Nessa segunda feira, dia 26 de outubro de 2015 foi reapresentada no auditório do IAB-RJ a projeção do filme Perimetral, memória e reflexão, do Laboratório de Mídias Urbanas (LAMUR) da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (EAU-UFF) com a participação da professora Thereza Carvalho também da EAU-UFF, que refletiu e estimulou o debate sobre as implicações e reflexões a que o filme nos remete.
A primeira questão já destacada aqui nesse blog, quando da primeira apresentação no auditório do IAB-RJ, é o domínio preciso da linguagem do documentário, por parte dos alunos do LAMUR. O filme demonstra como os alunos pretenderam documentar uma transformação importante da cidade do Rio de Janeiro, não apenas apresentando uma única visão sobre o tema mas uma pluralidade de visões e colocações. Ao final o maior beneficiário é exatamente o espectador, que compreende como o rodoviarismo exerceu um papel hegemônico no projeto da cidade brasileira, e, que apesar do simbolismo da demolição da Perimetral, ainda não foi construída uma outra cidade. Principalmente pela precariedade dos sistemas de transportes coletivos, que ainda não se estruturam numa rede capaz de convencer o cidadão de abrir mão do automóvel particular.
A segunda questão a ser destacada foram as reflexões da professora Thereza Carvalho, que sucederam a projeção, e que partiram do filme e de uma exposição de fotos de sua autoria sobre o mesmo tema. Dentre as quais destaco a conceituação da rua, da estrada, do viaduto e a consciência do movimento, enquanto na rua o tempo e a velocidade nos incitam a perceber e sermos percebidos em movimento, no espaço rodoviarista do viaduto somos instados apenas a partir e a chegar num efeito túnel. A fruição é suspensa para que se tenha apenas consciência da chegada e da partida, a objetividade do movimento suspende a compreensão. A velocidade e mesmo o engarrafamento no viaduto e na autopista apagam o movimento, restringindo nossa capacidade aos dois pontos; inicio e fim. Há uma objetividade produtiva e industrial, que nega o caráter da surpresa, da festa, da sociabilidade dos espaços caminháveis presentes nas ruas, principalmente nas calçadas.
Enfim, de tudo parece emergir que realizamos a destruição da perimetral, mas ainda não colocamos uma alternativa convincente no seu lugar...
Diário de Pedro da Luz Moreira, interessado em discutir a arquitetura, a cidade e o projeto
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
A volta do Regime Diferenciado de Contratação (RDC) para as obras públicas. VETA DILMA...
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| Matéria do jornalista Hélio Gaspari |
O RDC permite que o poder público contrate a realizadora da obra - uma empreiteira - sem qualquer projeto, sem qualquer pré figuração, apenas a partir de uma planilha orçamentária. É efetivamente uma perversão, o Brasil passa a ter mais essa jabuticaba, nada contra elas; um local no mundo, onde a planilha orçamentária precede o projeto.
Tal situação demonstra o imenso poder das empreiteiras, que passam a ter um contrato de porteira fechada com o poder público, suprimindo-se a interlocução dos autores de projeto. Várias associações de arquitetos e engenheiros condenaram a prática, pois ela implica na supressão de interlocução e de debate sobre a adequação e o orçamento da obra, impondo um poder desmesurado às empreiteiras. O IAB-RJ e a rede do IAB nacionalmente defende há muito tempo, que os agentes que concebem a obra não sejam os mesmos que a realizam, para que se estabeleça um controle mútuo no canteiro de obras.
Algumas figuras da mídia se manifestaram contra a aprovação na Câmara Federal, como Hélio Gaspari e Anselmo Góis. Na foto acima mostra-se a matéria publicada na coluna de Hélio Gaspari no domingo dia 25 de outubro de 2015 no jornal O Globo, que conclama para uma pressão pelo veto da Presidenta.
VETA DILMA...
domingo, 25 de outubro de 2015
A palestra da arquiteta Cristina Garcez, radicada em Paris sobre as formas de contratação do projeto
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| Palestra da arquiteta Cristna Garcez no IAB-RJ |
Por outro lado, foi mostrado como a espacialização dos problemas, o projeto, possui uma enorme capacidade de mobilizar o interesse das pessoas, em contraposição à construção de diagnósticos exaustivos, que não objetivam as proposições. No Brasil, atualmente o desenvolvimento de qualquer projeto urbano envolve uma fase inicial de diagnóstico, ou de levantamento das condições do contexto em que se vai interferir. Cristina Garcez apresentou como item fundamental de sua metodologia, a explicitação inicial e primeira da intervenção, da mudança proposta, enfim do projeto, sem a construção exaustiva de diagnósticos, que não apresentam qualquer objetividade. É preciso começar a reconhecer que o trabalho de plano e projeto envolve uma maneira particular de enfrentamento do real. Ele na verdade é uma forma de conhecimento, que se arrisca em proposições, para o vir a ser de um determinado contexto, uma ação muito mais vinculada ao prognóstico, do que ao diagnóstico.
