Nunca fui muito de carnaval. Mas não há como não se emocionar com a mobilização das cidades brasileiras por uma farra, alegria e brincadeira estruturada como a que acontece nesses tempos do reinado de Momo. A organização da festa é sempre algo pensado e estruturado com ensaios e preparativos sofisticados, mobilizando diversas energias e iniciativas. O filósofo francês Lefebvre no livro Revolução Urbana determinou como uma tendência utópica da sociedade contemporânea, uma realização típica da nossa vivência;
"Na rua, teatro espontâneo, torno-me espetáculo e espectador, as vezes ator. Nela efetua-se o movimento, a mistura, sem os quais não há vida urbana, mas separação estipulada e imobilizada...Uma tal apropriação mostra que o uso e o valor de uso podem dominar a troca e o valor de troca"
Essa me parece ser a essência do carnaval no Brasil, a rua como palco da representação individual de personagens onde espetáculo e espectador estão fundidos. A rua, como palco vira uma exibição tão particular, que ao mesmo tempo sou ator e espectador.
A expressão urbano para Lefebvre no mesmo livro envolve uma condição utópica ainda não alcançada, um processo no qual a contemporaneidade está envolvida e que envolve uma conquista, que se dirige para uma urbanidade. O urbano para Lefebvre é um processo no qual está inserida a ampliação da sociabilidade, a troca entre diferentes, o encontro com o contraditório. Efetivamente um processo que está instalado em qualquer das nossas grandes cidades, onde encontramos indivíduos e grupos que pensam de forma diferente da nossa, fazendo com que relativizemos nossos costumes e crenças cotidianas.
Há também no mesmo Lefebvre uma passagem que determina que o sentido maior da cidade é a festa, a explosão de espontaneidade que ocorre e nos surpreende, a surpresa inusitada. Os dias de carnaval no Brasil são exatamente a expressão dessa festa, que nos aponta essa urbanidade maior que estamos condenados quando moramos nas cidades.
Diário de Pedro da Luz Moreira, interessado em discutir a arquitetura, a cidade e o projeto
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Lançamento dos livros Cadernos Técnicos para Urbanização de Favelas no IAB-RJ
Foi realizado nessa sexta feira dia 06 de fevereiro de 2015 o lançamento dos três livros Cadernos Técnicos para Urbanização de Favelas no auditório do IAB-RJ, diante de um público de agentes do Programa Rio + Social, e com a presença do Secretário Municipal de Habitação (SMH) Dr. Carlos Francisco Portinho. Os livros abordam três temas fundamentais da urbanização de favelas; Espaços Livres, Sistema Viário e Resíduos Sólidos Urbanos e foram apresentados por seus respectivos autores arquitetos; Guilherme Figueiredo e Mario Ceniquel, Tatiana Terry e Solange Araújo de Carvalho, e Marat Troina. As publicações pretendem ser uma importante ferramenta para nivelar os parâmetros da urbanização entre projetistas, lideranças comunitárias, agentes sociais, moradores, concessionárias de serviços e gestores públicos. Elas envolvem um esforço realizado no âmbito do Convênio Morar Carioca, celebrado entre o IAB-RJ e SMH, entre os anos de 2011 e 2014.
Na primeira parte do encontro foi montada uma mesa composta pelo atual Secretário de Habitação o Dr. Carlos Francisco Portinho, o Presidente do IAB-RJ o arquiteto Pedro da Luz Moreira, o Coordenador Geral do Rio +Social Dr. Pedro Veiga, o arquiteto do IPP Luiz Fernando Valverde, e o então ex Chefe de Gabinete da SMH arquiteto Antonio Augusto Veríssimo. Nessa primeira parte do encontro destaca-se a proposta do Secretário de Habitação, que sugeriu a indicação conjunta com o IAB-RJ, do nome do arquiteto Afonso Eduardo Reidy, como personalidade do ano no contexto das comemorações dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro. Uma iniciativa importante e merecida, pois o ilustre arquiteto foi funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro e autor junto com Burle Marx do projeto do Aterro do Flamengo. Obra emblemática da cidade, com uma qualidade extraordinária, profundamente ligada a Baía de Guanabara, que foi tema da última Premiação Anual do IAB-RJ.
