quinta-feira, 26 de março de 2015

Entrevista a rádio CBN sobre a lei do Direito de Superfície na cidade do Rio de Janeiro

Hoje pela manhã dei entrevista na Rádio CBN, sobre a lei complementar número 95/2015, que trata do Direito de Superfície, que foi encaminhada pelo Poder Executivo à Câmara dos Vereadores. O instrumento está previsto no Estatuto das Cidades e pressupõe uma maior transparência por parte do Poder Público no encaminhamento dos projetos de transformação da cidade a partir das suas premissas. A lei possibilita que agentes privados possam explorar o subsolo e passarelas nos espaços públicos, para tal os agentes privados devem oferecer contra partidas que beneficiem o interesse geral da cidade. Há portanto, a necessidade de que o encaminhamento dos interesses privados e dos públicos sejam acomodados a partir da aprovação das transformações em assembléias e câmaras técnicas competentes.

Uma prática de maior transparência e de fomento ao debate, procurando conciliar diversos interesses, com o desenvolvimento de programas e projetos que sejam apresentados à esfera pública de forma ampla e clara.

Os links abaixo acessam a entrevista na radio CBN.

http://cbn.globoradio.globo.com/Player/player.htm?audio=2015/noticias/iab_150326&OAS_sitepage=cbn/comentarios/

http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-rio/2015/03/26/PACOTE-DE-MUDANCAS-URBANISTICAS-DO-RIO-PRECISA-SER-APRESENTADO-DE-FORMA-CLARA-E-TRANSPAR.htm

segunda-feira, 23 de março de 2015

Os rios na cidade do Rio de Janeiro

Rio São Francisco em Jacarepaguá, uma cloaca a céu aberto
Com a crise hídrica do último verão estamos despertando para um olhar mais cuidadoso sobre os nossos rios, particularmente em nossas cidades. Como afirmava GRAMSCI de uma maneira celebratória;

"a crise é o momento em que a velha ordem já morreu e a nova ordem ainda não conseguiu nascer."

Me parece que o estabelecimento de uma nova relação entre rio e cidade é fundamental para conseguir uma melhor saúde dos nossos rios. Na entrevista ao jornal O Globo tentei afirmar que uma maior visibilidade do rio urbano contribui para sua preservação. A exploração da navegabilidade, o respeito as Faixas Marginais de Proteção, com a implantação de vegetação adequada, a transformação das margens em espaços públicos, com amplo acesso podem restabelecer de forma rápida a qualidade de nossos rios. Importante lembrar que 48% dos esgotos domiciliares na cidade metropolitana do Rio de Janeiro não são corretamente destinados. A matéria do jornal O Globo pode ser vista no link abaixo.

http://oglobo.globo.com/rio/bairros/rios-cariocas-entre-esquecimento-o-futuro-15652879

quinta-feira, 19 de março de 2015

Texto do Janot sobre transparência e projeto

No último texto, do nosso articulista arquiteto Luiz Fernando Janot, no jornal O Globo do último sábado dia 14 de março de 2015 foi mencionada a questão do projeto de cidade, e sua transparência para o conjunto da sociedade. Duas questões a meu ver fundamentais para a efetivação de uma prática democrática em nossa sociedade. A atividade de projeto é basicamente uma ação de antecipação sobre o vir a ser da cidade, ou do bairro, ou de um terreno. Ela envolve uma pergunta fundamental, que ambiente queremos deixar para o futuro? O que deve ser preservado e o que deve ser transformado e melhorado? Com que custos e por quanto tempo? Perguntas que estão no entorno da prancheta do projeto. Quando desenvolvemos as transformações que nossas cidades demandam de forma transparente, com debates, audiências públicas, o caminho de desenvolvimento do projeto ganha em legitimidade e garante sustentabilidade as obras, pois os usuários se transformam em partícipes.


terça-feira, 10 de março de 2015

Entrevista sobre o Museu da Maré numa radio inglesa

Entrevista minha numa rádio inglesa sobre o prêmio que o IAB-RJ concedeu ao Museu da Favela da Maré, na sua última premiação, na qual destacava o fato de que esse acervo promove, documenta e expõe uma outra dimensão da nossa cultura; a produção do espaço da casa própria pela auto-construção. Uma cultura que está em nossas favelas em todas as cidades brasileiras e foi a resposta dada pelas classes mais fragilizadas na ausência de uma política habitacional estruturada e coordenada pelo poder e pelo interesse público no Brasil. O resultado em muitos aspectos é exemplar e demonstra muito da criatividade do povo brasileiro, que a partir da precariedade conseguiu construir uma urbanidade notável perto das centralidades de nossas cidades, perto portanto das oportunidades de emprego e melhoria de vida. Urbanizar e requalificar esses espaços, garantindo a presença das infra-estruturas urbanas presentes na cidade formal é o desafio maior da nossa política urbana.

