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quarta-feira, 30 de abril de 2014

O filme e o debate sobre os arquitetos irmãos Roberto

Edificio rua Voluntários da
Pátria no 127 dos MMM
Roberto
Na última segunda feira dia 28 de abril de 2014, o auditório do IAB-RJ recebeu a projeção do filme, Os Irmãos Roberto, sobre a produção arquitetônica do escritório MMM Roberto, que se notabilizou por uma série de edifícios na cidade do Rio de Janeiro de filiação modernista. O filme apresenta uma série de depoimentos de arquitetos sobre a produção dos irmãos Roberto, e também uma série de edifícios produzidos pelo escritório, dentre os quais, gostaria de destacar as experiências multifamiliares, que possuem uma qualidade acima da média. Efetivamente, um dos grandes méritos da produção de arquitetura do escritório MMM Roberto está na confecção de imóveis habitacionais multifamiliares de grande qualidade voltados para o mercado imobiliário da cidade, uma prática que se perdeu na contemporaneidade das cidades brasileiras.

No filme os exemplos se somam, mostrando que a qualidade da arquitetura não é contrária a intensificação do uso do solo urbano. Edifícios como os da Rua Volutários da Pátria (ver foto anexa),  ou o Edifício ao lado da Universidade Santa Ursula, ou na rua Sambaiba no alto Leblon, ou o da rua República do Perú em Copacabana, ou o da Nossa Senhora de Copacabana no posto seis, ou na rua Sadock Sá em Ipanema, ou ainda os edifícios do Parque Guinle mostram que o setor imobiliário já produziu com qualidade. A questão levantada no debate que se seguiu a exibição do filme; se a qualidade da arquitetura agrega valor a produção imobiliária da cidade? Me parece central nos dias atuais.

Percebe-se em todo o país um declínio da valorização cultural da arquitetura. As elites brasileiras moram nas cidades brasileiras em apartamentos ou casas, que de uma maneira geral não celebram a qualidade arquitetônica, a inserção urbana, ou a diversidade de tipologias, enfim a capacidade de cada edificação gerar um entorno virtuoso, uma boa cidade. As razões para tal situação possuem diversas origens, como a legislação habitacional, a ausência de autoria definida, a dispersão entre uma série de arquitetos que se responsabilizam pelo desenho do edifício, a celebração de uma forma de habitar que nega o espaço público da cidade, etc...Nesse sentido, a recente realização do Congresso Brasileiro de Arquitetura na cidade de Fortaleza foi exemplar no sentido de mostrar como o modelo de reprodução da cidade brasileira, baseado no automóvel, em edifícios com grande desenvolvimento em altura, concentração de contínuos comerciais concentrados em clusters tipo shoppings centers acabam determinando a morte do espaço público da rua, como local de interação entre os cidadãos. As cidades brasileiras passam a ser locais inseguros, onde a violência urbana é potencializada, pois as ruas tendem com estes desenvolvimentos a ficar cada mais desertas. A lição da obra dos Irmãos Roberto, que produziram habitação mutifamiliar com qualidade e preocupados em gerar uma vizinhança virtuosa me parece um começo para rever as tendências perversas das cidades brasileiras.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Palestra de Gonçalo Byrne no fechamento do CBA em Fortaleza

O encerramento do XX Congresso Brasileiro de Arquitetos em Fortaleza foi feita pelo arquiteto português Gonçalo Byrne, que fez uma palestra centrada em sua obra, envolvida a muito tempo com reutilização de edifícios históricos e pesquisas arqueológicas. A sequência de projetos apresentados mostrou a densidade das reflexões de Byrne, sobre o tempo, a contemporaneidade, a arbitrariedade inerente a todo projeto, o compromisso e o envolvimento da proposição, frente ao distanciamento da análise histórica. O emblemático Museu Nacional de Machado de Castro na cidade de Coimbra foi mostrado para exemplificar a arbitrariedade interpretativa do ato de projeto.





A questão central de Byrne parece ser a leitura que a contemporaneidade faz do passado, e a dificuldade das sociedades humanas de controlar suas aspirações para o futuro. O tempo da materialização das leituras feitas pela contemporaneidade do passado, que são sempre parciais e efêmeras, acabam por denunciar o caráter arbitrário do projeto, que precisa da escolha. Na caracterização, que fez de Paladio e dos arquitetos de uma maneira geral, quando se confrontam com as pré-existências, diante das cidades medievais italianas, assumem a posição de agentes da contemporaneidade. Nas palavras de Byrne; "os arquitetos são como remadores, que remam voltados para a partida e de costas para a chegada, de costas para o futuro e de frente para o passado." Repetindo Walter Benjamim, na sua descrição do anjo da história de Paul Klee:


"Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que
parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão
escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse
aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de
acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína
sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os
mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se
em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o
impele irresistivel-mente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o
amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos
progresso." BENJAMIM, Walter - Passengwerke

Estamos diante de um velho paradigma da modernidade, que se inicia lá no distante renascimento italiano, quando se confronta com contínuos construídos de longa duração e maturação, a superposição da auto-justificativa que celebra a racionalidade. Enfim, como afirmou Byrne: "Toda arquitetura é um ato de reciclagem."





