quinta-feira, 18 de julho de 2013

Debate sobre a Operação Urbana Consorciada (OUC) de Niterói no IAB-RJ

Apresentação da OUC de Niterói
Foi realizado na última segunda feira dia 15 de julho de 2013 um debate sobre a Operação Urbana Consorciada (OUC) do centro da cidade de Niterói na sede do IAB-RJ. Certamente um tema que interessa a cidade metropolitana do Rio de Janeiro de forma geral. A apresentação da Secretária de Urbanismo, Verena Andreata deixou claro que a Prefeitura de Niterói não possui um desenho de cidade que pretende ser alcançado no futuro. A proposição de indices de aproveitamento de terrenos (CEPACs) também impõe um modelo que celebra a torre individualizada, pois os investidores compram potencial construtivo de um terreno isolado, esquecendo das adjacências desta parcela. A falta de definição com relação ao sistema viário, ao modelo de quadra, a massa construída, aos modais de transportes demonstram a incapacidade da proposta de controle sobre o futuro da cidade. Particularmente na questão do transporte público, no transbordo de modais - barcas/ônibus ou barcas/futuro metrô (linha 03) - fica clara a omissão da proposta, que parece fragmenta realidades, se restringindo de forma apressada a oferecer apenas potencial construído, sem conectar com o transbordo de modais, o desenho das quadras, o gabarito, o desenho das ruas, etc...

Nessa condição a arquitetura e o urbanismo passam a ser um exercício de fragmentação de ações, que tendem a construir um cenário que interessa a muito poucos...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Seminário Q+50 em Belo Horizonte sobre Mobilidade Urbana

Prezados, será realizado agora em Belo Horizonte o seminário Quitandinha +50 sobre Mobilidade Urbana nos dia 19 e 20 de julho de 2013. Esta é a quinta edição da série de Seminários Q+50, que comemora os cinquenta anos do histórico Seminário realizado no Hotel Quitandinha em 1963 sobre a Reforma Urbana. O tema de Belo Horizonte entrou definitivamente na pauta dos governantes devido as manifestações das ruas durante a Copa das Cofederações. A Mobilidade Urbana corresponde a um dos itens mais importantes para ampliação da qualidade de vida nas cidades brasileiras. Já foram realizados quatro seminários:

Rio de Janeiro - Arquitetura, Cidade e Metrópole, Democratizar Cidades Sustentáveis,

Rio Grande do Sul - A moradia brasileira

São Paulo - A Gestão das Cidades

Brasilia - Espaço público: Cultura Patrimônio e Cidadania

As próximas edições estão programadas para acontecer até o final do ano de 2013 em:

Salvador - Esvaziamento dos Centros,

Manaus - A Amazônia Urbana

Ceará - Metrópoles e Redes de Cidades

terça-feira, 16 de julho de 2013

Doze Anotações sobre Alvaro Siza do cliente Nuno Higino

Expo Lisboa de Alvaro Siza
Na homenagem dos oitenta anos do arquiteto Alvaro Siza, o cliente Nuno Higino faz um belo relato sobre o modus operandi do grande arquiteto português. Particularmente, os itens 4 sobre o olhar e 5 sobre o canteiro de obras mostram esta forma de conceber em eterno processo. 

Quando Siza esteve por aqui, no teatro do Niemyer em Niterói descrevendo o processo de concepção da porta da Expo Lisboa, ele também explicitou esta sua pesquisa muito particular. Naquela exposição ficou claro como a partir da interação com seu calculista, Siza chegou a formulação do edifício da Expo de Lisboa. Incrivel como havia ali um enorme esforço para desmistificar o processo de concepção de projeto, qualificando-o como um desenvolvimento de uma interação muito particular, a partir de uma conversa num café com o engenheiro. Em contraposição ao nosso arquiteto Oscar Niemyer percebe-se uma imensa diferença, enquanto um apresentava uma premissa meio idealizada - as curvas da mulher brasileira ou as montanhas do Rio de Janeiro - o outro reforça que o processo criativo é fruto da transpiração, mobilização, interação e da concentração em torno de um tema.

Expo Lisboa de Alvaro Siza
O item 7 também relembra, não sei se itencionalmente, uma passagem recorrente das palestras do Oscar Niemyer, a que ele mencionava a catedral de Notre Dame em Paris. Na qual, ao adentrar a sua nave sentia que sua alma, de um materialista histórico, se ajoelhava a sua revelia. O item 11 mostra muito do silêncio e uma certa melancolia que a obra de Siza nos transmite. Concordo com o Nivaldo Andrade da Bahia, que este emsmo item 11, critica um pouco da nossa situação contemporânea sobre carregada de textos e de explicações...

Enfim,vale a pena ler as doze anotações e visitar as obras de Siza...






