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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Palestra de Rob Adans no Rio Centro

Amanhã dia 01 de outubro de 2014 no Rio Centro na Barra da Tijuca acontece a palestra do arquiteto Rob Adans no contexto da Feira Construir. Na programação da feira também consta debate sobre a frente marítima e a Baía de Guanabara com os arquitetos João Pedro BackheuserMilton Braga, além do presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), Alberto Silva. 

De acordo com Adams, a sociedade vive uma nova revolução: a revolução urbana. No estudo “Transforming australian in cities”, atualizado em março de 2010, o australiano já relatava que mais de 80% da população australiana vivia nas cidades. O estudo ainda apontava uma projeção da população urbana mundial para os próximos 36 anos de 6,4 bilhões de pessoas, enquanto em 1900 contabilizávamos uma população urbana de 200 milhões de habitantes.

“Isso vai requerer uma construção urbana, para os próximos 40 anos, equivalente ao que foi construído desde que foram estabelecidos os primeiros assentamentos urbanos”, afirmou Adams no estudo “Transforming Australian Cities For a More Financially Viable and Sustainable Future.

Rob Adams se tornou reconhecido internacionalmente ao liderar a premiada requalificação urbanade Melbourne, feita integralmente dentro de princípios sustentáveis. Nesse trabalho, o arquiteto se dedicou a revitalizar não apenas as ruas, mas também parques e lagos, integrando-os ao ambiente urbano.

Promovido pelo IAB-RJ e pela Feira Construir 2014, organizada pela FAGGA | GL Events Exhibitions, a conferência com Rob Adams e a mesa redonda “Frente marítima e a Baía de Guanabara” integram a programação do Fórum AC 21 – Arquitetura e Cidade no século XXI. Em setembro, o fórum reuniu os arquitetos Edison MusaErnani FreireSérgio Conde Caldas, que discutiram o protagonismo do arquiteto no canteiro de obra. 

Vans sairão da sede do IAB-RJ, às 14h, para o Riocentro. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Docomomo no IAB-RJ

Ceça Guimarães, João Calafate, Marcio Roberto, Pedro da Luz
e João Amorim na sede do IAB-RJ antes do debate
Na última sexta feira dia 26 de setembro de 2014 foi realizado no IAB-RJ o Seminário da rede Documentação, Conservação do Movimento Moderno (DOCOMOMO), que abordou a obra do escritório carioca MMM Roberto. A mesa de debates foi composta pelos arquitetos João Calafate, Luis Amorim (Secretário Executivo do DOCOMOMO), Marcio Roberto (filho do arquiteto Mauricio Roberto), Pedro da Luz Moreira (Presidente do IAB-RJ) e Luiz Felipe Machado (autor de uma tese sobre os irmãos Roberto). O encontro também teve a participação determinada da arquiteta Ceça Guimarães (vice presidente do IAB-RJ) e também diretora do DOCOMOMO no Rio de Janeiro.

A mesa de debates foi aberta pelo arquiteto Marcio Roberto, que apresentou uma série de depoimentos afetivos e familiares do escritório dos Irmãos Roberto, dentre os quais se destaca a compreensão do processo de projeto como um constante debate entre as três personalidades. O projeto do escritório para a cidade de Brasilia também foi destacado como portador de um debate entre escala e pertencimento, tendo sido inclusive revisitado mais contemporaneamente como referência.

Depois veio o depoimento do arquiteto João Calafate, que declarou sua filiação incondicional aos objetos realizados pelo escritório, que inclusive determinaram sua escolha profissional. João declarou que nasceu e cresceu no edifício da rua Voluntários da Pátria, 127 em Botafogo projetado pelo escritório dos MMM Roberto. João Calafate acabou construindo uma autobiografia sentimental a partir da vivência que experimentou nos edifícios projetados pelo escritório.

A palestra do arquiteto Luiz Felipe Machado, que escreveu uma tese sobre a produção do escritório, versou sobre a obra dos arquitetos apresentando um vasto material iconográfico. Luiz Felipe destacou o esquecimento e o descaso a que foi condenada a obra dos três arquitetos.