sexta-feira, 25 de abril de 2014

Debate sobre habitação no Congresso Brasileiro de Arquitetura










Ontem, quinta feira dia 24 de abril de 2014 foi realizado um debate no Congresso Brasileiro de Arquitetura sobre habitação nas cidades brasileiras, com os arquitetos Elizabeth França, Marcos Boldarini e Jorge Mario Jauregui, mediados por mim, Pedro da Luz Moreira. O que coloquei logo no inicio para todos os debatedores é que a produção habitacional brasileira precisa desenvolver uma melhor conceituação com relação sua inserção urbana, que sua construção deve estar atrelada a um projeto de cidade, mais inclusivo e tolerante. Um modelo de cidade, que promova a aproximação entre diferentes extratos sociais, que se baseie na diversificação de tipologias, que proponha a construção de uma cidade multifuncional, densa e com riqueza de espaços públicos.


A primeira palestrante a se manifestar foi a arquiteta Beth França, professora na FAAP e na USP Cidades, e curadora em 2002 do Pavilhão Brasileiro na oitava Bienal de Arquitetura de Veneza, que iniciou vinculando fortemente os conceitos de democracia e cidade. Segundo a arquiteta paulista a democracia está presente nas cidades, como uma imposição, pois ela nos ensina no seu cotidiano a conviver com os opostos, com a diferença. Beth percorreu também experiências emblemáticas do século XX no campo da habitação, para lembrar aos presentes das experiências humanas neste campo. Iniciou com o ano de 1927, mostrando a emblemática Siedlung Wiessenhoh em Sttugart na Alemanha, conjunto habitacional no qual os grandes mestres do movimento moderno europeu estavam presentes, como Mies, Le Corbusier, Gropius, Hibelsiemer, J. P. Oud e outros. A ideologia do movimento moderno afirmava então que os arquitetos não estavam mais interessados em construir os grandes monumentos, como igrejas, teatros, organismos governamentais, mas a edificação indiferenciada das periferias intermináveis da cidade industrial européia. Beth França também mostrou experiências como; o Pedregulho de Reidy de 1950/52, o IBA Berlim de 1957, o Pruitt Igoe em Saint Louis de Minoru Yamaki de 1954, contextualizando a complexidade da habitação nas grandes cidades modernas, e mostrando os desafios e experiências bem sucedidas ou fracassadas que foram promovidas. A partir deste ponto a arquiteta Beth França apresentou um forte questionamento relativo à idealização da cidade, promovida pela geração modernista, que na verdade pretendia homogeneizar a complexidade da vida, não oferecendo qualquer resposta aquela diversidade e alteridade anteriormente apontada como a principal característica da urbe. Beth França então apontou os programas de urbanização de favelas como; Favela Bairro e Renova São Paulo, como esforços para promover uma mudança de paradigma para a cidade brasileira. Onde se celebre a intensa utilização do espaço público, da vida comunitária e solidária presente nas favelas brasileiras, como um contraponto ao modelo de nossas cidades formais, onde o espaço individual, do isolamento do apartamento e do automóvel ganharam uma dimensão desmedida.




O segundo palestrante foi o arquiteto também paulista Marcos Boldarini, que coordena projetos de urbanização de favelas e de habitação de interesse social há mais de doze anos. Marcos iniciou uma comparação entre tecidos urbanos formais e informais - o bairro de Panalto Paulista e a favela de Heliopolis - dispostos na mesma escala, refletindo sobre quais eram as relações entre território e sociedade. Qual o papel da maior presença das infraestruturas urbanas no desenvolvimento de leituras diferenciadas do território? Como equalizar a distribuição destas infraestruturas no território da cidade brasileira, promovendo uma cidade mais inclusiva? O arquiteto apresentou quatro projetos de sua autoria; Nova Jaguaré, Corruiras na Operação Urbana Consorciada de Água Espraiada, Areião, e por último Cantinho do Céu, todas com uma forte interação com mananciais, beiras rio e frentes aquáticas. A partir da experiência acumulada destes e de outros projetos, Marcos Boldarini desenvolveu uma interessante reflexão entre o desenvolvimento de micrro-economias e localização territorial, enfatizando como estes laços são importantes para a construção da auto sustentabilidade de variados agentes. Boldarini também discorreu sobre o desfrute e a apropriação de espaços de forma coletiva e a preservação de valores ambientais mais adequados. O desenvolvimento de atividades no espaço público projetado como; cinema, exercícios para a terceira idade, banhos e mergulhos revelam as potencialidades das comunidades na auto gestão e manutenção destes territórios como parte integrante da cidade.




