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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Thomas Piketty, o livro O Capital no século XXI e a educação

A situação da divisão de renda do mundo contemporâneo é o principal assunto do livro O Capital no século XXI do economista francês Thomas Piketty. Além da questão de uma falsa meritocracia do sistema neo-liberal capitalista, onde quem nasce pobre permanece pobre, e quem nasce rico, torna-se mais rico. A pobreza é corretamente classificada como a falta de liberdade de escolha.

Segundo dados do livro, coletados junto ao Banco Crédit Suisse, 0,7% da população mundial se apropriam de 41% da riqueza do planeta (patrimônio acumulado). Enquanto, do outro lado 68,7% da população se apropria de apenas 3% da riqueza. Segundo Piketty a riqueza vem se concentrando desde o final da década de 1970, quando com as eleições de Margareth Thatcher e Ronald Reagan, no mundo anglo-saxão primeiro, e logo depois no restante dos países começam a desonerar de impostos as grandes riquezas, e a desregulamentar o sistema financeiro internacional.

Há uma clara emergência da hegemoinia do capital financeiro no mundo, que possibilita o cada vez maior enrriquecimento improdutivo dos milionários. Segundo o livro, os ricos mantém em paraísos fiscais de US$21 a US$32 trilhões, sem pagar qualquer imposto. Para Piketty apenas de 1945 a 1975, os anos clássicos da social democracia, o mundo capitalista teve uma ampliação distributiva importante, impulsionada pelas duas guerras mundiais, pelo crack da bolsa de Nova York, e pela presença do socialismo real. Entre 1973 e 2007, os salários reais por hora de trabalho caíram de valor em 4,4%, enquanto no periodo de 1947 a 1973 o salário horário havia crescido 75%.

A partir da década de oitenta e noventa com o declínio dos setores industriais tradicicionais, a regressão da interlocução com os sindicatos, o desenvolvimento da sociedade de serviços e das tecnologias de informação instala-se a hegemonia de grandes grupos financeiros e rentistas. Dos 147 grupos corporativos mais poderosos do mundo, que controlam 40% do capital corporativo do mundo, simplesmente 3/4 deles são bancos, capital improdutivo. Dos anos de 2005 a 2010 os depósitos dos cinquenta maiores bancos do mundo elevaram-se de US$5,4 para US$12 trilhões.

A preferência das democracias nos investimentos no mundo contemporâneo tende claramente para as atividades rentistas e financeiras, em detrimento de atividades impulsionadoras de uma maior equidade, como a educação. Os 25 gestores de fundos de investimentos mais bem pagos ganharam em 2013 US$21 bilhões, mais que o dobro da soma dos rendimentos de cerca de 150 mil professores primários norte americanos.

Tudo isso indica de forma clara e inequívoca, qual é a inércia do mundo contemporâneo e para onde ela nos leva...

2 comentários:

  1. É isso aí Pedro: Em direção ao "abismo" social e humano que, tanto, infelizmente, caracterizam as respectivas sociedades capitalistas contemporâneas. Bem como, as próprias mega-cidades, cada vez mais, mundiais. E o Brasil, especialmente, notadamente São Paulo e Rio de Janeiro, "olímpicamente" (e me perdoem tal inusitada ironia) destacadamente inscrito nesse dantesco cenário de desigualdades econômicas e injustiças sociais. Inclusive, socio-ambientalmente insustentáveis. Felizmente, alguns povos e movimentos sociais, já não mais aceitam, passivamente, acriticamente, a plutocracia do capital financeiro transnacional "colonizando" partidos, políticas públicas e a própria democracia. Nas ruas das grandes cidades, como tem sido comum na história das lutas humanas por um mundo melhor, desde o século XIX, o Capital no século XXI, novamente, encontrará os seus mais legítimos e necessários milhões de sujeitos adversários. Pois a vida (e as lutas humanas e urbanas) certamente continuam e continuarão...

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    1. O Piketty defende apenas a implantação de um imposto internacional sobre aplicações financeiras, de forma a captar os imensos recursos aplicados nos paraísos fiscais...

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