O link abaixo é o da entrevista, que pode ser ouvida em sua integra ou apenas com minha fala a partir dos 48:16 minutos da matéria. O mais interessante é que o repórter avaliou que meu limitado inglês poderia ser usado. Portanto, desculpem pelo my bad english...

http://monocle.com/radio/shows/section-d/173/

terça-feira, 3 de março de 2015

Baía de Guanabara um cenário nada banal, que precisa ser valorizado

Monumento Estácio de Sá
A Baía de Guanabara é um cenário emblemático e único, que a cidade metropolitana do Rio de Janeiro possui e precisa voltar a se reaproximar de forma positiva, valorizando toda a sua orla. A Globo News gravou entrevista comigo e com o presidente do IAB Nacional Sérgio Magalhães sobre os 450 anos da cidade em frente ao monumento a Estácio de Sá no aterro do Flamengo, obra do arquiteto Lucio Costa. Nessa entrevista procurei sublinhar a importância da Baía de Guanabara, como fato geográfico que justificou a fundação da cidade, uma vez que se trata de uma fortaleza natural na costa brasileira. A entrada da Baía é na verdade um canal com cerca de apenas 150 metros de largura, que permite o acesso a um vasto território. Essas características fizeram do Rio de Janeiro, o principal porto de envio para a coroa das riquezas provenientes das Minas Gerais, fazendo com que Portugal transferisse a capital da colônia de Salvador para a cidade, já no século XVIII.

O Rio de Janeiro passa a ser então um ponto importante para a coroa portuguesa no controle do Atlântico Sul, tanto que em 1808 a familia imperial portuguesa se transfere para a cidade com a invasão napoleônica de Lisboa. Tal acontecimento determina um fato algo inusitado no colonialismo europeu, a transformação de uma capital de colônia, numa capital do reino ultramarinho de Portugal, como a sede de uma corte. Essa condição de capitalidade determinará muito do espírito cosmopolita e aberto da cidade, com relação a outras partes do Brasil até os dias de hoje. A partir da década de quarenta do século XX, a cidade se estende em direção as praias oceânicas de Copacabana e Ipanema.

A retomada da orla da baía de Guanabara como frente marítima, produtora de amenidades e espaços públicos notáveis como o aterro do Flamengo ou a Zona Portuária pode significar um importante reequilíbrio para a cidade metropolitana do Rio de Janeiro.

Os links das duas entrevistas dadas a Globo News estão abaixo...

http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/t/todos-os-videos/v/monumento-no-aterro-do-flamengo-homenageia-fundador-do-rio/4001773/

http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/t/todos-os-videos/v/cidade-e-bela-mas-precisa-de-cuidados-dizem-urbanistas-sobre-o-rio/4001863/

segunda-feira, 2 de março de 2015

Matéria sobre a Região Portuária do Rio de Janeiro

O sítio arqueológico do Cais do Valongo na Rua Camerindo
A matéria publicada na agência EBC Notícias sobre as transformações do Porto do Rio de Janeiro mostra, que os esforços para transformação da área remontam a década de 80, quando a estrutura de apoio aos portos de todo o mundo sofre a transformação da adoção dos containeres. Desde então diferentes administrações municipais vem tentando promover a transformação do porto do Rio de Janeiro, com diferentes propostas. Com as Olimpíadas vindo para o Rio de Janeiro, a região portuária passa a receber recursos vultuosos, que impulsionam a sua transformação, como a derrubada do viaduto da perimetral e a construção dos túneis que o substituem. São investimentos viários vultosos. No entanto, ainda não se percebe o mesmo nível de investimento na arquitetura pré-existente como no caso citado do edifício da Noite, o primeiro arranha céu da cidade, e outros exemplares notáveis da área.

