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terça-feira, 28 de junho de 2016

Debate sobre Rio de Janeiro pós olimpíadas no Instituto Ethos


Eu, Henrique e Danielle
Na penúltima quinta feira, dia 16 de junho de 2016 foi feito um debate no âmbito da Conferência Ethos 360o Rio de Janeiro, que tinha como título Rio Pós-Jogos: Cidade Sustentável, na qual estavam na mesa; Danielle Francisco da ONG Terreno de Ideias, e eu, Pedro da Luz, Presidente do IAB-RJ, mediados por Henrique Silveira da Casa Fluminense. A ideia da mesa era pensar que cidade o Rio de Janeiro metropolitano quer ser, passados os Jogos Olímpicos, que tipo de aglomeração urbana devemos  ter como modelo? Na verdade, a composição da mesa já denotava uma forte questão envolvendo centro e periferia, uma vez que Danielle Francisco da ONG Terreno de Ideias milita com coletivos em Duque de Caxias,e a própria Casa Fluminense vem procurando dar voz as periferias intermináveis da nossa metrópole. Também faço eco a essas demandas para reequilibrar o imenso território da metrópole do Rio de Janeiro, levando benefícios ás periferias, no entantro procurei reforçar a ideia de desenvolvimento de uma cidade densa e compacta.

Procurei na minha fala, então focar na importância que devemos passar a a dar as atividades de plano e de projeto, como práticas que possibilitam a participação de diversos agentes, e potencializam a consciência de para onde estamos indo. Sem plano e sem projeto não há sequer uma pré-figuração daquilo que queremos ser. É fundamental pensar antes de fazer. Há na história recente do país uma série de obras e ações, que claramente foram pensadas de forma superficial e sem o aprofundamento devido.

Por exemplo, o Metrô Carioca, que está prestes a inaugurar sua ampliação até a Barra da Tijuca, ou melhor, até a área dessa região conhecida como Jardim Oceânico, a um custo de R$10bilhões, e que mudou a estrutura da sua rede inicialmente planejada. A mudança na estrutura se refere ao prolongamento da linha1 de forma contínua, naquilo que inicialmente era o traçado da linha4, portanto sem o fechamento da linha1 num anel, como inicialmente planejado (ver desenho abaixo). Tal fato, implica na adoção de um de intervalo entre composições de trens na linha1 sempre maior do que o desejado, uma vez que há manobras nas pontas da linha e com a interseção da linha4, a operação de dois cruzamentos de trens.

O plano inicial do Metrô Carioca, com a linha1 fechada num anel
Além disso, essa ação, se comparada com outras do campo da estruturação de modais de alta capacidade, como a dos ramais dos trens da Central do Brasil, não foi suficientemente debatida, acabando por implicar num custo muito alto para beneficiar uma parcela restrita da população. Os dados populacionais indicam, que na faixa litorânea composta pela Barra da Tijuca e Recreio moram apenas 180mil pessoas, enquanto no ramal de Deodoro da Central do Brasil, considerando apenas a linha que chega a Santa Cruz e Campo Grande moram ao longo desse eixo, 4,05milhões. Este fato demonstra de forma emblemática, que se os R$10bilhões fossem investidos em algum ramal da Central do Brasil, os benefícios atenderiam um número muito mais significativo de pessoas, elucidando como o debate em torno das diversas opções suscitadas pelo projeto são ainda precárias e primárias no Brasil.

O estabelecimento de uma cultura de debates de planos e projetos é importante para democratizar as decisões governamentais, tornando mais equilibrada a relação de recursos dispendidos com os benefícios atendidos. A compreensão das fases de planejamento e de projeto, como etapas fundamentais para o aprimoramento das propostas demanda tempo e remuneração adequada, de forma que as pré-figurações e hipóteses inerentes a esse momento sejam amadurecidas.

Além desse aspecto há nas cidades brasileiras um excessivo espraiamento da mancha urbana num território muito maior do que o necessário, isto é, nossa densidade demográfica é baixa, o que significa que ocupamos um território maior de cidade para abrigar um número insuficiente de população. Tal fato determina custos altos para a disseminação das infra-estruturas urbanas em todo o seu território, fazendo com que haja regiões sub-infraestruturadas em nossas cidades, notadamente nas periferias. Esse me parece o desafio fundamental das cidades brasileiras a universalização entre todos do acesso ás infra-estruturas, que será mais barato de ser resolvido na medida em que tenhamos manchas urbanas mais compactas.

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