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sábado, 28 de setembro de 2013

Um debate sobre a Operação Urbana Consorciada do Porto Maravilha

Na última quinta feira dia 26 de setembro de 2013 houve em São Paulo um debate sobre a Operação Urbana Consorciada (OUC) do Porto Maravilha, que está em andamento na cidade do Rio de Janeiro, patrocinado pelo jornal Valor Econômico. Nesta ocasião expressei minha preocupação com uma certa hegemonia da lógica financeira destas operações, que tendem a gerar territórios urbanos descontínuos baseados na torre corporativa. Além da inadequação da cidade mono funcional, restrita as torres de escritórios com vidros espelhados, argumentei que a paisagem da cidade precisa ser levada em conta na definição da estrutura das edificações a serem construídas. A lógica das CEPACs (certificados de potencial adicional de construção) que estrutura as OUCs acabam por impedir a visualização do futuro desenho da cidade como um todo, fragmentando-o em ações pontuais, pois sua definição se dá a partir da área do terreno urbano onde ela ocorre. Nesta lógica, nem a quadra, que se configura como o conjunto dos terrenos está sendo considerada.
A emblemática paisagem do Rio de Janeiro,
um valor inestimável

A cidade do Rio de Janeiro, com suas paisagens emblemáticas de maciços graníticos, como o Pão de Açúcar e o Corcovado, possui uma ocupação urbana onde se destaca uma certa continuidade da quadra determinada por uma altura da edificação que tende a ser homogênea. O bairro de Copacabana, por exemplo possui um gabarito de onze andares, esta continuidade é rompida apenas por duas torres, dos hotéis Othon e Meridien. Esta conformação me parece mais adequada para a paisagem do Rio de Janeiro, pois o destaque não recai sobre o conjunto edificado mas sobre os maciços graníticos, que tendem a ser os protagonistas diante de uma continuidade edilícia que apenas sublinha sua importância.

Copacabana e a continuidade de seu conjunto edificado
A paisagem do Rio de Janeiro foi recentemente tombada, ela possui um valor inestimável, com seus ícones geológicos dos maciços graníticos que pontuam diferentes recintos muitas vezes definindo seus bairros. A zona portuária do Rio de Janeiro possui um conjunto de montanhas que a separa da região da Avenida Presidente Vargas, que é constituído pelos morros da Conceição, da Providência e do Pinto. Este conjunto de montanhas deve ser o protagonista que determinará o caráter da intervenção humana, que deve se pautar por uma sensibilidade não competitiva, que as recentes torres espelhadas apresentadas por diferentes grupos na zona Portuária estão negando.
A cidade metropolitana do Rio de Janeiro

A visão de conjunto está sendo prejudicada por uma excessiva fragmentação, baseada nos terrenos, que as CEPACs ao meu ver condicionam. A arquitetura e o urbanismo da cidade precisam olhar mais para o conjunto da cidade metropolitana do Rio de Janeiro, pensando esta estrutura de forma holística e integrada, e nunca da forma fragmentada como as OUCs vem sendo desenhadas. A paisagem carioca me parece ter um valor inestimável, que está sempre a cobrar dos arquitetos e urbanistas esta visão do conjunto.