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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Artigo meu publicado na Revista de Economia

Prezados, divulgo aqui o artigo publicado na Revista de Economia Fluminense, no qual debato a questão da cidade do cotidiano efetivo, aquilo que estamos construindo como ambiente urbano concreto no estado do Rio de Janeiro e no Brasil, que impacta no cotidiano de milhões de pessoas.

O artigo mereceu uma chamada na capa da revista...
Capa da Revista de Economia



terça-feira, 30 de julho de 2013

Cidade dos antigos cascos históricos

Matéria da Folha de São Paulo do último domingo dia 28 de julho de 2013, onde se discute a inviabilidade da cidade do modelo americano, baseada no automóvel, na baixa densidade, no suburbio, que determinou o esgarçamento da cidade no mundo todo. A matéria também destaca a valorização da terra urbana e a consequente gentrificação destes territórios na cidade capitalista, apontando para a necessidade de construção de um território diversificado de extratos sociais.
Casa do suburbio de Detroit


Aspecto de Detroit



























A cidade brasileira precisa abandonar este modelo de desenvolvimento e se pautar por uma agenda clara de princípios norteadores;
1. cidade densa e compacta
2. cidade da convivência e proximidade da diversidade de classes sociais e usos
3. cidade de mobilidade eficiente e barata
4. cidade da convivência educativa entre biomas naturais e vida artificial
Vale pena ler a matéria...
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/120995-pesadelo-americano.shtml

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mais uma casa da série: casa para uma familia (casa de vila em encosta)

Mais um exemplar da série de casas para uma familia, da qual esta é a quinta publicada, com o mesmo programa, isto é os mesmos compartimentos. Agora num terreno diferente da última casa, que também era uma vila, ainda urbana, mas agora em uma encosta, com um declive em relação a rua. Com a proposta da implantação de uma vila, conformando um conjunto articulado de 10 casas. É a primeira da série que apresenta os desenhos coloridos, o que certamente potencializa a compreensão da proposta.  A idéia desta série de casas, que pretendo publicar neste blog exorciza algumas hipóteses que convivem comigo há muito tempo, assim como escreveu Lucio Costa no memorial para a cidade de Brasilia; "apenas me desvencilho de uma solução possível, que não foi procurada, mas surgiu..."

Planta de Situação da vila, mostrando 9 casas de sala 2 quartos
e uma de sala tres quartos. A vila não possue acesso de veículos,
sendo de pedestres
A casa é a materialização da familia no espaço. A casa urbana individualizada no terreno é a representação do modus operandi da familia. A casa de vila, que apresento nesta série é fruto da percepção de uma familia da apropriação da valorização da terra urbana na cidade com a densificação. A familia para viabilizar seu sonho constroi uma vila, que disponibiliza e compartilha com outras familias, que compram e compartilham um modus operandi presente na cultura citadina brasileira. A partir desta apropriação da densificação a familia consegue viabilizar seu sonho, de ter uma casa. As casas são padronizadas e repetidas, otimizando os procedimentos de sua construção, nove casas são de sala e dois quartos, enquanto apenas uma repete o programa das outras casas anteriores, conformando o conjunto de dez casas. As casas possuem uma inserção urbana no microcosmo da vila, buscando ao mesmo tempo se inserir no conjunto e também se individualizar. Há uma clara valoração do conjunto de casas que forma um todo, onde a coletividade e a individualização da familia elegem uma forma de vida mais integrada ao conjunto. Ao contrário da vila anteriormente publicada, esta não permite o acesso de carros às soleiras das casas. Há uma construção junto a rua que faz o papel de garagem de carros, abrigando dez veículos. A vila é portanto território de pedestres, o que amplia o potencial da área pública de se configurar como um local de intenso uso pelas crianças.


Planta e Fachada da casa de sala tres quartos, que se desenvolve
em tres pavimentos


Planta e Fachada de um conjunto de tres casas de sala e dois
quartos
Esta forma de construir sua própria casa oferece resposta a uma série de questões presentes na cidade brasileira, como; segurança, densificação no território, pulverização da apropriação da renda urbana, etc...




Perspectiva mostrando o conjunto conformado por duas casas de sala/dois quartos e a casa maior de sala/tres quartos


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Seminário do IAB Q+50 em Belo Horizonte discute Mobilidade Urbana - resumo do sábado, dia 20 de julho de 2013

Foi realizado em Belo Horizonte mais um seminário da série Quitandinha +50 do Instituto dos Arquitetos do Brasil, que comemora os cinquenta anos do legendário encontro realizado no hotel em Petrópolis em 1963, que debateu a Reforma Urbana, dentro do contexto das reformas de base que mobilizava o país. Desta vez o Q+50 discutiu sobre Mobilidade Urbana, tema que vem mobilizando uma série de manifestações pelo país que lutam por melhor qualidade de vida nas nossas cidades.

