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domingo, 30 de junho de 2013

Entrevista de Manuel Castells na revista Isto É

O sociólogo Manuel Castells numa entrevista à revista Isto É, destaca o perfil democrático da presidente Dilma Roussef frente as recentes manifestações, que ocorrem no país. Considero este um aspecto positivo dos últimos acontecimentos, que dão um caráter específico às nossas manifestações. Destaca também que os problemas do transporte público foram consequência da especulação imobiliária, que investiu fortemente numa cidade com um planejamento privatizado e pouco republicano. Destaco alguns trechos em negrito. Não concordo com tudo, que está dito, mas a celebração da especificidade do Brasil dentro da crise de representação que abala o mundo como um todo é um fato a ser comemorado. Efetivamente, me parece que no Brasil o clamor das ruas provocou, pelo menos que os políticos saíssem de sua tradicional zona de conforto. Como de uma maneira geral, nós brasileiros não nos auto-celebramos, acho o destaque do sociólogo espanhol especialista na sociedade em rede, um ponto importante a ser divulgado para a reflexão...
A entrevista foi garimpada no blog do Rovai...
por Daniela Mendes
ISTOÉ – O sr. estava no Brasil quando ocorreram os primeiros protestos em São Paulo. Podia imaginar que eles tomariam essa proporção?
MANUEL CASTELLS – Ninguém podia. Mas o que eu imaginava, e pesquisei durante vários anos, é que a crise de legitimidade política e a capacidade de se comunicar através da internet e de dispositivos móveis levam à possibilidade de que surjam movimentos sociais espontâneos a qualquer momento e em qualquer lugar. Porque razões para indignação existem em todos os lugares.
ISTOÉ – O Brasil reduziu muito a desigualdade social nos últimos anos e tem pleno emprego. Como explicar tamanho descontentamento?
MANUEL CASTELLS – A juventude em São Paulo foi explícita: “Não é só sobre centavos, é sobre os nossos direitos.” É um grito de “basta!” contra a corrupção, arrogância, e às vezes a brutalidade dos políticos e sua polícia.

ISTOÉ – Faz sentido continuar nas ruas se os problemas da saúde e da educação não podem ser resolvidos rapidamente, como o das passagens de ônibus?
MANUEL CASTELLS – Em primeiro lugar, o movimento quer transporte gratuito, pois afirma que o direito à mobilidade é um direito universal. Os problemas de transporte que tornam a vida nas cidades uma desgraça são consequência da especulação imobiliária, que constrói o município irracionalmente, e de planejamento local ruim, por causa da subserviência dos prefeitos e suas equipes aos interesses do mercado imobiliário, não dos cidadãos. Além disso, por causa da mobilização, a presidenta Dilma Rousseff também está propondo novos investimentos em saúde e educação. Como leva muito tempo para obter resultados, é hora de começar rapidamente.

ISTOÉ – A presidenta Dilma agiu corretamente ao falar na tevê à nação, convocar reuniões com governadores, prefeitos e manifestantes para propor um pacto?
MANUEL CASTELLS – Com certeza, ela é a primeira líder mundial que presta atenção, que ouve as demandas de pessoas nas ruas. Ela mostrou que é uma verdadeira democrata, mas ela está sendo esfaqueada pelas costas por políticos tradicionais. As declarações de José Serra (o ex-governador tucano criticou as iniciativas anunciadas pela presidenta) são típicas de falta de prestação de contas dos políticos e da incompreensão deles sobre o direito das pessoas de decidir. Os cargos políticos não são de propriedade de políticos. Eles são pagos pelos cidadãos que os elegem. E os cidadãos vão se lembrar de quem disse o quê nesta crise quando a eleição chegar.

ISTOÉ – Como comparar o movimento brasileiro com os que ocorreram no resto do mundo?
MANUEL CASTELLS – Houve milhões de pessoas protestando dessa forma durante semanas e meses em países de todo o mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de mil cidades foram ocupadas entre setembro de 2011 e março de 2012. A diferença no Brasil é que uma presidenta democrática como Dilma Rousseff e um punhado de políticos verdadeiramente democráticos, como Marina Silva, estão aceitando o direito dos cidadãos de se expressar fora dos canais burocráticos controlados. Esse é o verdadeiro significado do movimento brasileiro: ele mostra que ainda há esperança de se reconectar instituições e cidadãos, se houver boa vontade de ambos os lados.

