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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Uma viagem de BH ao Rio de Janeiro de carro, uma reflexão sobre o modo de fazer estradas no Brasil

Uma viagem de BH ao Rio de Janeiro de carro, uma distância de quatrocentos e cinquenta quilômetros feito de uma maneira geral em cinco horas, mostra-nos muito das condições do espaço construído pelo homem no Brasil. A estrada de uma maneira geral, com seus cortes, aterros, obras de arte (viadutos, pontes e contenções) se preocupa muito pouco com seus impactos na paisagem, com sua capacidade de construir um lugar com personalidade. Particularmente, esta estrada cruza um dos mais belos conjuntos de paisagens, diversificadas e exuberantes da região sudeste, cruzando três importantes maciços montanhosos; o Espinhaço, a Mantiqueira e a Serra do Mar. Ela também cruza importantes unidades paisagísticas e ambientais, como o quadrilátero ferrífero, o serrado, a mata atlântica de altitude, a bacia do Paraiba do Sul, a serra do Mar, a baixada da Baía de Guanabara e o manguezal. As estradas no Brasil não são consideradas como presenças efetivas nas nossas paisagens, sendo reduzidas a uma objetividade limitadora, que as reduz a meros trajetos ponto a ponto, sem qualquer preocupação com as ambiências geradas. A ausência de preocupação com os impactos sobre a paisagem, tanto com as pré-existências, como também com aspectos indutores após sua implantação são recorrentes nas estradas brasileiras de uma maneira geral, e denunciam muito da importância dada ao projeto, como uma ação holística e estruturada.

Um dos campos que devem ser pleiteados pelo expertise de arquitetos e paisagistas brasileiros, certamente é o de projeto de estrada, como disciplina que deve participar com outras especialidades na concepção destes espaços, tão característicos da vida contemporânea. A capacidade destes profissionais de estabelecer relações mais equilibradas entre as estradas e as cidades lindeiras, ou entre as estradas e a fruição da paisagem em geral, podem representar uma melhora significativa no impacto destas estruturas sobre o meio ambiente onde se assentam.

Enfim as estradas no Brasil nos últimos anos, e a BR040 é um exemplo emblemático, não apresentam qualquer preocupação paisagística, se restringindo a serem meras linhas assentadas sobre o território sem preocupação com o contexto existente ou, o que ela irá gerar.

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