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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Avenida Paulo de Frontin era um bucólico logradouro em torno de um rio

A Avenida Paulo de Frontin antes do viaduto e da estátua
 do Cristo Redentor
A Avenida Paulo de Frontin no bairro do Rio Comprido na cidade do Rio de Janeiro era um bucólico logradouro, que se estruturava a partir da canalização do rio Comprido. Essa rua foi profundamente afetada por uma obra rodoviarista, o túnel Rebouças, que foi inaugurado em 1967, e que destruiu sua bucólica imagem. Ainda, depois do túnel, fez-se um viaduto, inaugurado em 1973, sobre este bucólico boulevard, determinando sua completa morte. Durante as obras desse viaduto houve um trágico acidente em 1971, no qual a estrutura ruiu, e, que matou vinte e duas pessoas, na esquina da Paulo de Frontin com Hadock Lobo, ver foto abaixo.

O trágico acidente com o elevado em 1971, que matou
vinte e duas pessoas
O que se depreende da sequência de fotos apresentadas é a hegemonia da mentalidade rodoviarista, que governava a construção de nossas cidades nos anos sessenta e setenta do século XX. A condenação de trechos da cidade à dinâmica dos fluxos, onde o que importa não é a fruição do caminho, mas apenas ligar a partida e a chegada de forma rápida, foi a ideologia dominante dos esforços de transformação da cidade brasileira. Cabe notar, a completa ausência de suporte de base para um sistema de transporte coletivo, seja ele, qual for. Essa mesma lógica também determinou a construção da Linha Vermelha e a Linha Amarela nos anos noventa. Logo estas vias se mostraram saturadas por engarrafamentos, demonstrando que a demanda do automóvel individual é inalcançável.

A pergunta que parece emergir, com a demolição do viaduto da Perimetral, na mesma cidade do Rio de Janeiro, na zona Portuária. Nos livramos do paradigma rodoviarista?