ISTOÉ – O que é determinante para o sucesso desses movimentos convocados pela internet?
MANUEL CASTELLS – Que as demandas ressoem para um grande número de pessoas, que não haja políticos envolvidos e que não haja líderes manipulando. Pessoas que se sentem fortes apoiam umas às outras como redes de indivíduos, não como massas que seguem qualquer bandeira. Cada um é seu próprio movimento. A brutalidade policial também ajuda a espalhar o movimento através de imagens na internet difundidas por telefones celulares.

ISTOÉ – Por que tantos protestos acabam em saques e depredações? Como evitar que marginais se aproveitem do movimento?
MANUEL CASTELLS – Há violência e vandalismo na sociedade. É impossível preveni-los, embora os movimentos em toda parte tentem controlá-los porque eles sabem que a violência é a força mais destrutiva de um movimento social. Às vezes, em alguns países, provocadores apoiados pela polícia criam a violência para deslegitimar o movimento.

ISTOÉ – Como a polícia deve agir?
MANUEL CASTELLS – Intervir de forma seletiva, com cuidado, profissionalmente, apenas contra os provocadores e os grupos violentos. Nunca, nunca disparar armas letais, e se conter para não bater indiscriminadamente em manifestantes pacíficos. A polícia é uma das razões pelas quais as pessoas protestam.

ISTOÉ – A ausência de líderes enfraquece o movimento?MANUEL CASTELLS – Pelo contrário, este é o vigor do movimento. Todo mundo é o seu próprio líder.
ISTOÉ – Mas isso não inviabiliza a negociação com a elite política?MANUEL CASTELLS – Não, a prova disso é que a presidenta Dilma Rousseff se reuniu com alguns representantes do movimento.
ISTOÉ -Qual é a grande força e a grande fraqueza desses movimentos?
MANUEL CASTELLS -A grande força é que eles são espontâneos, livres, festivos, é uma celebração da liberdade. A fraqueza não é deles, a fraqueza são a estupidez e a arrogância da classe política que é insensível às demandas autônomas de cidadãos.

ISTOÉ – No Brasil, partidos políticos foram banidos das manifestações e há quem enxergue nisso o perigo de um golpe. Faz sentido essa preocupação?
MANUEL CASTELLS – Não há perigo de um golpe de Estado. Os corruptos e antidemocráticos já estão no poder: eles são a classe política.

ISTOÉ – Como resolver a crise de representatividade da classe política?
MANUEL CASTELLS – Com reforma política, com uma Assembleia Constituinte e um referendo. A presidenta Dilma Rousseff está absolutamente certa, mas, nesse sentido, ela será destruída por sua própria base.

ISTOÉ – Essas manifestações articuladas através das redes sociais demandam uma nova forma de participação dos cidadãos nos processos de decisão do Estado? Qual?
MANUEL CASTELLS – Sim, esta é a nova forma de participação política emergente em toda parte. Analisei este mundo em meu livro mais recente.
ISTOÉ – O que há em comum entre os movimentos sociais contemporâneos?MANUEL CASTELLS – Redes na internet, presença no espaço urbano, ausência de liderança, autonomia, ausência de temor, além de abrangência de toda a sociedade e não apenas um grupo. Em grande parte os movimentos são liderados pela juventude e estão à procura de uma nova democracia.
ISTOÉ - O movimento Occupy, nos EUA, foi derrotado pela chegada do inverno. Que legado deixou?
MANUEL CASTELLS – Deixou novos valores, uma nova consciência para a maioria dos americanos.

ISTOÉ – Os Indignados espanhóis conseguiram alguma vitória?
MANUEL CASTELLS -Muitas vitórias, especialmente em matéria de direito de hipoteca e despejos de habitação e uma nova compreensão completa da democracia na maioria da população.

ISTOÉ – Que paralelos o sr. vê entre o movimento turco e o brasileiro?
MANUEL CASTELLS – São muito similares. São igualmente poderosos, mas a Turquia tem um primeiro-ministro fundamentalista islâmico semifascista e o Brasil, uma presidenta verdadeiramente democrática. Isso faz toda a diferença.

ISTOÉ - Acredita que essa onda de protestos se espalhará para outros países da América Latina?
MANUEL CASTELLS – Há um movimento estudantil forte no Chile, e embriões surgindo na Colômbia, no México e no Uruguai.

