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terça-feira, 24 de maio de 2016

O filme São Sebastião do Rio de Janeiro, a formação de uma cidade

O filme São Sebastião do Rio de Janeiro, a formação de uma cidade, que estreou na última segunda-feira dia 26 de maio de 2016, com produção e direção de Juliana de Carvalho e apoio do IAB-RJ tem o mérito de reconhecer a cidade, como um personagem. E, no caso específico do Rio de Janeiro, com uma personalidade bastante particular e única no mundo, afinal segundo as palavras do jornalista Rui Castro no filme; "Aqui tudo se transforma em carioca".  Localizada num sítio mágico, na beira do Atlântico Sul, onde massas graníticas expressivas e verticais contrastam com a horizontalidade do mar, com uma Baía, chamada de Guanabara, que literalmente está cercada por um anfiteatro de montanhas. A região é pontuada por ícones geológicos, tendo portanto uma personalidade que antecede em muito as diferentes ocupações humanas, sejam elas; indias, francesas ou portuguesas.

Outro mérito do filme, é sua referência contínua à base espacial concreta do construído, A Arquitetura da Cidade, seu desenvolvimento que sempre foi determinado pelo sítio natural, sua transformação e domesticação, por planos e projetos humanos. Daí a presença quase massiva de depoimentos de arquitetos e urbanistas - Augusto Ivan, Carlos Fernando, José Pessoa e Pedro Rivera - , que desfiam os processos de desenvolvimento da grande metrópole, que implicam em mazelas, mas também em potencialidades inumeráveis de transformação.

No final, o filme também aborda uma questão central para a cidade e seu futuro, as condições da Baía de Guanabara, a partir de um sintomático travelling da câmera sobre o Piscinão de Ramos, onde fica clara a imensa concentração de amenidades e benfeitorias na grande metrópole. A despoluição, a obtenção da balneabilidade da Baía de Guanabara, e a valorização de diversos bairros e municípios do Grande Rio se entrelaçam num desejo de se conquistar uma cidade com maior equidade. A imensa escala da Baía de Guanabara, origem e razão do aparecimento da cidade colonial portuguesa, poderá apontar para um futuro, onde as benesses da vida urbana estão mais bem distribuídas e compartilhadas.

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