O terceiro palestrante foi o arquiteto argentino, radicado no Rio de Janeiro, Jorge Mario Jauregui, que participa intensamente de programas de urbanização de favelas como; Favela Bairro, PAC urbano e Morar Carioca. O inicio da palestra de Jorge Mario se centrou na caracterização do "magma da complexidade urbana", que ele apontou como um esforço de leitura e de escuta a partir de diferentes disciplinas como; arquitetura e urbanismo, psicanálise, filosofia, engenharia, meio ambiente e outras. Para Jorge Mario a oposição de variados tempos; de projeto, do político, da comunidade, muitas vezes desarticulam demandas pretendidas e consolidações, dissipando esforços variados, que não realizam no cotidiano as transformações almejadas. A participação comunitária, que qualifica as intervenções nas favelas segue para Jorge Mario uma sequência de ações; chegada, projeto, execução de obras e controle pós implantação. Para o arquiteto a variação tipológica cobrada dos projetos demanda do desenhador uma consciência do território em diversas escalas - macro e micro - e, num raciocínio contínuo e tenso entre Repetição e Diferenciação. Para Jorge Mario há também um novo desafio colocado para as intervenções em favelas, a questão da melhoria das casas pré-existentes, que demandam dos arquitetos, das escolas de arquitetura, do poder público um novo pensamento, afastado da ortodoxia e do modus operandi atual.




Após esses debates houveram interessantes questionamentos da platéia que enriqueceram o tema e esclareceram posicionamentos diferenciados. Destaco aqui, a pergunta do professor Pablo Benetti da UFRJ, que perguntou a mesa sobre o esforço das cidades brasileiras para romper com o estigma da segregação entre tecidos formais e informais, entre cidade e favela. A pergunta certamente está demandando dos arquitetos e urbanistas brasileiros novas formas de pensar e de se posicionar, não só com relação aos seus próprios projetos, mas como se promove esta manutenção no longo prazo e no nosso cotidiano.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Filme sobre os irmãos Roberto no IAB-RJ no dia 28 de abril

Imagem: DivulgaçãoNesta próxima segunda feira dia 28 de abril de 2014 haverá no IAB-RJ a projeção do documentário sobre os irmãos Roberto, arquitetos modernistas cariocas, que construiram uma extensa obra na cidade, como o aeroporto Santos Dumont, o edifício da ABI, o IRB, dentre outros. Os tres irmãos Marcelo, Miltom e Maurício, donos do escritório de arquitetura MMM Robertos foram pioneiros na adoção da sensibilidade moderna no Brasil, sendo da mesma geração de Lucio Costa e Oscar Niemyer. A advogada, bibliotecária e cineasta Ivana Bentes e o cineasta Tiago Arakilian - realizador de Lixo Extraordinário e o mais recente, Mato Sem Cachorro - mergulham na produção dos irmãos Roberto, montando um provocador panorama da produção cultural destes tres arquitetos. O filme “Os Irmãos Roberto”, que até então, só tinha sido exibido em festivais, terá a sua primeira exibição pública no dia 28 de abril, às 19h30 na sede do Departamento Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), Casa do Arquitetos Oscar Niemeyer, no Flamengo.



Logo após o filme, haverá também um debate sobre o tema.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Morre Gabriel Garcia Marques

Ainda me lembro do maravilhamento causado por "Cem Anos de Solidão" em mim, no final da década de setenta. As polêmicas que travávamos sobre o realismo mágico e sua vinculação com aspectos da América Latina, e um suposto abandono de um complexo de colonizado, que percorria todos os países dessa parte do mundo. O bordão Rodrigueano do "Complexo de Vira Lata", que caracterizava os brasileiros. Havia então, a emergência de um forte terceiro mundismo, que celebrava a necessidade de nos embrenhar pelos "Macondos" de nosso continente, procurando entender o fenômeno de uma cultura ao mesmo tempo mágica, objetiva e incompleta. Uma cultura com uma carência imensa de fatos, uma presença doentia da violência, com uma ausência total de uma narrativa explicadora, e sempre incompleta. Enfim, onde talvez seja melhor inventar estórias, do que entender:

"...O emissário trazia uma ordem altamente confidencial do Coronel Aureliano Buendia, que não estava de acordo com os termos do armistício. O Coronel Gerineldo Márquez devia selecionar cinco dos seus melhores homens e se preparar para abandonar com eles o país. A ordem foi cumprida dentro do mais absoluto segredo. Uma semana antes que se anunciasse o acordo, e no meio de uma saraivada de boataos contraditórios, o Coronel Aureliano Buendia e dez oficiais de confiança, entre eles o Coronel Roque Carniceiro, chegaram sigilosamente a Macondo depois da meia noite, dispersaram a guarnição, enterraram as armas e destruíram os arquivos. Ao amanhecer já haviam abandonado o povoado com o Coronel Gerineldo Marquez e os seus cinco oficiais. Foi uma operação tão rápida e confidencial que Úrsula não soube de nada a não ser na última hora, quando alguém deu umas pancadinhas na janela do seu quarto e murmurou: 'Se a senhora quer ver o Coronel Aureliano Buendia, chegue na porta agora' Úrsula pulou da cama e saiu na porta de camisola, e só conseguiu perceber o galope da cavalaria, que abandonva o povoado no meio de uma silenciosa poeirada..."
Página 132 de Cem anos de Solidão - editora Record Rio de Janeiro 1979

Ainda não conheço Arataca na Colômbia onde ele nasceu...