Igreja de Santa Maria
1 Por mais voltas que lhe demos, a nossa cultura nunca deixará de ser platónica no sentido em que, para nós, conhecer significa recordar-se. E, portanto, toda a vida é um processo de reconstrução. Siza gosta de dizer que, em arquitectura, ninguém inventa nada. É uma outra forma de dizer o mesmo.

2 Não sei muito sobre História mas suspeito que nunca, como hoje, se falou tanto na diferença e nunca tudo foi tão igual. Até na arquitectura. Querer obsessivamente ‘marcar a diferença’ representa, em geral, o caminho mais curto para a repetição.


3 A diferença entre a boa arquitectura e a má ou assim-assim é que a boa arquitectura copia sem repetir e a ‘outra’ repete ao copiar.

4 Tudo começa nos olhos. Siza costuma falar na necessidade de aprender a olhar. E na importância de viajar. A arquitectura educa o olhar e educa-se no olhar. Só quando se olha muito e bem se começa a vislumbrar o essencial. Sempre Platão…
  
5 Recordo-me das visitas de Siza à igreja do Marco durante a construção. Mal chegava, olhava. Percorria a obra, sozinho, e olhava. Às vezes media com as mãos. Depois de olhar, pausadamente, e de medir com as mãos, reunia a equipa: colaboradores do gabinete, técnicos das especialidades, encarregado geral, fornecedores, dono da obra.

6 Ao longo do processo, Siza foi-se descosendo: ‘Fui visitar La Tourette’, ‘fui visitar o convento de Barragán’, ‘fui visitar a capela de Vence’, ‘fui visitar uma igreja no sul de Itália’. E quantas outras não terá visitado ao longo do processo e da vida!

7 ‘Numa delas – disse-me, mas já não me recordo em qual. Ou se não me disse, sonhei – entrei e ajoelhei-me. Não podia fazer outra coisa’. Eu compreendo, Siza.

8 Nunca me apercebi se alguma vez, ao entrar na ‘sua’ igreja, caiu de joelhos, por não poder fazer outra coisa. Estou convencido que se o fez, fê-lo discretamente. E se não o fez, foi por modéstia.

9 Poucos dias depois da inauguração (ou sagração, como preferem dizer os peso-pesados do sagrado) Siza entrou e começou a percorrer o espaço, como sempre fazia. Acendeu um cigarro. Com o primeiro fumo atravessado na garganta, saiu na direcção da porta e deitou o cigarro fora. ‘Esqueci-me que agora já não se pode fumar aqui!’

10 Eu sorri. Não faço ideia do que lhe respondi, se é que respondi alguma coisa. Hoje, ao recordar o episódio, ocorre-me o poema ‘Irene entrando no céu’, de Manuel Bandeira: ‘Entra, Irene, você não precisa pedir licença’.

11 Siza nunca explicava tudo, o que, não raras vezes, era um grande incómodo porque obrigava a pensar. E não era por não saber. Ou seria. Eu julgo que ele não explicava tudo por respeitar a inteligência das pessoas.

12 A virtude do mestre é ditar o silêncio. Ditá-lo como se dita um texto a quem está a aprender a escrever. Com todas as pausas necessárias.

http://p3.publico.pt/cultura/arquitectura/8437/doze-anotacoes-nos-80-anos-de-alvaro-siza#.UeBAnLQCHdA.facebook

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Debate sobre as manifestações no Brasil

Manoel Ribeiro, Cunca, Janot, Pedro da Luz, Maria Alice e Claudius Ceccon
debatem no IAB-RJ as manifestações no país
Na segunda feira dia 08 de julho de 2013 o IAB-RJ promoveu um debate sobre as manifestações que vem ocorrendo nas cidades brasileiras. Com a participação da socióloga Maria Alice Resende, do historiador Pedro Cunca Bocaiuva e dos arquitetos Manoel Ribeiro, Luiz Fernando Janot, e Claudius Ceccon, mediados por mim Pedro da Luz, o debate destacou uma certa perplexidade de todos os analistas do sentido e da direção do movimento.

Maria Alice Resende iniciou destacando que as manifestações ocorrem num momento em que o país apresenta uma forte expansão econômica e uma situação de pleno emprego. As manifestações que ocuparam o espaço público das cidades brasileiras representaram um imenso basta a corrupção, aos desmandos dos governantes e a falta de qualidade no transporte público. A socióloga ainda destacou a necessidade de aprofundar a transparência, avançando num esforço de democratizar a nossa democracia.

Cunca seguiu afirmando de forma polêmica e provocativa que nossas megacidades são intensas e dinâmicas, dotadas de uma energia promotora de solidariedades. O historiador também buscou qualificar nossas cidades como espaços que não se restringem a ser centros de negócios, pautados por uma agenda de atração de capitais e consumismo generalizado, mas locais onde se desnaturaliza as práticas do poder, onde emerge o direito à desobediência. Muito além do populismo de Lula ou as tecnicalidades de Dilma o espaço urbano é ressimbolizado pela sua ocupação como desejo de mudança, de questionamento e da construção da utopia.

