quinta-feira, 12 de junho de 2014

Entrevista na rádio de Lobito em Angola

Foto aérea da cidade de Lobito em Angola na África
Entrevista a uma rádio na cidade de Lobito em Angola na África, na qual defendi a idéia de realização do Congresso da União Internacional de Arquitetos (UIA) na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 2020. O tema do congresso - Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21 - pretende enfatizar as diferenças de ocupação do território utilizadas pelo homem nas diversas culturas, e ao mesmo tempo, reforçar que nosso planeta é único, precisando ser cuidado de forma a preservar a existência das gerações futuras.

Ao lado imagem da cidade de Lobito em Angola na África. Um continente que vem apresentando um processo de urbanização intenso, que precisa ser pensado, regulado e planejado de forma a pensar a permanência da espécie humana sobre o planeta Terra. A proposta do Congresso da UIA no Rio de Janeiro, pretende fazer uma reflexão sobre as cidades e seus territórios, defendendo uma interação mais articulada entre humanidade e meio ambiente.

Abaixo o link da entrevista;

http://www.iabrj.org.br/Presidente_da_ordem_dos_arquitectos_do%20Brasil.06.06.14.mp3

http://www.iabrj.org.br/Presidente_da_ordem_dos_arquitectos_do%20Brasil.06.06.14.mp3

Viagem a Angola para Reunião do Conselho da União Africana dos Arquitetos


Apoio da África ao Congresso da UIA 2020 no
Rio de Janeiro
Do dia 05 de junho até o dia 07 de junho realiza-se em Angola na cidade de Lobito a 50a Reunião do Conselho da União Africana dos Arquitetos, que tem como tema, O Homem e o território. Vim para esse encontro, para atrair apoios para o Congresso Mundial de 2020 da União Internacional dos Arquitetos no Rio de Janeiro, Brasil. É a primeira vez que venho a África. Nessa tarefa de atrair apoios para a candidatura do Rio de Janeiro, de sediar o Congresso Internacional da UIA em 2020 tivemos um grande sucesso, uma vez que todos os países presentes manifestaram seu apoio. O presidente da União Africana dos Arquitetos fez questão de expressar esse apoio, através da fotografia tirada comigo, em frente ao slide inicial de minha apresentação de promoção do evento. Mas além da reunião e das deliberações, Angola e o tema do encontro O Homem e o Território nos forçam a uma reflexão sobre como se desenvolvem as cidades nos países do terceiro mundo.

A geografia da cidade de Lobito
A situação da ocupação humana no território em Angola é dramática, Luanda a maior cidade do país possui 2,8 milhões de habitantes, Huambo 1,2 milhões e Lobito 800mil, quase 40% das populações urbanas habitam em condições precárias. A população total de Angola é de 18 milhões de habitantes, sendo que quase 60% moram em cidades. A guerra civil angolana se estendeu desde a independência no ano de 1975 até o ano de 2002, e envolveu os diferentes movimentos e concepções que lutavam pela independência, o MPLA, a UNITA, e a FNLA. A origem da guerra é a adoção pelo MPLA corrente hegemônica no processo de obtenção de independência, do marxismo-leninismo e do sistema de partido único, que não foi aceito pelas duas outras correntes. Como a guerra se manteve constante principalmente no campo, houveram imensas levas de migração para as cidades, determinando grande presença de assentamentos informais, que aqui são chamados de musseques. Muitas das infraestruturas existentes no país foram destruídas pela guerra, inclusive algumas presentes nas cidades, as condições de vida urbana são precárias. Segundo dados oficiais a mortalidade infantil é de 320 para cada grupo de mil crianças nascidas vivas em Luanda, se compararmos com estados como São Paulo (14,5), Rio de Janeiro (18,3) e Minas Gerais (19,1) no Brasil, vemos que os dados são assustadores.

