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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Entrevista para a entidade da Casa Fluminense sobre a cidade metropolitana do Rio de Janeiro

Há mais ou menos um mês concedi a entrevista para a Casa Fluminense, uma entidade da sociedade civil carioca, que vem demonstrando uma imensa capacidade de mobilização e capilaridade nas periferias da cidade metropolitana do Rio de Janeiro. O tema chave da entrevista era como promover a participação de uma forma mais horizontal possível, empoderando os diferentes atores da metropole, evitando os inevitáveis constrangimentos dos agentes mais fragilizados.

Na curta entrevista abaixo destaquei os pontos, que precisam ser revertidos na forma como a cidade vem sendo construída no Brasil; 1 Dispersão interminável da mancha urbana, o que determina uma baixa densidade dificultando a universalização dos serviços urbanos. 2 Abandono dos centros históricos mais antigos. 3 Estratifificação social intensa com guetos de pobres e de ricos. 4 Péssima mobilidade penalizando a população com tarifas caras e tempos de deslocamentos pendulares excessivos. 5 E, por último, aproximação predatória do meio ambiente.

Nas minhas considerações além do video anexo, tentei ponderar que a participação efetiva da sociedade precisa chegar ao estágio do engajamento, que representa uma forma de mobilização que transcende o mero fornecimento de informações, mas alcança os estágios da compreensão, do envolvimento, do monitoramento e da cobrança. O Plano e os planejadores precisam fazer um esforço de comunicação, que envolve a transformação do discurso técnico num conjunto de informações, indices e parâmetros capazes de serem lidos pelos usuários da cidade, com rebatimento nos seus cotidianos efetivos. Os agentes e atores diferenciados precisam ser instados a expressar seus interesses com relação a ordenação espacila da cidade, criando um clima de transparência e colaboração. Todas as pressões e interesses são legítimos, desde que expressados publicamente e a partir de argumentos persuasivos e socialmente racionais para o interesse público.

É presciso reconhecer, que muitos dos últimos planejamentos desenvolvidos no Brasil se transformaram em letra morta, não atingindo a realidade, não impactando o cotidiano das populações envolvidas, e cumprindo apenas o papel de cumprir exigências legais de agências ou órgão da administração federal, que repassa verbas. Os planos precisam cooptar o envolvimento efetivo da população interessada, fazendo dela um vigilante dos objetivos acordados. Todo plano precisa criar ações emblemáticas no inicio do seu prazo, para mobilizar as diversas populações para seus objetivos de longo prazo, fornecendo ao conjunto da sociedade indices e parâmetros que monitorem esses mesmos objetivos.

A sociedade brasileira já monitora alguns indices que são divulgados mês a mês, como a inflação de preços, o crescimento do PIB, emprego e outros. As cidades metropolitanas precisam também criar indices de monitoramento da qualidade de vida urbana, tais como; tempo médio de deslocamento casa/trabalho, indices de coleta adequada de esgotos e resíduos sólidos, indices de urbanidade, iluminação pública, segurança, e etc... Com esses índices sendo divulgados de forma transparente, sobre a base espacial da cidade, a população poderá verificar o cumprimento dos objetivos, ou o seu afastamento, possibilitando a vigília sobre os governantes.

Abaixo minha entrevista em video...

https://www.youtube.com/watch?v=0xVxNVhSsAc&index=25&list=PL9-9_GVgawSuXiRAO8C-_gDgZdQXxg0vV

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