Follow by Email

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O filme gravidade

O filme gravidade é uma interessante reflexão sobre o espaço, a ausência de gravidade, o medo, o silêncio, a comunicação e a interação entre seres humanos e suas tragédias pessoais. O desenvolvimento da trama nos leva a considerações sobre o espaço externo e interno, na nossa experiência corporal mais elementar. Relações de proximidade, distância, segurança, aconchego, abrigo, ordem, desordem, interior e exterior, que perpassam nosso cotidiano diário, dominado pela lei da gravidade, são enfatizados pela imensidão do espaço sideral, a falta de gravidade e as condições de um roteiro preciso e cirúrgico.

As cidades iluminadas em nosso planeta,
o limite entre dia e noite e o nascer do Sol
Para começar, a espacialidade do filme é dominada por uma dualidade literalmente aterradora. Na maior parte das cenas, a tela estará dividida em duas partes, de um lado há o nosso planeta, e de outro a imensidão do cosmos, as cidades iluminadas da Terra, o sol no horizonte, e a fronteira entre o dia e a noite. De um lado o abrigo, o aconchego, o conhecido, nossas vidas com seus dramas pessoais, seus momentos trágicos, e muitas vezes desconfortáveis, e de outro, o desconhecido, o inexplorado, uma fronteira sem limites de possibilidades assustadoras de reconstrução, e de abandono de nossas tragédias pessoais. A deriva, a exploração, a coragem pioneira são escavadas de uma maneira que recorrentemente se pergunta; a coragem para enfrentar este desafio advém da nobreza de sentimentos ou do desconforto de situações particulares que nos lançaram na busca do desconhecido?
George Clooney e Sandra Bullock
O pioneirismo envolve uma coragem desproporcional ou é fruto de uma vontade de se afastar de problemas que não podemos efetivamente resolver? O filme não responde estas questões de forma simplista e reducionista, mas simplesmente desfila diante de nossos olhos as personalidades diferenciadas dos dois protagonistas; o veterano astronauta Matt Kowalsky (George Clooney) e a novata Ryan Stone (Sandra Bullock) em diálogos primorosos, que ao mesmo tempo mostram a grandeza e a fraqueza do humano.

Sandra Bullock e nosso planeta
A exploração de novas fronteiras, o pioneirismo, o desconforto com nossas vidas passadas confrontam de maneira inteligente a espacialidade interna de cada um de nós, com a espacialidade externa sem limites da imensidão de nosso próprio planeta e do cosmo. A segurança, o desconforto das vidas pregressas, as possibilidades da imensidão do espaço sideral. A Terra é vista também como um lugar cheio de lugares e especificidades, como o lago Zurich, no estado Illinois, origem da astronauta Ryan Stone, interpretada pela atriz Sandra Bullock, ou a Califórnia de Clooney. A dimensão da fronteira, do inexplorado não está apenas no além, mas também dentro de nós mesmos. Na complexidade da vida no lago, onde Bullock retorna a terra, quando um sapo ou uma rã simplesmente assistem a astronauta se desvencilhar da roupa de astronauta para conseguir chegar a superfície e respirar o ar da terra.

Outra questão presente no filme é a comunicação entre seres humanos, num mundo que desenvolveu incrivelmente as possibilidades de conexão, as interações parecem se banalizaram, tendendo a um relacionamento superficial, sem aprofundamento. O silêncio da imensidão do espaço e o palavrório da nossa comunicação contemporânea. Enfim um filme maravilhoso...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Publicado no O Globo de 26/10/2013 um artigo meu sobre arquitetura feia

O Conjunto habitacional no antigo terreno do Presídio
Frei Caneca
Foi publicado no jornal O Globo de 26 de outubro de 2013, um artigo meu sobre arquitetura feia. A matéria trazia alguns exemplos mencionados por outros colegas de edificações na cidade do Rio de Janeiro que não primavam pela beleza. Dentre eles o conjunto habitacional construído no terreno do antigo presídio da Frei Caneca, que prima pela inadequação ao contexto. A arquitetura do programa Minha Casa Minha Vida vem recorrentemente reproduzindo este tipo de implantação inadequada, que mais contribui para estigmatização, do que para a integração. No artigo menciono o caráter impositivo da arquitetura frente a outras artes, baseado num crítico italiano Bruno Zevi. Menciono também a cúpula de Santa Maria del Fiori em Florença, relembrando o cuidado e o debate que envolveu sua solução e concepção por um concurso público, vencido por Bruneleschi no século XIV. Abaixo a íntegra do artigo:

O que gera arquitetura feia? 