Aerofotogrametria de Lobito em Angola, a baixada litorânea
ocupada pelo tecido formal e as montanhas por Musseques
(Favelas)
A cidade de Lobito, ao sul de Luanda é a terceira cidade do país em número de população, sua geografia é dominada pela restinga, que configura uma baía, determinando o segundo porto em importância, uma faixa plana, que configura uma baixada e um conjunto de montanhas que correm no sentido norte e sul, que determinam o horizonte a oeste. A cidade possui imensos contínuos de Musseques (Favelas), que ocupam as montanhas, e que apresentam de uma maneira geral uma baixíssima densidade. Parecendo ainda ter uma unidade familiar vinculada a uma parcela terreno, não apresentando a verticalização das favelas brasileiras. Portanto, a cidade tem características na sua orla e na baixada adjacente, de um agradável balneário, apresenta junto as montanhas um imenso contínuo de informalidade. A via que leva em direção ao sul a cidade de Benguela, apresenta em suas margens; equipamentos industriais, concessionárias de veículos, grandes mercados de uma maneira geral estabelecidos de maneira formal, e nas montanhas as favelas ou musseques, conforme mostra a imagem da aerofotogrametria acima. O mercado imobiliário local não consegue produzir para atender a demanda das familias mais frágeis, determinando a presença da auto construção dos Musseques.

A cidade também apresenta uma imensa dispersão no território, ocupando uma área muito maior do que seria necessário. Esse fato dificulta muito a desejada universalização das infra estruturas urbanas, determinando que apenas uma área restrita da cidade desfrute de ruas e calçadas pavimentadas, iluminação pública, serviços de água, coleta de esgotos e lixo,  etc.. A mobilidade das pessoas no território é totalmente baseada em sistemas sobre rodas, que tendem a enfatizar ainda mais, a dispersão interminável das cidades.

Enfim, o tipo de desenvolvimento urbano segue um mesmo padrão dos países do terceiro mundo; cidades dispersas, infra estruturas não universalizadas, presença de informalidade, dependência total dos sistemas de pneus para se movimentar no território, fortes impactos no meio ambiente determinados pela não destinação correta dos esgotos.

domingo, 8 de junho de 2014

A cidade de Lobito em Angola

Vista geral da cidade de Lobito
Do dia 05 de junho até o dia 07 de junho de 2014 realizou-se em Angola na cidade de Lobito a 50a Reunião do Conselho da União Africana dos Arquitetos, que tem como tema, O Homem e o território. Vim para esse encontro, para atrair apoios para o Congresso Mundial de 2020 da União Internacional dos Arquitetos no Rio de Janeiro, Brasil. É a primeira vez que venho a África. A cidade de Lobito tem um ar de balneário, apesar de ser o segundo porto em importância de Angola. A cidade possui um sítio interessante, dominado por uma grande restinga, que configura de um lado o mar aberto e de outro a baía protegida que lhe serve de porto. A área mais antiga da cidade está localizada nessa restinga, bem como na sua conexão com o território.

Igreja de Nossa Senhora da Arrábida em Lobito Angola
 A influência da arquitetura portuguesa nas construções da cidade é um fato. A Igreja de Nossa Senhora da Arrábida, mostrada acima, é do arquiteto português Vasco Regaleiro (1897-1968), sendo um legítimo representante dos estilos historicistas e de restauração da tradição, do início do séculoXX. Ela também mostra muito da singeleza da arquitetura portuguesa, que ao contrário da espanhola, não se envolve com grandiloquências desmedidas, e mostra invariavelmente uma sensível adequação á escala humana.

Edifício dos Correios em Lobito
Outra presença forte na cidade de Lobito é o Art Decô, que possui alguns exemplares preciosos, como o edifício dos Correios, mostrado ao lado. É uma arquitetura que expressa sempre um esforço para se adequar ao clima tropical. Nesse esforço lança mão da utilização de elementos vazados como os combogós da arquitetura brasileira, e, que permitem ampla ventilação. De uma maneira geral, são bastante eficientes, nessa adequação ao clima, apresentando um desempenho térmico invejável,  com uma diferença de temperatura entre o exterior e o interior sempre substancial.

