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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Entrevista a BBC Brasil sobre as torres Trump na Zona Portuária do RJ

A escala desmesurada das Torres Trump na paisagem
Concedi entrevista a BBC Brasil sobre o empreendimento das Trump Towers na Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro, lançadas em 2012, e que até agora não se materializaram na paisagem carioca. Me parece, que as tendências majoritárias determinadas pelo mercado imobiliário dessa região da cidade apontam para a presença massiva de torres corporativas, que não se adequam aos princípios de uma cidade multifuncional e diversificada da cidade contemporânea e sustentável. Na minha visão, a cidade polifuncional, com diversidade de usos e com distintos extratos sociais, onde usos como; serviços, comércios e moradias convivem na mesma vizinhança representa uma forma de implantação mais sustentável, uma vez que tendem a não sobrecarregar os sistemas de mobilidade, que hoje são os grandes geradores de gases do efeito estufa. O poder público precisa ter uma atitude mais pró-ativa com o mercado imobiliário incentivando a criação de moradias na área, inclusive para distintos extratos sociais.

Além dessa questão também ponderei que a cidade do Rio de Janeiro, diferentemente de São Paulo e outras cidades brasileiras, sempre teve uma maior continuidade no seu gabarito (número de andaraes por edificação) determinado por um conjunto de quadras. Tal configuração está presente nos bairros da Glória, Flamengo, Botafogo e Copacabana, que apresentam um número de andares fixos, onde ocorrem poucas exceções de torres pontuais. Essa determinação fruto da legislação edilícia da cidade em tempos mais remotos, garantiu uma relação mais adequada entre contínuo construído e a silhueta das montanhas da cidade, que no Rio de Janeiro assumem uma dimensão inusitada e nada banal. O cuidado com essa paisagem é fundamental, ela possui uma valor intangível, que sempre deve ser ponderado para qualquer nova construção.

Por último, não poderia deixar de mencionar um aspecto que não foi abordado pelo repórter, mas que me parece da maior relevância, que é a questão de um pretenso valor agregado ao empreendimento por esse estar associado ao milionário Donald Trump. Típica de nossa contemporaneidade, onde a mentalidade financeira, especulativa e rentista predomina sobre fatores reais da produtividade, tais como idoneidade das firmas engajadas no empreendimento. A reportagem afirma literalmente deixando transparecer a questão do valor agregado ao empreendimento;

"Integram o consórcio das Trump Towers seis construtoras e imobiliárias, entre as quais a búlgara MRP, a espanhola Salamanca e a brasileira Even. As companhias compraram da Trump Organization, presidida por Donald Trump, os direitos para o uso da marca do empresário, esperando com isso atrair mais clientes."
 
Será? Após os últimos acontecimentos da campanha americana à presidência considero a associação a Donald Trump, como um passivo letal, que tenderia a considerar como altamente volátil, e que na verdade agrega incerteza ao empreendimento. Mas afinal, em tempos de hegemonia financeira e rentista, o que tem mais valor não é mais o futuro, mas um presente contínuo. Ver os artigos nesse mesmo blog O Balão e o Tijolo e Cultura e Capital Financeiro no link, http://arquiteturacidadeprojeto.blogspot.com.br/search?q=cultura
O link da entrevista pode ser acessado abaixo;

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36901182

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