Ou melhor, o que faz a arquitetura inadequada diante de determinados contextos? Certamente um dos itens mais recorrentes nesta avaliação é a ausência de uma generosidade urbana, isto é, edifícios que não compreendem as complexidades da cidade e se posicionam de forma autista e alheia ao entorno urbano. 

Edifícios que não compreendem que a fruição do espaço pelo ser humano não sofre descontinuidade entre interior e exterior, mas que representa uma só continuidade. O crítico italiano Bruno Zevi escreveu que há na obra de arquitetura um inevitável caráter impositivo. Diferentemente de outros campos da arte, a obra arquitetônica impunha sua presença de forma autoritária e inexorável. Usuários variados podiam não assistir a uma peça de teatro, ou a um filme, ou se recusar a comprar um determinado livro ou obra literária, ou ainda não ir a uma exposição de um artista. Mas com a arquitetura estas opções não existiam, pois sua presença se impunha à paisagem urbana.


A saída inevitável para tal dilema é a ampliação da discussão da adequação de determinadas obras aos seus contextos específicos. A cultura do projeto, que se antecede, simulando os efeitos, benefícios e impactos das novas obras é algo inevitável, que certamente nos defende de muitos desastres anunciados. O desenvolvimento de técnicas de apresentação virtual de projetos, a confecção de maquetes físicas em várias escalas, o confronto de diversas hipóteses de implantação e desenvolvimento são certamente antídotos para a arquitetura feia. 

O duomo de Florença projetado por
Bruneleschi
Recentemente li que Bruneleschi, autor da cúpula de Santa Maria Del Fiori na cidade de Florença, apresentou no concurso em questão uma maquete que descrevia sua solução, mostrando a Comissão da Ópera sua concepção em detalhe. Esta antevisão e debate aprofundado sobre as complexas relações de custo e benefício que toda obra envolve são certamente um antídoto à arquitetura feia. O projeto é certamente um instrumento poderoso para ampliação da efetiva democracia neste campo, e esta não é garantia de acerto, mas da diminuição dos riscos de se produzir uma arquitetura feia

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Entrevista na Globo News sobre transporte público

Dei entrevista nesta quinta feira dia 24/10/2013 na Globo News, ao reporter Sidney Resende, sobre pesquisa divulgada do IPEA sobre a mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras. A pesquisa do IPEA mostra que 50% dos domicílios brasileiros possuem carro ou motocicleta disponíveis na garagem. O indice impressiona quando comparamos com o ano de 1992, quando esta porcentagem era de apenas 14,6%. Esta ampliação certamente se deve também a piora nos serviços de transporte público no país. O Rio de Janeiro é a pior capital em termos de tempo médio de deslocamento da casa para o trabalho com 47 minutos, superando São Paulo que tem 45,6 minutos. Na minha opinião, assim como a inflação, estes indices deveriam ser divulgados mensalmente, para que possamos medir e cobrar melhorias nas condições de deslocamento das nossas metrópoles.

