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sábado, 17 de setembro de 2011

As Passagens de Walter Benjamim

O projeto do livro das Passagens de Walter Benjamim é um admirável esforço intelectual, enigmático e envolvente, mas também fragmentado, a obra inacabada pretendia construir uma filosofia material da história do século XIX. A pretensão era retomar uma metodologia da montagem na construção histórica, partindo das citações para se chegar a obra acabada. O texto escrito em 1935, Paris Capital do século XIX, faz parte do conjunto de fragmentos e parece ser um esboço dos temas a serem abordados, como um índice. A primeira menção ao texto é de 1950 por Adorno, criando em torno dele uma série de lendas e rumores. O projeto ocupou Benjamim nos últimos anos de sua vida, desde 1927 até 1940, quando cometeu suicídio na travessia dos Pirineus com medo de ser alcançado pela Gestapo. A estrutura fragmentada pretende destruir a pretensão de conferir qualquer sentido a história humana;

"Na realidade, não existe um único instante que não traga consigo sua chance revolucionária..." BENJAMIM, Walter - As Passagens - editora UFMG Belo Horizonte 2009

domingo, 11 de setembro de 2011

Dados interessantes sobre as torres gêmeas do 11 de setembro em NY

O Conjunto de Pruitt Igoe em St Louis

As torres gemeas em Nova York atacadas por terroristas em 11 de setembro de 2001 foram projetadas pelo arquiteto Minoru Yamasaki, o mesmo que projetou o conjunto habitacional de Pruitt-Igoe na cidade de St Louis, no Missouri nos EUA. Minoru Yamasaki recebeu uma série de prêmios por esta obra em St Louis, a mais importante delas do American Institute of Architecture (AIA) em 1951. Apesar disto, quando Minoru Yamsaki escreveu sua autobiografia em 1979, A Life in architecture, não havia qualquer menção a este projeto. Minoru Yamasaki havia expurgado o projeto de Pruitt Igoe até do seu currículo. Os motivos para tal expurgo se iniciaram com o crítico de arquitetura do Washington Post, Wolf von Eckardt, que apontava na arquitetura do conjunto as origens para a presença de uma enorme violência urbana na área. Outros detratores se somaram como Lewis Munford, Jane Jacobs e Peter Hall, que invariavelmente apontavam no conjunto o fracasso das propostas modernistas para a cidade. Em 15 de julho de 1972 o conjunto de Pruitt Igoe foi implodido e Charles Jencks, outro crítico de arquitetura celebrou este momento como a morte da arquitetura modernista e surgimento da pós modernidade. A implosão portanto ocorreu durante a vida de Minoru Yamasaki, ao contrário dos atentados às torres gêmeas, que ocorreram quando o arquiteto já estava morto.  Estudos posteriores apontaram que as causas da deterioração do conjunto habitacional não eram apenas causadas pelas determinações do projeto de Minoru Yamasaki, mas também pela ação premeditada de empreiteiros, políticos e autoridades locais. Apenas para ilustrar tal fato, um juiz da Suprema Corte americana ordenou a dessegregação do conjunto, apontando que as edificações eram exclusivamente ocupadas pelas camadas mais enjeitadas da população negra.

As torres gêmeas de Minoru Yamasaki

As torres gêmeas de Minoru Yamasaki possuíam fortes referências ao decorativismo abstrato da arte islâmica. Estas referências não se limitavam apenas ao desenho da fachada, que mostravam pilares, que hora se juntavam, hora se separavam na conformação das janelas.  No texto da sua auto-biografia, Minoru Yamasaki destaca explicitamente a origem islâmica de sua concepção, e sublinha como parte essencial do projeto a praça de cinco acres, que intermediava as duas torres;

"Os visitantes, bem como aqueles que trabalham no World Trade Center, encontrarão nesta five acre plaza uma Meca onde experimentarão um enorme alivio depois da experiência das ruas e dos passeios densos que envolvem a área de Wall Street" YAMASAKI, Minoru - A life in architecture - p 115, citado em TAVARES, Rui - O arquiteto - Martins Fontes São Paulo 2007
 Minoru Yamasaki havia trabalhado na Arábia Saudita, sendo o autor do projeto do aeroporto de Dahran. Certamente esta vivência havia construído esta lógica de contraposição entre o burburinho da rua e a intimidade do pátio. Mas aqui, também havia uma redução simplificadora, típica da hipertrofia consumista da Nova York de todos os tempos, onde compreensão ligeira de outras culturas aderia a novas formas de mistificação e idealização, que ao final impulsionavam os negócios e o consumo.




