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quarta-feira, 30 de abril de 2014

O filme e o debate sobre os arquitetos irmãos Roberto

Edificio rua Voluntários da
Pátria no 127 dos MMM
Roberto
Na última segunda feira dia 28 de abril de 2014, o auditório do IAB-RJ recebeu a projeção do filme, Os Irmãos Roberto, sobre a produção arquitetônica do escritório MMM Roberto, que se notabilizou por uma série de edifícios na cidade do Rio de Janeiro de filiação modernista. O filme apresenta uma série de depoimentos de arquitetos sobre a produção dos irmãos Roberto, e também uma série de edifícios produzidos pelo escritório, dentre os quais, gostaria de destacar as experiências multifamiliares, que possuem uma qualidade acima da média. Efetivamente, um dos grandes méritos da produção de arquitetura do escritório MMM Roberto está na confecção de imóveis habitacionais multifamiliares de grande qualidade voltados para o mercado imobiliário da cidade, uma prática que se perdeu na contemporaneidade das cidades brasileiras.

No filme os exemplos se somam, mostrando que a qualidade da arquitetura não é contrária a intensificação do uso do solo urbano. Edifícios como os da Rua Volutários da Pátria (ver foto anexa),  ou o Edifício ao lado da Universidade Santa Ursula, ou na rua Sambaiba no alto Leblon, ou o da rua República do Perú em Copacabana, ou o da Nossa Senhora de Copacabana no posto seis, ou na rua Sadock Sá em Ipanema, ou ainda os edifícios do Parque Guinle mostram que o setor imobiliário já produziu com qualidade. A questão levantada no debate que se seguiu a exibição do filme; se a qualidade da arquitetura agrega valor a produção imobiliária da cidade? Me parece central nos dias atuais.

Percebe-se em todo o país um declínio da valorização cultural da arquitetura. As elites brasileiras moram nas cidades brasileiras em apartamentos ou casas, que de uma maneira geral não celebram a qualidade arquitetônica, a inserção urbana, ou a diversidade de tipologias, enfim a capacidade de cada edificação gerar um entorno virtuoso, uma boa cidade. As razões para tal situação possuem diversas origens, como a legislação habitacional, a ausência de autoria definida, a dispersão entre uma série de arquitetos que se responsabilizam pelo desenho do edifício, a celebração de uma forma de habitar que nega o espaço público da cidade, etc...Nesse sentido, a recente realização do Congresso Brasileiro de Arquitetura na cidade de Fortaleza foi exemplar no sentido de mostrar como o modelo de reprodução da cidade brasileira, baseado no automóvel, em edifícios com grande desenvolvimento em altura, concentração de contínuos comerciais concentrados em clusters tipo shoppings centers acabam determinando a morte do espaço público da rua, como local de interação entre os cidadãos. As cidades brasileiras passam a ser locais inseguros, onde a violência urbana é potencializada, pois as ruas tendem com estes desenvolvimentos a ficar cada mais desertas. A lição da obra dos Irmãos Roberto, que produziram habitação mutifamiliar com qualidade e preocupados em gerar uma vizinhança virtuosa me parece um começo para rever as tendências perversas das cidades brasileiras.

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