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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Lançamento dos livros Cadernos Técnicos para Urbanização de Favelas no IAB-RJ

Foi realizado nessa sexta feira dia 06 de fevereiro de 2015 o lançamento dos três livros Cadernos Técnicos para Urbanização de Favelas no auditório do IAB-RJ, diante de um público de agentes do Programa Rio + Social, e com a presença do Secretário Municipal de Habitação (SMH) Dr. Carlos Francisco Portinho. Os livros abordam três temas fundamentais da urbanização de favelas; Espaços Livres, Sistema Viário e Resíduos Sólidos Urbanos e foram apresentados por seus respectivos autores arquitetos; Guilherme Figueiredo e Mario Ceniquel, Tatiana Terry e Solange Araújo de Carvalho, e Marat Troina. As publicações pretendem ser uma importante ferramenta para nivelar os parâmetros da urbanização entre projetistas, lideranças comunitárias, agentes sociais, moradores, concessionárias de serviços e gestores públicos. Elas envolvem um esforço realizado no âmbito do Convênio Morar Carioca, celebrado entre o IAB-RJ e SMH, entre os anos de 2011 e 2014.

Pedro Veiga (Rio + Social), Carlos Francisco Portinho (SMH),
Pedro da Luz Moreira (IAB-RJ), Antonio Augusto Verísssimo
(SMH) e Luiz Fernando Valverde (IPP)
Na primeira parte do encontro foi montada uma mesa composta pelo atual Secretário de Habitação o Dr. Carlos Francisco Portinho, o Presidente do IAB-RJ o arquiteto Pedro da Luz Moreira, o Coordenador Geral do Rio +Social Dr. Pedro Veiga, o arquiteto do IPP Luiz Fernando Valverde, e o então ex Chefe de Gabinete da SMH  arquiteto Antonio Augusto Veríssimo. Nessa primeira parte do encontro destaca-se a proposta do Secretário de Habitação, que sugeriu a indicação conjunta com o IAB-RJ, do nome do arquiteto Afonso Eduardo Reidy, como personalidade do ano no contexto das comemorações dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro. Uma iniciativa importante e merecida, pois o ilustre arquiteto foi funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro e autor junto com Burle Marx do projeto do Aterro do Flamengo. Obra emblemática da cidade, com uma qualidade extraordinária, profundamente ligada a Baía de Guanabara, que foi tema da última Premiação Anual do IAB-RJ.

Solange Araujo e Tatiana Terry (Sist. Viário) Pedro da Luz
Moreira (IAB-RJ), Guilherme Figueiredo e Mario Ceniquel
(Áreas Livres) e Marat Troina (Resíduos Sólidos)
Na segunda parte do encontro foram chamados os autores dos Cadernos Técnicos de Urbanização de Favelas, começando pelas autoras arquitetas Tatiana Terry e Solange Araújo de Carvalho, que apresentaram o tema do Sistema Viário. As autoras começaram destacando que as favelas são estruturas inseridas em nossas cidades, e que devem ser tratadas no contexto de busca da universalização da oferta de infraestruturas urbanas para todo o território. Na gênese do sistema viário das favelas a arquiteta Tatiana Terry identificava uma clara diferenciação com os tecidos formais da cidade, enquanto na informalidade o espaço privado antecede o espaço público da rua, da viela e da praça, nos bairros formais se dava o contrário. Apesar dessa diferenciação morfológica a arquiteta entendia que era possível romper com o estigma da separação entre informalidade e formalidade, garantindo uma acessibilidade contínua, a partir da inserção das infraestruturas. As duas arquitetas autoras apresentaram então os princípios que deve ter uma estrutura do sistema viário, a partir dos conceitos de centralidades, destinos, conectividade e hierarquia de vias. Foi então enfatizado que essa estrutura deve ser legível, capaz de ser sistematizada num mapa mental, que encarnava a descrição sintética da sua estrutura. Por último, foi destacado a questão da inserção de meios mecânicos (elevadores, planos inclinados e teleféricos), como elementos de ampliação de conforto, principalmente nas favelas em encosta.