Edifício da Câmara Municipal de Lobito
Outro exemplar recorrente na cidade de Lobito é um modernismo simétrico e acadêmico, próximo da arquitetura do fascismo de Mussolini, que foi realizado por um órgão denominado Gabinete de Urbanismo Colonial (GUC) e posteriormente Gabinete de Urbanismo Ultramarinho (GUU), ligado ao regime de Salazar. Um dos exemplos é o edifício do Paço do Conselho, atual Câmara Municipal uma edificação feita para representar o poder colonial de Portugal em Angola, apenas finalizado em 1962. Os arquitetos Mario de Oliveira (1914-2013), Lucinio Cruz e Castro Rodrigues são os autores do projeto. E, mais uma vez emerge uma arquitetura com soluções de conforto térmico e de aclimatação aos trópicos bastante interessantes. Os projetos do Gabinete de Urbanismo
Estudo da fachada de um Liceu para Angola do Gabinete
de Urbanismo Ultramarinho
Ultramarinho apresentam uma constante preocupação com esse tema, e parecem querer expressar uma arquitetura de cunho nacionalista, que procura se distanciar da face internacional da arquitetura moderna, de acento corbusieano. Uma das comprovações desse fato são as soluções adotadas para as fachadas, que procuram resolver a questão das tomadas de ar fresco e expurgo do ar quente, conforme pode se notar no desenho ao lado feito no GUU para um Liceu na cidade de Luanda em Angola.

 Nesse contexto, ocorreu o encontro do Conselho da União Africana dos Arquitetos, onde os africanos demonstraram o seu apoio a realização do Congresso Internacional da UIA de 2020.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A despoluição da baía de Guanabara

O sociólogo Roberto Damata publicou ontem dia 04 de junho de 2014, no jornal O Globo, um interessante artigo sobre a baía de Guanabara, com o título de Um ponto de vista. O articulista é originário da cidade de Niterói, e nessa condição tem uma relação mais interativa com as águas da "mais bela baía do mundo."  Segundo seu depoimento,

"Escrevo sobre a baía não porque goste de acusar, mas porque nasci e - apesar de tudo - permaneço em Niterói."

Realmente, quem cruza a ponte, ou adentra a baía de barco, ou visita Paquetá ou as ilhas do Fundão e do Governador, ou vai a Niterói se depara com um dos mais belos cenários, literalmente um anfiteatro de montanhas expressivas e emblemáticas. Massas incríveis de granito nú cheias de personalidade, que começam no Pão de Açúcar e chegam até a serra do Órgãos em Teresópolis, que se constituem numa paisagem única e encantadora, que parece estar sempre disponível a desvendar um novo ângulo. Infelizmente esse incrível acontecimento inusitado vem sendo mau tratado pela ocupação humana do seu entorno - a cidade metropolitana do Rio de Janeiro - e, está completamente poluída, numa vazão "de seis mil litros de porcaria a cada segundo!"

A porcaria mencionada pelo sociólogo se constitui de esgoto doméstico, isto é saneamento básico, coleta executada casa a casa nos municípios da baixada que fazem parte de sua bacia de contribuição. O que aumenta a responsabilidade da população e dos governantes, como causadores desta tragédia ambiental é o fato de que as oito Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs), dimensionadas para tratar essa carga domiciliar, já estão construídas há mais de dez anos, sem entrar em funcionamento. Foram feitas dentro do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, mas não foram acompanhadas, pelo trabalho muito mais pulverizado e disseminado no território, que é a coleta domiciliar.

A pergunta que fica no ar e complica essas responsabilidades mencionadas, é que; estão executadas porque eram obras mais sedutoras e interessantes para as empreiteiras? Porque não foram acompanhadas pelas obras de coleta domiciliar? Abaixo o link do texto de Roberto Damatta.

http://oglobo.globo.com/opiniao/um-ponto-de-vista-12711479

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Cerimônia de premiação do Concurso de Projetos para CCEE Cabo Frio, Nova Friburgo e Paraty

Pedro da Luz Moreira presidente do IAB-RJ, Luis Fernando
Pezão governador do Rio de Janeiro, um dos arquitetos
premiados e o Subsecretário de Obras Vicente Loureiro
No último dia 29 de maio de 2014 foi realizada no Palácio Guanabara solenidade de premiação do Concurso de Projetos para os Centros Culturais de Exposições e Eventos das cidades de Cabo Frio, Nova Friburgo e Paraty. Um processo bem conduzido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil departamento do Rio de Janeiro (IAB-RJ) e pela Subsecretaria de Obras do governo do Estado do Rio de Janeiro, chegava ao fim. Todo concurso de projetos de arquitetura envolve uma série de etapas e decisões, que podem construir a sua fortuna ou o seu fracasso. Cada uma delas envolve uma equipe de profissionais gabaritados que montam o edital, publicam e divulgam suas premissas, respondem as mais diferenciadas perguntas, recebem os trabalhos, convocam uma comissão julgadora e divulgam os resultados. Em cada uma dessas etapas podem acontecer surpresas. É uma atividade na qual o IAB-RJ possui uma ampla experiência, construída ao longo de seus quase cem anos de história. Na ocasião, tive a oportunidade de realizar o discurso abaixo, que transcrevo com algumas complementações, que foram suprimidas em função do tempo que dispunha:

