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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O filme Flores Raras e suas inverdades arquiteto-paisagísticas


O filme Flores Raras, que ainda não vi, mas do qual já assisti um trailer possui uma série de inverdades mistificadoras, com relação a personagem Lota Macedo vivida pela grande atriz Glória Pires. Estas inverdades estão manifestas no pequeno trailer, que apresenta Lota Macedo como autora do projeto de Oscar Niemyer de 1954 para a casa Cavanelas. E, não só da casa mas também do paisagismo, que foi feito por Roberto Burle Marx. É impressionante como a vontade de mistificar uma personagem como Dona Maria Carlota de Macedo Soares acaba fazendo o filme se envolver em inverdades históricas, que nada ajudam ao campo da arquitetura, do paisagismo e do urbanismo. Todos no Brasil somos gratos a Lota Macedo pela realização desta maravilhosa obra do Parque do Flamengo, que de tão bem pensada parece fazer parte de uma das mais emblemáticas paisagens do mundo. Como afirma Alfredo Britto no artigo transcrito na íntegra abaixo;
 
"Foi pela persistência, tenacidade, energia, devoção de Lota que o aterro se transformou em parque. E, sobretudo por sua visão premonitória em convencer o governador..."
 
O que mais choca na montagem destas inverdades pelo filme é que o livro no qual se baseia, de Carmem L. Oliveira, conta a história de forma adequada e com rigor histórico, nomeando e dando o devido crédito para personagens como Sérgio Bernardes, Reidy e Burle Marx, como também foi recentemente assinalado pelo presidente do IAB - Bahia, Nivaldo Barbosa, em postagem recente nas redes sociais; 
 
"O impressionante é que o excelente livro no qual se baseou o filme "Flores raras", cujo título é "Flores raras e banalíssimas", de autoria de Carmen L. Oliveira, dá todos os créditos a Sérgio Bernardes (no projeto da casa de Lota na Samambaia) e a Affonso Eduardo Reidy, Roberto Burle Marx e equipe no projeto urbanístico e paisagístico do Parque do Flamengo. Na busca por mitificar Lota, o filme a transformou numa super arquiteta-urbanista-paisagista autônoma e autodidata - coisa que ela, de fato, nunca foi, embora seja inegável a sua liderança na criação do Parque do Flamengo."
 
Abaixo o artigo de Alfredo Britto publicado no O Globo de 08 de setembro de 2013, que coloca os verdadeiros personagens em suas reais posições;