Por último, o arquiteto Luis Amorim pontuou muito bem a estruturação de alguns escritórios do movimento moderno brasileiro em torno de laços familiares e lançou uma importante pergunta para a reflexão contemporânea. Porque a produção contemporânea de edificações multifamiliares não compartilha a mesma qualidade dos edifícios projetados pelos irmãos Roberto?

domingo, 28 de setembro de 2014

Ainda as eleições do CAU-RJ

Chapa do CAU-RJ Fortalecimento da Arquitetura e Urbanismo
Serão completados três anos de existência do Conselho de Arquitetura e Urbanismo no final de 2014, uma conquista dos arquitetos que construiram um conselho uni profissional, independente dos engenheiros. Mas é preciso reconhecer, que se nossa avaliação no nível federal é extremamente positiva, já na esfera estadual ela deixa muito a desejar. No plano federal conquistamos o sistema de informação unificado do SICAU, que está em funcionamento, e apesar do bloqueio de algumas informações pelo antigo sistema CONFEA, ele foi instalado e já está operando. Já no âmbito estadual o CAU-RJ está com a fiscalização ainda muito incipiente, não denunciou algumas práticas deletérias de órgãos públicos, que permanecem contratando projeto por menor preço ou por pregão eletrônico, e o mais grave de tudo, deu apoio a um concurso do BNDES que não previa a contratação integral do vencedor do concurso.

Por esse motivo, o IAB-RJ a partir de uma orientação do seu Conselho Superior, que se reuniu em Brasilia no final de agosto, e pelo seu Conselho Deliberativo que se reuniu no Rio de Janeiro no começo de setembro, onde foi determinado que a entidade participasse intensamente do debate eleitoral do CAU. O IAB-RJ constituiu uma chapa para concorrer as eleições do CAU-RJ, encabeçada pelos companheiros; Luiz Fernando Janot e Pablo Benetti como conselheiros federais, e pelo seu ex presidente Jeronimo Moraes como candidato a Presidente do CAU-RJ, com o nome de FORTALECIMENTO DA ARQUITETURA E DO URBANISMO.

As teses defendidas pelos IABs são que os conselheiros indicados para os diversos CAUs deveriam ser profissionais com ampla atuação, nos diversos campos tais como; projeto, planejamento, gestão, ensino, conservação e outros evitando-se a todo custo que a dedicação seja exclusiva ao conselho. Fortalecimento dentro dos CAUs das diversas entidades que construiram o conselho uni profissional; IABs, FNA, Sindicatos, ASBEA, ABEA e ABAP de forma a ancorar a atuação dos seus respectivos conselheiros. Defesa da idéia do concurso público de projetos de arquitetura como forma mais transparente para contratação de obras públicas. E defesa da integridade do projeto como atividade autoral, que se desenvolve em diversas fases, tais como estudo preliminar, anteprojeto, aprovação legal e projeto executivo, mas que não podem ser independentes e possuem uma responsabilidade nominada de um profissional, que assina sua autoria.

Importante também destacar, que o IAB-RJ investiu até o último momento numa chapa de unidade das entidades que representam os arquitetos; IAB, Sindicato, ASBEA, ABEA e ABAP. Mas foi confrontado pelo Sindicato com indicações de conselheiros que representavam o CAU-RJ, que seriam como representações endógenas ao organismo recém criado, idéia que foi amplamente rechaçada, uma vez que em nossa visão as entidades dos arquitetos é que deveriam ser empoderadas.

Visite o site no facebook

https://www.facebook.com/fortalecimentoau?fref=ts

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Lançamento do Concurso do MIS-Pro

Mesa de lançamento do Concurso de Projetos do MIS-Pro;
Mariana Varzea Superintendente de Museus, Adriana Rattes
Secretária de Cultura, Pedro da Luz Presidente do IAB-RJ,
Rosa Maria Diretora do MIS, Olga Campista Subsecretária
de Cultura e Larissa Graça da Fundação Roberto Marinho.
Foi realizado na última terça feira dia 23 de setembro de 2014 o lançamento do Concurso de Projetos da edificação do Museu da Imagem e do Som - Profissional (MIS-Pro) localizada na Lapa numa quadra adjacente a Sala Cecília Meireles e ao Hotel Bragança, imóveis históricos que também estão sendo requalificados. A iniciativa reforça uma importante sinergia de recuperação de antigos imóveis no Largo da Lapa, com exemplares importantes do ecletismo carioca, e que abrigarão importantes instituições culturais da cidade.

O concurso será uma oportunidade para arquitetos do Brasil inteiro se aproximar do tema da requalificação edilícia, se envolvendo com um programa que tem como premissa aproximar o acervo do MIS dos pesquisadores brasileiros. O novo edifício que está em construção na avenida Atlântica no bairro de Copacabana terá a função de abrigar o acervo da instituição, que será exposta para um público mais amplo, enquanto a edificação na Lapa irá recepcionar os pesquisadores interessados no seu imenso acervo. A idéia é a construção de uma instituição viva e dinâmica, que se afaste da mera guarda e manipulação do seu acervo, mas que incentive a pesquisa criativa.

