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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Debate no IAB-RJ sobre o Mat-building proposto pelo Team X na década de 60

O arquiteto Graziano Brau Pani
O jovem arquiteto italiano Graziano Brau Pani debateu no auditório do IAB-RJ na última quinta feira dia 14 de abril de 2016, sobre proposições colocadas no final dos anos cinquenta por um grupo de arquitetos denominado Team 10, que se contrapôs aos posicionamentos funcionalistas colocados pela Carta de Atenas de 1933, no IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna (CIAM), que determinaram a prática arquitetônica até o final dos anos 50 do século XX. As proposições do Team 10 no final dos anos 50 revolucionaram a forma como compreendemos o objeto arquitetônico, sua inserção urbana, a posição dos usuários e os gradientes entre a esfera pública, semi-pública, semi-privada e privada, principalmente no tema habitação. As principais premissas do Team 10 para o projeto, que questionaram fortemente o funcionalismo sistêmico do modernismo, foram a democratização do programa e a responsabilidade social da construção do espaço humano.

Cartaz da palestra
O principal conceito debatido foi o de mat-building, que foi uma premissa desenvolvida por  Peter Smithson (1923-2003) e Alisson Smithson (1928-1993), arquitetos ingleses, que publicaram o artigo;‘How to recognise and read mat-building”, que aborda o tema do sistema,  da repetição e da especificidade na formulação do espaço construído. Portanto, um posicionamento que se colocava fortemente contra uma ortodoxia estabelecida, que permanecia com uma visão estática da construção humana, centrada no objeto espacial isolado, como um elemento de contemplação da arquitetura, e não como processo de produção e reprodução do ambiente construído pelo homem. Nas palavras do arquiteto italiano Graziano Brau, os parâmetros norteadores do mat-building eram; pessoas, participação e tempo. A proposta inseria no processo de desenvolvimento dos projetos, a ideia de sistema, como um processo aberto e acolhedor, para as demandas mutantes dos mundos da vida, não só no período de sua concepção, mas também no da sua operação.

Uma espacialidade aberta a múltiplos usos e não mais determinada por um funcionalismo restritivo desembocava numa racionalidade processual, capaz de entender o projeto e o desenho como o território do conflito. Os exemplos trazidos pelo arquiteto italiano mostraram diferentes apropriações da metodologia mat-building, como a Casa Patio em Tolouse de 1961, a Kasbah de Piet Bloom de 1973, a Nexus World em Tóquio de 1991 do escritório OMA, e a Carambachel 11 em Madrid de 2006 do escritório Morphosis. A análise desses diferentes exemplos se pautou pela compreensão dos espaços de circulação, de estar, da capacidade de abrigar múltiplas funções e da sua inserção urbana. A modulação e a flexibilidade de alguns espaços foram destacados a partir de um rigoroso trabalho de compilação dos desenhos desses projetos, que media sua adequação a partir da presença da repetição e da surpresa, a legibilidade geral e o particularismo específico.

Nas minhas considerações sobre a palestra do arquiteto italiano Graziano Brau Pani, citei os trabalhos dos arquitetos Manfredo Tafuri e Carlos Nelson dos Santos, o primeiro no livro A esfera e o labirinto e o segundo em A cidade como um jogo de cartas, que citam sistemas modulares, homogeneizadores e repetitivos que geraram diversidades. A questão da forma do projeto, tanto no processo de concepção, como também na sua apropriação depois da construção permanecem como temas centrais para o nosso ofício.

Abaixo link para o site do IAB-RJ.

http://www.iabrj.org.br/graziano-brau-discute-sistema-mat-housing-no-iab-rj

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