A arquiteta Angélica Alvim, Pedro da Luz, Jupira Gomes de
Mendonça e o engenheiro Luiz  Octavio Portela
O encontro se iniciou na sexta feira dia 19 de julho na escola da Assembléia Legislativa, e seguiu no sábado na sede do IAB-MG, com uma mesa institucional que reuniu Rose Guedes presidente do IAB-MG, Haroldo Pinheiro presidente do CAU-BR, Joel Campolina presidente do CAU-MG e Amélia Maria da Costa e Silva presidente do SINARQ, que apresentaram os desafios para as cidades brasileiras no campo da mobilidade. Logo após o encontro reuniu as arquitetas Angélica Alvim da Escola de Arquitetura da Mackenzie em São Paulo, a arquiteta Jupira Gomes de Mendonça da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG, e o engenheiro da TENPRO Luiz Octávio Silva Portela. Após as tres apresentações foi realizada a palestra do engenheiro catalão Manuel Herce, que abordou o tema Mobilidade Urbana, grandes eventos e direito à cidade. Depois da palestra a mesa foi recomposta com os quatro participantes mediados por mim, o arquiteto Pedro da Luz Moreira.

A arquiteta Angélica Alvim iniciou sua apresentação destacando a capacidade dos sistemas de transportes públicos de induzir a ocupação do território. Para a arquiteta a hegemonia do modelo rodoviarista da cidade brasileira induziu um modelo de ocupação do território disperso e esgarçado. A arquiteta fez também uma importante reflexão sobre as diversas escalas do desenho, a partir da ideia dos desenhos do mapa e da via. Angélica também destacou que a referência para aferir qualidade nos sistemas de transportes nas nossas cidades deve ser regulado pela compreensão do usuário, que envolve o tempo e o preço.

A arquiteta Jupira Gomes de Mendonça destacou a elaboração do Plano Metropolitano de BH elaborado a partir da coordenação do professor Montemor da EAU-UFMG, como um procedimento integrado, interdisciplinar e participativo, que formulou a ideia de uma cidade policentrada e ao mesmo tempo compacta. A arquiteta também destacou a dimensão territorial do plano, que se estrutura a partir de quatro objetivos a serem alcançados; acessibilidade, seguridade, urbanidade e sustentabilidade. A professora da EAU-UFMG também apresentou uma importante reflexão sobre a segmentação instalada no Ministério das Cidades, que subdivide em setores como; habitação, saneamento, infraestrutura, mobilidade etc..., fragmentando o urbano em lógicas e ações, que deveriam estar reunidas.

O engenheiro Luiz Octávio da SENPRO apresentou a ideia de que o chão da cidade está cheio e saturado, propondo a instalação de um sistema de monotrilho elevado. A proposta foi qualificada pelo engenheiro como viável pelos seus custos, pela velocidade de sua implantação e por sua capacidade de adaptação a diferentes contextos.

Arquiteto Pedro da Luz e o engenheiro Manuel Herce
Por fim o engenheiro catalão apresentou sua palestra denominada Mobilidade Urbana, grandes eventos e direito à cidade. A apresentação destacou a presença do carro nas cidades contemporâneas, como fator de degradação de seu espaço público e da sua capacidade de promover a reunião de seus cidadãos. O mito da modernidade, que cultua a máquina e o individualismo acabou gerando exclusão e dispersão na ocupação do território da cidade. Para o engenheiro catalão é fundamental atuar de forma articulada promovendo três ações concretas e interdependentes; melhorias no transporte público, desestímulo ao carro e apoio ao caminhar do pedestre. O solo da cidade precisa ser qualificado dando todo o conforto ao caminhar do pedestre, que deve enquadrar os padrões de exigência do rodoviarismo, submetendo-o a uma matriz de prioridades.

A partir destas colocações o público presente ao evento questionou os palestrantes em uma série de aspectos. Dentre os quais, destaco a questão colocada pelo arquiteto Demetre Anastassakis, que sublinhou algumas especificidades do desenvolvimento brasileiro, que produziu a emergência de uma nova classe média que alcança o consumo de alguns bens, como o carro particular, e não pode ser desconsiderada de forma excludente e elitista.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Matéria no Estado de Minas de ontem dia 21 de julho de 2013 sobre o Q+50 Mobilidade Urbana em BH

http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/07/21/interna_gerais,425718/transporte-publico-e-pauta-de-evento-na-capital.shtml

omingo, 21 / julho / 2013 | Caderno - Gerais
Transporte público em pauta


Todos os dias, Sérgio Coelho, de 33 anos, se desloca do Coração Eucarístico, na Região Nordeste de Belo Horizonte, até o Santo Agostinho, no Centro-Sul. Pegando o metrô e caminhando cinco quilômetros, ele gasta 30 minutos no percurso até o trabalho. De carro, com o caos do tráfego da capital, ele levava uma hora para chegar ao destino. “O ideal seria ter metrô até a Savassi e a Pampulha”, ressalta, justificando que não gosta de pegar ônibus porque eles demoram a passar. Já a vizinha de bairro, a advogada Luzia Fernandes dos Santos, de 37, prefere ir de carro até o Bairro de Lourdes, onde trabalha, porque os coletivos são poucos e estão sempre lotados. “Os usuários pagam caro por um transporte sem qualidade. O metrô é até bom, mas não vai aonde eu trabalho”, acrescenta.

