Diário de Pedro da Luz Moreira, interessado em discutir a arquitetura, a cidade e o projeto
terça-feira, 18 de junho de 2013
Protesto 17-06-2013 na Avenida Rio Branco
Prezados amigos, alguma coisa está acontecendo que parece não ter fim, nas cidades brasileiras. Esta multidão, que foi para as ruas, ainda não conquistou nada, apenas foi protestar por conta de 20 centavos de aumento nas tarifas de ônibus. Ou melhor, para fazer com que todo trabalhador não pague tão caro para ir e voltar para casa, para que não demore tanto tempo para chegar ao trabalho, ao museu, à escola, à biblioteca, ao parque, à informação e à cultura. Nenhum cidadão brasileiro deveria demorar mais de quarenta minutos para se deslocar no território da cidade brasileira. Isto é qualidade de vida, isto é razoável. A mobilidade urbana depende de planejamento e projeto, que repense a cidade brasileira de forma mais articulada e estruturada. Para tal é preciso que tenhamos em mente a cidade do futuro que almejamos, o projeto de sociedade do devir precisa ser explicitado de forma sintética e operativa em poucos ítens. Isto, depende do projeto de cidade que queremos para nossos filhos, que deverá explorar o potencial já construido e presente no Brasil.
A política urbana tem potencial para se tornar um forte vetor na redistribuição de renda no Brasil, pois ela pretende generalizar uma série de confortos da vida urbana que precisam ser acessíveis a todos. Para mim o projeto de cidade que almejamos precisa ter cinco pontos muito simples e objetivos:
1. Cidade compacta
2. Cidade da generalização dos serviços públicos de qualidade
3. Cidade de mobilidade ampliada
4. Cidade da mistura social e dos usos
5. Cidade de convivência positiva com o meio natural
domingo, 16 de junho de 2013
Da série casas para uma familia: Casa urbana em encosta contra as curvas de nível
O tema da casa é dos mais caros aos arquitetos. Algumas escolas de arquitetura pelo mundo defendem que os temas de projeto para a habitação, nas suas imensas variações, são os mais adequados para se treinar os futuros profissionais. A idéia desta série de projetos de casas que pretendo publicar no blog pretende exorcizar algumas hipóteses que convivem comigo, como fez Lucio Costa no memorial de Brasilia; "apenas me desvencilho de uma solução possível, que não foi procurada, mas surgiu..." É, também oferecer ao debate público uma série de hipóteses de projeto para um mesmo programa de casa unifamiliar composta de; garagem para 2 carros, lavanderia, estar, cozinha, banheiro, 2 quartos, suite e escritório, que se implantarão sobre diferentes terrenos.
O primeiro terreno é urbano, localizado numa encosta a montante da rua. A primeira hipótese de casa é perpendicular as curvas de nível, fazendo com que a casa tenha vários níveis para se amoldar ao terreno.
PROGRAMA:
Garagem para 2 carros,
Lvanderia,
Sala de estar,
Cozinha,
Banheiro,
2 quartos,
Suite e
Escritório
Casa urbana em encosta contra as curvas de nível
São croquis, portanto idéias em formação, ainda não acabadas em processo...
Protestos da Copa e a Mobilidade Urbana nas cidades brasileiras
Os últimos protestos de rua ocorridos no Brasil parecem apontar em duas insatisfações muito claras da população brasileira. De um lado, o aumento das tarifas das passagens de ônibus, que representa o modal mais demandado nas cidades brasileiras. E, de outro lado, as obras recém inauguradas para a Copa das Confederações, envolvendo estádios de futebol, que geram indignação para a população de forma geral, pelo luxo e pelo superfaturamento das obras principalmente por um claro desequilíbrio entre custos e benefícios.
