Follow by Email

sábado, 13 de abril de 2013

Vergonha do Transporte Público de Passageiros

Até quando as cidades brasileiras terão transportes público de passageiros de péssima qualidade. Os modais de alta capacidade, como os trens urbanos, estão constantemente apresentando problemas estruturais, que deixam os usuários inseguros e desconfiados. Não existem planos e projetos estruturados e articulados em andamento para realizar estas melhorias.

A Supervia na cidade metropolitana do Rio de Janeiro, possui uma rede de trilhos urbanos com uma extensão cinco vezes maior que a da cidade metropolitana de São Paulo. No entanto, a rede carioca hoje está transportando apenas 600mil passageiros/dia, enquanto a rede paulista transporta 1,2milhão de passageiros/dia. O investimento necessário para colocar esta rede de trens urbanos funcionando é muito menor do que o dispendido pela atual ampliação do Metrô para a Barra da Tijuca. Basta apenas redesenhar as estações existentes garantindo conforto e acessibilidade universal, comprar composições de trens modernos e garantir um intervalo de composições no padrão do metrô. A população beneficiada por esta melhoria dos trens urbanos cariocas, nos ramais de Santa Cruz, Deodoro e Caxias, que moram ao longo destes ramais chega 9,4milhões de pessoas. Enquanto, que na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes vivem apenas 180mil habitantes, sendo que o metrô chegará apenas ao Jardim Oceânico. Portanto, no começo da Barra da Tijuca.

Realmente é um descalabro, um crime de leso planejamento e orçamento. A população carioca deveria se mobilizar para cobrar dos governos uma atitude para reverter a atual situação.

Manchete do O Globo de 13-04-2013

Marx e Jenny em Londres em meados do século XIX

A biografia da familia de Marx, Amor e Capital da jornalista americana Mary Gabriel é um livro maravilhoso sobre a dura existência do casal Karl e Jenny. Karl Marx era filho de uma familia judia, que teve que se converter ao cristianismo, seu pai, Heschel Marx advogado optou pelo luteranismo, adotando o nome Heinrich, pois com a derrota de Napoleão em 1815, o governo da Prussia revogou os direitos dos judeus e oficialmente os excluiu do serviço público. A familia de Marx tinha entre seus membros desde o século XIV na Itália alguns dos mais importantes rabinos da Europa. A mulher de Karl Marx era Jenny Von Westphalen, filha de uma familia aristocrática, que reunia um barão prussiano e uma filha de ministro escocês, que descendia dos duques de Argyll e Angus. Apesar desta origem o pai de Jenny o barão Ludwig Von Westphalen admirava Saint Simon o fundador do socialismo francês.

A familia de Karl e Jenny, após vários exílios na Bélgica e na França e retornos a Prussia ou a Confederação Alemã, se instala em Londres no bairro do Soho na Dean Street, a um quilometro e meio da City. Este bairro em meados do século XIX era uma verdadeira cloaca, com condições de higiene muito piores que a pior favela brasileira contemporânea. Em 1853 a cidade de Londres foi castigada por uma epidemia do cólera, que matou apenas neste ano onze mil pessoas. Os motivos para tal proporção de óbitos foram descobertos por um médico do próprio bairro do Soho, John Snow, que descobriu vazamentos de esgotos para dentro de poços de água considerada potável. Um destes poços ficavam na Broad Street, rua que ficava a cerca de um minuto a pé da residência dos Marxs. A familia Marx perdeu no periodo londrino tres filhos vitimados por doenças diversas. As condições de salubridade do apartamento em Dean Street são descritas em vários trechos:

" A água corrente não chegava a mais de tres metros do nivel da rua, de modo que os Marx precisavam ir buscar água no térreo. Da mesma forma, não havia toalete conectado a caixa d´água central; as opções eram um vaso comunitário (que despejava tudo na fossa do porão) ou um penico dentro do apartamento."

A biografia da jornalista americana destaca a personalidade e inteligência de Jenny, assim como o carinho de Karl com seus filhos e com a própria mulher. É interessante perceber a sucessão de revoltas e rebeliões que as cidades européias sofreram e as restaurações conservadoras. De uma maneira geral, Paris representava a vanguarda com a Comuna de 1848, quer irá incendiar toda a Europa Central em seguida.