Para maiores informações acessem o link

http://concursomispro.iabrj.org.br/

sábado, 20 de setembro de 2014

A cúpula de Santa Maria del Fiori

A cúpula de Santa Maria del Fiori em Florença uma concepção
extraordinária onde há adequação entre o conjunto da catedral,
e também ao conjunto da cidade
No dia 19 de agosto de 1418 foi lançado na cidade de Florença na Itália um concurso para cobrir o altar da magnífica igreja de Santa Maria del Fiori, que vinha sendo construída a mais de um século, e que prometia ao vencedor um prêmio de duzentos florins. O concurso envolvia um desafio enorme cubrir um octógono de paredes com um vão de 43,12 metros, numa altura com relação ao solo de 58,19 metros. O simples envio dos materiais necessários para essa empreitada, numa altura de quase 60 metros do solo, o que corresponde a um edifício moderno de quinze andares era um desafio de proporções épicas. Muitos levantavam a hipótese de enchimento da área do octógono com areia compactada até o perfil da futura cúpula, com a utilização dessa base como fôrma da imensa estrutura, para depois esvaziá-la. O anúncio do concurso de 1418 do Bando da Opera del Duomo, simplesmente conclamava:

A dupla cúpula, que resolve com maestria em 1418 o problema
de vencer o vão extraordinário da catedral de Florença, que
vinha sendo construída a mais de um século
"Quem desejar fazer algum modelo ou desenho para a abóboda da grande Cúpula que está sendo construída pela referida Opera, para um estrutura de suporte, andaime ou outra coisa ou qualquer mecanismo para alçar relativos à construção e ao aperfeiçoamento da dita Cúpula ou abóboda... deverá fazê-lo antes do final do mes de setembro."

A solução dada por Bruneleschi ao problema é de uma incrivel maestria, que muitos teóricos passaram a considerar como a fundação de uma nova forma de encarar o problema da construção, fundando a figura do arquiteto moderno. A dupla cúpula, que foi construída se auto sustentava e garantia ao mesmo tempo uma das mais belas relações de proporção, não apenas com o objeto arquitetônico da catedral, mas também com o conjunto da cidade. Simplesmente, uma síntese bem equilibrada de eficiência construtiva e beleza estética. ARGAN, Giulio Carlo numa passagem memorável no artigo "O significado da cúpula", citando Vasari, o primeiro historiador de arte declara:

Técnica persa de construção de cúpula sem escoras dominada
pelos persas, que Bruneleschi utilizou em Florença
"Vendo-se ela elevar-se em tamanha altura, que os montes ao redor de Florença parecem semelhantes a ela.' Portanto, também está relacionada ao céu que domina aquele horizonte de colinas e contra o qual 'parece que realmente combata - e na verdade, parece que o céu dela tenha inveja, pois sem cessar os raios todos os dias a procuram'."

A cúpula de Bruneslechi é talvez o objeto arquitetônico mais citado e debatido, desde sua concepção em 1418, começando por Alberti que considerava sua formulação, "quase que por milagre, mas por um milagre da inteligência humana no céu de Florença." O único que não dedicou uma linha sequer a esse feito grandioso foi o próprio autor, Bruneleschi, que permaneceu apenas realizando e construindo.

Quando eu era jovem, um estudante na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ na cidade do Rio de Janeiro não entendia muito bem porque os professores invariavelmente citavam essa obra de forma recorrente. Meu argumento um tanto simplista repetia; "Porque tanto debate e discurso, se  o cara fez apenas a cúpula da igreja?" Apenas quando visitei Florença e vivenciei sua espacialidade compreendi porque tanta reflexão teórica sobre esse feito humano extraordinário. A cúpula de Bruneleschi permanece na cidade de Florença questionando simplesmente, a capacidade humana de construir de forma adequada.

