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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Matéria no O Globo distorce a linha prioritária para construção de modais de alta capacidade no Rio de Janeiro

Uma matéria no jornal O Globo de hoje, 01 de junho de 2015, fala que a cidade metropolitana do Rio de Janeiro precisa investir R$42,5 bilhões nos próximos doze anos para acabar com o déficit de mobilidade. A matéria também menciona que 83% desse total ou R$35 bilhões devem ser dispendidos no Metrô, que possibilitariam a construção de 81,8 kms desse modal na cidade segundo estudo feito pelo BNDES. A matéria relata que os autores do estudo "não discutem qual deve ser o traçado das obras." E, apesar dessa acertiva a matéria menciona mais na frente, que especialistas defendem como prioritários a ligação Jacarepaguá / Centro e a conexão das Estações Carioca / Estácio pela Lapa, deixando sem qualquer menção o sistema de trens urbanos da Central do Brasil, que se constitui na concessão da Supervia.

Distribuição da população na cidade metropolitana do Rio
de Janeiro

E, aqui surge a principal dúvida e questionamento com relação a matéria e ao estudo do BNDES, como traçar linhas prioritárias sem que sejam espacializadas no território efetivo da cidade metropolitana do Rio de Janeiro? Me parece que um dado fundamental da questão se refere a distribuição da população no território, que deveriam pautar a prioridade a partir da premissa de atendimento do maior número de usuários, garantindo por modais de alta capacidade uma mobilidade ágil, barata e eficiente.

Nesse sentido, o mapa ao lado mostra a distribuição da população por região da cidade metropolitana do Rio de Janeiro. Nota-se um imenso contingente populacional ao longo dos ramais da central, algo como; 7,6 milhões nos ramais Seropédica e Caxias / Saracuruna e 5,45 milhões no ramal Santa Cruz. Nota-se que a linha  tres, que ligará Itaboraí (Guaxindiba) ao centro de Niterói (Araribóia) envolve 1,8 milhões de pessoas, que o governo do estado do Rio de Janeiro levantou a hipótese de transformá-la em BRT, e que a reportagem do O Globo coloca em suspenso devido ao ajuste fiscal. Será que nenhuma dessas linhas merecem ser contempladas com essas verbas? O contingente populacional claramente indica o contrário.

Em contraposição a todas essas regiões da cidade, a baixada de Jacarepaguá somada a Barra da Tijuca e Recreio, apontada como prioritária pela reportagem, somam apenas 710 mil habitantes. Por que ela seria prioritária? E quais especialistas declararam tal prioridade? Porque a reforma e a qualificação dos ramais da Central do Brasil, que possuem capacidade de operar com a eficiência de um Metrô, nunca são considerados nessas hipóteses? Me parece que o posicionamento das prioridades sofre pressão da lógica do mercado imobiliário da Barra da Tijuca, que mais uma vez pretende aprisionar recursos que são de interesse geral.

Abaixo o link para a reportagem do O Globo...

http://oglobo.globo.com/economia/rio-precisara-investir-425-bi-em-12-anos-para-sanar-deficit-em-transportes-diz-estudo-16317319

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