Uma viagem de BH ao Rio de Janeiro de carro, uma distância de quatrocentos e cinquenta quilômetros feito de uma maneira geral em cinco horas, mostra-nos muito das condições do espaço construído pelo homem no Brasil. A estrada de uma maneira geral, com seus cortes, aterros, obras de arte (viadutos, pontes e contenções) se preocupa muito pouco com seus impactos na paisagem, com sua capacidade de construir um lugar com personalidade. Particularmente, esta estrada cruza um dos mais belos conjuntos de paisagens, diversificadas e exuberantes da região sudeste, cruzando três importantes maciços montanhosos; o Espinhaço, a Mantiqueira e a Serra do Mar. Ela também cruza importantes unidades paisagísticas e ambientais, como o quadrilátero ferrífero, o serrado, a mata atlântica de altitude, a bacia do Paraiba do Sul, a serra do Mar, a baixada da Baía de Guanabara e o manguezal. As estradas no Brasil não são consideradas como presenças efetivas nas nossas paisagens, sendo reduzidas a uma objetividade limitadora, que as reduz a meros trajetos ponto a ponto, sem qualquer preocupação com as ambiências geradas. A ausência de preocupação com os impactos sobre a paisagem, tanto com as pré-existências, como também com aspectos indutores após sua implantação são recorrentes nas estradas brasileiras de uma maneira geral, e denunciam muito da importância dada ao projeto, como uma ação holística e estruturada.
Um dos campos que devem ser pleiteados pelo expertise de arquitetos e paisagistas brasileiros, certamente é o de projeto de estrada, como disciplina que deve participar com outras especialidades na concepção destes espaços, tão característicos da vida contemporânea. A capacidade destes profissionais de estabelecer relações mais equilibradas entre as estradas e as cidades lindeiras, ou entre as estradas e a fruição da paisagem em geral, podem representar uma melhora significativa no impacto destas estruturas sobre o meio ambiente onde se assentam.
Enfim as estradas no Brasil nos últimos anos, e a BR040 é um exemplo emblemático, não apresentam qualquer preocupação paisagística, se restringindo a serem meras linhas assentadas sobre o território sem preocupação com o contexto existente ou, o que ela irá gerar.
Diário de Pedro da Luz Moreira, interessado em discutir a arquitetura, a cidade e o projeto
terça-feira, 24 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
Uma visita ao edifício do museu Ibere Camargo do arquiteto Alvaro Siza
Uma visita ao edifício do museu Iberê Camargo em Porto Alegre do arquiteto Alvaro Siza provoca uma infinidade de questões relevantes sobre o projetar e o construir no mundo contemporâneo. Temas caros ao ofício da arquitetura e do urbanismo. De como no campo do projeto há gestos repetidos mecânicos e simplificadores de um lado, e inovação inusitada de outro. O enfrentamento do papel em branco, do terreno antes da obra, ou da imensa gama de opções possíveis que existem no enfrentamento de um tema pelo projetista nos remete a uma das frases mais emblemáticas de Louis I Kahn; "antes do projeto se realizar, o que ele quer ser?"
A figura discreta e provocante do arquiteto Alvaro Siza no sistema de profissionais reconhecidos internacionalmente, por si só já demandaria uma ampla reflexão. A teoria do projeto, que se refere a gênese da concepção dos objetos arquitetônicos, precisa se debruçar sobre a obra deste arquiteto de forma mais consequente e aprofundada. Na verdade Siza Vieira, como os portugueses o chamam, parece condensar em vários de seus projetos, de maneira emblemática; uma premissa de adequação, a partir de analogias repetidoras e criações inusitadas, que sempre se questionam a partir de uma reafirmação de uma subjetividade arbitrária e particular. Enfim dramas, que acompanham o projeto desde tempos imemoriais, onde uma objetividade que se auto-justifica, encontra-se com uma arbitrariedade subjetiva muito potente.
Uma questão de saída desponta quando adentramos a soleira do museu de Iberê Camargo, o que é constância e repetição, e o que é inovação no esforço de elaboração deste projeto. O museu Iberê se situa no restrito conjunto de resposta a pergunta de Kahn de uma forma complexa, que nos faz pensar sobre as interrelações entre adequação e simbolismo, subjetividade e objetividade, risco e conforto, esforço e benefício, legibilidade de percurso e surpresa. Há uma premissa de coragem no enfrentamento de todas estas dualidades, como se afastando de forma determinada de qualquer zona de conforto. O edifício basicamente surpreende, tanto pela repetição de temas organizacionais sedmentados na história moderna da arquitetura (Guggenheim de Nova York), quanto pela inovação dentro desta mesma moldura.