Na segunda parte do encontro foram chamados os autores dos Cadernos Técnicos de Urbanização de Favelas, começando pelas autoras arquitetas Tatiana Terry e Solange Araújo de Carvalho, que apresentaram o tema do Sistema Viário. As autoras começaram destacando que as favelas são estruturas inseridas em nossas cidades, e que devem ser tratadas no contexto de busca da universalização da oferta de infraestruturas urbanas para todo o território. Na gênese do sistema viário das favelas a arquiteta Tatiana Terry identificava uma clara diferenciação com os tecidos formais da cidade, enquanto na informalidade o espaço privado antecede o espaço público da rua, da viela e da praça, nos bairros formais se dava o contrário. Apesar dessa diferenciação morfológica a arquiteta entendia que era possível romper com o estigma da separação entre informalidade e formalidade, garantindo uma acessibilidade contínua, a partir da inserção das infraestruturas. As duas arquitetas autoras apresentaram então os princípios que deve ter uma estrutura do sistema viário, a partir dos conceitos de centralidades, destinos, conectividade e hierarquia de vias. Foi então enfatizado que essa estrutura deve ser legível, capaz de ser sistematizada num mapa mental, que encarnava a descrição sintética da sua estrutura. Por último, foi destacado a questão da inserção de meios mecânicos (elevadores, planos inclinados e teleféricos), como elementos de ampliação de conforto, principalmente nas favelas em encosta.
Na terceira parte do encontro foram chamados os autores do tema Sistema de Espaços Livres, Guilherme Figueiredo e Mario Ceniquel, que iniciaram esclarecendo o conceitos de espaços livres; "todas as áreas públicas ou privadas livres de construção." Essas áreas livres se configuram como uma oportunidade para o paisagismo, pois quando bem desenhadas e gerenciadas podem ampliar a presença de amenidades. A metodologia apresentada pelos autores parte do relacionamento entre comportamento e espaço, procurando incitar os agentes mobilizados em torno do projeto que façam o seu mapeamento. Os conceitos de acessibilidade, conectividade e simbolismo quando aderidos a esses locais podem orientar o desenho e a conceituação do seu papel na intervenção. O arquiteto Guilherme Figueiredo apresentou um interessante quadro com os Antecedentes Históricos da compreensão do conceito de espaços livres. Ao final, o arquiteto Mario Ceniquel desenvolveu a conceituação proposta para o projeto das áreas livres, que se desdobrava em quatro etapas; Descobrir - Definir - Desenvolver - Cosntruir. Esse mesmo arquiteto destacou a importância do processo de manutenção das intervenções, que muito além da inauguração, consolida no cotidiano a presença do poder público nas áreas.
Na quarta e última parte do encontro, o arquiteto Marat Troina, Vice Presidente Financeiro do IAB-RJ apresentou o Caderno de Resíduos Sólidos, pontuando de forma importante que o esforço de promover esse encontro "nesse auditório, trazia a possibilidade de retorno e avaliação pelos agentes do Rio +Social da adequação daquele conteúdo". O arquiteto também encarava o trabalho desenvolvido para a confecção do caderno, não como autoral, mas como organizador e hierarquizador de uma série de informações disponíveis de forma dispersa, destacando inclusive a Co-autoria do biólogo Fabio Gondim. Após apresentar o indice geral de desenvolvimento da publicação, Marat se concentrou numa parte mais operativa, que descrevia a produção, os estágios e os movimentos dos resíduos sólidos nas comunidades. A caracterização da coleta pela Comlurb, como direta e indireta fez menção a necessidade de construção de estruturas intermediárias de acúmulo, os pontos de lixo, que muitas vezes estigmatizam áreas pela grande concentração. Marat concluiu afirmando a especificidade de cada favela, destacando a importância de compartilhamento das diversas experiências de trato dos resíduos sólidos.