Ambos engrossam o coro popular de insatisfação com o transporte público, que foi o estopim para as manifestações que ocorreram em todo o país no mês passado. Ontem, eles conheceram e aprovaram o ônibus do BRT durante um evento na Praça da Assembleia. Com o tema Mobilidade Urbana, a iniciativa foi promovida pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e reuniu representantes da BHTrans e da Polícia Militar.

 A ideia, segundo Rose Guedes, presidente do Departamento de Minas Gerais do IAB, era garantir uma maior participação popular e um espaço democrático para o diálogo com a comunidade sobre a construção de cidades sustentáveis. Um microfone estava disponível em uma tribuna popular para quem quisesse se manifestar. Francisco Maciel, secretário geral da Associação de Usuários de Transporte Coletivo da Grande BH (AUTC), usou o espaço. Ele ressaltou que a AUTC defende a prioridade do coletivo sobre o individual. “É preciso que as vias sejam mais dedicadas ao ônibus do que ao carro, que tenha pedágio urbano dentro do limites da Avenida do Contorno, rodízio de placas e proibição de estacionamento em áreas centrais”, diz.

Pedro da Luz Moreira, arquiteto da diretoria do IAB nacional, diz que a mobilidade significa o acesso a uma melhor oportunidade na vida. O arquiteto, assim como Francisco Maciel, acredita que as cidades erroneamente continuam investindo em obras pensadas na cultura do carro, do indivíduo, em detrimento do coletivo.

SOLUÇÃO SIMPLES Ainda na programação do sábado, foi realizada na sede do IAB-MG, no Bairro Cruzeiro, uma mesa-redonda com os arquitetos Angelica Alvim, Jupira Mendonça e José Abilio Belo sobre o tema Mobilidade, projeto e cidade-metropolitana. Manuel Herce, professor da Universidade Politécnica da Catalunha (Espanha), apresentou uma conferência. Para ele, a solução para o trânsito das cidades é simples: investimento em transporte público.

Seminário do IAB Q+50 em Belo Horizonte discute Mobilidade Urbana - resumo da sexta feira dia 19 de julho de 2013

Foi realizado em Belo Horizonte mais um seminário da série Quitandinha +50 anos do Instituto dos Arquitetos do Brasil, que comemora os cinquenta anos do legendário encontro realizado no hotel em Petrópolis em 1963, que debateu a Reforma Urbana, dentro do contexto das reformas de base que mobilizava o país. Desta vez o Q+50 discutiu sobre Mobilidade Urbana, tema que vem mobilizando uma série de manifestações pelo país que lutam por melhor qualidade de vida nas nossas cidades.

O encontro se iniciou na sexta feira dia 19 de julho com um quadro institucional dos transportes na cidade de Belo Horizonte. Logo após foi composta uma mesa com os arquitetos Vicente Loureiro, Demetre Anastassakis e o engenheiro Zenilton Kleber Gonçalves. Após as tres apresentações foi apresentada a palestra da arquiteta Valeska Peres da ANTP, Projetos de Mobilidade Urbana, atribuição dos arquitetos. Depois da palestra a mesa foi recomposta com os quatro participantes mediados por mim, o arquiteto Pedro da Luz Moreira.

Arquiteto Demetre Anastassakis apresenta suas provocações 
no Seminário Q+50
A palestra de Vicente Loureiro chamou a atenção para a extensão da malha de trens urbanos da cidade do Rio de Janeiro, equiparando em tamanho a outras cidades importantes pelo mundo. Apesar deste tamanho a malha de trens transporta apenas 3% da população da cidade metropolitana, o que contraposto aos 57% que usam o sistema de õnibus, demonstra muito da falta de confiança da população do Rio de Janeiro no sistema. Vicente também anunciou que está formulando com o IAB-RJ um Concurso de Idéias para qualificar o sistema de trens metropolitanos da cidade metropolitana do Rio de Janeiro.

Logo após houve a apresentação do engenhero Zenilton Gonçalves, que enfatizou que o problema dos transporte público nas cidades brasileiras não se restringem a uma incapacidade inventiva, mas a uma forte carência de gestão do sistema. Zenilton enfatizou que a gestão do sistema atual deve ser operada, procurando otimizar seu funcionamento buscando padrões de conforto para o cotidiano da população usuária. O Engenheiro da MP engenharia também enfatizou a ideia de que o planejamento do setor deve enfrentar o desafio de ser ao mesmo tempo; participativo, integrativo, multimodal, com gestão compartilhada e de forma inter disciplinar.