Abaixo um filme sobre a cúpula

http://www.archdaily.com.br/br/627169/como-brunelleschi-construiu-a-cupula-da-catedral-de-florenca

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Filme e debate sobre o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé no IAB-RJ

O presidente do CAU-BR Haroldo Pinheiro e o presidente
do IAB-RJ Pedro da Luz no debate sobre a obra do arquiteto
João Filgueiras Lima, o Lelé
No último dia 03 de setembro aconteceu no IAB-RJ a projeção de dois filmes sobre o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé. O primeiro era um registro da palestra que o arquiteto dera na série Arqfuturo, e o segundo uma entrevista para a televisão argentina, dentro de uma série sobre arquitetura. O Presidente do CAU-BR, Haroldo Pinheiro, que trabalhou com o arquiteto Lelé participou do debate e deu um depoimento emocionante sobre sua convivência com ele. Haroldo destacou aspectos fundamentais da atuação de Lelé, sublinhando que suas premissas de projeto eram; o apuro tecnológico, um compromisso ético e uma filiação incondicional as demandas sociais de seu país.

A obra do arquiteto Lelé é realmente única e dotada de uma mensagem importante para o estágio atual da cultura arquitetônica na contemporaneidade, não só no Brasil, mas no mundo de forma geral. Como professor universitário da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (EAU-UFF) percebo nas novas gerações um certo encantamento com o desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), tal situação acabou por determinar o declínio do interesse dos estudantes pelo efetivo domínio do canteiro de obras, que Lelé tão bem controlava. Nesse contexto foi inevitável a lembrança ao arquiteto Marcio Tomassini, que compôs minha chapa vencedora do IAB-RJ como vice presidente financeiro, e que também tinha um grande dominio do canteiro de obras e das tecnologias de construção.

Na verdade todo esse debate se refere a uma questão central presente hoje nas obras brasileiras; qual o papel do projeto e do planejamento na sua definição? Porque temos hoje um certo declínio da consideração pelas operações de projeto e de plano, que passaram a ser considerados exercícios de futurologia pouco convincentes? A obra do arquiteto Lelé é um testemunho da importância do protagonismo do projeto, como atividade antecipadora, que controla custos e prazos que no Brasil constantemente são refeitos e revistos, O projeto de arquitetura completo é um importante instrumento de ampliação da avaliação da adequação das diversas obras e transformações necessárias para melhoria da vida cotidiana no país. O plano e o projeto são os únicos instrumentos capazes de construir uma matriz de prioridade para a transformação de nossas cidades, dando a sociedade a possibilidade de controlar e se posicionar com relação a uma série delas. O patrimônio construído pelo arquiteto Lelé é um instrumento poderoso na comprovação dessas teses.

Importante visitar o site do IAB-RJ para conferir o filme no site abaixo:

http://www.iabrj.org.br/iab-rj-e-laboratorios-de-midias-urbanas-da-uff-exibem-filmes-sobre-lele

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

As eleições do Conselho de Arquitetura e Urbanismo

A chapa eleita do IAB nacional, com alguns conselheiros
vitalícios
Nos dias 27, 28, 29 e 30 de agosto aconteceu a 146a Reunião do Conselho Superior (COSU) do IAB na cidade de Brasilia, para eleger a nova diretoria dessa instituição que está para completar cem anos de existência. A eleição ocorreu no dia 28 de agosto, sendo a atual diretoria do presidente Sérgio Magalhães reencaminhada a presidência da entidade. Há no horizonte de atuação da rede do IAB, a realização do Congresso da UIA 2020 na cidade do Rio de Janeiro. Um importante evento, que deverá servir para discutir a inserção do ofício da arquitetura e do urbanismo na sociedade brasileira, revalorizando as ações do plano e do projeto como além de antecipadoras de melhoramentos, um forte fator de ampliação da transparência de seus custos e benefícios.

Além disso a reunião também discutiu a eleição, que se aproxima do novo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), tanto no nível federal, como também na esfera dos diferentes estados do Brasil. Os debates envolveram, antes da discussão de nomes e personalidades, a construção de um perfil ideal de conselheiro do CAU, tanto na esfera federal, quanto na estadual. A idéia principal é que os conselheiros do CAU deveriam representar as entidades existentes dos arquitetos, que são; o IAB, a ABAP, a ASBEA, a ABEA e a FNA. Essa vinculação entre conselheiro do CAU e entidade dos arquitetos pretende contextualizar essa representação, no sentido de evitar a auto-representação isolada. A tese do COSU do IAB da representação de uma entidade pretende exatamente construir um vínculo, no qual o conselheiro passa a representar um conjunto de propostas, que sua entidade defende e encarna.