Após essas apresentações foram franqueadas ao auditório a formulação de perguntas e exposições sobre o tema das três publicações Cadernos Técnicos de Urbanização de Favelas. Dentre as quais deve-se destacar a do agente do Rio +Social, Geilsom, que pontuou a necessidade da mediação contínua entre população e concessionárias, para manter a qualidade do desenho dos projetos e também manter um padrão alto na gestão dos serviços no território. A do Vice presidente do IAB-RJ Ephim Schluger, que mencionou a questão da resiliência nas comunidades e como enfrentar eventos extremos como desmatamento e temperaturas elevadas nas favelas cariocas. E, a do representante do IPP, Luis Fernando Valverde que cobrou os desdobramentos possíveis daquele encontro, tendo em vista a cobrança por uma política continuada de urbanização de favelas.
Ao final, o presidente do IAB-RJ Pedro da Luz Moreira destacou a presença de um questionamento em todas as falas do debate, que apontava uma certa dicotomia entre inauguração de ações e manutenção dessas ações nas comunidades, no longo prazo. Os programas de urbanização de favelas devem implantar as obras que garantam a universalização a todos as partes da cidade das infraestruturas e comodidades urbanas, mas também, manter um serviço contínuo de conservação e manutenção, única forma de convencer a população de que o Poder Público também está presente nessas áreas. A proposta de desdobramento apresentada pelo IAB-RJ é a consolidação de uma rede de informação, que adere ao Grupo de Trabalho que debate já há alguns meses a questão da inserção das favelas na cidade metropolitana do Rio de Janeiro.
As fotos são da Cessa Guimarães, vice presidente cultural do IAB-RJ
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| Pedro Veiga (Rio + Social), Carlos Francisco Portinho (SMH), Pedro da Luz Moreira (IAB-RJ), Antonio Augusto Verísssimo (SMH) e Luiz Fernando Valverde (IPP) |
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| Solange Araujo e Tatiana Terry (Sist. Viário) Pedro da Luz Moreira (IAB-RJ), Guilherme Figueiredo e Mario Ceniquel (Áreas Livres) e Marat Troina (Resíduos Sólidos) |
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| Pedro da Luz (IAB-RJ) e Guilherme Figueiredo (Áreas Livres) |
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| Marat Troina (Reíduos Sólidos) |
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| Luis Fernando Valverde (IPP) e Crispim debatem os Cadernos de Urbanização de Favelas no IAB-RJ |
Ao final, o presidente do IAB-RJ Pedro da Luz Moreira destacou a presença de um questionamento em todas as falas do debate, que apontava uma certa dicotomia entre inauguração de ações e manutenção dessas ações nas comunidades, no longo prazo. Os programas de urbanização de favelas devem implantar as obras que garantam a universalização a todos as partes da cidade das infraestruturas e comodidades urbanas, mas também, manter um serviço contínuo de conservação e manutenção, única forma de convencer a população de que o Poder Público também está presente nessas áreas. A proposta de desdobramento apresentada pelo IAB-RJ é a consolidação de uma rede de informação, que adere ao Grupo de Trabalho que debate já há alguns meses a questão da inserção das favelas na cidade metropolitana do Rio de Janeiro.
As fotos são da Cessa Guimarães, vice presidente cultural do IAB-RJ
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
O encontro Londres e Rio de Janeiro, metrópoles olímpicas em transformação
Nos dias 02 e 03 de fevereiro de 2015 foi realizado na sede do IAB-RJ o Encontro Londres e Rio de Janeiro, metrópoles olímpicas em transformação, que pretende estabelecer um canal de colaboração contínua entre o Royal Institute of British Architectes (RIBA) e o IAB-RJ. Importante salientar que a organização britânica fundada em 1884, assim como a brasileira fundada em 1921 são instituições da sociedade civil, sem portanto qualquer obrigação compulsória de filiação. São portanto instituições nas quais seus filiados se inscrevem pelo livre arbítrio, pela simples vontade de participar do debate.