Os links abaixo mostram a entrevista...

http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2013/10/devemos-pensar-no-transporte-como-uma-rede-diz-arquiteto-do-iab.html

http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/t/todos-os-videos/v/brasileiros-gastam-cada-vez-mais-tempo-para-chegar-ao-trabalho/2910708/

domingo, 20 de outubro de 2013

Megacities 2013 dias 22 e 23 de outubro no MAM Rio de Janeiro

No âmbito do ano da Alemanha no Brasil, se realizará nos dias 22 e 23 de outubro no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro o evento Megacities, que tem como tema "Clean Energy Generation and Smart Use". O foco do evento estará sobre as energias descentralizadas, no sistema integrado de trânsito e em tecnologias inovadoras de eficiência energética. Neste mesmo evento, estarei mediando uma mesa, que leva o nome de; Tecnologias para Edificações Eficientes e Arquitetura Urbana Sustentável, no dia 23 de outubro. A mesa terá como debatedores;

Junia Santa Rosa - Diretora de Desenvolvimento Institucional e Cooperação Técnica, Secretaria Nacional de Habitação, Ministério das Cidades

Antônio Augusto Veríssimo -Chefe de Gabinete, Secretaria Municipal de Habitação do Rio de Janeiro

Dr. Roberto Loeb & Luis Capote - LOEBCAPOTE Arquitetura e Urbanismo, São Paulo

Fernando Resende - Gerente de Eco Commercial Building, Bayer S.A., São Paulo

Günter Leitner – CEO Knauf Brazil, Rio de Janeiro

Dr. Martin Schönheit –Diretor-Executivo, Dr. Schönheit + Partner Consulting GmbH, Colônia

A otimização da arquitetura urbana e a consideração de aspectos energéticos na construção e reforma de
edificações abrigam enormes potenciais de economia de energia, principalmente considerando o clima do Rio de Janeiro e do Brasil. O governo incentiva o cumprimento de padrões de eficiência energética através de selos como Casa Azul e Procel Edifica e na habitação social. Como acelerar o processo de aceitação e adesão destes padrões e quais são as tecnologias e os conceitos disponivéis no mercado.




sábado, 19 de outubro de 2013

100 anos de Vinicius de Moraes, o poetinha

A foto do Villarino no
Rio de Janeiro
Niemyer, Vinicius e Tom Jobim
Hoje faz cem anos do nascimento de Vinicius de Moraes, que recebeu a alcunha de poetinha por seu desprendimento e generosidade com a vida de uma maneira geral. Em 25 de setembro de 1956 estreava no Teatro Municipal do Rio de Janeiro a peça escrita por ele, Orfeu da Conceição, adaptação do mito grego de Orfeu para uma favela carioca. Essa peça marca o inicio da parceria de Vinicius de Moraes com um jovem e ainda desconhecido pianista, Tom Jobim, com uma compania de atores negros de Abdias Nascimento, e que teve ainda a cenografia do arquiteto Oscar Niemyer.

Placa de mármore na entrada do bar Vilarino 
Há uma foto no bar Vilarino, que mostra Oscar ao lado de Vinicius e outras figuras caras da bohemia carioca, como o mineiro Paulo Mendes Campos. Consta também a lenda de que Vinicius foi apresentado a Tom Jobim no mesmo bar por Lucio Rangel. O poetinha havia convidado Vadico, conhecido por suas parcerias com Noel Rosa em Feitiço da Vila, Conversa de Botequim e outras, mas este estava com problemas de saúde. Lucio Rangel, Vinicius de Moraes e Haroldo Barbosa debatiam quem poderia substituir Vadico, na produção musical da peça. Lucio Rangel então percebe que em outra mesa estava o jovem Tom Jobim, que já se destacava como arranjador de músicas em boates da moderna Copacabana. Nesta ocasião, após a apresentação, Tom Jobim pergunta a Vinicius de Moraes, com a típica irreverência carioca; "Tem um dinheirinho nisso aí?"

No Bar Vilarino na esquina da Av. Presidente Wilsom com a rua Calógeras no Rio de Janeiro há uma placa de mármore que celebra esta reunião de jovens talentos, que viria a fundar a bossa nova.

Entrevista a EBC Repórter Rio sobre o desmonte da perimetral

Na última sexta feira dia 18 de outubro de 2013 fui entrevistado pela EBC no programa Réporter Rio, que vai ao ar por volta de meio dia, sobre a derrubada do viaduto da Perimetral no rio de Janeiro. Acabaram publicando apenas uma parte da entrevista, na qual menciono a urgência de se investir nos modais de alta capacidade como trens, metrô e barcas.

