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terça-feira, 22 de julho de 2014

Aula para alunos de Yale sobre o Aterro do Flamengo

Mapa que mostra o sítio da cidade do Rio de Janeiro
como foi encontrada pelos portugueses em 1500
No último dia 21 de julho de 2014 dei uma aula para alunos de YALE, dos mais variados cursos de graduação, sobre o Aterro do Flamengo. A turma de alunos estuda nossa língua, o maltratado português, e fazem incursões ao Rio de Janeiro e São Paulo para estudar nossa cultura e nossos arranjos culturais. As duas megacidades, São Paulo e Rio de Janeiro, pela classificação da ONU, são efetivamente exemplos únicos de desenvolvimentos urbanos concentrando uma maravilhosa diversidade de implantações. O tema do Aterro do Flamengo é também uma experiência maravilhosa e bem sucedida de adequação de um projeto urbano a um sítio único e cheio de ícones geológicos, como o Pão de Açúcar e o Corcovado. Portanto o Parque do Flamengo, para a cultura do projeto e da cidade é uma experiência emblemática, e que representa um resultado que supera em muito o âmbito da mera banalidade. Nesse sentido é interessante destacar o texto, que a comissão de elaboração do Parque do Flamengo, composta por Reidy, Lota Macedo Soares, Burle Marx e Jorge Moreira, destaca como o momento pelo qual passava a cidade na década de 60:

“O maior inimigo da beleza e do conforto de uma cidade é o automóvel. As pistas cada vez mais largas, os estacionamento cada vez maiores vão destruindo rapidamente os edifícios antigos, as travessas estreitas, os jardins os becos, as tortuosas ruas...Assim a cidade vai perdendo o seu caráter e sua personalidade para se parecer cada vez mais com os subúrbios de Los Angeles... Fica, pois, ao governador Carlos Lacerda a tarefa de devolver o mar ao carioca...” Maria Carlota Macedo Soares 1964

Há no texto uma compreensão apurada dos problemas atuais da cidade, e, uma correta identificação do automóvel particular como um destruidor do caráter e a alma das cidades. O texto está no livro sobre Afonso Eduardo Reidy, o arquiteto da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro que projetou o Aterro do Flamengo, e, aparece na publicação assinado pela Lota Macedo Soares. Recente filme sobre o romance entre a Lota Macedo Soares e a poetisa americana Elizabeth Bishop - Flores Raras - incorreu em inverdades históricas graves. Na ocasião publiquei um texto do Alfredo Brito, que apontava essas inverdades. No filme Lota Macedo Soares é retratada como a paisagista do Parque do Flamengo, o que é uma injustiça muito grande com Roberto Burle Marx, o verdadeiro autor do projeto de paisagismo.