Pedro da Luz (IAB-RJ) e Guilherme Figueiredo (Áreas Livres)
Na terceira parte do encontro foram chamados os autores do tema Sistema de Espaços Livres, Guilherme Figueiredo e Mario Ceniquel, que iniciaram esclarecendo o conceitos de espaços livres; "todas as áreas públicas ou privadas livres de construção." Essas áreas livres se configuram como uma oportunidade para o paisagismo, pois quando bem desenhadas e gerenciadas podem ampliar a presença de amenidades. A metodologia apresentada pelos autores parte do relacionamento entre comportamento e espaço, procurando incitar os agentes mobilizados em torno do projeto que façam o seu mapeamento. Os conceitos de acessibilidade, conectividade e simbolismo quando aderidos a esses locais podem orientar o desenho e a conceituação do seu papel na intervenção. O arquiteto Guilherme Figueiredo apresentou um interessante quadro com os Antecedentes Históricos da compreensão do conceito de espaços livres. Ao final, o arquiteto Mario Ceniquel desenvolveu a conceituação proposta para o projeto das áreas livres, que se desdobrava em quatro etapas; Descobrir - Definir - Desenvolver - Cosntruir. Esse mesmo arquiteto destacou a importância do processo de manutenção das intervenções, que muito além da inauguração, consolida no cotidiano a presença do poder público nas áreas.

Marat Troina (Reíduos Sólidos)
Na quarta e última parte do encontro, o arquiteto Marat Troina, Vice Presidente Financeiro do IAB-RJ apresentou o Caderno de Resíduos Sólidos, pontuando de forma importante que o esforço de promover esse encontro "nesse auditório, trazia a possibilidade de retorno e avaliação pelos agentes do Rio +Social da adequação daquele conteúdo". O arquiteto também encarava o trabalho desenvolvido para a confecção do caderno, não como autoral, mas como organizador e hierarquizador de uma série de informações disponíveis de forma dispersa, destacando inclusive a Co-autoria do biólogo Fabio Gondim. Após apresentar o indice geral de desenvolvimento da publicação, Marat se concentrou numa parte mais operativa, que descrevia a produção, os estágios e os movimentos dos resíduos sólidos nas comunidades. A caracterização da coleta pela Comlurb, como direta e indireta fez menção a necessidade de construção de estruturas intermediárias de acúmulo, os pontos de lixo, que muitas vezes estigmatizam áreas pela grande concentração. Marat concluiu afirmando a especificidade de cada favela, destacando a importância de compartilhamento das diversas experiências de trato dos resíduos sólidos.

Luis Fernando Valverde (IPP) e Crispim debatem os Cadernos
de Urbanização de Favelas no IAB-RJ
Após essas apresentações foram franqueadas ao auditório a formulação de perguntas e exposições sobre o tema das três publicações Cadernos Técnicos de Urbanização de Favelas. Dentre as quais deve-se destacar a do agente do Rio +Social, Geilsom, que pontuou a necessidade da mediação contínua entre população e concessionárias, para manter a qualidade do desenho dos projetos e também manter um padrão alto na gestão dos serviços no território. A do Vice presidente do IAB-RJ Ephim Schluger, que mencionou a questão da resiliência nas comunidades e como enfrentar eventos extremos como desmatamento e temperaturas elevadas nas favelas cariocas. E, a do representante do IPP, Luis Fernando Valverde que cobrou os desdobramentos possíveis daquele encontro, tendo em vista a cobrança por uma política continuada de urbanização de favelas.

Ao final, o presidente do IAB-RJ Pedro da Luz Moreira destacou a presença de um questionamento em todas as falas do debate, que apontava uma certa dicotomia entre inauguração de ações e manutenção dessas ações nas comunidades, no longo prazo. Os programas de urbanização de favelas devem implantar as obras que garantam a universalização a todos as partes da cidade das infraestruturas e comodidades urbanas, mas também, manter um serviço contínuo de conservação e manutenção, única forma de convencer a população de que o Poder Público também está presente nessas áreas. A proposta de desdobramento apresentada pelo IAB-RJ é a consolidação de uma rede de informação, que adere ao Grupo de Trabalho que debate já há alguns meses a questão da inserção das favelas na cidade metropolitana do Rio de Janeiro.

As fotos são da Cessa Guimarães, vice presidente cultural do IAB-RJ