A apresentação do arquiteto Demetre Anastassakis reinvindicou que o urbanismo assuma seu caráter de coordenador do território urbano, conciliando diferentes agentes e atores urbanos pelo desenho da cidade. O arquiteto também assinalou a capacidade que os sistemas de mobilidade das cidades possuem em induzir a ocupação do território, articulando diferentes fenômenos como valor da terra, densidade, atração de atividades, desenvolvimento econômico, etc...

Por último, a arquiteta Valeska Peres defendeu a necessidade de diminuir as demandas por deslocamentos em nossas grandes cidades, aproximando moradia de trabalho/escola. A arquiteta também assinalou que o fenômeno da hegemonia populacional urbana frente a população campesina é recente, gerando uma série de problemas que permanecem sem solução.

A partir destas colocações o público presente ao evento questionou os palestrantes em uma série de aspectos. Dentre os quais, destaco a questão colocada pelo Movimento do Passe Livre, que alegou que o subsídio governamental deveria abandonar a industria automobilística e incentivar os modais de transportes de alta capacidade.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Debate sobre a Operação Urbana Consorciada (OUC) de Niterói no IAB-RJ

Apresentação da OUC de Niterói
Foi realizado na última segunda feira dia 15 de julho de 2013 um debate sobre a Operação Urbana Consorciada (OUC) do centro da cidade de Niterói na sede do IAB-RJ. Certamente um tema que interessa a cidade metropolitana do Rio de Janeiro de forma geral. A apresentação da Secretária de Urbanismo, Verena Andreata deixou claro que a Prefeitura de Niterói não possui um desenho de cidade que pretende ser alcançado no futuro. A proposição de indices de aproveitamento de terrenos (CEPACs) também impõe um modelo que celebra a torre individualizada, pois os investidores compram potencial construtivo de um terreno isolado, esquecendo das adjacências desta parcela. A falta de definição com relação ao sistema viário, ao modelo de quadra, a massa construída, aos modais de transportes demonstram a incapacidade da proposta de controle sobre o futuro da cidade. Particularmente na questão do transporte público, no transbordo de modais - barcas/ônibus ou barcas/futuro metrô (linha 03) - fica clara a omissão da proposta, que parece fragmenta realidades, se restringindo de forma apressada a oferecer apenas potencial construído, sem conectar com o transbordo de modais, o desenho das quadras, o gabarito, o desenho das ruas, etc...

Nessa condição a arquitetura e o urbanismo passam a ser um exercício de fragmentação de ações, que tendem a construir um cenário que interessa a muito poucos...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Seminário Q+50 em Belo Horizonte sobre Mobilidade Urbana

Prezados, será realizado agora em Belo Horizonte o seminário Quitandinha +50 sobre Mobilidade Urbana nos dia 19 e 20 de julho de 2013. Esta é a quinta edição da série de Seminários Q+50, que comemora os cinquenta anos do histórico Seminário realizado no Hotel Quitandinha em 1963 sobre a Reforma Urbana. O tema de Belo Horizonte entrou definitivamente na pauta dos governantes devido as manifestações das ruas durante a Copa das Cofederações. A Mobilidade Urbana corresponde a um dos itens mais importantes para ampliação da qualidade de vida nas cidades brasileiras. Já foram realizados quatro seminários:

Rio de Janeiro - Arquitetura, Cidade e Metrópole, Democratizar Cidades Sustentáveis,

Rio Grande do Sul - A moradia brasileira

São Paulo - A Gestão das Cidades

Brasilia - Espaço público: Cultura Patrimônio e Cidadania

As próximas edições estão programadas para acontecer até o final do ano de 2013 em:

Salvador - Esvaziamento dos Centros,

Manaus - A Amazônia Urbana

Ceará - Metrópoles e Redes de Cidades

terça-feira, 16 de julho de 2013

Doze Anotações sobre Alvaro Siza do cliente Nuno Higino

Expo Lisboa de Alvaro Siza
Na homenagem dos oitenta anos do arquiteto Alvaro Siza, o cliente Nuno Higino faz um belo relato sobre o modus operandi do grande arquiteto português. Particularmente, os itens 4 sobre o olhar e 5 sobre o canteiro de obras mostram esta forma de conceber em eterno processo. 

Quando Siza esteve por aqui, no teatro do Niemyer em Niterói descrevendo o processo de concepção da porta da Expo Lisboa, ele também explicitou esta sua pesquisa muito particular. Naquela exposição ficou claro como a partir da interação com seu calculista, Siza chegou a formulação do edifício da Expo de Lisboa. Incrivel como havia ali um enorme esforço para desmistificar o processo de concepção de projeto, qualificando-o como um desenvolvimento de uma interação muito particular, a partir de uma conversa num café com o engenheiro. Em contraposição ao nosso arquiteto Oscar Niemyer percebe-se uma imensa diferença, enquanto um apresentava uma premissa meio idealizada - as curvas da mulher brasileira ou as montanhas do Rio de Janeiro - o outro reforça que o processo criativo é fruto da transpiração, mobilização, interação e da concentração em torno de um tema.

