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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Divergência e convergências no debate no IAB-RJ das tendências da cidade metropolitana

Mesa de abertura do Seminário sobre a Metrópole do Rio
Na última terça feira, dia 11 de abril de 2017 foi debatido a partir de um encontro promovido pela Casa Fluminense na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil do Rio de Janeiro, (IAB-RJ) a forma como a cidade brasileira vem se reproduzindo, no Seminário de Planejamento e Cooperação Municipal na Metrópole do Rio. A organização da Casa Fluminense, que vem se destacando no cenário cultural do Rio de Janeiro, como expressão da voz das periferias relegadas a invisibilidade e ao silêncio, nas grandes metrópoles latino-americanas. A mesa de abertura do evento foi composta por José Marcelo Zachi, membro do Conselho de Governança da Casa Fluminense, Pedro da Luz Moreira, Presidente do IAB-RJ, Henrique Silveira Coordenador Executivo da Casa Fluminense, Mauro Osório, Presidente do Instituto Pereira Passos (IPP) e Vicente Loureiro, Diretor Executivo da Câmara Metropolitana. Ver foto.

Para os participantes, logo na mesa de abertura do encontro foi percebido um confronto entre duas posições aparentemente contraditórias, que acabaram sem esclarecimento, e seu devido aprofundamento. De um lado. o Presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz defendeu a necessidade de incentivar a construção de unidades habitacionais no centro do Rio de Janeiro e de Niterói, apontando um estudo feito na UFRJ, que indicou um potencial de 150mil unidades nessa parte da metrópole.  De outro lado, o Diretor Executivo da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro, que contrapôs a essa ideía, identificando nas metropoles brasileiras uma macrocefalia, que privilegia o investimento nos centros, relegando as periferias a serem cidades dormitórios.

Na verdade, onde parece haver o contraditório, na minha opinião emerge uma convergência de propostas, afinal tratam-se de posicionamentos complementares, que se forem estruturados numa política urbana podem se reforçar mutuamente. O investimento em habitação nos centros de Niterói e Rio de Janeiro mudam na verdade uma inércia instalada nas cidades contemporâneas, que tenderam a criar conjuntos monofuncionais, onde há uma imensa concentração de escritórios de serviços,  portanto de empregos, e de ausência de habitação. Essa conformação sub utiliza a infraestrutura implantada, pois essas localidades ficam sem movimento durante os finais de semana e feriados, perdendo vitalidade nesses períodos. Por outro lado, o reforço das subcentralidades das periferias das grandes metrópoles precisam efetivamente ser incentivadas, atraindo escritórios, serviços e empregos mudando também uma inércia do desenvolvimento da nossa metrópole, que tenderam a se transformar em áreas dormitórios. Os dois posicionamentos não são divergentes, mas na verdade complementares, pretendendo mudar tendências inerciais da cidade brasileira, podendo ser implantados conjuntamente, se reforçando mutuamente.

A necessidade de reequilíbrio do imenso território da cidade metropolitana do Rio de Janeiro, que parece ser compartilhado por todos, precisa fomentar habitação no centro e empregos na periferia, diminuindo a necessidade de movimentos pendulares nos sistema de transportes, mas garantindo ao mesmo tempo maior acessibilidade às benfeitorias urbanas da metrópole como um todo. De certa forma, a hierarquia entre as centralidades da cidade metropolitana do Rio de Janeiro precisa ser equilibrada, buscando a presença da poli funcionalidade; habitação, comércio e serviços juntos, acabam gerando vitalidade continuada.

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