A pauta dos transportes públicos no Brasil é uma das mais importantes, espero sinceramente que ela tenha mobilizado nossa imprensa de forma definitiva. De uma maneira geral nossos índices de mobilidade urbana estão muito abaixo dos indicados pelo bom senso e conforto. Nosso tempo de deslocamento nos movimentos pendulares é alto e nossa tarifa caríssima. O modal de ônibus, que substituiu os modais sobre trilhos - bondes e trens - a partir da década de 60 nas cidades brasileiras tem se demonstrado ineficiente e caro. No Rio de Janeiro os trens urbanos - modal de alta capacidade - apresentam uma situação calamitosa nas estações e nas composições. Os investimentos do Governo do Estado e da Supervia são ridículos, fazendo com que o sistema seja visto com profunda desconfiança pela população usuária. Espero que os protestos no Rio de Janeiro cheguem a denunciar esta questão dos trens urbanos.
Por outro lado, as obras já inauguradas para a Copa do Mundo de 2014, apresentaram muito pouco benefícios para as cidades brasileiras, no quesito mobilidade urbana, se concentrando na construção ou reforma de estádios de futebol. A população percebe que os estádios novos ou reformados instauram uma lógica de elitização do espetáculo, se destinando apenas aos setores com mais renda. Interessante como nossas elites, mesmo em futebol um esporte no qual o Brasil conquistou uma certa hegemonia, permanecem pensando a partir de uma lógica européia, demonstrando profunda incapacidade de gerar um projeto autônomo de país. O projeto desenhado para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil foi claramente construído a partir da ideologia da elitização do espetáculo, sem ao menos saber se ele é sustentável depois deste mega-evento.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A questão do transporte público nas cidades brasileiras
Algumas imagens falam mais que qualquer texto. A pauta dos transportes públicos no Brasil é um verdadeiro escândalo. Nossas cidades permanecem com uma mobilidade precária, com tarifas altas, baixa qualidade e tempos de deslocamentos inaceitáveis. As nossas cidades estão sitiadas pelo carro particular, os investimentos em transporte público de qualidade estão sempre aquém da demanda da população. A imobilidade das pessoas no território da cidade brasileira condena milhões de pessoas a não ter acesso ao trabalho, ao lazer, à cultura, à educação, enfim a uma série de comodidades da vida urbana.
Por outro lado, a grande imprensa procura criminalizar algumas manifestações sobre o aumento das tarifas do transporte público, quando na verdade elas deveriam ter amplo apoio, pois a situação nesta esfera é insuportável.
Abaixo estas imagens...
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Audiência Pública sobre o pier da Praça XV
A íntegra da audiência pública na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, que discutiu o desenho do pier de atracação dos transatlânticos perto da Praça Mauá.
audiência pública
No dia 29 de maio, foi realizada, no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, audiência pública que discutiu detalhes sobre o projeto do píer em “Y”, na Zona Portuária da capital fluminense. Na ocasião, eu estive representando o IAB-RJ como vice-presidente, falei sobre o papel do projeto de arquitetura e urbanismo em conciliar os interesses públicos e privados nas intervenções na cidade e a importância de se preservar a frente marítima desalfandegada. Assista abaixo trecho da audiência, que foi transmitida pela TV Câmara.
trecho da audiência pública
Exposição sobre arquiteto português Nuno Portas no IAB-RJ
Exposição O Ser Urbano de Nuno Portas vai ser levada ao Rio de Janeiro
SÉRGIO C. ANDRADE 29/05/2013 - 19:30
Arquitecto e urbanista português regressa a um país onde viveu momentos marcantes no seu percurso profissional. Exposição será apresentada entre 18 de Junho e 31 de Julho.A exposição produzida por Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, e já apresentada também no CCB, em Lisboa, O Ser Urbano – Nos caminhos de Nuno Portas, vai agora ser levada ao Rio de Janeiro.Comissariada pelo arquitecto e professor Nuno Grande, discípulo do urbanista, a mostra será apresentada no Instituto de Arquitectos do Brasil entre 18 de Junho e 31 de Julho. A “exportação” desta exposição biográfica-documental, que Nuno Grande chegou a classificar como uma espécie de “gabinete de curiosidades” e que reconstitui