Expo Lisboa de Alvaro Siza
O item 7 também relembra, não sei se itencionalmente, uma passagem recorrente das palestras do Oscar Niemyer, a que ele mencionava a catedral de Notre Dame em Paris. Na qual, ao adentrar a sua nave sentia que sua alma, de um materialista histórico, se ajoelhava a sua revelia. O item 11 mostra muito do silêncio e uma certa melancolia que a obra de Siza nos transmite. Concordo com o Nivaldo Andrade da Bahia, que este emsmo item 11, critica um pouco da nossa situação contemporânea sobre carregada de textos e de explicações...

Enfim,vale a pena ler as doze anotações e visitar as obras de Siza...






Igreja de Santa Maria
1 Por mais voltas que lhe demos, a nossa cultura nunca deixará de ser platónica no sentido em que, para nós, conhecer significa recordar-se. E, portanto, toda a vida é um processo de reconstrução. Siza gosta de dizer que, em arquitectura, ninguém inventa nada. É uma outra forma de dizer o mesmo.

2 Não sei muito sobre História mas suspeito que nunca, como hoje, se falou tanto na diferença e nunca tudo foi tão igual. Até na arquitectura. Querer obsessivamente ‘marcar a diferença’ representa, em geral, o caminho mais curto para a repetição.


3 A diferença entre a boa arquitectura e a má ou assim-assim é que a boa arquitectura copia sem repetir e a ‘outra’ repete ao copiar.

4 Tudo começa nos olhos. Siza costuma falar na necessidade de aprender a olhar. E na importância de viajar. A arquitectura educa o olhar e educa-se no olhar. Só quando se olha muito e bem se começa a vislumbrar o essencial. Sempre Platão…
  
5 Recordo-me das visitas de Siza à igreja do Marco durante a construção. Mal chegava, olhava. Percorria a obra, sozinho, e olhava. Às vezes media com as mãos. Depois de olhar, pausadamente, e de medir com as mãos, reunia a equipa: colaboradores do gabinete, técnicos das especialidades, encarregado geral, fornecedores, dono da obra.

6 Ao longo do processo, Siza foi-se descosendo: ‘Fui visitar La Tourette’, ‘fui visitar o convento de Barragán’, ‘fui visitar a capela de Vence’, ‘fui visitar uma igreja no sul de Itália’. E quantas outras não terá visitado ao longo do processo e da vida!

7 ‘Numa delas – disse-me, mas já não me recordo em qual. Ou se não me disse, sonhei – entrei e ajoelhei-me. Não podia fazer outra coisa’. Eu compreendo, Siza.

8 Nunca me apercebi se alguma vez, ao entrar na ‘sua’ igreja, caiu de joelhos, por não poder fazer outra coisa. Estou convencido que se o fez, fê-lo discretamente. E se não o fez, foi por modéstia.

9 Poucos dias depois da inauguração (ou sagração, como preferem dizer os peso-pesados do sagrado) Siza entrou e começou a percorrer o espaço, como sempre fazia. Acendeu um cigarro. Com o primeiro fumo atravessado na garganta, saiu na direcção da porta e deitou o cigarro fora. ‘Esqueci-me que agora já não se pode fumar aqui!’

10 Eu sorri. Não faço ideia do que lhe respondi, se é que respondi alguma coisa. Hoje, ao recordar o episódio, ocorre-me o poema ‘Irene entrando no céu’, de Manuel Bandeira: ‘Entra, Irene, você não precisa pedir licença’.

11 Siza nunca explicava tudo, o que, não raras vezes, era um grande incómodo porque obrigava a pensar. E não era por não saber. Ou seria. Eu julgo que ele não explicava tudo por respeitar a inteligência das pessoas.

12 A virtude do mestre é ditar o silêncio. Ditá-lo como se dita um texto a quem está a aprender a escrever. Com todas as pausas necessárias.

http://p3.publico.pt/cultura/arquitectura/8437/doze-anotacoes-nos-80-anos-de-alvaro-siza#.UeBAnLQCHdA.facebook

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Debate sobre as manifestações no Brasil

Manoel Ribeiro, Cunca, Janot, Pedro da Luz, Maria Alice e Claudius Ceccon
debatem no IAB-RJ as manifestações no país
Na segunda feira dia 08 de julho de 2013 o IAB-RJ promoveu um debate sobre as manifestações que vem ocorrendo nas cidades brasileiras. Com a participação da socióloga Maria Alice Resende, do historiador Pedro Cunca Bocaiuva e dos arquitetos Manoel Ribeiro, Luiz Fernando Janot, e Claudius Ceccon, mediados por mim Pedro da Luz, o debate destacou uma certa perplexidade de todos os analistas do sentido e da direção do movimento.