Nesta mesma perspectiva também é que deve ser compreendida a figura do egípcio, Mohamed Atta, piloto do primeiro avião a se chocar com uma das torres. Formado em arquitetura pela Universidade do Cairo, Mohamed Atta fez também um mestrado na Universidade de Hamburgo, onde se interessou pela cidade de Alepo, na Síria, que é um dos estabelecimentos humanos mais antigos do mundo.  A pergunta que hoje se faz, e que parece não estar documentada de forma adequada, é se Mohamed Atta tinha conhecimento da autobiografia de Minoru Yamasaki? E, quanto esta se demonstrou ofensiva frente as suas convicções islâmicas? Enfim, nosso passado recente precisa ser reconstruído, mostrando-nos os seu problemas e potencialidades.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

.:. Portal PUC-Rio Digital .:.

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Entrevista na revista O empreiteiro

http://www.revistaoempreiteiro.com.br/index.php?page=materia.php&id=1531

ENTREVISTA PEDRO DA LUZ MOREIRA TV BRASIL


O acidente nos bondinhos retrata a ausência de visão sistêmica nos transportes

A fragmentação das ações é uma das características mais marcantes dos nossos tempos, esta ausência de ações coordenadas e articuladas é fatal para o sistema de transportes de uma cidade metropolitana como o Rio de Janeiro. O acidente e o descaso com os bondinhos de Santa Teresa explicitam para o público em geral, que a gestão da Secretaria de Transportes do Estado é fragmentada e descoordenada, sem articulação dos diversos modais de transporte no território da cidade. As alegações do governador Sérgio Cabral e do Secretário Julio Lopes, de que os serviços do bondinho estão sucateados e esquecidos, denunciam o despreparo deste governo com o tema da mobilidade na cidade metropolitana. Afinal, o que está sendo feito em outros modais que justifique o descaso com o sistema de bondinhos? Por acaso, algumas das ações propostas pelo Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) da cidade metropolitana estão sendo implantados de forma incisiva, que justificasse o abandono do sistema de bondinhos? Creio que não.
Os modais de grande capacidade como metrô, trens urbanos e barcas não receberam nos últimos anos qualquer melhora significativa, tendo ao contrário deteriorado. A conclusão da linha 1 do Metrô proposta no PDTU, que fecharia este trecho num anel, dando mais eficiência aos intervalos das composições não foi concluída e sequer iniciada. A obra do metrô em andamento pretende ligar a Barra a linha 1, sem a correta avaliação dos seus impactos, e não estava prevista nersta forma no PDTU. A requalificação dos trens urbanos dos ramais da Central e Leopoldina também constante do PDTU, que poderiam beneficiar uma quantidade expressiva de pessoas na cidade metropolitana está paralisada e sem qualquer investimento. A quantidade de passageiros/dia transportados neste sistema de trens urbanos está estagnado há anos, apesar dos alertas de vários especialistas de que este modal requalificado poderia transportar grande quantidade de pessoas. A ampliação do serviço de transportes de barcas, previsto também no PDTU não está em andamento. As linhas propostas neste modal,  também por este documento, como; as entre a enseada de Botafogo, Praça XV e Aeroporto do Galeão ou Praça XV e Duque de Caxias, ou Praça XV e São Gonçalo não foram implantadas. Importante salientar, que todas estas ações previstas no PDTU de 2002 deveriam estar operando até o ano de 2012, e visavam melhorar a qualidade dos deslocamentos na cidade metropolitana.

Os políticos muitas vezes enveredam por ações desarticuladas, que produzem grande visibilidade e que negam as determinações do planejamento estruturado, buscando simplesmente ampliar seus votos. Esse tipo de prática é fatal quando se trata do sistema de transporte público de uma cidade metropolitana como o Rio de Janeiro, pois transforma o sistema numa colcha de retalhos de empreendimentos desconectados, que acabam prejudicando a eficiência na mobilidade das pessoas. O acidente no bondinho de Santa Teresa pode impulsionar um debate importante, sobre a interdependência entre os modais de transporte na cidade metropolitana do Rio de Janeiro.