Diário de Pedro da Luz Moreira, interessado em discutir a arquitetura, a cidade e o projeto
terça-feira, 19 de março de 2013
Morte de Bob Segre
Hoje morreu Roberto Segre vitima de um atropelamento por uma moto em Niterói. Crítico de arquitetura latino americana, com vários livros publicados. Bob Segre era um apaixonado pelo nosso ofício. Nascido na Itália, formado na Argentina, professor em Cuba e no Brasil, tinha a marca desta pluralidade de lugares. Participou da minha banca de defesa de doutorado com maestria, livre pensar e adequação contundente, antecipando-se na discussão sobre as evidências imaginadas, que a atividade de projeto carrega. Sua morte é uma perda inestimável para a cultura arquitetônica, mas é também representativa da barbárie que domina as cidades brasileiras, onde pedestres e carros travam uma batalha diária...
Uma visita ao Museu de Artes do Rio (MAR)
UMA VISITA AO MAR (Museu de Artes do Rio de Janeiro)
A cidade do Rio de Janeiro acaba de receber um presente muito especial o MAR, um museu dedicado a sua paisagem e ao seu desenvolvimento urbano, encarados como experiência única e particular. Fatos urbanos concretos e palpáveis, que seus moradores – naturais ou estrangeiros – vivenciam em seu cotidiano. As mostras, montagens e coleções não se restringem a mera celebração dos seus ícones geológicos e paisagísticos tão celebrados, mas também possuem um viés crítico, sobre o desenvolvimento da metrópole de 12 milhões de habitantes, que se estendeu as margens da Baía de Guanabara, atingindo na sua periferia a baía de Sepetiba, a Serra do Mar e o início da Região dos Lagos.
A cidade do Rio de Janeiro acaba de receber um presente muito especial o MAR, um museu dedicado a sua paisagem e ao seu desenvolvimento urbano, encarados como experiência única e particular. Fatos urbanos concretos e palpáveis, que seus moradores – naturais ou estrangeiros – vivenciam em seu cotidiano. As mostras, montagens e coleções não se restringem a mera celebração dos seus ícones geológicos e paisagísticos tão celebrados, mas também possuem um viés crítico, sobre o desenvolvimento da metrópole de 12 milhões de habitantes, que se estendeu as margens da Baía de Guanabara, atingindo na sua periferia a baía de Sepetiba, a Serra do Mar e o início da Região dos Lagos.
| A edificação modernista do antigo terminal rodoviário e o Palacete Dom João VI |
A edificação do novo museu se aproveita de pré-existências como o sobrado eclético do Palacete Dom João VI, e o prédio modernista do antigo terminal rodoviário da Praça Mauá, unindo-os com uma laje ondulante. A solução geral dada a edificação é elegante e bem equilibrada, principalmente na fachada da Praça Mauá, que claramente assume uma frontalidade mais importante, submetendo as demais vistas e faces. No entanto, exatamente neste aspecto transparece também um certo desleixo e desdém pelas outras partes do conjunto, ainda em seu exterior. A inserção da passarela que da cobertura da edificação modernista acessa o edifício eclético, onde estão montadas as amostras, se encaixa na antiga edificação de forma pouco sofisticada, e, sem considerar recuos e avanços desta fachada. O recurso da espacialidade interna deste elemento é bem interessante pelo efeito túnel, claramente preparatório para o visitante aquecer seu olhar para as exposições que verá.
| A inserção da passarela que da cobertura da edificação modernista acessa o edifício eclético |
Outro aspecto a ser destacado, e que me parece polêmico, é o tratamento dado as fenestrações do Palacete Dom João VI, que do ponto de vista interno estão completamente escondidas, o que confere um caráter a esta parte da edificação de não correspondência entre interior e exterior. Apenas as janelas dos cantos da edificação nos lembram no interior do ritmo e da presença das fenestrações da edificação eclética. Me parece que a velha polêmica, já enfrentada pelo MAM e o MASP, que se equilibram entre a proteção do acervo ou a fruição de vistas para a cidade, foi na nova edificação revisitada, com uma clara vitória da preservação do acervo...
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Iluminação do Cristo Redentor RJ
Prezados:
Segue texto publicado pela Cora Ronai no O Globo sobre iluminação da estátua do Cristo Redentor na cidade do Rio de Janeiro, no qual nosso amigo Miguez argumenta embasado. Vale a pena a leitura, abs
Pedro da Luz Moreira
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Cidades Italianas
Dentro do tema da cultura da construção, as cidades italianas representam um capítulo especial. Dentro de uma grande variedade de ocupações, históricas, topográficas ou hidrológicas, há cidades onde o predominio construtivo é medieval, renascentista, barroco, neoclássico, eclético ou até mesmo moderno. Elas se estruturaram como agrupamentos humanos consolidados, com importante presença de manifestações artísticas relevantes num periodo no qual as mudanças e transformações da cidade eram mais demoradas no tempo. Este fato foi determinante para que se construisse um patrimônio único, onde as ocorrências artísticas e singulares são contínuos representativos que foram sendo reocupados por diferentes atividades humanas ao longo de distintos ciclos sem que os objetos tenham sido demolidos ou reconstruídos.
Roma, a cidade eterna com seus atuais 2,5 milhões de habitantes, é talvez o testemunho mais emblemático deste processo. Constantemente novas ruínas são descobertas, revelando facetas novas de tempos imemoráveis. Apesar desta museificação constante e de um afluxo expressivo diário de turistas, a cidade permanece viva com uma diversidade de usos e de estratos sociais diferenciados em todo em seu território. Mesmo em seu centro, onde se concentra grande parte dos achados arqueológicos e dos marcos arquitetônicos e artísticos, Roma se demonstra uma cidade onde ainda há moradia de romanos, que determinam um cotidiano particular e próprio.
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