Por outro lado, também se definiu que o conselheiro deveria ter uma expressiva atuação profissional, com compromisso com os diversos campos da atuação profissional, como; o projeto, a formação profissional, a gestão governamental, o canteiro de obras, etc... Os conselheiros do CAU nas diversas esferas não devem ser profissionais da representação, mas compromissados e vinculados a uma prática profissional concreta.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Filme sobre João Filgueiras Lima, o Lelé, no IAB-RJ

Será apresentado nessa quarta feira dia 03 de setembro de 2014 as 18:30, filme sobre o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, com a presença do presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo Federal CAU-BR Haroldo Pinheiro, que trabalhou com ele e foi seu colaborador. 

A exibição do filme é uma parceria entre IAB-RJ e Laboratório de Mídias Urbanas (LAMUR) da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (EAU-UFF).

Estão todos convidados...

As superquadras em Brasilia

Nova diretoria do IAB eleita para o triênio 2014-17 com os conselheiros
vitalícios
Nos dias 27, 28, 29 e 30 de agosto aconteceu a 146a Reunião do Conselho Superior do IAB na cidade de Brasilia, para eleger a nova diretoria dessa instituição que está para completar cem anos de existência. A eleição ocorreu no dia 28 de agosto, sendo a atual diretoria do presidente Sérgio Magalhães reencaminhada a presidência da entidade. Há no horizonte de atuação da rede do IAB, a realização do Congresso da UIA 2020 na cidade do Rio de Janeiro. Um importante evento, que deverá servir para discutir a inserção do ofício da arquitetura e do urbanismo na sociedade brasileira, revalorizando as ações do plano e do projeto como além de antecipadoras de melhoramentos, um forte fator de ampliação da transparência de seus custos e benefícios.

A emblemática superquadra 308, que tem no seu centro a
Igreja de Nossa Senhora de Fátima, projetada por Oscar
Niemyer
Durante a 146a Reunião do Conselho Superior, no dia 29 de agosto não almocei com os participantes, e consegui fugir para visitar a emblemática superquadra 308 sul, onde há uma igreja de Nossa Senhora de Fátima, projetada por Oscar Niemyer a partir de uma encomenda de Dona Sara Kubitscheck. Muito além dessa presença essa superquadra é valorizada pela integridade de suas edificações, e por suas iniciativas de restauro e preservação de nossa tradição modernista, tanto em suas fachadas, quanto na permeabilidade dos seus pilotis. Sempre considerei a proposta habitacional das superquadras de Brasilia, como a melhor parte do Plano Piloto do arquiteto Lucio Costa. A escala, a proporção entre espaço construído e área livre, o gabarito das edificações me parecem o ponto alto dessa parte do Plano Piloto de Brasília. Além disso a teoria mais contemporânea sobre a cidade, enfatiza a importância das áreas habitação frente aos seus monumentos, afirmando que o contínuo dedicado ao habitar representa mais de 80% do seu território. O crítico italiano Aldo Rossi no clássico Arquitetura da Cidade afirma que grande parte da personalidade de um aglomerado urbano vem desse desenvolvimento de formas particulares de morar, que nas cidades italianas com sua imensa estratificação temporal, se encontra uma infinidade de modus que representam a diversidade de formas de morar ao longo da história. Brasília, com sua tradição moderna fundou um módus operandi do bem viver, representado pelas superquadras, que simbolizam uma personalidade do morar muito particular.

A escala, a proporção entre espaço edificado e área livre e o
gabarito das edificações atestam a qualidade das superquadras
No entanto é preciso reconhecer, que há uma certa homogeneização do território, que poderia ser combatida com a convocação de outros arquitetos operantes nos tempo de sua concepção, que inclusive haviam participado do concurso de Brasília, tais como; Artigas, Rino Levi, Henrique Midlin, MMM Roberto, ou outros que não participaram, mas que atuavam fortemente na ocasião como; Jorge Moreira, Afonso Eduardo Reidy, Alfredo Brito, dentre outros. Gostaria de ver sobre o plano de massa do Doutor Lucio Costa, com suas definições de pilotis, gabarito e afastamentos, reinterpretados nas propostas desses arquitetos, que certamente ampliariam a diversidade presente na cidade. Aliás a emblemática superquadra 308, assim como outras partes do Plano Piloto estão demandando das novas gerações de arquitetos um desenho que celebre o caminhar do pedestre, como um novo tempo da cidade. Uma sobreposição de um novo desenho, que celebre o caminhar para o bicicletário ou para a estação de metrô, ou ainda o simples caminhar, numa proposta que nasceu sobre a hegemonia do automóvel, iniciando uma convivência profícua de diferentes tempos da cidade.