Realmente uma obra de arte complexa e corajosa, que basicamente questiona; a fruição da arte, o preparo do olhar para esta compreensão, sua relação com o sítio, o circuito desta fruição, os momentos de protagonismo e de coadjuvante da arquitetura frente as artes plásticas.
Nada no Museu Iberê é muito simples, mas num paradoxo, tudo parece se restringir a uma simples coragem de realizar de forma profunda.
A figura discreta e provocante do arquiteto Alvaro Siza no sistema de profissionais reconhecidos internacionalmente, por si só já demandaria uma ampla reflexão. A teoria do projeto, que se refere a gênese da concepção dos objetos arquitetônicos, precisa se debruçar sobre a obra deste arquiteto de forma mais consequente e aprofundada. Na verdade Siza Vieira, como os portugueses o chamam, parece condensar em vários de seus projetos, de maneira emblemática; uma premissa de adequação, a partir de analogias repetidoras e criações inusitadas, que sempre se questionam a partir de uma reafirmação de uma subjetividade arbitrária e particular. Enfim dramas, que acompanham o projeto desde tempos imemoriais, onde uma objetividade que se auto-justifica, encontra-se com uma arbitrariedade subjetiva muito potente.
Uma questão de saída desponta quando adentramos a soleira do museu de Iberê Camargo, o que é constância e repetição, e o que é inovação no esforço de elaboração deste projeto. O museu Iberê se situa no restrito conjunto de resposta a pergunta de Kahn de uma forma complexa, que nos faz pensar sobre as interrelações entre adequação e simbolismo, subjetividade e objetividade, risco e conforto, esforço e benefício, legibilidade de percurso e surpresa. Há uma premissa de coragem no enfrentamento de todas estas dualidades, como se afastando de forma determinada de qualquer zona de conforto. O edifício basicamente surpreende, tanto pela repetição de temas organizacionais sedmentados na história moderna da arquitetura (Guggenheim de Nova York), quanto pela inovação dentro desta mesma moldura.
Realmente uma obra de arte complexa e corajosa, que basicamente questiona; a fruição da arte, o preparo do olhar para esta compreensão, sua relação com o sítio, o circuito desta fruição, os momentos de protagonismo e de coadjuvante da arquitetura frente as artes plásticas.
Nada no Museu Iberê é muito simples, mas num paradoxo, tudo parece se restringir a uma simples coragem de realizar de forma profunda.
sábado, 14 de setembro de 2013
Lançamento do livro Desenho Urbano Contemporãneo no Brasil realizado no IAB-RJ
Mesa redonda durante o lançamento do livro Desenho Urbano Contemporâneo no Brasil, no IAB-RJ no dia 12 de setembro de 2013, segunda feira, debateu a relevância do desenho de qualidade para as cidades brasileiras. A necessidade de promoção de operações de projeto que requalifiquem os espaços de nossas cidades, melhorando a compreensão do espaço público como o lugar de interação da diversidade da sociedade, não para controlar mas para fazer livre a construção da cidadania. Como afirmou LEFEBVRE de forma definitiva; "A vida urbana, a sociedade urbana, numa palavra "o urbano" não podem dispensar uma base prático-sensível, uma morfologia." P49 "Ao mesmo tempo que lugar de encontros, convergência das comunicações e das informações, o urbano se torna aquilo que ele sempre foi: lugar do desejo, desequilíbrio permanente, sede da dissolução das normalidades e coações, momento do lúdico e do imprevisível." P79 LEFEBVRE, Henry O direito à cidade editora Centauro 2001 São Paulo
Na foto, da esquerda para a direita: Gunter e Maria Elaine Kohldsdorf, Pedro Da Luz Moreira (vice-presidente do IAB-RJ), Cristiane Rose S.Duarte, Denise Alcantara, e Vicente del Rio
Na foto, da esquerda para a direita: Gunter e Maria Elaine Kohldsdorf, Pedro Da Luz Moreira (vice-presidente do IAB-RJ), Cristiane Rose S.Duarte, Denise Alcantara, e Vicente del Rio
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Leticia Galizzi expõe em Nova York
Minha querida cunhada, Leticia Galizzi, expõe em Nova York seus belos trabalhos de pintura. Realmente são trabalhos da maior competência. Quem puder deve conferir...