Mas também havia mencionado o desmonte das estruturas de planejamento do município e do estado, que diante da demolição da perimetral, parecem alçar um vôo cego, sem poder apresentar estudos embasados, que garantam que este desmonte não significará o caos. O governo do estado afirma que está reformando a Estação Araribóia em Niterói, sem fazer nada na da Praça XV, o que demonstra claramente a inexistência do planejamento por parte do governo do estado. Por outro lado, o governo municipal pretende retirar os ônibus de circulação do centro, segurando-os no Instituto de Ortopedia (INTO) ou na estação do Metrô do Estácio, sem ter feito qualquer intervenção em ambos os locais. Mais uma vez se constata a inexistência de estruturas de planejamento capazes de pensar a cidade, também por parte do governo municipal. Realmente, percebe-se que estas são ações voluntariosas sem qualquer articulação e estruturação, portanto sem planejamento. Me parece, que a cidade merecia ser melhor tratada por nossos governantes.

Veja abaixo a entrevista.

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterrio/episodio/prefeitura-adia-interdicao-da-perimetral

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Os debates sobre os Efeitos da Arquitetura na Escola de Arquitetura e Urbanismo (EAU) da UFF


Na semana passada, nos dias 07 e 08 de outubro mediei uma mesa na EAU-UFF, dentro do simpósio "Os efeitos da arquitetura", os participantes eram Ephim Schluger da OKNO arquitetura e urbanismo e Iury Lima do Bairro da Gente e o tema era "As responsabilidades do mercado imobiliário e da esfera normativa".  O simpósio pretende apresentar parâmetros concretos de medição entre a vitalidade das ruas e a forma de implantação da arquitetura adjacente.



Começamos pelas ponderações do arquiteto Ephim Schluger, que iniciou suas reflexões a partir de Churchil que identificava no espaço desenvolvido pelas sociedades um forte condicionador das atividades humanas. O arquiteto também explicitou uma grande preocupação com o estágio de desenvolvimento da industria da construção civil no Brasil, onde segundo ele, o desperdício de material atinge a assustadora porcentagem de 25%, significando que a cada quatro edificações construídas, estamos jogando fora uma. Ephim também mencionou a incapacidade do mercado formal de atender a demanda de habitação da população brasileira, permanecendo em nosso horizonte um forte déficit habitacional. Para o arquiteto este atraso tecnológico demonstrado pelo imenso desperdício demonstra a necessidade imperiosa de se investir na qualificação da mão de obra do setor.

O segundo palestrante Iury Lima, que é egresso da Gafisa e da Tenda, apresentou a experiência do Bairro da Gente uma nova forma de empreendimento, que pretende manter o investidor vinculado ao local onde se implanta o novo bairro, através da comercialização de aluguel comercial. Esta ação, segundo o palestrante, demanda que o empreendimento se estruture a partir de uma nova visão urbana, onde a combinação da presença de fachadas ativas e conforto para os pedestres garantem uma valorização dos espaços comerciais, que se valorizam com a vitalidade das ruas. Iury destacou o enorme potencial econômico da convivência social, para a reinvenção das ruas da cidade, como fator de valorização dos pontos comerciais.

Na verdade os dois palestrantes retiraram o debate de sua zona de conforto, pois se tratavam de dois representantes da área do mercado imobiliário, falando para a academia, e que trouxeram visões convergentes sobre novos conceitos como; o estágio de desenvolvimento da industria da construção civil no Brasil, o comércio de rua, as áreas privativas e públicas dos condomínios, as fachadas ativas, o conforto para o caminhar dos pedestres, etc...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Debate em São Paulo sobre Operação Urbana Consorciada