Depois o arquiteto Manoel Ribeiro destacou a presença das redes sociais, a ausência de lideranças e hierarquias nas manifestações, pontuando que o nosso tempo possui grande volatilidade e está dominado pela hegemonia do capital financeiro. Manoel também destacou a absoluta centralidade do papel do projeto, instrumento fundamental no ofício arquitetônico, e, na promoção de maior transparência para as obras públicas.

Janot iniciou sua fala destacando os tempos incertos que atravessamos, localizando a profissão da arquitetura entre dois extremos antagônico e paradoxais; a arrogância e a humildade ou a prepotência e a impotência. O arquiteto também destacou o declínio e esvaziamento das instâncias de planejamento promovido pelo poder instituído no Rio de Janeiro, que cada vez mais delega as grandes empreiteiras o desenho e a gestão de nossas cidades.

Por último, o arquiteto e cartunista Claudius Ceccon destacou a particularidade do momento vivido pelo país, que conseguiu pautar e moldar a grande mídia, ocupando o espaço das nossas cidades e ampliando o controle sobre nossos governantes. O cartunista apresentou também uma série de charges, que falam mais que mil palavras...

Uma das brilhantes charges do Claudius Ceccon

Charges do Claudius sobre as manifestações

Uma das charges do brilhante cartunista Claudius apresentadas no Debate sobre as Manifestações no Brasil, na segunda feira dia 08 de julho no IAB-RJ, numa noite com participações instigantes. Há em todas as partes uma vontade de entender, o que está acontecendo com o país, realmente neste ponto uma imagem fala e vale mais que mil palavras...

Entrevista no Globo + sobre o Porto do Rio de Janeiro

Prezados, entrevista minha junto com outros atores no jornal O Globo, sobre o Porto do Rio de Janeiro e sua tendência a se tornar uma área de uso exclusivo de torres de escritórios. Importante ressaltar que a cidade que deveriamos estar perseguindo deveria ter múltiplos usos e a convivência de diferentes extratos sociais.



O Globo online - Falta de prédios residenciais gera preocupação na Zona Portuária

O Globo online - Falta de prédios residenciais gera preocupação na Zona Portuária


https://mail-attachment.googleusercontent.com/attachment/u/0/?ui=2&ik=621c759543&view=att&th=13fcfc41712c37c1&attid=0.1&disp=inline&realattid=f_hj0i4bc70&safe=1&zw&saduie=AG9B_P8Yq6oY-5jmNYm40S56IlxN&sadet=1373583687508&sads=d86d5CD_GW_qEEgRh7Wp2BJEHrY

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Mais uma casa da série: casa para uma familia (casa de vila)

Mais um exemplar da série de casas para uma familia, da qual esta é a quarta publicada, com o mesmo programa, isto é os mesmos compartimentos. Agora num terreno diferente da primeira, segunda e terceira casas, ainda urbano, plano, sem qualquer aclive ou declive, e, com a proposta de implantação de uma vila, conformando um conjunto de  14 casas. A idéia desta série de casas, que pretendo publicar neste blog exorciza algumas hipóteses que convivem comigo há muito tempo, assim como escreveu Lucio Costa no memorial para a cidade de Brasilia; "apenas me desvencilho de uma solução possível, que não foi procurada, mas surgiu..."

A casa é a materialização da familia no espaço. A casa urbana individualizada no terreno é a representação do modus operandi da familia. A casa de vila, que apresento nesta série é fruto da percepção de uma familia da apropriação da valorização da terra urbana na cidade. A familia para viabilizar seu sonho constroi uma vila, que disponibiliza e compartilha com outras familias, que compram e compartilham um modus operandi presente na cultura citadina brasileira. A partir desta apropriação da densificação a familia consegue viabilizar seu sonho de ter uma casa. As casas são padronizadas e repetidas, otimizando os procedimentos de sua construção, doze casas são de sala e dois quartos, enquanto duas repetem o programa das outras casas anteriores, conformando o conjunto de quatorze casas. As casas possuem uma inserção urbana no microcosmo da vila, buscando ao mesmo tempo se inserir no conjunto e também se individualizar. Há uma clara valoração do conjunto de casas que forma um todo, onde a coletividade e a individualização da familia elegem uma forma de vida mais integrada ao conjunto. Esta forma de operar oferece resposta a uma série de questões presentes na cidade brasileira, como; segurança, densificação no território, pulverização da apropriação da renda urbana, etc...
Planta Baixa e Fachada das duas tipologias de casa

Planta Situação



Perspectiva