Me assusta particularmente o grau de deterioração do patrimônio construído do centro da cidade do Rio de Janeiro, onde volta e meia temos notícias da perda de sobrados e imóveis de valor histórico, basicamente no setor privado. Me parece que a cidade do Rio de Janeiro não dispõe de musculatura econômica para manter o nível de investimentos que as pré-existências da área demandam, principalmente quando o setor imobiliário privado permanece com sua inércia instalada, investindo prioritariamente na Barra da Tijuca. Quando foi apontado que os equipamentos olímpicos que a cidade precisava construir cabiam todos na Zona Portuária, o que se pretendia era dar uma mensagem clara para o mercado imobiliário de que o desenvolvimento da cidade tinha dado uma guinada, que passava a privilegiar o centro. Tal orientação não foi seguida, tendo o poder municipal mantido o projeto olímpico disperso em três clusters; Barra da Tijuca, Deodoro e Centro, mantendo-se na Barra os empreendimentos imobiliários como a vila dos atletas e de árbitros. Portanto, mais uma vez a cidade parece perder uma oportunidade única, dispersando seus investimentos, sem mudar sua tendência de dispersão espacial.

Abaixo o link da matéria

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-03/porto-do-rio-450-anos-de-transformacoes

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Paris e um debate sobre a ética da aplicação de recursos nas obras

Posto de pedágio no Parque Monceau de Ledoux em Paris
O arquiteto Claude Nicolas Ledoux viveu entre os anos de 1736 a 1806 na França, num período particularmente dramático para a história universal. Durante a Revolução Francesa. Entre o ocaso do antigo regime dos reis e a emergência da Revolução Francesa e da construção da república.

Ledoux transitou entre os dois universos; foi arquiteto de Madame du Barry, amante de Luiz XV, realisou próximo a cidade de Besançon em 1775 as Salinas Reais de Arc et Semans, uma fábrica de sal e também as Barriéres de Paris, postos alfandegários que controlavam a entrada de mercadorias no intramuros da cidade, já no periodo republicano.

Barriére de La Villete de Ledoux em Paris
Em Paris ainda existem o pequeno posto de pedágio no Parque de Monceau e a Barriére de La Villete na praça Stalingrado, duas obras notáveis, com um claro acento neo-clássico e uma sobriedade impressionante. O que me parece um aspecto importante a ser destacado na obra do arquiteto iluminista é uma certa ética construtiva, onde já predomina uma certa concisão da linguagem, que constantemente reafirma que os esforços construtivos se voltam para a simplicidade. Nada em Ledoux é exagerado, todos os esforços construtivos se direcionam para uma simplicidade, que se auto-justifica, como uma redução da construção a sua essência.

Fundação Louis Vuitton de Frank O Gehry em Paris
A racionalidade absoluta das suas escolhas de projeto estão embasadas por um equilíbrio entre custos e benefícios, tendo as obras uma premissa ética da economia de gestos e de esforços para se realizar dentro de um orçamento conciso. Nada é espetacular, tudo parece constantemente reafirmar a origem pública da arquitetura, que deve ser justificada, fiscalizada e vigiada pela sociedade, na utilização dos recursos aplicados.

Essa prática que não parece mais pautar a arquitetura contemporânea, que volta e meia se encontra envolvida por um espetáculo ligeiro e sem consequências. Envolto na pura ostentação de recursos, que passa a ser notada pela espetacularidade dos seus esforços, que já não encontram mais justificativa para suas decisões construtivas.

Filarmônica de Paris do arquiteto Jean Nouvell
Duas recentes realizações, na mesma Paris, denunciam esse tipo de premissa com a qual a arquitetura contemporânea está envolvida, a Fundação Louis Vuitton de Frank O. Gehry e a Filarmônica de Paris de Jean Nouvell. Duas edificações que parecem ter como premissa dos seus projetos a ostentação dos recursos aplicados. Uma certa falta de objetividade. As duas realizações parecem frutos de uma sociedade da abastança e do desperdício solitários, que se perderam num excesso de informações, onde as relações entre custos e benefícios parecem desequilibradas.

A pauta na qual a cultura arquitetônica contemporânea foi aprisionada me parece fadada a um envelhecimento rápido e ligeiro, aspectos que a obra de Ledoux parece enfrentar com muito mais potência....