Os motivos que impulsionam essa filiação são muitos, variados e particulares, mas principalmente giram em torno da questão da promoção da qualidade da produção da arquitetura, ou da produção do espaço construído pelo homem. Há também uma questão recorrente, que essas instituições encarnam na própria sociedade civil, são organizações reconhecidas pelo conjunto da sociedade como idôneas, dotadas de competência específica e capazes de se posicionar de forma independente, frente a interesses particulares.
O encontro com os ingleses se desenvolveu em torno de quatro eixos temáticos. O primeiro envolvia a estrutura da profissão no Reino Unido, na qual os arquitetos do RIBA - Marcus Deeley e Rob Earl - apresentaram os serviços prestados pela instituição, tais como; formação de potenciais clientes demandantes de serviços aos profissionais, concursos de projeto, desenvolvimento geral da qualidade arquitetônica, exposições e debates. Essa apresentação foi restrita a poucos membros do IAB-RJ, dentre os quais estavam o presidente do CAU-RJ Jeronimo Moraes e o professor da FAU-UFRJ Pablo Benetti. Interessante destacar que no Reino Unido existe; o Conselho, que é uma organização a qual os arquitetos são obrigados a estar filiados para o exercício profissional, e o RIBA, que é uma instituição na qual a inscrição é livre sem qualquer obrigatoriedade. Essa estrutura é muito semelhante a do Brasil, onde o Conselho (CAU) é responsável pela fiscalização do exercício profissional, e o IAB é responsável pela promoção da qualidade da arquitetura. Cabe apenas assinalar, que o RIBA no Reino Unido possui oitenta por cento da categoria fidelizada a ele.
O segundo eixo temático envolvia a mobilidade nas duas cidades olímpicas e foi realizado no auditório do IAB-RJ e foi franqueado ao público, que se inscrevera com antecedência. A mesa foi composta por John McAslan, importante arquiteto britânico, nomeado arquiteto do ano em 2009 no Reino Unido, autor do projeto de reestruturação da estação de King Kross, e pelo arquiteto Vicente Loureiro, que é Subsecretário de Estado de Projetos de
Urbanismo Regional e Metropolitano do Estado do Rio de Janeiro. A mesa foi mediada pela arquiteta Fabiana Izaga, vice presidente administrativo do IAB-RJ. O tema da mobilidade das duas cidades partiu das pré-existências colocadas nos seus territórios, suas infraestruturas já instaladas e como essas devem ser consideradas pelos novos projetos. Outra questão importante foi a da legibilidade do sistema como um todo, desde os modais de alta capacidade como o metrô e trens urbanos até suas micro complementariedade, que devem se esforçar para construir na cabeça dos usuários uma descrição coesa, uma leitura capaz de ser reproduzida por qualquer um. A capacidade desses sistemas troncais de transporte de criar uma hierarquia no território, baseada em grandes centralidades e subcentralidade também foi destacada pelos palestrantes. Por último, foi também assinalado a capacidade desses sistemas de induzir a feição do território, criando centralidades, densidades, reorientando o crescimento da mancha urbana a partir da oferta de qualidade de deslocamento, que deve ter rapidez e tarifação acessível.
O terceiro eixo do encontro envolvia a questão do Meio Ambiente e das Cidades, no qual se destacava a questão dos corpos hídricos, como o rio Tâmisa em Londres ou a Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, ou ainda as Lagoas de Jacarepaguá na mesma cidade no bairro da Barra da Tijuca. Os palestrantes foram os arquitetos Adam Williams e Ephim Scluger, o primeiro coordenador da firma de projetos AECOM e responsável pelo Masterplan do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, e o segundo vice presidente institucional do IAB-RJ. A baía de Guanabara e o rio Tâmisa foram caracterizados como dois acontecimentos ambientais, paisagísticos e conformadores do território das duas cidades, que foram a razão da fundação e do desenvolvimento delas; Londres um porto fluvial e o Rio de Janeiro, um porto de baía. A questão da despoluição e a subsequente manutenção da qualidade ambiental dos corpos hídricos foi articulada com a questão da visibilidade que pode ser criada ou impulsionada por ações de planejamento e projeto. Outra questão debatida foi o da valoração da paisagem e sua capacidade de gerar amenidades para o espaço público da cidade, criando animação e compromisso com a promoção e manutenção da despoluição. Há na interação entre ser urbano e a paisagem natural um certo potencial ou capacidade de criar um didatismo de conservação e preservação.