Maria Alice Resende iniciou destacando que as manifestações ocorrem num momento em que o país apresenta uma forte expansão econômica e uma situação de pleno emprego. As manifestações que ocuparam o espaço público das cidades brasileiras representaram um imenso basta a corrupção, aos desmandos dos governantes e a falta de qualidade no transporte público. A socióloga ainda destacou a necessidade de aprofundar a transparência, avançando num esforço de democratizar a nossa democracia.

Cunca seguiu afirmando de forma polêmica e provocativa que nossas megacidades são intensas e dinâmicas, dotadas de uma energia promotora de solidariedades. O historiador também buscou qualificar nossas cidades como espaços que não se restringem a ser centros de negócios, pautados por uma agenda de atração de capitais e consumismo generalizado, mas locais onde se desnaturaliza as práticas do poder, onde emerge o direito à desobediência. Muito além do populismo de Lula ou as tecnicalidades de Dilma o espaço urbano é ressimbolizado pela sua ocupação como desejo de mudança, de questionamento e da construção da utopia.

Depois o arquiteto Manoel Ribeiro destacou a presença das redes sociais, a ausência de lideranças e hierarquias nas manifestações, pontuando que o nosso tempo possui grande volatilidade e está dominado pela hegemonia do capital financeiro. Manoel também destacou a absoluta centralidade do papel do projeto, instrumento fundamental no ofício arquitetônico, e, na promoção de maior transparência para as obras públicas.

Janot iniciou sua fala destacando os tempos incertos que atravessamos, localizando a profissão da arquitetura entre dois extremos antagônico e paradoxais; a arrogância e a humildade ou a prepotência e a impotência. O arquiteto também destacou o declínio e esvaziamento das instâncias de planejamento promovido pelo poder instituído no Rio de Janeiro, que cada vez mais delega as grandes empreiteiras o desenho e a gestão de nossas cidades.

Por último, o arquiteto e cartunista Claudius Ceccon destacou a particularidade do momento vivido pelo país, que conseguiu pautar e moldar a grande mídia, ocupando o espaço das nossas cidades e ampliando o controle sobre nossos governantes. O cartunista apresentou também uma série de charges, que falam mais que mil palavras...

Uma das brilhantes charges do Claudius Ceccon

Charges do Claudius sobre as manifestações

Uma das charges do brilhante cartunista Claudius apresentadas no Debate sobre as Manifestações no Brasil, na segunda feira dia 08 de julho no IAB-RJ, numa noite com participações instigantes. Há em todas as partes uma vontade de entender, o que está acontecendo com o país, realmente neste ponto uma imagem fala e vale mais que mil palavras...

Entrevista no Globo + sobre o Porto do Rio de Janeiro

Prezados, entrevista minha junto com outros atores no jornal O Globo, sobre o Porto do Rio de Janeiro e sua tendência a se tornar uma área de uso exclusivo de torres de escritórios. Importante ressaltar que a cidade que deveriamos estar perseguindo deveria ter múltiplos usos e a convivência de diferentes extratos sociais.



O Globo online - Falta de prédios residenciais gera preocupação na Zona Portuária

O Globo online - Falta de prédios residenciais gera preocupação na Zona Portuária


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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Mais uma casa da série: casa para uma familia (casa de vila)

Mais um exemplar da série de casas para uma familia, da qual esta é a quarta publicada, com o mesmo programa, isto é os mesmos compartimentos. Agora num terreno diferente da primeira, segunda e terceira casas, ainda urbano, plano, sem qualquer aclive ou declive, e, com a proposta de implantação de uma vila, conformando um conjunto de  14 casas. A idéia desta série de casas, que pretendo publicar neste blog exorciza algumas hipóteses que convivem comigo há muito tempo, assim como escreveu Lucio Costa no memorial para a cidade de Brasilia; "apenas me desvencilho de uma solução possível, que não foi procurada, mas surgiu..."

A casa é a materialização da familia no espaço. A casa urbana individualizada no terreno é a representação do modus operandi da familia. A casa de vila, que apresento nesta série é fruto da percepção de uma familia da apropriação da valorização da terra urbana na cidade. A familia para viabilizar seu sonho constroi uma vila, que disponibiliza e compartilha com outras familias, que compram e compartilham um modus operandi presente na cultura citadina brasileira. A partir desta apropriação da densificação a familia consegue viabilizar seu sonho de ter uma casa. As casas são padronizadas e repetidas, otimizando os procedimentos de sua construção, doze casas são de sala e dois quartos, enquanto duas repetem o programa das outras casas anteriores, conformando o conjunto de quatorze casas. As casas possuem uma inserção urbana no microcosmo da vila, buscando ao mesmo tempo se inserir no conjunto e também se individualizar. Há uma clara valoração do conjunto de casas que forma um todo, onde a coletividade e a individualização da familia elegem uma forma de vida mais integrada ao conjunto. Esta forma de operar oferece resposta a uma série de questões presentes na cidade brasileira, como; segurança, densificação no território, pulverização da apropriação da renda urbana, etc...
Planta Baixa e Fachada das duas tipologias de casa

Planta Situação



Perspectiva

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Brasilia. A cidade é uma só?