Exposição do arquiteto Harry Seidler

Está exposto na sede do IAB-RJ a obra de Harry Seidler, arquiteto austríaco, que viveu na Austrália desde o final da segunda guerra mundial até o começo do século XXI. A exposição fica exposta na sede do IAB-RJ do dia 11 de abril a 16 de maio de 2014, mostrando um interessante painel da prática de projeto do segundo pós guerra, até o inicio do século XXI. Harry Seidler nasceu em Viena em 1923 numa familia judaica, com a invasão de Hitler da Austria em 1938, a familia se dividiu, tendo sua mãe ido para a Australia e o jovem Seidler ido para a Inglaterra. Até aqui a narrativa parece se referir a uma série de relatos ocorridos nas décadas de trinta e quarenta, com o início da segunda guerra mundial.

No entanto, o video mostrado na exposição, logo em seu inicio apresenta um intrigante acontecimento, ocorrido na Inglaterra logo no inicio da segunda guerra mundial, com o jovem Harry Seidler, sem explicitar uma justificativa para tais acontecimentos. Seidler, então com dezessete anos é preso na Inglaterra a princípio por ser um imigrante ilegal, e é deportado para o Canadá, onde viverá num campo de concentração no Novo Mundo na cidade de Quebec. No video há uma narração impressionante de Seidler sobre a viagem num navio entre a Inglaterra e o Canadá, onde os oficiais nazistas ocupam os espaços da primeira classe, enquanto ele e outros deportados são instalados nos porões do navio. A prisão e a deportação de Seidler da Inglaterra é realizada no ano de 1940, portanto no ano seguinte da sua declaração de guerra à Alemanha. O mais estranho é que Seidler é instalado num campo para deportados no Canadá? E, compartilha o alojamento com um comunista austríaco, que havia lutado na Guerra Civil Espanhola. Pensei em várias hipóteses para explicar o ocorrido:

1. Essa era reação corriqueira dos aliados ocidentais aos deportados judeus da Alemanha?
2. Judeus e comunistas eram vistos na época como criminosos pelos aliados?

De qualquer maneira ficam as dúvidas relativas aos tratamentos privilegiados dispensados aos oficiais alemães no navio no qual Seidler empreende sua viagem. Vale a pena conferir na sede do IAB-RJ, na rua do Pinheiro, 10 bairro do Flamengo, perto da estação do Metrô do Largo do Machado.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Revista Q+50 no Ancelmo Góis

A capa da revista do IAB
A coluna do jornalista Ancelmo Góis publicou hoje no jornal O Globo on line uma boa síntese do conteúdo da revista Q+50, que foi lançada no IAB-RJ nesta segunda feira dia 14 de abril de 2014, para uma audiência qualificada. A revista apresenta nesse ano eleitoral uma agenda centrada na questão urbana brasileira, que está precisando ser melhor considerada por nossos governantes e candidatos. A emergência da questão urbana brasileira ficou clara nas manifestações de junho de 2013, que reinvindicaram  a melhora de serviços urbanos, como transporte, saneamento, acessibilidade e outros. A vida nas cidades brasileiras vem se deteriorando exatamente porque o país não possui uma política urbana estruturada e articulada.

Leia a matéria no link abaixo

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2014/04/14/iab-defende-meta-para-urbanizacao-de-favelas-531112.asp

domingo, 13 de abril de 2014

Entrevista no Globo da comunidade

O economista Sérgio Besserman
e o arquiteto Pedro da Luz
Moreira no Globo Comunidade
Participei de um debate na TV Globo no programa Comunidade, que foi ao ar hoje dia 13 de abril de 2014 as 7:00 da manhã deste domingo. Como o horário é muito cedo para um domingo, mesmo que seja o de Ramos, do início da semana santa, posto aqui uma parte do debate. A questão é complexa e o tempo da TV é sempre curto para abarcar problema tão preocupante em nossa sociedade, como o da habitação em nossas cidades. Mas acho que algumas questões importantes foram abordadas, como o preço da terra urbana, a sensação de ausência do poder público em partes de nossas cidades, a emergência de pensarmos tipologias variadas para nossos empreendimentos habitacionais, a dispersão interminável das cidades brasileiras.

Enfim, abaixo o link da entrevista

http://g1.globo.com/videos/rio-de-janeiro/globo-comunidade/t/edicoes/v/convidados-discutem-sobre-as-consequencias-da-falta-de-habitacao-no-rio-de-janeiro/3278463/

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A despoluição da baía de Guanabara

A despoluição da baía de Guanabara pode ser um dos mais importantes legados deixados pelas Olimpíadas de 2016 para a cidade metropolitana do Rio de Janeiro. Ela é um dos mais belos cenários da cidade maravilhosa, um verdadeiro anfiteatro de montanhas e maciços graníticos expressivos. Uma série de modalidades de esportes se utilizarão da baía para suas provas. A sua despoluição pode impactar positivamente, os bairros de Botafogo, Flamengo, o centro da cidade, as ilhas do Governador, Paquetá, Fundão, uma série de bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro, os municípios de Duque de Caxias, Magé, Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, trazendo amenidades para cerca de sete milhões de pessoas da metrópole. Imaginem as potencialidades desta imensa frente marítima, como área de lazer e amenidades. As Estações de Tratamento de Esgotos para tal obra já estão prontas, falta a ligação e o saneamento das áreas urbanas no seu entorno. Uma categoria de obra que nossos políticos não gostam de realizar, pois não aparece, mas que é fundamental para melhoria de vida de uma parcela expressiva da cidade metropolitana do Rio de Janeiro.

