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quarta-feira, 1 de maio de 2013

O ano de 1848 na Europa

A biografia da familia de Marx, Amor e Capital da jornalista americana Mary Gabriel é um livro maravilhoso sobre a dura existência do casal Karl Marx e Jenny Von Westphalen Marx. Um ano particularmente abordado no livro é o de 1848, onde uma sequência incrivel de revoltas populares devastou as cidades da Europa, começando por Paris, atingindo Viena, Berlim e Palermo na Itália. 

Na terceira semana de fevereiro de 1848 Luis Filipe I abdicara do trono e fugira para o exílio na Inglaterra, um governo provisório foi empossado e a França era agora uma república.  Um pouco antes na Sicilia, na parte mais pobre do que viria a se constituir na atual Itália, devido a uma terrível escassez de alimentos, os moradores de Palermo, obrigaram o rei Fernando II a aceitar uma assembléia constitucional, num território que ia desde o extremo sul (Sicilia) a Apúlia, atingindo os limites do estado papal. Na então federação alemã, na capital da Prussia Berlim, o rei Frederico Guilherme, no dia 19 de março, ordena que seu exército abandone a cidade, abrindo as portas de seu arsenal para que o povo se encarregasse da defesa da capital, após um dia de carnificinas. Em Viena no dia 13 de março de 1848, um grupo de estudantes reivindicava reformas liberais na Austria, como liberdade de imprensa, uma Constituição e liberdade acadêmica, montando uma manifestação que foi duramente reprimida pela Guarda Nacional, resultando na morte de quinze pessoas. No dia seguinte, a rebelião atingiu tal proporção que o príncipe Metternich, a quarenta anos no poder, renunciou, fugindo disfarçado para a Inglaterra, como Luis Filipe I de França.

O casal Marx abandona Bruxelas com tres filhos, um menino recém nascido e duas meninas e dirige-se a Paris, no dia 04 de março, expulsos da Bélgica pelo governo. Marx havia lançado o Manifesto Comunista no final de janeiro, que começava com a dramática frase; "Um espectro ronda a Europa- o espectro do comunismo" e terminava com a conclamação "Trabalhadores de todos os países uni-vos!". Jenny a esposa de Marx enviou uma carta com informações vivas dos movimentos das ruas de Paris; "Eu gostaria de poder lhe escrever muito mais sobre o movimento interessante que está acontecendo aqui, e que cresce a cada minuto (hoje a noite 400 mil trabalhadores marcharam diante do Hotel de Ville). As massas de manifestantes estão crescendo cada vez mais. Mas estou tão atarefada com as coisas de casa e cuidando dos três pequenos que só arranjei tempo para lhe enviar e a sua querida esposa saudações cordiais vindas de longe."

Apesar do Manifesto Comunista ter sido naquele mesmo ano traduzido em várias línguas, os motivos do terremoto na Europa era a fome, o frio e o desemprego que castigavam as principais capitais. Alexis Tocquevile, um aristocrata, posicionado longe das aspirações comunistas de Marx escreveu que a necessidade havia fomentado a rebelião; "Voces não veem que as paixões deles, em vez de políticas, tornaram-se sociais? Voces não veem que eles estão aos poucos formando opiniões e ideias destinadas não apenas a combater essa ou aquela lei, um ou outro ministério ou forma de governo, mas a própria sociedade?"

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