Documentário a respeito da capital federal Brasilia, que permanece excluindo uma parte significativa da sua população. O diretor nascido em Ceilândia Acirlei Queirós traz um importante questionamento "de ser e não ser de Brasília."
- Prêmio da Crítica na Mostra de Tiradentes (2012)
- Menção Honrosa na Semana dos Realizadores (2011)
Direção e roteiro: Adirley Queirós
Produção: Adirley Queirós, André Carvalheira
Direção de fotografia: Leonardo Feliciano
Montagem: Marcius Barbieri
PALAVRAS DO DIRETOR
Brasília nasceu de uma proposta urbana e arquitetônica moderna. Um projeto carregado com símbolos de progresso em sua arquitetura e que sustenta o discurso de um novo momento político e econômico. Um projeto que pretendia pensar um novo Brasil, um novo modelo de convivência com a cidade. “Cidadãos iguais” para uma capital promissora.
Todavia, esse modelo ordenado e hermético logo cai por terra. Afinal, onde vai morar a massa de operários que trabalha na construção civil e os migrantes que não param de chegar? Esses habitantes indesejáveis pelas autoridades logo são taxados de invasores, termo pejorativo que, aqui, foi assimilado em substituição ao igualmente pejorativo “favelado”. Desta forma, graças à ideologia de sua gênese e motivada pela vontade das autoridades, a nova Capital Federal sustenta a representação desse modelo asséptico de urbanização e afasta para bem longe de seus limites os “invasores”. Brasília começa a sua história tornando invisíveis aqueles que a construíram.
Meus pais foram expulsos da cidade de Brasília, sou da primeira geração pós-aborto territorial. Moro em CEILÂNDIA, periferia de Brasília, há mais de 30 anos. Eu me tornei cineasta e grande parte do meu trabalho está relacionado com este tema. Tudo aquilo que sou, que penso, tudo aquilo que minha geração é, como ela age, é fruto desta contradição de ser e não ser de Brasília. É fruto do acúmulo da experiência de 50 anos desta cidade-capital-Brasília.
Essa experiência nos faz refletir sobre a cidade. Ao contrário do tom afirmativo do jingle oficial que embalava a criação de Ceilândia (A cidade é uma só!), inevitavelmente temos que respirar, dar um passo atrás e nos questionar: a cidade é uma só?

Nota de apoio do IAB as manifestações de rua no Brasil














Prezados companheiros, o IAB divulga uma nota em apoio às manifestações que ocorrem no espaço das cidades brasileiras nos últimos dias. Elas são a demonstração de que o cotidiano da sociedade brasileira precisa ser melhorado, garantindo maior qualidade de vida às pessoas, no que concerne a saúde, transporte e educação. 

A seguir a carta:










O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), entidade de representação dos arquitetos e
urbanistas brasileiros, com noventa e dois anos de história, constituída em todos os
Estados da Federação e um dos responsáveis pela pauta da Reforma Urbana desde
1963, reafirma, no contexto dos movimentos que tomaram as ruas do país, seu
compromisso histórico com a democracia, o desenvolvimento, a cultura e o bem-estar
do povo brasileiro.

O IAB apoia e se solidariza com tais manifestações populares que visam ampliar
conquistas sociais, qualificar a representação política, a transparência nos gastos
públicos e melhorar as cidades e seus serviços.

Contando com duas megacidades de interesse global e dezoito metrópoles, o sistema
urbano brasileiro precisa ser tratado em sua dimensão estratégica para o
desenvolvimento econômico do país e inclusão social das populações historicamente
marginalizadas. Nesse sentido, a universalização dos serviços públicos é uma exigência
democrática – bem como importante expressão do Direito à Cidade.

A democracia veio para ficar. As cidades precisarão corresponder a esta dimensão
política.

Toda ação sobre a cidade é constituída de consequências sociais.

Agenda Pública
Tendo presente que a Presidente da República situou, entre os temas levantados pelas ruas, cinco pontos principais, o IAB, nesta Manifestação, visando o encaminhamento de soluções, propõe a seguinte Agenda, com aqueles aspectos mais proximamente correlacionáveis à arquitetura e ao urbanismo, ou seja, (i) a Mobilidade e o Planejamento, (ii) a Mobilidade e a Habitação e (iii) a Transparência e o Projeto.