ISTOÉ – Países que controlam a internet, como a China, estão livres dessas manifestações?
MANUEL CASTELLS –  Não, isso é um erro da imprensa ocidental. Há muitas manifestações na China, também organizadas na internet, como a da cidade de Guangzhou (no sul do país), em janeiro passado, pela liberdade de imprensa (o editorial de um jornal foi censurado e isso motivou as primeiras manifestações pela liberdade de expressão na China em décadas. Pelo menos 12 pessoas foram detidas, acusadas de subversão).

ISTOÉ – Como o sr. vê o futuro?
MANUEL CASTELLS – Eu não gosto de falar sobre o futuro, mas acredito que ele será mais brilhante agora porque as sociedades estão despertando através desses movimentos sociais em rede.

Palestra do Carlo Ginzburg sobre a internet

A palestra do historiador Carlo Ginzburg sobre a internet e o Google é realmente uma brilhante abordagem sobre o conhecimento, sua produção e sua introjeção no ser. Sobre as relações entre escolas, pessoas e internet. O risco da banalidade, a quantidade de informação e a busca de sentido para ela. "A internet não é um instrumento democrático, mas um potencial instrumento democrático... Ao invés de reduzir as distâncias atreladas à hierarquia social, a internet as exarceba". O livro é o instrumento que nos ensina a dominar a incrível velocidade da internet... O google é um fragmentador de frases, que retira palavras, expressões do seu contexto, o conjunto do texto em sua integridade. A intertextualidade. A leitura é uma atividade muito mais complexa do que qualquer teorização a seu respeito.

Enfim vale a pena...

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=wSSHNqAbd7E#at=41
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=wSSHNqAbd7E#at=41


sábado, 29 de junho de 2013

Entrevista sobre a Marina da Glória

Entrevista minha em 12 de dezembro de 2011 para a jornalista Lucia Hipólito da radio CBN sobre o projeto da Marina da Glória na cidade do Rio de Janeiro

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn-rj/2011/12/12/PROJETO-DE-AMPLIACAO-DA-MARINA-DA-GLORIA-PROPOSTO-PELO-GRUPO-DE-EIKE-BATISTA-AINDA-

Nova entrevista dada a CBN no dia 29 de junho de 2013 sobre o projeto da Marina da Glória na cidade do Rio de Janeiro.

http://cbn.globoradio.globo.com/semanaCBN.php?praca=RJ&data=29/06/2013&hora=10:00




Da série casas para uma familia: Casa urbana em terreno plano (casa pátio)

Mais um exemplar da série de casas para uma familia, da qual esta é a terceira publicada, com o mesmo programa, isto é os mesmos compartimentos. Agora num terreno diferente da primeira e segunda casas, ainda urbano mas plano, sem qualquer aclive ou declive.  A idéia desta série de casas, que pretendo publicar neste blog exorciza algumas hipóteses que convivem comigo há muito tempo, assim como escreveu Lucio Costa no memorial para a cidade de Brasilia; "apenas me desvencilho de uma solução possível, que não foi procurada, mas surgiu..."


A casa em pátio é um arquétipo das culturas de clima mais quente. Ela é recorrente na cidade clássica mediterrânea, e permanece como uma solução extremamente potente nos dias atuais. Como disse o filósofo BACHELARD  " a casa em pátio aprisiona para a familia um pedaço do céu...", que passa a ficar enquadrado pelas paredes do pátio. No caso desenhado, a casa além de disposta em torno de um pátio, assume com relação a rua a postura de um muro limitador que separa o mundo público da cidade, do mundo da privacidade e intimidade da familia..

Existe nesta solução de casa uma forte vertente estática, contraposta ao dinamismo das outras duas soluções, como se o mundo do pátio representasse aquele micro universo tão particular de cada familia. No centro do pátio, seguindo uma tradição que me parece árabe há uma fonte de água, que ajuda na climatização e reserva um ruído especial, que reverbera para a familia...


terça-feira, 25 de junho de 2013

Texto do presidente do IAB sobre a contratação das obras públicas no Brasil e o clamor das ruas

Prezados companheiros, reproduzo o texto do presidente do IAB no último sábado no O Globo, sobre o autoritarismo na definição das prioridades nas obras públicas brasileiras. O Plano e o Projeto precisam passar a ser encarados como instrumentos potentes para ampliação da transparência destas contratações. A realização de audiências públicas, onde os benefícios e os custos das transformações são debatidos é uma prática que precisa se instalar no Brasil. O sistema de transporte público não melhora de um dia para outro, é preciso planejar e projetar os investimentos em modais de alta capacidade como trens e barcas, e articulá-los com outros...