Desde o seu nascimento, o IAB defende a realização de concurso de projetos para as obras das várias esferas de governo, ou para iniciativas privadas, que tenham uma certa relevância pública. Essa não é só uma luta corporativa dos arquitetos, mas é uma luta de toda a sociedade brasileira para que nossas obras ganhem maior transparência.

Num país onde a mídia constantemente denuncia obras mal feitas, orçamentos inadequados e cronogramas não cumpridos é fundamental dar protagonismo ao planejamento e ao projeto. E, o concurso de projetos de arquitetura é um dos instrumentos para promover essa maior transparência e visibilidade para as obras de relevância pública, pois confere protagonismo para a adequação e justeza das melhorias pretendidas. Nas sociedades mais avançadas, o controle da adequação das obras às prioridades da população é atingido pelos mecanismos de planejamento e de projeto, que ganham a dimensão do debate com uma série de agentes e atores se manifestando. O concurso público de projetos de arquitetura garante visibilidade e publicidade às intervenções pretendidas desde suas etapas iniciais - o estudo preliminar - fazendo com que sua adequação aos contextos físico, social e econômico seja socialmente debatido e aprimorado.

Na verdade, o projeto e o plano precisam passar a ser encarados como poderosos instrumentos na construção de consensos em nossas sociedades contemporâneas.

Os vários agentes e atores da sociedade podem e devem ter acesso às diversificadas hipóteses levantadas nas fases de plano e projeto, questionando e legitimando suas decisões. As recentes manifestações ocorridas nas cidades brasileiras apontam que nossos governantes precisam adequar as variadas infraestruturas à qualidade de vida. Isso pressupõe ações sobre o território realizadas de forma articulada, pensada e submetida aos diversos atores interessados de forma democrática. Nossas cidades precisam repensar suas infraestruturas de forma qualitativa e não mais apenas de forma quantitativa. As ações sobre o território não podem mais ser segmentadas, desarticuladas e desconexas, devendo levar em conta a complexidade do fenômeno urbano.

Nossas cidades metropolitanas precisam enfrentar seus problemas, de valor da terra urbana, de reconstrução do espaço público, da qualidade do caminhar, da mobilidade das pessoas, da sua interação com o meio natural de forma a garantir às gerações futuras uma melhor qualidade de vida. Nesse aspectos propomos uma mudança na forma de construir e de preservar as cidades brasileiras, rompendo com inércias instaladas e se fixando em quatro pontos prioritários:

Ponto 1: Cidades, que tenham bairros com diversidade de usos e de extratos sociais, revertendo a tendência de criação de guetos de ricos e pobres. A cidade segura é a da diversidade de extratos sociais, que se encontram no espaço público para celebrar a convivência entre diferentes.

Ponto 2: Cidades, que tenham uma mobilidade eficiente, que atenda a todos, que se articule a partir dos grandes modais de deslocamento, e que se estruture de forma hierarquica, fazendo com que todos os seus cidadãos não demorem mais de quarenta minutos em seus movimentos pendulares, combatendo a tendência de condenar as populações frágeis economicamente de ser penalizadas por deslocamentos de longas horas.

Ponto 3: Cidades, que tenham uma densidade que garanta o acesso a todas as infraestruturas urbanas a todos os seus cidadãos, garantindo acesso a coleta de esgotos, abastecimento de água, coleta de lixo, transportes de qualidade e etc... Combatendo a tendência de dispersão interminável, que dificulta a universalização dos serviços de infraestrutura urbana.