Precisamos nos mobilizar, pressionar e participar. Ajudem a causa.

Assinem a Petição!

Adam Smith em Pequim de Giovanni Arrighi

Já postei aqui neste blog uma resenha sobre o livro de ARRIGHI, Giovanni O Longo Século XX, como uma das mais interessantes interpretações do nosso tempo contemporâneo. Agora relato uma outra publicação do mesmo autor, Adam Smith em Pequim, um livro provocante, e mais uma vez uma reflexão que foge a toda ortodoxia. A tese central de ARRIGHI nesta publicação é que durante os séculos XVI, XVII e parte do XVIII a China tinha a hegemonia do comércio mundial, e agia fora da lógica da acumulação de capital. A percepção da importância histórica da China foi pontuada pelo próprio Adam Smith, que via no império do meio um equilibrio entre a oferta e o mercado, que sacrificava a acumulação capitalista. Marx rompeu com a idéia de um limite econômico, enquanto Malthus com a questão do limite demográfico. Marx apontou a acumulação capitalista como agente que corrompe este equilíbrio, enquanto Malthus identificava a progressão geométrica da população como desestabilizadora deste mesmo equilíbrio. Arrighi aponta a visão utópica de Smith que imagina um mercado, onde todos estão igualmente empoderados de forma a possibilitar a dinamização das trocas de forma inusitada.

No inicio do século XX a hegemonia européia na Ásia e África era um fato. Nos anos cinquenta no mesmo século nestas duas partes do mundo haviam surgido uma série de estados variados, que se libertaram do julgo colonial e consolidaram um forte movimento anti-ocidental. Essa transformação em um relativo curto espaço de tempo, talvez tenha sido um dos mais importantes eventos do século XX. A sucessão dos estados da Asia oriental, que começa com o Japão nas décadas de cinquenta e sessenta, passando para a Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Malasia e Tailandia nas décadas de setenta e oitenta, que culmina nos anos noventa com o ressurgimento da China como centro da expansão econômica e comercial mais dinâmica do mundo.

Na década de sessenta o maior poderio militar do ocidente, os EUA sofreram um forte revés no Vietnam. Este fato parecia apontar para um maior equilíbrio entre as nações conforme a análise de Adam Smith, que entendia como fundamental para o desenvolvimento de um comércio uma distribuição maior do poder entre as nações. Mas na década de oitenta a demanda americana no mercado financeiro mundial esgotou a oferta de crédito, dificultando a situação do terceiro mundo. O desenvolvimento então retornou ao primeiro mundo com a mesma força que havia tendido para o terceiro mundo na década de sessenta. Ao final da década de oitenta o império soviético desintegrou-se, suprimindo a idéia de segundo mundo. O ocidente, os EUA e a União Européia, aproveitaram o colapso da URSS para impor pela força e pela coação ideológica a desregulamentação da economia mundial como novo paradigma.

CUMINGS, Bruce mencionava então o arquipélago capitalista do oriente ou da Asia oriental, composto por Japão, Cingapura, Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul, que tiveram crescimento virtuoso desde a década de sessenta para cá. O governo Bush, após o onze de setembro lançou o projeto para o Novo Século norte americano, uma tentativa de dar sobre vida ao primeiro império verdadeiramente mundial. No entanto, sucede um novo fracasso do imenso poderio militar americano na segunda guerra do Iraque. Neste contexto, emerge ao longo dos anos noventa um processo de desenvolvimento impressionante na China. A China não é como Japão, Taiwan, Coréia, Cingapura ou Malasia, embora seu poderio militar seja ridículo quando comparado com os EUA, o império do meio é uma imensa extensão territorial com um mercado consumidor de tamanho impressionante. Essa nova potência começa a comprar títulos do tesouro americano, emerge como a mais nova potência mundial, substituindo aos EUA como principal motor da expansão comercial e econômica do mundo.

Marx em Detroit e Smith em Pequim

Os economistas frequentemente erram em suas projeções. No ano de 1996 um famoso economista norte americano, dentro do espírito da desregulamentação geral, disse a uma platéia atenta, que a Russia e não a China havia acertado o caminho das reformas. Essa mesma opinião foi repetida na revista de Economist no ano seguinte. Joseph Stiglitz logo inverteu a tese de Economist, afirmando que o sucesso chinês advinha da não aceitação das terapias de choque defendidas por Washington. A China nunca havia confundido os fins - o bem estar de sua população - com os meios - privatização e liberação do mercado.