No quarto e último eixo de debates foi debatido o tema da Habitação nas cidades, os palestrantes foram; Pablo Lazo, diretor adjunto de Planejamento urbano na ARUP, importante firma inglesa de projetos, o líder comunitáro da Favela da Rocinha José Martins de Oliveira, e Pedro da Luz Moreira presidente do IAB-RJ. Um dos principais pontos que foram abordados foi a centralidade do tema da habitação nas cidades do mundo, e como o valor da terra urbana afeta a dinâmica habitacional em todas as cidades. A ideia de promoção de empreendimentos imobiliários com a presença da diversidade de categorias sociais e de usos, tornando as vizinhanças mais seguras é o grande desafio do nosso tempo contemporâneo. A habitação corresponde a uma demanda de oitenta por cento do solo construído em nossas cidades, e é o único uso que não gera uma sazonalidade especializada no espaço público da cidade. Daí a importância de sua presença em todas as partes da cidade. A definição da correta densidade, que articula a definição do gabarito em altura das edificações, e fachadas amigáveis que impulsionam a vida urbana intensa é também outro grande desafio. No campo mais específico da arquitetura foi também mencionada a importância do desenvolvimento de uma arquitetura mediana de qualidade, que reconstrua uma certa continuidade, e que se afaste dos gestos espetaculares. Por último também foi mencionado a absoluta importância da participação dos usuários na definição do desenho de seu ambiente.
Os motivos que impulsionam essa filiação são muitos, variados e particulares, mas principalmente giram em torno da questão da promoção da qualidade da produção da arquitetura, ou da produção do espaço construído pelo homem. Há também uma questão recorrente, que essas instituições encarnam na própria sociedade civil, são organizações reconhecidas pelo conjunto da sociedade como idôneas, dotadas de competência específica e capazes de se posicionar de forma independente, frente a interesses particulares.
O encontro com os ingleses se desenvolveu em torno de quatro eixos temáticos. O primeiro envolvia a estrutura da profissão no Reino Unido, na qual os arquitetos do RIBA - Marcus Deeley e Rob Earl - apresentaram os serviços prestados pela instituição, tais como; formação de potenciais clientes demandantes de serviços aos profissionais, concursos de projeto, desenvolvimento geral da qualidade arquitetônica, exposições e debates. Essa apresentação foi restrita a poucos membros do IAB-RJ, dentre os quais estavam o presidente do CAU-RJ Jeronimo Moraes e o professor da FAU-UFRJ Pablo Benetti. Interessante destacar que no Reino Unido existe; o Conselho, que é uma organização a qual os arquitetos são obrigados a estar filiados para o exercício profissional, e o RIBA, que é uma instituição na qual a inscrição é livre sem qualquer obrigatoriedade. Essa estrutura é muito semelhante a do Brasil, onde o Conselho (CAU) é responsável pela fiscalização do exercício profissional, e o IAB é responsável pela promoção da qualidade da arquitetura. Cabe apenas assinalar, que o RIBA no Reino Unido possui oitenta por cento da categoria fidelizada a ele.
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| O arquiteto John MacAslan apresenta a cidade de Londres |
O terceiro eixo do encontro envolvia a questão do Meio Ambiente e das Cidades, no qual se destacava a questão dos corpos hídricos, como o rio Tâmisa em Londres ou a Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, ou ainda as Lagoas de Jacarepaguá na mesma cidade no bairro da Barra da Tijuca. Os palestrantes foram os arquitetos Adam Williams e Ephim Scluger, o primeiro coordenador da firma de projetos AECOM e responsável pelo Masterplan do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, e o segundo vice presidente institucional do IAB-RJ. A baía de Guanabara e o rio Tâmisa foram caracterizados como dois acontecimentos ambientais, paisagísticos e conformadores do território das duas cidades, que foram a razão da fundação e do desenvolvimento delas; Londres um porto fluvial e o Rio de Janeiro, um porto de baía. A questão da despoluição e a subsequente manutenção da qualidade ambiental dos corpos hídricos foi articulada com a questão da visibilidade que pode ser criada ou impulsionada por ações de planejamento e projeto. Outra questão debatida foi o da valoração da paisagem e sua capacidade de gerar amenidades para o espaço público da cidade, criando animação e compromisso com a promoção e manutenção da despoluição. Há na interação entre ser urbano e a paisagem natural um certo potencial ou capacidade de criar um didatismo de conservação e preservação.