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| A vivência cotidiana dos problemas ambientais |
O que foi notável na apresentação da arquiteta Cristina Garcez no IAB-RJ foi sua ênfase na questão do projeto, como um esforço inicial de confrontação de diversas hipóteses, que a partir da discussão e do debate afunilam para convergências que determinam; o que fazer.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
O projeto do antigo edifício do BANERJ para receber a ALERJ deve ser de Henrique Mindlin Associados
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| Vista do edifício do antigo BANERJ que será ocupado pela ALERJ |
O edifício do antigo Banco do Estado da Guanabara (BEG) é um projeto do escritório de arquitetura de Henrique Mindlin, um estúdio que ainda está em funcionamento na cidade. Ao ser entrevistado pelo mesmo jornal O Globo declarei que a ALERJ deveria respeitar a autoria da edificação, contratando o autor do projeto original, a Henrique Mindlin Associados, por dispensa de licitação, uma vez que esse escritório possui um profundo conhecimento do organismo arquitetônico. Já está mais do que na hora do poder público no Brasil reconhecer a autoria das obras de arquitetura, e respeitar o patrimônio construído do país.
O link abaixo mostra a entrevista no jornal O Globo on line;
http://oglobo.globo.com/rio/iab-contesta-licitacoes-para-reforma-do-banerjao-17849913
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Matéria na Rede Brasil sobre o Aterro do Flamengo
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| Matéria na EBC Repórter Rio sobre os 50 anos do Aterro |
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| Haruyoshi Ono, eu, Gustavo Leiva e Julio Ono do escritório Burle Marx |
Na matéria gravada junto com o pessoal do escritório de paisagismo Burle Marx, que está renovando o Aterro do Flamengo na enseada de Botafogo procurei destacar que esse equipamento carioca de grande qualidade merece a devida manutenção e gestão, que lhe garanta segurança para seu uso, nas várias horas do dia.
Abaixo o link da matéria.
http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterrio/episodio/escritorio-burle-marx-tem-projeto-para-revitalizar-enseada-de-botafogo
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
O forte dos tres Reis Magos em Natal
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| Forte dos Reis Magos e a Ponte Newton Narvarro na foz do rio Potengi |
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| Vista do pátio central do Forte |
| O marco português de fundação das cidades ultramarinhas no Forte em Natal |
A simplicidade, a singeleza e até uma precariedade de recursos parece produtora de uma melhor adequação ao sítio, uma lição que permanece válida para um país que volta e meia se envolve com sonhos de grandeza, que me parecem mais próximos de uma ostenatação desnecessária e desmedida. Os tempos são outros, os recursos são muito maiores, o programa e as demandas também, mas onde se perdeu essa capacidade de se adequar a um sítio, que não tem nada de banal?
sábado, 3 de outubro de 2015
Uma quadra habitacional para a cidade brasileira
A exposição Casa cidade mundo: a beleza possível no Centro Cultural Hélio Oiticica no Rio de Janeiro traz uma prancha com uma proposta minha, para uma quadra habitacional para a cidade brasileira. A ideia é enfatizar, que a casa não existe sem a cidade, assim como a cidade não existe sem a casa, uma relação dialética, que os dados quantitativos do déficit habitacional querem negar. O déficit habitacional brasileiro, que segundo dados da Fundação João Pinheiro em Minas Gerais está em 6 milhões de casas reduz o problema a uma mera questão quantitativa. Na verdade, a produção dessas 6 milhões de residências precisam estar inseridas num território urbano rico e pleno de diversidade, e a fixação desse dado não ajuda, mas confunde o real dimensionamento do desafio, que temos pela frente. A produção da cidade com qualidade, com uma ocupação do território que promova equidade e aproximação entre os diversos setores que compõem a sociedade brasileira é um imenso desafio.
A quadra proposta é apenas um ítem de uma política habitacional, que deveria ser mais ampla e articulada com as pré-existências como favelas, antigos contínuos implantados, áreas históricas, enfim com a cidade existente.Pesquisas recentes mostram que existem cerca de 30% de imóveis vazios em bairros consolidados como Copacabana no RJ ou Higienópolis em SP. Colocá-los no mercado faz parte da estratégia de tentar fazer frente aos 6 milhões de unidades do déficit.
A quadra proposta faz menção aos territórios onde será necessário construir o novo, mas ela se refere a elementos presentes em todas as cidades, portanto também ao existente; o lote, a quadra e a rua. Elementos da cidade, que estruturam nossa compreensão do privado e do público.
A abertura da exposição é nesse sábado dia 03 de outubro de 2015.
A quadra proposta é apenas um ítem de uma política habitacional, que deveria ser mais ampla e articulada com as pré-existências como favelas, antigos contínuos implantados, áreas históricas, enfim com a cidade existente.Pesquisas recentes mostram que existem cerca de 30% de imóveis vazios em bairros consolidados como Copacabana no RJ ou Higienópolis em SP. Colocá-los no mercado faz parte da estratégia de tentar fazer frente aos 6 milhões de unidades do déficit.
A quadra proposta faz menção aos territórios onde será necessário construir o novo, mas ela se refere a elementos presentes em todas as cidades, portanto também ao existente; o lote, a quadra e a rua. Elementos da cidade, que estruturam nossa compreensão do privado e do público.
A abertura da exposição é nesse sábado dia 03 de outubro de 2015.
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