O cartaz do evento
Participei de um debate nesta segunda feira, dia 14 de outubro de 2013 em São Paulo sobre as Operações Urbanas Consorciadas (OUC). Este novo instrumento do Estatuto das Cidades vem sendo aprimorado, e, possui em São Paulo uma grande concentração de experiências práticas já instaladas. Os primeiros resultados não podem ser celebrados como exitosos, pois apresentam claramente uma vertente ansiosa por promover uma cidade; especializada no uso corporativo, centrada no desenvolvimento da torre, e numa busca excessiva por ícones arquitetônicos isolados. Mas apesar disto percebe-se na cidade de São Paulo um processo em andamento, que procura aprimorar a apropriação da valorização da terra urbana pelo poder público. As experiências implantadas possuem o mérito de se comprometer com o operativo e com o risco da realização. Na minha mesa pela manhã falaram o vereador Nabil Bounducki,  a arquiteta Camila Maleronka e eu.

Minha exposição se centrou sobre as experiências em curso no Rio de Janeiro (Porto Maravilha) e Niterói (Centro da Cidade). Minhas ponderações foram que a cidade metropolitana do Rio de Janeiro com uma forte personalidade paisagística e imagética, de ícones geológicos como o Pão de Açucar, o Corcovado, o Morro do Estado e etc..., não admitia a transferência mecânica de modelos que invariavelmente se pautam pela produção ansiosa de expressões arquitetônicas exacerbadas. O sítio da cidade metropolitana do Rio de Janeiro pontuado por maciços graníticos de forte personalidade merecia por parte da arquitetura e do urbanismo uma atitude de conformação de contínuos mais homogêneos, que negasse a pontuação personalista da torre. Busquei também assinalar que está em curso uma fragmentação excessiva das ações sobre a cidade, que ao definir perímetros específicos de atuação, como os da OUC, acabam se esquecendo da mútua interdependência das intervenções sobre o território da cidade. Considerei fundamental alinhar um conjunto de quatro pontos que deveriam pautar a cidade brasileira que pretendemos construir no futuro;

1.  uma cidade densa e que reforce a centralidade do antigo centro histórico,
2. uma cidade com multiplicidade de extratos sociais e de usos,
3. uma cidade de mobilidade urbana ampliada baseada numa rede de transporte público, e,
4. por último uma cidade com uma convivência positiva com os biomas naturais próximos.

No meu entendimento nenhum destes princípios vem sendo alcançados pelas OUCs em andamento em São Paulo e no Rio de Janeiro. Neste sentido o cartaz escolhido pela Hiria como imagem do evento é bastante sintomático. Nele, veja imagem anexa, a cidade mostrada é pontuada por torres, com personalidades arquitetônicas excessivas que se negam ao diálogo e a formação de conjuntos mais contínuos, sem pedestres e dominada por obras rodoviárias e por carros. Será que é esta cidade que desejamos?

domingo, 13 de outubro de 2013

A inauguração da Bienal de Arquitetura de São Paulo

A Bienal de Arquitetura de São Paulo é um importante evento da cultura arquitetônica no Brasil, um momento de reflexão sobre como o espaço humano vem sendo produzido no país. Cidade Modos de Fazer, Modos de Usar é o título da X Bienal, que pretende ocupar espaços culturais espalhados na cidade, conectados pelas redes de transporte público, procurando uma aproximação com o cotidiano da maior cidade do Brasil. Segundo o foulder; "Assim ao mesmo tempo em que visita a exposição, o público tem a experiência viva da cidade de São Paulo." Talvez fosse o caso de pensar também numa inversão nesta frase, propondo; assim o grande público que usufrui a experiência viva da cidade de São Paulo, tem a oportunidade de visitar uma exposição de arquitetura, aproximando o grande público dos nossos debates.