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Da série casas para uma familia: Casa urbana em encosta a jusante da rua (casa torre)

Mais um exemplar da série de casas para uma familia, da qual esta é a segunda publicada, com o mesmo programa, isto é os mesmos compartimentos. Agora num terreno diferente da primeira casa, ainda urbano mas a jusante da rua.  A idéia desta série de casas, que pretendo publicar neste blog exorciza algumas hipóteses que convivem comigo há muito tempo, assim como escreveu Lucio Costa no memorial para a cidade de Brasilia; "apenas me desvencilho de uma solução possível, que não foi procurada, mas surgiu..."
Perspectiva
A casa edifício, ao contrário da primeira residência possui uma série de elementos de seu programa afastados do terreno; o escritório, os quartos,a sala de TV. Na verdade os únicos compartimentos relacionados diretamente com o solo do terreno são a sala de estar, jantar,e cozinha no térreo; e as garagens no terceiro pavimento. Esta situação confere a esta casa a alcunha de casa torre, concentrada num retângulo de seis por doze metros, muito diferente do espalhamento da primeira casa...

Plantas e Fachadas escala 1:250

terça-feira, 18 de junho de 2013

Protesto 17-06-2013 na Avenida Rio Branco

Prezados amigos, alguma coisa está acontecendo que parece não ter fim, nas cidades brasileiras. Esta multidão, que foi para as ruas, ainda não conquistou nada, apenas foi protestar por conta de 20 centavos de aumento nas tarifas de ônibus. Ou melhor, para fazer com que todo trabalhador não pague tão caro para ir e voltar para casa, para que não demore tanto tempo para chegar ao trabalho, ao museu, à escola, à biblioteca, ao parque, à informação e à cultura. Nenhum cidadão brasileiro deveria demorar mais de quarenta minutos para se deslocar no território da cidade brasileira. Isto é qualidade de vida, isto é razoável. A mobilidade urbana depende de planejamento e projeto, que repense a cidade brasileira de forma mais articulada e estruturada. Para tal é preciso que tenhamos em mente a cidade do futuro que almejamos, o projeto de sociedade do devir precisa ser explicitado de forma sintética e operativa em poucos ítens. Isto, depende do projeto de cidade que queremos para nossos filhos, que deverá explorar o potencial já construido e presente no Brasil. A política urbana tem potencial para se tornar um forte vetor na redistribuição de renda no Brasil, pois ela pretende generalizar uma série de confortos da vida urbana que precisam ser acessíveis a todos. Para mim o projeto de cidade que almejamos precisa ter cinco pontos muito simples e objetivos: 1. Cidade compacta 2. Cidade da generalização dos serviços públicos de qualidade 3. Cidade de mobilidade ampliada 4. Cidade da mistura social e dos usos 5. Cidade de convivência positiva com o meio natural

domingo, 16 de junho de 2013

Da série casas para uma familia: Casa urbana em encosta contra as curvas de nível

O tema da casa é dos mais caros aos arquitetos. Algumas escolas de arquitetura pelo mundo defendem que os temas de projeto para a habitação, nas suas imensas variações, são os mais adequados para se treinar os futuros profissionais. A idéia desta série de projetos de casas que pretendo publicar no blog pretende exorcizar algumas hipóteses que convivem comigo, como fez Lucio Costa no memorial de Brasilia; "apenas me desvencilho de uma solução possível, que não foi procurada, mas surgiu..." É, também oferecer ao debate público uma série de hipóteses de projeto para um mesmo programa de casa unifamiliar composta de; garagem para 2 carros, lavanderia, estar, cozinha, banheiro, 2 quartos, suite e escritório, que se implantarão sobre diferentes terrenos. O primeiro terreno é urbano, localizado numa encosta a montante da rua. A primeira hipótese de casa é perpendicular as curvas de nível, fazendo com que a casa tenha vários níveis para se amoldar ao terreno. PROGRAMA: Garagem para 2 carros, Lvanderia, Sala de estar, Cozinha, Banheiro, 2 quartos, Suite e Escritório Casa urbana em encosta contra as curvas de nível São croquis, portanto idéias em formação, ainda não acabadas em processo...