A afirmação algo enigmática de Deng Schiao Pin de que as reformas pretendiam criar uma economia de mercado socialista, não foi levada a sério fora da China e mesmo por membros do Partido Comunista Chinês. O mercadismo-leninismo que estava embutido no lema; "é glorioso enriquecer", também lançado por Deng conclamou ao país a imaginar empreendimentos. Ele foi lançado por Deng em 1982, mas apenas na década de noventa ganhou capilaridade. Numa visita do primeiro ministro chinês às províncias do sul, na qual pediu que o país se dedicasse aos negócios e a enriquecer. No entanto, essa posição não era compartilhada pelo meio acadêmico:

"He Oinglain da Universidade de Fudan defendeu que os principais resultados das reformas de Deng foram a enorme desigualdade, a corrupção generalizada e a erosão da base moral da sociedade." Pg31

Muitos marxistas ocidentais corroboram as afirmações descartando a idéia da existência de qualquer coisa similar ao socialismo na China atual. Essa questão continua controversa, Samir Amim afirma que o socialismo não perdeu nem ganhou na China, e ainda se resguarda no princípio do acesso igualitário à terra.

"As classes populares chinesas tem confiança em si... Em grande parte rejeitam atitudes submissas... As lutas sociais são ocorrência diária, contam-se aos milhares, costumam ser violentas e nem sempre resultam em fracasso."

As afirmativas de Amim parecem ser corroboradas pelas iniciativas do governo chinês em fevereiro de 2006, quando foi lançado um novo campo socialista, ampliando a assistência médica, educacional e previdenciária para agricultores e adiando a privatização das terras. Liu Guoguang da Academia de Ciências Sociais da China teme pela elitização da criação da economia de mercado, se não for enfatizado o espírito socialista de justiça e responsabilidade social. Mas afinal, o que é uma economia de mercado elitista, é o mesmo que uma economia de mercado capitalista? Pode existir uma economia de mercado socialista?

O PCC no começo de 2005 lançou uma campanha entre líderes públicos e acadêmicos para mobilizar e modernizar o marxismo, para enfrentar o que Ju Jintao chamou de "problemas e contradições em todos os campos". A idéia por trás da iniciativa de Ju Jintao é discutir o marxismo a luz do problema de que empresas privadas vem se tornando a base da economia chinesa. Parece que a prática na China antecede a formulação teórica, que permanece perplexa.

Marxismo Neo Smithiano

Em 1968, Mario Tronti, um teórico marxista italiano publicou um artrigo com o provocante título de "Marx em Detroit". A tese de Tronti era que o verdadeiro epicentro da luta de classes teria ocorrido nos EUA, onde os trabalhadores haviam sem qualquer influência marxista, conseguido dobrar o capital, acomodando suas reinvindicações salariais e efetivamente obtendo ganhos substanciais. Numa analogia com a Ideologia Alemã, Tronti dizia que na Europa

"Marx existia ideologicamente, mas era nos EUA que as relações trabalho e capital foram objetivamente marxianas."

É verdade que a tese também espelhava a crise de identidade eurocêntrica do marxismo, que parecia migrar para a periferia; o terceiro mundo, Vietnam, Cuba, China, etc... Era como se o Capital de Marx tivesse perdido sustância para explicar o cotidiano do primeiro mundo, ganhando por outra parte musculatura para explicar as relações de dependência do terceiro mundo. Tronti na verdade relembrava um convite feito por Marx no livro I do Capital, para que deixássemos a esfera barulhenta do mercado e entendêssemos a morada oculta da produção, o chão da fábrica, onde está o segredo da formação do lucro. É importante assinalar que o mais brilhante dos discípulos de Tronti, Antonio Negri, irá na contemporaneidade formular o provocante livro: Multidão. Um livro escrito junto com Michael Hardt, que celebra a possibilidade de um mundo onde seja possível atingir a liberdade e a igualdade, uma exigência que emerge da multidão, exigindo uma sociedade global democrática e inclusiva.

Na verdade, é preciso que se reconheça que Marx no século XIX empreendeu um enorme esforço para compreender o funcionamento do Capital na Inglaterra, mas não tinha o instrumental para a análise de sua disseminação pelo mundo. E isto, se refere ao outro lado do oceano Atlântico, apesar das recorrentes solicitações intelectuais que Marx recebeu dos EUA. Enfim, as reflexões de Marx sobre a disseminação do capitalismo no mundo não possuiam o lastro, que o próprio método exigia.

Nesse sentido, as reflexões de Marx possuem muita semelhança com a idéia de "mundo plano" defendida por Thomas Friedman muito depois, que nasceram a partir da leitura deste último autor do famoso Manifesto Comunista. É preciso que se reconheça uma vertente homogeneizadora no Manifesto, que trabalha a partir da Revolução Industrial inglesa, uma clara tentativa de supressão do espaço físico, ou das especificidades locacionais. No entanto, mais uma vez o mundo contemporâneo nos mostra que as teses homogeneizadoras do século XIX não se realizaram, havendo hoje um quase consenso sobre as especificidades do desenvolvimento em função da diversidade de contextos. Segundo ARRIGHI:

"... é que nesses cento e cinquenta anos a interdependência cada vez maior das nações não aplainou o mundo com o desenvolvimento capitalista generalizado... nos últimos dois séculos a crescente interdependência entre os mundos ocidental e não-ocidental tem sido associada não a convergência presente no Manifesto Comunista, mas uma enorme divergência."