"Over Here, In There"
Recent work by Beverly Acha and Leticia Galizzi
September 5 - 23, 2013
Abrazo Interno Gallery
Clemente Soto Velez Cultural Center
107 Suffolk St. New York, NY
between Delancey St. and Rivington St. in the Lower East Side
(F, to Delancey St. or J, M, to Essex St.)
Gallery Hours:
Monday - Sunday, 3:30 - 7:30 pm
or by appointment (contact Bev or Leticia)
Opening Reception: Sunday, September 8th, 5-8 pm.
For more info:
www.beverlyacha.com
www.leticiagalizzi.tumblr. com
"Over Here, In There"
Recent work by Beverly Acha and Leticia Galizzi
September 5 - 23, 2013
Abrazo Interno Gallery
Clemente Soto Velez Cultural Center
107 Suffolk St. New York, NY
between Delancey St. and Rivington St. in the Lower East Side
(F, to Delancey St. or J, M, to Essex St.)
Gallery Hours:
Monday - Sunday, 3:30 - 7:30 pm
or by appointment (contact Bev or Leticia)
Opening Reception: Sunday, September 8th, 5-8 pm.
For more info:
www.beverlyacha.com
www.leticiagalizzi.tumblr.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
11 de setembro de 1973 no Chile, Allende resiste no Palácio de la Moneda
![]() |
| Allende resiste no Palácio de la Moneda |
Este é o último discurso de Allende antes de ser morto, vale conferir...
http://www.youtube.com/watch?v=xZeEfXjTNu4
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
O filme Flores Raras e suas inverdades arquiteto-paisagísticas
O filme Flores Raras, que ainda não vi, mas do qual já assisti um trailer possui uma série de inverdades mistificadoras, com relação a personagem Lota Macedo vivida pela grande atriz Glória Pires. Estas inverdades estão manifestas no pequeno trailer, que apresenta Lota Macedo como autora do projeto de Oscar Niemyer de 1954 para a casa Cavanelas. E, não só da casa mas também do paisagismo, que foi feito por Roberto Burle Marx. É impressionante como a vontade de mistificar uma personagem como Dona Maria Carlota de Macedo Soares acaba fazendo o filme se envolver em inverdades históricas, que nada ajudam ao campo da arquitetura, do paisagismo e do urbanismo. Todos no Brasil somos gratos a Lota Macedo pela realização desta maravilhosa obra do Parque do Flamengo, que de tão bem pensada parece fazer parte de uma das mais emblemáticas paisagens do mundo. Como afirma Alfredo Britto no artigo transcrito na íntegra abaixo;
"Foi pela persistência, tenacidade, energia, devoção de Lota que o aterro se transformou em parque. E, sobretudo por sua visão premonitória em convencer o governador..."
O que mais choca na montagem destas inverdades pelo filme é que o livro no qual se baseia, de Carmem L. Oliveira, conta a história de forma adequada e com rigor histórico, nomeando e dando o devido crédito para personagens como Sérgio Bernardes, Reidy e Burle Marx, como também foi recentemente assinalado pelo presidente do IAB - Bahia, Nivaldo Barbosa, em postagem recente nas redes sociais;
"O impressionante é que o excelente livro no qual se baseou o filme "Flores raras", cujo título é "Flores raras e banalíssimas", de autoria de Carmen L. Oliveira, dá todos os créditos a Sérgio Bernardes (no projeto da casa de Lota na Samambaia) e a Affonso Eduardo Reidy, Roberto Burle Marx e equipe no projeto urbanístico e paisagístico do Parque do Flamengo. Na busca por mitificar Lota, o filme a transformou numa super arquiteta-urbanista-paisagista autônoma e autodidata - coisa que ela, de fato, nunca foi, embora seja inegável a sua liderança na criação do Parque do Flamengo."
Abaixo o artigo de Alfredo Britto publicado no O Globo de 08 de setembro de 2013, que coloca os verdadeiros personagens em suas reais posições;
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Matéria no Viva Favela sobre uso de bicicletas nas favelas
A matéria abaixo saiu no portal viva favela e debate as incipientes medidas para fomentar o uso de bicicletas nas favelas. Vale a pena conferir...
http://www.vivafavela.com.br/reportagem/favelas-s%C3%A3o-o-c%C3%A9u-e-o-inferno-dos-ciclistas
![]() |
| Precariedade do estímulo ao uso da bicicleta na metrópole carioca |
http://www.vivafavela.com.br/reportagem/favelas-s%C3%A3o-o-c%C3%A9u-e-o-inferno-dos-ciclistas
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