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sábado, 14 de dezembro de 2013

O Secretário de Segurança do Rio de Janeiro e as Fvavelas

O Secretário de Segurança do RJ José Mariano Beltrame
Na última sexta feira, dia 13 de dezembro de 2013, o secretário de Segurança José Mariano Beltrame, do Estado do Rio de Janeiro deu entrevista a respeito das Unidades de Policia Pacificadoras e as favelas da cidade. Muitos arquitetos perceberam um tom preconceituoso com relação a forma de implantação das favelas, principalmente no que se refere as dificuldades da implantação da segurança num território deste tipo. Diante mão, reafirmo a necessidade de ampliação do debate, e, neste caso específico das favelas cariocas ele é imperioso .

Li a entrevista do secretário Beltrame, concordo com a percepção de um certo preconceito contra a forma de estruturação da favela, principalmente na questão das relocações necessárias e na questão da malha. Também o termo ideológico usado pelo secretário envolve uma perigosa forma de raciocínio, que qualifica os outros discursos como tal, e, apenas o dele, como livre desta contaminação política, pois técnico e objetivo. Há muito que vários teóricos apontam a incapacidade de qualquer discurso se livrar das tramas ideológicas (Habermas), pois estamos condenados na modernidade a visões parciais do real, que se limitam a compreendê-lo a partir de expertises diferenciados, incapazes de abarcar a totalidade do real.

Portanto, também percebo no discurso do Secretário José Mariano Beltrame um certo preconceito. Na verdade, uma distorção profissional clara, de uma pessoa engajada na questão da segurança, e portanto com um visão limitada da questão. O Secretário parece estar ansioso por mapear o território das favelas, dando lhe legibilidade. Numa analogia, com o que fez o Barão Hausmann, no século XIX com Paris, ao abrir as grandes avenidas, os boulevards, pretendendo dar eficiência ao monopólio da violência e da repressão, combatendo as recorrentes rebeliões, e a comuna de Paris de 1848. Mas também devemos nos lembrar, como nos ensina Walter Benjamim, que a comuna de Paris se repetirá em 1871, com maior força e sobre a base dos boulevards do Barão Hausmann,e, que o anjo da história é incapaz de moldar o futuro, pois caminha de costas para este, acompanhando as misérias do passado de frente.

Os arquitetos por sua vez, precisam também ter uma visão estratégica do momento da reconquista destes territórios ao tráfico de drogas, na cidade do Rio de janeiro. Pois assim como o secretário, nós também estamos enlaçados no discurso ideológico, possuimos uma visão distorcida do real, que muitas vezes celebra a preservação e a permanência de determinadas condições, que precisam ser modificadas e transformadas. Mais uma vez me parece que a questão do equilíbrio entre pré-existências e transformações, entre custos e benefícios, que são inerentes ao projeto deve ser debatido, medido e objetivado. A íntegra da entrevista...

http://oglobo.globo.com/rio/beltrame-sobre-5-anos-de-upp-daqui-20-anos-que-sera-da-favela-11056774

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