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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Encontro no IAB-RJ homenageia memória de Alfredo Brito

Na última segunda feira dia 25 de janeiro de 2016 foi homenageado o arquiteto, ativista social, professor, amante da música, das cidades e das mulheres Alfredo Brito, na sede do IAB-RJ,  que faleceu em dezembro de 2015. O evento reuniu arquitetos, amigos, músicos, colegas de profissão, e ex-alunos numa celebração emocionada e saudosa do velho entusiasta da arquitetura, da vida nas cidades e particularmente do Rio de Janeiro.

Alfredo Brito foi meu professor na FAU-UFRJ, no final dos anos 70 e começo dos anos 80 do século passado, na cadeira de Arquitetura Brasileira 2, na qual estudávamos o neoclássico, o ecletismo, o modernismo e a nossa contemporaneidade. Volta e meia nos encontrávamos nas reuniões da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (AMAST), bairro que compartilhamos há mais de vinte anos como vizinhos, e no qual sempre destacávamos a sua diversidade de gente e de culturas. Mais recentemente fomos professores juntos no curso da PUC-Rio, do qual participamos da montagem, nos seus primeiros anos.

O evento foi organizado pelos amigos e familiares de Alfredo Brito e se iniciou por um filme, montado a partir de vários depoimentos seus para diversos assuntos de interesse da cidade do Rio de Janeiro, como a demolição da perimetral, a zona portuária, o conjunto habitacional do Pedregulho, dentre outros. Logos após o filme foi colhido diversos depoimentos sobre a trajetória profissional e afetiva de Alfredo pelos presentes, tais como Dora Alcântara, Claudius Ceccon, Luiz Carlos Toledo, Margareth Pereira, Fabiana Izaga, Sérgio Magalhães, Jeronimo Moraes. Em seguida foi montada uma roda de músicos notáveis, que tocou chorinhos memoráveis, e que tradicionalmente se reunia na casa de Alfredo no primeiro sábado do ano, para celebrar os novos desafios que se apresentavam a cada reinício.

Meu depoimento na festa relembrou um fato, ao mesmo tempo inusitado e típico do que era o Alfredo Brito, um ativista militante pela construção de uma cidade com mais diversidade e pluralidade. Num debate na AMAST, no começo dos anos 2000, debatemos o empreendimento do Hotel de Santa Teresa que então se renovava, que trazia para o bairro a proposta de um perfil de hospedagem elitizada e voltada para um público de alto poder de consumo. Grande parte da audiência da assembleia se posicionava contra a nova instalação, defendemos eu e Alfredo a instalação do novo hotel como fator de promoção da diversidade da cidade.

Terminada a reunião, com eu e Alfredo exaustos, o velho ativista insistiu comigo que gostaria de me mostrar uma coisa muito peculiar, que tinha encontrado no meio de seus arquivos, na sua casa, que eram sistematicamente arquivados. Depois de muita insistência, Alfredo Brito me mostrou o meu fichamento que tinha entregue nos tempos da escola de arquitetura, no começo dos anoos oitenta, um trabalho realizado para a matéria de Arquitetura Brasileira 2. Alfredo destacava aspectos do trabalho de um jovem estudante, e que traziam uma abordagem sobre o bairro de Santa Teresa na escolha de edificações que traziam a tipologia repetida da torre, destacando as vistas para a cidade. Acabamos ainda debatendo aspectos sobre as várias personalidades de diferentes partes da cidade do rio de Janeiro.

Realmente, uma atitude que mostrava todo seu envolvimento apaixonado com a arquitetura, com nosso bairro e com as diversas personalidade dessa imensa metrópole.

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