Inauguração da X Bienal de Arquitetura de São Paulo


Inauguração da X Bienal de Arquitetura de São Paulo: Cidade
Modos de Fazer, Modos de Usar
O esforço que o IAB SP vem fazendo para reestruturar este evento de forma que a Bienal tenha uma visão crítica e ao mesmo tempo propositiva sobre a construção de nossas cidades é notável, e deve ser destacado. Ontem a noite, dia 12 de outubro de 2013, no Centro Cultural São Paulo na inauguração oficial do evento, em todos os discursos se destacou a urgência de se modificar a maneira como a cidade brasileira vem sendo produzida. A busca de maior densidade, a universalização dos serviços urbanos, tais como água, esgoto, transportes, etc..., a busca de maior equidade nas oportunidades que a cidade representa, e a revalorização dos antigos centros históricos foram repetidos por todas as autoridades presentes, apontando um curioso consenso. A ausência por parte do governo federal de uma política mais articulada e estruturada de desenvolvimento das cidades brasileiras, deve ser revertida de forma urgente, pois uma cidade mais justa e equânime pode ser um poderoso vetor de distribuição de renda.

A tarde num painel de debates sobre o Minha Casa, Minha Vida, programa de construção de habitação de interesse social do governo federal, realizado no Museu da Casa Brasileira, percebeu-se um tom de condenação das favelas e assentamentos produzidos pela auto-construção, e uma celebração da produção massiva de habitação, repetindo a meu ver uma lógica dualista perigosa. De um lado, a ausência de produção habitacional, que caracterizou a política pública após a extinção do BNH, de outro a classificação da urbanização das favelas como uma solução improvisada e frágil, que deveria ser substituída pela produção massiva de habitações de interesse social. Na verdade, no meu modo de entender, as duas operações deveriam estar ocorrendo de forma articulada, isto é, a partir da urbanização das favelas, se produziria habitações nas localidades próximas para abrigar as familias que precisam ser relocadas para a promoção da melhoria dos serviços urbanos. Tal atitude representaria um ganho para o Minha Casa, Minha Vida, pulverizando suas intervenções em uma diversidades de sítios e contextos, que tendem a estar próximos de redes estruturadas de emprego e geração de renda. A urbanização de favelas é na verdade uma operação sofisticada e muito mais elaborada que a produção massiva de habitação, ela representa um projeto muito mais sensível que a mera produção quantitativa de casas.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Matéria na revista da ADEMI-RJ

Na matéria da revista da ADEMI-RJ, menciono mais uma vez a necessidade urgente de se reformar o sistema de trens urbanos da cidade metropolitana do Rio de Janeiro. Precisamos caminhar para a promoção de uma cidade mais integrada, onde a mobilidade urbana garanta amplo acesso a empregos, lazer, cultura, educação. Enfim, oportunidades para promover melhorias no padrão de vida geral. Também menciono o problema do bonde de Santa Teresa, este equipamento fantástico, que além de meio de transporte é um animador do bairro onde vivo. O retorno deste equipamento é fundamental para a vitalidade deste bairro muito particular num cidade também única.

A matéria na revista da ADEMI-RJ

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Entrevista na Rede Brasil e os trens urbanos da cidade metropolitana do Rio de Janeiro

Na entrevista  na Rede Brasil nesta quarta feira dia 02 de outubro de 2013, procurei mencionar como a cidade metropolitana do Rio de Janeiro perde com a falta de investimentos na rede de trens urbanos já existentes. O declínio deste sistema de trens urbanos da cidade metropolitana do Rio de Janeiro condena amplas parcelas da população a um movimento pendular da casa para o trabalho de péssima qualidade e com uma tarifa cara, que precisa ser denunciado. O envolvimento deste problema numa cortina de fumaça técnica deve ser rejeitado de forma veemente. Os modais de alta capacidade, como os trens urbanos devem ser privilegiados.

O transporte público nas cidades metropolitanas brasileiras devem ser planejados e projetados de forma sistêmica e integrada, de tal forma que o tempo do movimento pendular diminua efetivamente, impactando de forma positiva no cotidiano da população. Parâmetros concretos devem medir a qualidade do serviço prestado, possibilitando o mapeamento da evolução de sua qualidade. Abaixo o link da entervista.

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterrio/episodio/entrevista-com-o-arquiteto-e-diretor-do-iab-pedro-da-luz-moreira-sobre-obras