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terça-feira, 15 de julho de 2014

Visita ao BRT de Belo Horizonte, do Centro até a Pampulha

Estação do BRT na Avenida Paraná no centro de BH, local da
partida da visita até o bairro da Pampulha
No último dia 07 de julho de 2014, estive com meu filho Felipe visitando e experimentando o sistema de Bus Rapid Transit (BRT na sigla em inglês) na capital mineira, que vai do Centro para o bairro da Pampulha pela Avenida Antonio Carlos. O mesmo sistema dá acesso ao estádio de futebol do Mineirão e se enquadra dentro do programa do governo federal, denominado Programa de Aceleração do Crescimento da Mobilidade Urbana (PAC-Mobilidade), que pretende ser o legado de transporte público da Copa do Mundo. A situação da mobilidade urbana nas cidades brasileiras é particularmente ruim e muito precária, os serviços possuem tarifas altas e consomem grande parte das horas de quem dependem deles. Há uma clara hegemonia do carro particular frente aos modais de alta capacidade de transporte de passageiros, que frequentemente são relegados nas soluções e desenhos ao papel de coadjuvantes, quando na verdade deveriam ser os protagonistas.

A Avenida Paraná leito exclusivo para os BRTs, com novo
desenho com ciclovia privilegiando o pedestre
Por isso acho importante a instalação desses novos serviços nas nossas cidades, que no meu entendimento deveriam ser encarados como sistemas integrados de mobilidade e alcançar uma maior legibilidade e compreensão por parte do conjunto da população. Nesse sentido, ao comprar os bilhetes para acessar o sistema cobrei e senti falta da presença de mapas e esquemas, que explicassem as linhas e seus itinerários de forma global e sistêmica. Haviam atendentes e recepcionistas no acesso das estações e nas bilheterias de compra dos cartões, que sabiam as linhas e os itinerários, mas não haviam mapas e esquemas que sintetizassem a complexidade do sistema, dando ao usuário a noção de conjunto. Creio que aí reside uma importante carência das linhas de BRTs de BH, pois a legibilidade do sistema como um todo e sua comunicação de forma sintética e direta com a população deveriam ser um dos principais objetivos perseguidos pelo poder público e pelas concessionárias. Tal visibilidade e legibilidade do sistema são fundamentais, pois o usufruto da população deve ter como pressuposto a livre montagem e acessibilidade, permitindo ao usuário diferentes combinações e o livre arbítrio. Além disso, a sensação de controle e de auto-consciência na sua escolha devem ser oferecidas ao usuário de forma que esse se encontre seguro e livre de qualquer dúvida Nas cidades uma das piores sensações é justamente a do labirinto, onde a insegurança nos domina fazendo com que não tenhamos certeza de nossas escolhas e determinações.

Outro aspecto também importante é que esses serviços de transporte coletivo, devem se instalar nas cidades brasileiras visando competir com a utilização do carro individual, garantindo ao usuário do transporte público uma clara vantagem frente ao automóvel. O pressuposto deveria ser, que o sistema de transporte público passa a ofertar a população como um todo um serviço melhor que o desfrutado por aqueles que se utilizam de carros particulares. Nesse sentido o BRT de Belo Horizonte ainda deixa muito a desejar, pois principalmente na Avenida Antonio Carlos, que dá acesso ao bairro da Pampulha, houve um custo de desapropriação substancial, que na verdade foi demandado pelas pistas dedicadas aos automóveis. Portanto, percebe-se nas obras do BRT da avenida Antonio Carlos no trecho entre a Lagoinha e o viaduto do Anel Rodoviário, que uma percentagem expressiva do custo das obras foram dedicadas a ampliação das vias dos automóveis particulares, e não as pistas do sistema de transportes coletivos.

Além desses aspectos, cabe ainda notar que num trecho curto, entre a Avenida Paraná e a Lagoinha a via do BRT da Antonio Carlos não é exclusiva para o sistema de transportes coletivos, sendo compartilhada com outros veículos. Tal situação, mais uma vez aponta para nós como os sistemas de transportes ainda são encarados no Brasil, um sistema que não pretende atender as elites do país, mas apenas as parcelas da população mais fragilizada economicamente. A falta de rigor com esses pequenos detalhes apontados pelo texto denunciam claramente uma visão do poder público, que ainda não identificou como prioritário o investimento no transporte público, que deve buscar uma clara eficiência frente ao deslocamento de automóvel particular. O transporte público precisa passar a ter vantagens claras frente ao transporte individual de automóveis, atraindo inclusive as elites endinheiradas do país, que pelas vantagens comparativas certamente passarão a usá-lo. Cabe ainda aqui um destaque positivo, a viagem da Avenida Paraná no centro de BH até o bairro da Pampulha na área da barragem da lagoa, onde termina a Avenida Antonio Carlos e começa a Avenida Pedro I levou apenas vinte minutos, o que é um índice realmente animador.

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