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| Pablo Lazo (ARUP), Otávio Espírito Santo (SMH), Pedro da Luz Moreira (IAB-RJ) e José Martins de Oliveira (Rocinha) |
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
O artigo do Veríssimo no jornal O Globo de 29/01/2015
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| Imagem do artigo do Veríssimo |
"A Paris que a gente conhece é apenas o centro de uma cidade que, assim como preservou sua arquitetura e seus monumentos, conserva sua solene indiferença ao cinturão de pobreza e ressentimento que a cerca."
A urbanidade que é um conceito que se refere a presença de uma certa civilidade, que envolve a presença de uma série de serviços de infra-estrutura urbana, tais como; segurança, calçadas, iluminação, arborização, presença de parques, transporte público, mobilidade, coleta de esgoto, lixo e outros foi comprada e privatizada. Na cidade capitalista o acesso a esses confortos custa caro, e invariavelmente, pelo preço da terra urbana, mantém longe de si a presença da pobreza. Nesse sentido, o velho cronista acaba nas entrelinhas por apontar uma vantagem dessa cidade do sul, de tantas balas perdidas, onde o "inevitável, como se lê no noticiário do Rio de todos os dias, já aconteceu." Afinal, aqui no Rio de Janeiro estamos entremeados pela pobreza...
A íntegra do artigo pode ser lida abaixo.
http://oglobodigital.oglobo.globo.com/epaper/viewer.aspx?noredirect=true
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Matéria no jornal O Globo sobre o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que será implantado no centro do Rio de Janeiro
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| Comparação entre os antigos bondes e o novo VLT |
A tarifa desses modais, quando utilizado o bilhete único, deveria ser reduzida, uma vez que o usuário antecipa o pagamento às concessionárias, uma vez que é preenchido de forma prévia com crédito nesse cartão. Interessante notar, que ao compararmos o sistema de transportes públicos de Nova York com o da cidade do Rio de Janeiro percebe-se na cidade americana uma tarifa muito mais favorável ao usuário, do que a praticada na cidade brasileira. O preço unitário do bilhete na cidade de Nova York é de US$2,10, mas o preço do bilhete semanal, válido por sete dias, custa US$21,00, o que mostra o desconto dado a quem antecipa o dinheiro para o sistema de transportes. No Rio de Janeiro, o cartão não recebe qualquer abatimento pela antecipação do crédito ao sistema de transportes, porque?
A matéria pode ser vista abaixo...
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Matéria na Revista do Secovi sobre os 450 anos do Rio de Janeiro
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| Uma parte da matéria da Revista do SECOVI-RIO |
A apropriação da renda urbana, a partir dessa mudança nos hábitos da nossa população determinou a valorização fundiária dos terrenos na cidade de maneira inusitada. A densidade na cidade (habitantes/hectare) teve um crescimento contínuo até o inicio da era do automóvel e do pneu na cidade.
O desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro até o começo da década de sessenta do século XX foi extremamente dependente dos ramais de trilhos, seja dos trens, seja dos bondes. Essas linhas e suas paradas acabaram configurando uma rede de centralidades e sub-centralidades, que possuiam um claro e legível gradiente de densidades a partir da proximidade ou do afastamento das paradas e ou estações. De uma maneira geral a densidade era maior, assim como a presença do comércio no entorno das paradas e estações. A cidade dos trilhos é uma cidade mais coesa e densa do que a que emerge a partir da hegemonia do automóvel e do pneu.