Protestos da Copa e a Mobilidade Urbana nas cidades brasileiras

Os últimos protestos de rua ocorridos no Brasil parecem apontar em duas insatisfações muito claras da população brasileira. De um lado, o aumento das tarifas das passagens de ônibus, que representa o modal mais demandado nas cidades brasileiras. E, de outro lado, as obras recém inauguradas para a Copa das Confederações, envolvendo estádios de futebol, que geram indignação para a população de forma geral, pelo luxo e pelo superfaturamento das obras principalmente por um claro desequilíbrio entre custos e benefícios.
A pauta dos transportes públicos no Brasil é uma das mais importantes, espero sinceramente que ela tenha mobilizado nossa imprensa de forma definitiva. De uma maneira geral nossos índices de mobilidade urbana estão muito abaixo dos indicados pelo bom senso e conforto. Nosso tempo de deslocamento nos movimentos pendulares é alto e nossa tarifa caríssima. O modal de ônibus, que substituiu os modais sobre trilhos - bondes e trens - a partir da década de 60 nas cidades brasileiras tem se demonstrado ineficiente e caro. No Rio de Janeiro os trens urbanos - modal de alta capacidade - apresentam uma situação calamitosa nas estações e nas composições. Os investimentos do Governo do Estado e da Supervia são ridículos, fazendo com que o sistema seja visto com profunda desconfiança pela população usuária. Espero que os protestos no Rio de Janeiro cheguem a denunciar esta questão dos trens urbanos.
Por outro lado, as obras já inauguradas para a Copa do Mundo de 2014, apresentaram muito pouco benefícios para as cidades brasileiras, no quesito mobilidade urbana, se concentrando na construção ou reforma de estádios de futebol. A população percebe que os estádios novos ou reformados instauram uma lógica de elitização do espetáculo, se destinando apenas aos setores com mais renda. Interessante como nossas elites, mesmo em futebol um esporte no qual o Brasil conquistou uma certa hegemonia, permanecem pensando a partir de uma lógica européia, demonstrando profunda incapacidade de gerar um projeto autônomo de país. O projeto desenhado para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil foi claramente construído a partir da ideologia da elitização do espetáculo, sem ao menos saber se ele é sustentável depois deste mega-evento.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A questão do transporte público nas cidades brasileiras

Algumas imagens falam mais que qualquer texto. A pauta dos transportes públicos no Brasil é um verdadeiro escândalo. Nossas cidades permanecem com uma mobilidade precária, com tarifas altas, baixa qualidade e tempos de deslocamentos inaceitáveis. As nossas cidades estão sitiadas pelo carro particular, os investimentos em transporte público de qualidade estão sempre aquém da demanda da população. A imobilidade das pessoas no território da cidade brasileira condena milhões de pessoas a não ter acesso ao trabalho, ao lazer, à cultura, à educação, enfim a uma série de comodidades da vida urbana. Por outro lado, a grande imprensa procura criminalizar algumas manifestações sobre o aumento das tarifas do transporte público, quando na verdade elas deveriam ter amplo apoio, pois a situação nesta esfera é insuportável. Abaixo estas imagens...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Audiência Pública sobre o pier da Praça XV

A íntegra da audiência pública na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, que discutiu o desenho do pier de atracação dos transatlânticos perto da Praça Mauá. audiência pública No dia 29 de maio, foi realizada, no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, audiência pública que discutiu detalhes sobre o projeto do píer em “Y”, na Zona Portuária da capital fluminense. Na ocasião, eu estive representando o IAB-RJ como vice-presidente, falei sobre o papel do projeto de arquitetura e urbanismo em conciliar os interesses públicos e privados nas intervenções na cidade e a importância de se preservar a frente marítima desalfandegada. Assista abaixo trecho da audiência, que foi transmitida pela TV Câmara. trecho da audiência pública

