumpridos é fundamental dar protagonismo ao planejamento e ao projeto. E, o concurso de projetos de arquitetura é um dos instrumentos para promover essa maior transparência e visibilidade para as obras de relevância pública, pois confere protagonismo para a adequação e justeza das melhorias pretendidas. Nas sociedades mais avançadas, o controle da adequação das obras às prioridades da população é atingido pelos mecanismos de planejamento e de projeto, que ganham a dimensão do debate com uma série de agentes e atores se manifestando. O concurso público de projetos de arquitetura garante visibilidade e publicidade às intervenções pretendidas desde suas etapas iniciais - o estudo preliminar - fazendo com que sua adequação aos contextos físico, social e econômico seja socialmente debatido e aprimorado.

Na verdade, o projeto e o plano precisam passar a ser encarados como poderosos instrumentos na construção de consensos em nossas sociedades contemporâneas.

Os vários agentes e atores da sociedade podem e devem ter acesso às diversificadas hipóteses levantadas nas fases de plano e projeto, questionando e legitimando suas decisões. As recentes manifestações ocorridas nas cidades brasileiras apontam que nossos governantes precisam adequar as variadas infraestruturas à qualidade de vida. Isso pressupõe ações sobre o território realizadas de forma articulada, pensada e submetida aos diversos atores interessados de forma democrática. Nossas cidades precisam repensar suas infraestruturas de forma qualitativa e não mais apenas de forma quantitativa. As ações sobre o território não podem mais ser segmentadas, desarticuladas e desconexas, devendo levar em conta a complexidade do fenômeno urbano.

Nossas cidades metropolitanas precisam enfrentar seus problemas, de valor da terra urbana, de reconstrução do espaço público, da qualidade do caminhar, da mobilidade das pessoas, da sua interação com o meio natural de forma a garantir às gerações futuras uma melhor qualidade de vida. Nesse aspectos propomos uma mudança na forma de construir e de preservar as cidades brasileiras, rompendo com inércias instaladas e se fixando em quatro pontos prioritários:

Ponto 1: Cidades, que tenham bairros com diversidade de usos e de extratos sociais, revertendo a tendência de criação de guetos de ricos e pobres. A cidade segura é a da diversidade de extratos sociais, que se encontram no espaço público para celebrar a convivência entre diferentes.

Ponto 2: Cidades, que tenham uma mobilidade eficiente, que atenda a todos, que se articule a partir dos grandes modais de deslocamento, e que se estruture de forma hierarquica, fazendo com que todos os seus cidadãos não demorem mais de quarenta minutos em seus movimentos pendulares, combatendo a tendência de condenar as populações frágeis economicamente de ser penalizadas por deslocamentos de longas horas.

Ponto 3: Cidades, que tenham uma densidade que garanta o acesso a todas as infraestruturas urbanas a todos os seus cidadãos, garantindo acesso a coleta de esgotos, abastecimento de água, coleta de lixo, transportes de qualidade e etc... Combatendo a tendência de dispersão interminável, que dificulta a universalização dos serviços de infraestrutura urbana.

Ponto 4: Cidades, que busquem uma aproximação positiva com meios ambientes complexos e diversificados, combatendo a tendência de destruição dos biomas adjacentes a mancha urbana, promovendo um convívio didático entre seres urbanos e meio natural.

Nessa perspectiva de mudança das formas de construir a cidade no Brasil, e buscando formas de ampliar os debates sobre a ocupação humana do território é que o IAB-RJ anuncia sua candidatura a sediar o Congresso Mundial de Arquitetos da União Internacional dos Arquitetos (UIA) em 2020. A disputa para conquistar esse grande evento de cunho internacional só se justifica na perspectiva de busca de uma nova qualificação da ocupação humana no território brasileiro.