Para exemplificar tal situação, basta mencionar o bairro da Barra da Tijuca, que é o primeiro bairro da cidade a ter seu desenvolvimento determinado pelo automóvel e pelo ônibus, independente dos trilhos. Percebe-se claramente nessa distinção de espacialidades, a diferenciação na gênese dos bairros cariocas.
O link da revista está mostrado abaixo:
http://secovi-rj.cviewer.com.br/srj/cviewer/edicao.asp?ed=92
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
A onipresença do individualismo no mundo contemporâneo, ou como ser feliz sózinho
Os anos Thatcher e Reagan, no começo dos anos oitenta, determinaram uma predominância do livre mercado em nosso cotidiano contemporâneo, uma compreensão compartilhada pelo senso comum, de que a economia precisa ser desregulada do controle público (governamental). A desregulamentação da atividade econômica acabou levando a crise de liquidez de 2008 dos bancos americanos, devido a enorme especulação que se descolou da prática efetiva das empresas e atividades. A doutrinação repetia, e ainda repete de forma incessante, que a iniciativa dos indivíduos atuando de forma isolada deve ser festejada, frente as ações coletivas e públicas que sempre seriam ineficientes e demoradas.
No âmbito da atuação privada essa atitude acabou determinando uma supremacia da alteridade, uma afirmação repetida e contínua da diferença absoluta entre os seres humanos, que deixam de compartilhar objetivos comuns. Os interesses e objetivos passam a ter uma origem variada compartilhada por identidades que são cada vez menores e mais pulverizadas. Há uma constante reafirmação da diferença entre nós, que pode variar pela nossa origem; mineiros, paulistas, cariocas... ou pela nossa existência; empresários, trabalhadores, ricos, pobres..., ou pelas crenças; cristãos, muçulmanos, judeus..., ou ainda por todas essas e outras. Longe de querer negar essa diferenciação, o que aqui se questiona é a paralisação do diálogo, que parece não ser mais possível. O discurso da racionalidade universal compartilhada por diferentes atores e agentes - um certo universalismo humanista - tornou-se uma vertente do colonialismo ocidental redutor e homogeneizador.
No âmbito da vida privada passamos a uma hierarquização emburrecedora e simplista, que afirma de forma repetida, que para amarmos o outro é preciso que primeiro nos amemos a nós próprios, tenhamos uma auto-estima elevada. Antes de tudo é preciso amar-se a si próprio, para depois amar ao outro. Esse psicologismo barato de botequim permeia quase toda nossa sociedade contemporânea, que parece se esqueceu de forma definitiva da dialética entre o particular e o universal, entre o individual e o outro, que na verdade continuam se construindo mutuamente...
No âmbito da atuação privada essa atitude acabou determinando uma supremacia da alteridade, uma afirmação repetida e contínua da diferença absoluta entre os seres humanos, que deixam de compartilhar objetivos comuns. Os interesses e objetivos passam a ter uma origem variada compartilhada por identidades que são cada vez menores e mais pulverizadas. Há uma constante reafirmação da diferença entre nós, que pode variar pela nossa origem; mineiros, paulistas, cariocas... ou pela nossa existência; empresários, trabalhadores, ricos, pobres..., ou pelas crenças; cristãos, muçulmanos, judeus..., ou ainda por todas essas e outras. Longe de querer negar essa diferenciação, o que aqui se questiona é a paralisação do diálogo, que parece não ser mais possível. O discurso da racionalidade universal compartilhada por diferentes atores e agentes - um certo universalismo humanista - tornou-se uma vertente do colonialismo ocidental redutor e homogeneizador.
No âmbito da vida privada passamos a uma hierarquização emburrecedora e simplista, que afirma de forma repetida, que para amarmos o outro é preciso que primeiro nos amemos a nós próprios, tenhamos uma auto-estima elevada. Antes de tudo é preciso amar-se a si próprio, para depois amar ao outro. Esse psicologismo barato de botequim permeia quase toda nossa sociedade contemporânea, que parece se esqueceu de forma definitiva da dialética entre o particular e o universal, entre o individual e o outro, que na verdade continuam se construindo mutuamente...
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