1. Mobilidade e Planejamento
O privilégio ao transporte rodoviário alcançou o impasse, em prejuízo de todos, mas, em
especial, dos mais pobres, que dependem do transporte público. A mobilidade, o uso da terra e a habitação são funções urbanas indissociáveis, que demandam políticas públicas articuladas em sistema de Planejamento permanente. O improviso e a discricionariedade não são compatíveis com o nível de desenvolvimento atingido pelo país. O IAB considera indispensável privilegiar o transporte público de alto rendimento para os deslocamentos casa-trabalho, que são a maior parte dos deslocamentos urbanos, articulado a rede multimodal que atenda à diversificação de motivações, característica da contemporaneidade. Inclui-se,
melhorar o espaço público de pedestres para uso seguro e acessível e implantar ciclovias, metas desejáveis também para o aumento da qualidade de vida e de saúde da população.
Nesse sentido, o IAB PROPÕE (i) a implantação nos municípios e cidades metropolitanas de Sistemas de Planejamento Urbano ou Metropolitano permanentes, tratados como função de Estado; (ii) a criação de um Fundo Financiador de Estudos de Mobilidade; (iii) condicionar o investimento público em mobilidade à existência de Planos Urbanos e Metropolitanos de Mobilidade, elaborados conforme princípios e diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana.

2. Mobilidade e Habitação
A expansão exagerada do território urbano agrava os problemas de circulação. A provisão de
novas moradias, sejam ricas ou pobres, precisa inserir-se no tecido urbano existente, evitando ampliar a área ocupada pela cidade – diferentemente do que fazem os privilégios aos negócios imobiliários ou, até mesmo, a construção de conjuntos residenciais no Programa “Minha Casa, Minha Vida”. Garantir crédito habitacional diretamente às famílias, sem intermediação de empresas construtoras, ajudará a conter o espraiamento das cidades. Igualmente, a urbanização e a regularização fundiária das “cidades informais”, dos loteamentos e favelas, é fator de aproveitamento da cidade já ocupada e ação favorável à sustentabilidade ambiental, econômica e social. Nesse sentido, o IAB PROPÕE:

(i) a criação de uma Meta Nacional de Urbanização de favelas e loteamentos das periferias; (ii) a formulação de um Programa de Universalização do Crédito Imobiliário diretamente às famílias, acessível sem burocracia, que lhes permita escolher onde morar, como comprar ou construir sua habitação; e (iii) oferecendo às famílias Assistência Técnica, seja para aquisição ou melhoria da casa ou a eliminação de riscos geotécnicos, ambientais e construtivos.

3. Transparência e Projeto
O IAB tem convicção de que um dos fatores determinantes para o aumento de custo das obras reside na ausência de Projeto Completo. Quando a obra pública é licitada a partir apenas do chamado “Projeto Básico” ou do “Anteprojeto” transfere-se à construtora vencedora da licitação a tarefa de detalhar e completar o projeto. Tal promiscuidade entre projeto e obra é indutora de reajustes e superfaturamento – e fator estimulante de corrupção.
As obras públicas devem ser licitadas somente a partir de Projeto Completo. Quem projeta, não constrói. O IAB PROPÕE

(i) impedir licitação de obras a partir de Projeto Básico ou de Anteprojeto exigindo Projeto Completo, com a modificação dos artigos correspondentes da Lei 8.666/93 e da Lei 12.462/2011 (RDC);
(ii) garantir-se recursos específicos para o custeio de Projetos Completos, considerando-os como investimento autônomo, dissociando-o dos orçamentos de obras.

Ainda, o IAB PROPÕE
(iii) regulamentar o artigo 13, parágrafo 1º, da lei 8.666/93, que considera “preferencial” a realização de concurso para a escolha de projetos de obras públicas, tornando obrigatória a sua realização, de modo a se alcançar a isenção e autonomia entre projeto e obra. Ademais, cada obra pública precisa ser considerada como um instrumento para qualificar o ambiente urbano – e o concurso de projeto, escolhendo a melhor proposta, é sua garantia.

Finalmente, o Instituto de Arquitetos do Brasil reafirma a sua convicção no valor das
instituições republicanas, estáveis e democráticas, condição indispensável para
garantir o Direito à Cidade a todo cidadão brasileiro e para alcançar o
desenvolvimento, a inclusão social e o bem-estar da população.


Rio de Janeiro, 29 de junho de 2013.


A Direção Nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Trem maglev na Ilha do Fundão

Começou, este mês, a obra da estação de embarque do Maglev-Cobra, o trem da Coppe/UFRJ que ligará inicialmente os dois centros de tecnologia da UFRJ: o CT1 e o CT2. Em breve, os frequentadores da Cidade Universitária serão as primeiras pessoas na cidade do Rio de Janeiro a viajar num trem que levita. É a possibilidade de retorno a uma experimentalismo que nossas cidades estão carentes e precisadas. A área de transportes público precisa de protótipos de teste como este, que sejam medidos, avaliados com a maior transparência possível para medir suas relações de custo e benefício.

http://ow.ly/ktiBw