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domingo, 16 de junho de 2013

Protestos da Copa e a Mobilidade Urbana nas cidades brasileiras

Os últimos protestos de rua ocorridos no Brasil parecem apontar em duas insatisfações muito claras da população brasileira. De um lado, o aumento das tarifas das passagens de ônibus, que representa o modal mais demandado nas cidades brasileiras. E, de outro lado, as obras recém inauguradas para a Copa das Confederações, envolvendo estádios de futebol, que geram indignação para a população de forma geral, pelo luxo e pelo superfaturamento das obras principalmente por um claro desequilíbrio entre custos e benefícios.
A pauta dos transportes públicos no Brasil é uma das mais importantes, espero sinceramente que ela tenha mobilizado nossa imprensa de forma definitiva. De uma maneira geral nossos índices de mobilidade urbana estão muito abaixo dos indicados pelo bom senso e conforto. Nosso tempo de deslocamento nos movimentos pendulares é alto e nossa tarifa caríssima. O modal de ônibus, que substituiu os modais sobre trilhos - bondes e trens - a partir da década de 60 nas cidades brasileiras tem se demonstrado ineficiente e caro. No Rio de Janeiro os trens urbanos - modal de alta capacidade - apresentam uma situação calamitosa nas estações e nas composições. Os investimentos do Governo do Estado e da Supervia são ridículos, fazendo com que o sistema seja visto com profunda desconfiança pela população usuária. Espero que os protestos no Rio de Janeiro cheguem a denunciar esta questão dos trens urbanos.
Por outro lado, as obras já inauguradas para a Copa do Mundo de 2014, apresentaram muito pouco benefícios para as cidades brasileiras, no quesito mobilidade urbana, se concentrando na construção ou reforma de estádios de futebol. A população percebe que os estádios novos ou reformados instauram uma lógica de elitização do espetáculo, se destinando apenas aos setores com mais renda. Interessante como nossas elites, mesmo em futebol um esporte no qual o Brasil conquistou uma certa hegemonia, permanecem pensando a partir de uma lógica européia, demonstrando profunda incapacidade de gerar um projeto autônomo de país. O projeto desenhado para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil foi claramente construído a partir da ideologia da elitização do espetáculo, sem ao menos saber se ele é sustentável depois deste mega-evento.

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