Exposição sobre arquiteto português Nuno Portas no IAB-RJ

Exposição O Ser Urbano de Nuno Portas vai ser levada ao Rio de Janeiro SÉRGIO C. ANDRADE 29/05/2013 - 19:30 Arquitecto e urbanista português regressa a um país onde viveu momentos marcantes no seu percurso profissional. Exposição será apresentada entre 18 de Junho e 31 de Julho.A exposição produzida por Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, e já apresentada também no CCB, em Lisboa, O Ser Urbano – Nos caminhos de Nuno Portas, vai agora ser levada ao Rio de Janeiro.Comissariada pelo arquitecto e professor Nuno Grande, discípulo do urbanista, a mostra será apresentada no Instituto de Arquitectos do Brasil entre 18 de Junho e 31 de Julho. A “exportação” desta exposição biográfica-documental, que Nuno Grande chegou a classificar como uma espécie de “gabinete de curiosidades” e que reconstitui cerca de meio século (1956-2010) do percurso profissional de Nuno Portas, foi conseguida pela Guimarães 2012 e pelo projecto Garagem Sul do CCB.A sua apresentação no Rio de Janeiro vai também proporcionar mais um regresso de Nuno Portas a um país onde viveu momentos marcantes da sua vida profissional. Na década de 60, o arquitecto-urbanista deslocou-se ao Rio de Janeiro para estudar o fenómeno das favelas, tendo acompanhado de perto – recorda Nuno Grande – o projecto de intervenção social levado a cabo pelo arquitecto brasileiro Carlos Nelson dos Santos na favela Brás de Pina. “Esta experiência foi marcante para o trabalho que Nuno Portas viria a desenvolver, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, no lançamento do projecto SAAL [Serviço de Apoio Ambulatório Local]”, destinado a minorar o problema da habitação nas grandes áreas urbanas do país, nota o comissário.Nos anos 90, Nuno Portas regressou ao Rio de Janeiro, convidado pelo prefeito da cidade, o arquitecto Luiz Paulo Conde, para desenhar a frente urbana da baía de Guanabara, em parceria com o catalão Oriol Bohigas – o projecto acabaria por ficar na gaveta, na sequência da perda das eleições por aquele responsável autárquico.Já mais recentemente, o arquitecto e urbanista português foi convidado para fazer parte do júri que escolheu o projecto para o Parque Olímpico para os Jogos de 2016.Com este capital de experiência e de conhecimento da evolução do caso brasileiro ao longo das últimas décadas, Nuno Portas foi agora convidado pelo Instituto de Arquitectos do Brasil a fazer uma conferência e participar num colóquio aquando da abertura da exposição no Rio de Janeiro, em cuja Universidade Federal irá também dar aulas.Na sua chegada ao Brasil, a exposição O Ser Urbano será acrescentada com uma maqueta de um dos projectos que Nuno Portas fez para três ruas do Rio de Janeiro nos anos 90. No resto, terá a mesma montagem apresentada em Guimarães e em Lisboa.

sábado, 1 de junho de 2013

O filme Vontade Indômita

Ontem fizemos uma projeção do filme Vontade Indômita, que no título original em inglês chama-se The Fountainhead, na casa do José Pessoa. Com direção de King Vidor, e roteiro de Ayn Rain e a participação de Gary Cooper, Patricia Neal e Raymond Massey, o filme narra a atribulada vida profissional de um arquiteto atuante em Nova York na década de quarenta do século XX. Alinhado ideologicamente com os princípios da arquitetura moderna, o arquiteto Howard Roark (Gary Cooper), sofre uma certa dificuldade para trabalhar numa cidade que prefere os prédios ecléticos, com citações historicistas. Há uma cena antológica, na qual um grupo de executivos de um banco seleciona o projeto do arquiteto e solicita que ele promova algumas mudanças em sua fachada, agregando uma série de citações historicistas. É óbvio, que o arquiteto recusa as solicitações abrindo mão do contrato, complicando ainda mais sua vida financeira, que chega então ao extremo de levá-lo a trabalhar como operário manipulando uma britadeira numa pedreira. 
O filme me lembrou muito um texto do TAFURI, Manfredo A Montanha Desencantada, o arranha céu e a cidade (la montaña desencantada, el rascacielo y la ciudad - Gustavo Gilli Barcelona 1975), no qual o crítico italiano desdenha de alguns teóricos da arquitetura americana, que chegaram a projetar sobre o tema da torre a capacidade de reordenação do território da cidade industrial. 
De todo modo, o filme possui interessantes debates sobre a autonomia individual do arquiteto sobre a mídia, sobre o gosto instalado, sobre a sua inserção na sociedade. A visão do self made man americano é celebrada até o extremo...

O Arquiteto Howard Roark (Gary Cooper)
no filme Vontade Indômita