Ao mesmo tempo de Tronti, André Gunther Frank lançava Desenvolvimento e Subdesenvolvimento que reforçou a tese da diferenciação do mundo em arquétipos como, metrópole e periferia.  Mais uma vez a ortodoxia marxista condenou a interpretação entre centro e periferia, como algo que revelava a erosão da tese da luta de classes. A tese de Frank explica muito do tipo de desenvolvimento que o Brasil teve, onde não emerge um grupo de interesses coesos mobilizados pela transformação do estágio de relacionamento econômico do país:

" a burguesia nacional passou a se interessar não pelo desenvolvimento, mas pelo apoio exatamente ao sistema de classes de produção e de extração de excedentes que limitam o desenvolvimento econômico..."

Em outras palavras, a inércia do desenvolvimento capitalista consolidou a estrutura centro e periferia, que as elites dos países absorvidos não precisam mais de um pensamento autônomo para serem inseridas ou aceitas. Por um outro lado, nesse mesmo debate ressurge a partir dos argumentos de Robert Brenner a centralidade do mecanismo de classe, como uma estratégia para sobreviver no mercado.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mais uma do concurso do BNDES, apoio da FNA à posição do IAB-RJ

O concurso do BNDES, como já foi dito aqui, fere de maneira frontal a idéia de projeto arquitetônico, pois fragmenta em etapas aquilo que deve ser percebido como íntegro e coeso, desde a concepção até o detalhamento. O IAB-RJ desde o anúncio do concurso vem se manifestando contrário a este concurso de anteprojetos de arquitetura. No último dia 08 de abril de 2014 a Federação Nacional dos Arquitetos FNA se pronunciou contra o mesmo concurso convergindo com o IAB-RJ. 

Abaixo a íntegra da carta da FNA

EDITAL DE CONCURSO DO BNDES FERE
DIREITOS DOS ARQUITETOS

A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas sugeriu ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo/RJ que avalie a possibilidade de reconsiderar o convênio de apoio institucional com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A sugestão da Federação deve-se ao Edital do concurso para seleção de anteprojeto do prédio anexo do Banco na cidade do Rio de Janeiro.

O item 2, do anexo IV do Edital, determina que: "A presente cessão e transferência total de direitos autorais compreende todos os direitos patrimoniais previstos em lei referentes à sua 'OBRA', manifestando o(s) CEDENTE(S), desde já, plena e inequívoca concordância com a alteração posterior do Anteprojeto pelos profissionais habilitados constantes nos quadros do BNDES ou por outro profissional por este designado;" (grifos nossos).

Em ofício encaminhado ao presidente do CAU/RJ, Sidney Menezes, na tarde desta quarta-feira, 08 de abril, o presidente da Federação Jeferson Salazar argumenta que: "Ao contrário do que argumenta o BNDES, S.M.J., o referido item avança sobre os direitos autorais morais, infringindo a Resolução 67/2013 do CAU/BR. Transparente está que não se trata de uma simples transferência de direitos autorais patrimoniais, já prevista no item 1 do mesmo Anexo, mas sim de autorização prévia de alteração de anteprojeto, ou seja, de cessão de direitos autorais morais, imposta unilateralmente e de forma constrangedora pelo BNDES, sem a possibilidade de oposição daqueles que pretendem participar do concurso."
Outro trecho do ofício alega: "Em todas as suas argumentações sobre restrições legais para atender aquilo que entendemos como moralmente e profissionalmente aceitáveis, o BNDES cita explicitamente acórdãos e orientações do TCU como impedimento para avanços maiores. Admitindo que possam estar corretas as alegações jurídicas, cabe uma pergunta: podemos exigir que uma empresa ou órgão público deixe de cumprir os ditames legais ou do órgão de controle competente?
Ocorre que estamos vivenciando um paradoxo constrangedor! Por um lado temos um Conselho Profissional, órgão público cuja atribuição legal é orientar, regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão, que, na mesma linha das Entidades de Arquitetos e Urbanistas, entende que o projeto é indivisível e um de outro lado o Tribunal de Contas da União, órgão público de controle, que entende que o projeto pode ser dividido em etapas, partes ou parcelas, como se fosse um produto qualquer que se vende nos balcões do comércio varejista."
Além do Edital do BNDES, visto como afronta aos profissionais de arquitetura, a FNA aponta outros ataques à profissão, como o Regime Diferenciado de Contratação (RDC) no Programa Minha Casa Minha Vida. O RDC prevê a implantação da contratação integrada, na qual a contratação da obra, na maioria dos casos sem processo licitatório, inclui como subproduto da obra projetos de arquitetura e urbanismo de má qualidade, deficientes e/ou incompletos. Segundo o ofício, o Regime é " a eliminação do papel do projeto como elemento indispensável ao planejamento, à otimização de recursos financeiros e à qualidade da obra acabada. E isso com o patrocínio de recursos do tesouro nacional e com a anuência dos órgãos de controle, privilegiando a falta de planejamento e, até o presente, que damos inertes diante do descalabro com os gastos dos recursos públicos e com a desvalorização da profissão."
Ao final do ofício, Jeferson Salazar propõe a unidade entre todas as entidades nacionais e o CAU e um amplo debate "sobre a ingerência dos órgãos de controle sobre as atividades de profissões regulamentadas, em especial de arquitetura e urbanismo e de engenharia, com a participação dos respectivos Conselhos e Entidades Profissionais."