cerca de meio século (1956-2010) do percurso profissional de Nuno Portas, foi conseguida pela Guimarães 2012 e pelo projecto Garagem Sul do CCB.A sua apresentação no Rio de Janeiro vai também proporcionar mais um regresso de Nuno Portas a um país onde viveu momentos marcantes da sua vida profissional. Na década de 60, o arquitecto-urbanista deslocou-se ao Rio de Janeiro para estudar o fenómeno das favelas, tendo acompanhado de perto – recorda Nuno Grande – o projecto de intervenção social levado a cabo pelo arquitecto brasileiro Carlos Nelson dos Santos na favela Brás de Pina. “Esta experiência foi marcante para o trabalho que Nuno Portas viria a desenvolver, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, no lançamento do projecto SAAL [Serviço de Apoio Ambulatório Local]”, destinado a minorar o problema da habitação nas grandes áreas urbanas do país, nota o comissário.Nos anos 90, Nuno Portas regressou ao Rio de Janeiro, convidado pelo prefeito da cidade, o arquitecto Luiz Paulo Conde, para desenhar a frente urbana da baía de Guanabara, em parceria com o catalão Oriol Bohigas – o projecto acabaria por ficar na gaveta, na sequência da perda das eleições por aquele responsável autárquico.Já mais recentemente, o arquitecto e urbanista português foi convidado para fazer parte do júri que escolheu o projecto para o Parque Olímpico para os Jogos de 2016.Com este capital de experiência e de conhecimento da evolução do caso brasileiro ao longo das últimas décadas, Nuno Portas foi agora convidado pelo Instituto de Arquitectos do Brasil a fazer uma conferência e participar num colóquio aquando da abertura da exposição no Rio de Janeiro, em cuja Universidade Federal irá também dar aulas.Na sua chegada ao Brasil, a exposição O Ser Urbano será acrescentada com uma maqueta de um dos projectos que Nuno Portas fez para três ruas do Rio de Janeiro nos anos 90. No resto, terá a mesma montagem apresentada em Guimarães e em Lisboa.
sábado, 1 de junho de 2013
O filme Vontade Indômita
Ontem fizemos uma projeção do filme Vontade Indômita, que no título original em inglês chama-se The Fountainhead, na casa do José Pessoa. Com direção de King Vidor, e roteiro de Ayn Rain e a participação de Gary Cooper, Patricia Neal e Raymond Massey, o filme narra a atribulada vida profissional de um arquiteto atuante em Nova York na década de quarenta do século XX. Alinhado ideologicamente com os princípios da arquitetura moderna, o arquiteto Howard Roark (Gary Cooper), sofre uma certa dificuldade para trabalhar numa cidade que prefere os prédios ecléticos, com citações historicistas. Há uma cena antológica, na qual um grupo de executivos de um banco seleciona o projeto do arquiteto e solicita que ele promova algumas mudanças em sua fachada, agregando uma série de citações historicistas. É óbvio, que o arquiteto recusa as solicitações abrindo mão do contrato, complicando ainda mais sua vida financeira, que chega então ao extremo de levá-lo a trabalhar como operário manipulando uma britadeira numa pedreira.
O filme me lembrou muito um texto do TAFURI, Manfredo A Montanha Desencantada, o arranha céu e a cidade (la montaña desencantada, el rascacielo y la ciudad - Gustavo Gilli Barcelona 1975), no qual o crítico italiano desdenha de alguns teóricos da arquitetura americana, que chegaram a projetar sobre o tema da torre a capacidade de reordenação do território da cidade industrial.
De todo modo, o filme possui interessantes debates sobre a autonomia individual do arquiteto sobre a mídia, sobre o gosto instalado, sobre a sua inserção na sociedade. A visão do self made man americano é celebrada até o extremo...
O filme me lembrou muito um texto do TAFURI, Manfredo A Montanha Desencantada, o arranha céu e a cidade (la montaña desencantada, el rascacielo y la ciudad - Gustavo Gilli Barcelona 1975), no qual o crítico italiano desdenha de alguns teóricos da arquitetura americana, que chegaram a projetar sobre o tema da torre a capacidade de reordenação do território da cidade industrial.
De todo modo, o filme possui interessantes debates sobre a autonomia individual do arquiteto sobre a mídia, sobre o gosto instalado, sobre a sua inserção na sociedade. A visão do self made man americano é celebrada até o extremo...
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| O Arquiteto Howard Roark (Gary Cooper) no filme Vontade Indômita |
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