Ponto 4: Cidades, que busquem uma aproximação positiva com meios ambientes complexos e diversificados, combatendo a tendência de destruição dos biomas adjacentes a mancha urbana, promovendo um convívio didático entre seres urbanos e meio natural.

Nessa perspectiva de mudança das formas de construir a cidade no Brasil, e buscando formas de ampliar os debates sobre a ocupação humana do território é que o IAB-RJ anuncia sua candidatura a sediar o Congresso Mundial de Arquitetos da União Internacional dos Arquitetos (UIA) em 2020. A disputa para conquistar esse grande evento de cunho internacional só se justifica na perspectiva de busca de uma nova qualificação da ocupação humana no território brasileiro.

sábado, 31 de maio de 2014

Entrevista minha no SportTV sobre obras da Copa do Mundo no Brasil


As entrevistas no canal Sport TV sobre as obras da Copa do Mundo no Brasil, mostram uma grande convergência de que é necessário dedicar mais tempo às fases de planejamento e de projeto, de forma a controlar a etapa da obra. A urgência e ansiedade nos fizeram achar que a escolha da empreiteira representava a resolução do problema, suprimindo as fases de planejamento e de projeto. Eu, Armando Abreu e Agostinho Guerreiro enfatizamos que obra não é alguma coisa mágica, precisa de planejar e estruturar para que se faça com precisão e controle. Muitas obras foram contratadas sem definição do projeto, o que representa uma temeridade, pois sem saber ao certo, o que vai ser feito.

Mas o engraçado é que fui com meu filho Felipe para essa entrevista. Ele é autista. E, ao fundo da minha fala se ouve de forma constante uma ladainha sua... Abaixo o link da entrevista

http://sportv.globo.com/videos/sportv-news/t/ultimos/v/especialistas-analisam-impacto-de-atrasos-nas-obras-da-copa-na-pressa-sai-mais-caro/3375983/

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Evento no IAB-RJ discute melhorias habitacionais em favelas como indutor de prosperidade local

Na foto, Pedro da Luz presidente do IAB-RJ e Mariana
Estevão do Soluções Urbanas
Na última terça feira, dia 21 de maio de 2014, foi realizado no IAB-RJ um debate; “Desafios da prosperidade local: o programa de melhorias habitacionais em favelas” , um tema que deveria se constituir numa ação continuada dos governos das cidades brasileiras. Estavam presentes e apresentaram suas experiências; Ruth Jurberg e Anderson Café da EMOP, órgão do governo estadual do Rio de Janeiro, Mario Vieira, diretor da ONG Habitat para a Humanidade, Mariana Estevão da ONG Soluções Urbanas, André Franco diretor da Rede Integração, e Ana Claudia Rossbach da Cities Alliance. As experiências apresentaram diferentes níveis de intervenção, envolvendo recursos diferenciados e diversas formas de financiamento ou subsídio integral.


O que o IAB-RJ procurou também destacar, é que inciativas como as das melhorias habitacionais devem envolver uma grande pulverização de diferentes agentes econômicos, como escritórios de arquitetura de jovens arquitetos, micro-empreendedores, lojas de materiais de construção local, etc... O programa pode ter aspecto positivo na dinamização da micro economia local, gerando um processo virtuoso de prosperidade nas favelas. As experiências na cidade do Rio de Janeiro apontam para a inadequação, para esse tipo de serviço, da contratação de grandes e médias empreiteiras. A qualificação de jovens arquitetos recém formados, como foi a experiência do Programa de Aperfeiçoamento Profissional (PAP) do IAB-RJ no final da década de 90, mostra que o programa pode ter o objetivo de um periodo de aperfeiçoamento profissional, anterior ao exercício da plena atividade profissional, como é o periodo de residência médica.


A pergunta feita no final do debate pelo ex presidente do IAB-RJ, Jeronimo Moraes, é bastante pertinente, e deve ser matéria de reflexão mais aprofundada. De que, "apesar da imensa convergência verificada em torno do tema, inclusive de diferentes alinhamentos políticos, porque a proposta não se implanta no país de forma mais contundente? Para mim, a sociedade e as políticas públicas no Brasil ainda permanecem seduzidas por mega empreendimentos e mega eventos, esquecendo-se de promover e atuar sobre a atividade economica de pequena escala e pulverizada.