Matéria no jornal O Globo sobre a Favela da Telerj

Invasão na antiga edificação da Telerj
Hoje, quinta feira dia 10 de abril de 2014, no jornal O Globo há uma matéria sobre a invasão recentemente realizada na edificação da antiga Telerj no bairro do Engenho Novo. Essa invasão demonstra de forma clara a demanda existente por habitação dentro de contextos urbanos consolidados, isto é a produção da habitação para as faixas de renda mais fragilizadas precisa ser produzida onde existam oportunidades e comodidades urbanas, presença de áreas de lazer, instalações educacionais, de saúde, oferta de emprego, etc... Essa inserção pode determinar para estas familias a possibilidade de melhora nas perspectivas de vida, pois garantem acesso a emprego, lazer, educação, saúde, cultura e informação. O espaço da cidade, uma política urbana mais articulada e coordenada podem ser fator de melhora das condições de vida das populações economicamente frágeis.

Hoje também foi publicado no blog Outras Palavras uma matéria descrevendo uma invasão no centro da cidade de São Paulo, em uma série de edificações, que reforça a minha tese explicitada na matéria do O Globo.

Abaixo links das matérias:

http://oglobo.globo.com/rio/prefeito-defende-reintegracao-de-posse-de-terreno-no-engenho-novo-12146964

http://outraspalavras.net/destaques/sao-paulo-madrugada-plebeia/

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Assinatura nas edificações

Matéria no jornal o Globo de hoje, dia 09 de abril de 2014, debate a questão da assinatura do arquiteto em edificações, uma prática que sublinha a autoria do projeto. Na entrevista dada a repórter também considerei importante a prática de nomear as edificações, pois ela representa o ganho de protagonismo do projeto em nossa cultura. O projeto antecipa a obra, portanto quer controlar o processo de produção do edifício, evitando o descontrole do resultado final, do orçamento, e do prazo. Celebrar a autoria é localizar a responsabilidade no autor do projeto.

Ver a matéria no link abaixo.

http://oglobo.globo.com/rio/decreto-obriga-novos-edificios-exibirem-nome-de-autor-do-projeto-12136015

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Mais uma noticia do Concurso de Anteprojetos do BNDES

Hoje segunda feira dia 07 de abril de 2014 o jornal O Globo na Coluna Gente Boa noticiou a desistência do arquiteto Jaime Lerner de participar do Concurso de Anteprojetos do BNDES no Rio de Janeiro. Uma vitória dos que prezam a cultura arquitetônica brasileira. No subtítulo "Me inclui fora desta" está assinalada a posição do arquiteto Jaime Lerner de apoio ao IAB-RJ. A mesma coluna registra a resistência do IAB Nacional e do IAB-RJ a este concurso desde fevereiro do corrente ano no subtítulo "Assim não dá" (ver matéria ao lado). Importante ressaltar que o IAB luta contra os princípios do famigerado concurso, pois este fragmenta a idéia de projeto, entre concepção e detalhamento, não privilegiando a integridade de sua autoria. Além de subvalorizar a remuneração de anteprojeto de arquitetura para um edifício deste porte. Estamos diante de uma interpretação perversa do que é o ato de projetar, dada pelo jurídico do BNDES, sem a menor sensibilidade para o significado de uma obra pública escolhida por concurso.

sábado, 5 de abril de 2014

Apresentação da candidatura do Rio de Janeiro ao Congresso da UIA em 2020

Na reunião da Federação Panamericana de Arquitetos (FPAA), realizada na cidade do Panamá, estive defendendo a candidatura da cidade do Rio de Janeiro a sediar o Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos no ano de 2020. A idéia desta iniciativa é conclamar a categoria na mobilização da sociedade para uma nova compreensão da inserção social da arquitetura e do urbanismo. Uma busca por maior protagonismo do projeto e do plano em nosso cotidiano. O programa celebra a diversidade de implantações humanas existentes no mundo, e pretende refletir sobre o sentido de realizar uma reunião deste porte frente o desenvolvimento das tecnologias de comunicação no mundo contemporâneo. A idéia do tema do Congresso da UIA está sintetizada no título proposto:

Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21

Mais detalhes ver link abaixo:

http://www.uia2020rio.org/index_pt.asp