Diário de Pedro da Luz Moreira, interessado em discutir a arquitetura, a cidade e o projeto
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A questão do transporte público nas cidades brasileiras
Algumas imagens falam mais que qualquer texto. A pauta dos transportes públicos no Brasil é um verdadeiro escândalo. Nossas cidades permanecem com uma mobilidade precária, com tarifas altas, baixa qualidade e tempos de deslocamentos inaceitáveis. As nossas cidades estão sitiadas pelo carro particular, os investimentos em transporte público de qualidade estão sempre aquém da demanda da população. A imobilidade das pessoas no território da cidade brasileira condena milhões de pessoas a não ter acesso ao trabalho, ao lazer, à cultura, à educação, enfim a uma série de comodidades da vida urbana.
Por outro lado, a grande imprensa procura criminalizar algumas manifestações sobre o aumento das tarifas do transporte público, quando na verdade elas deveriam ter amplo apoio, pois a situação nesta esfera é insuportável.
Abaixo estas imagens...
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Audiência Pública sobre o pier da Praça XV
A íntegra da audiência pública na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, que discutiu o desenho do pier de atracação dos transatlânticos perto da Praça Mauá.
audiência pública
No dia 29 de maio, foi realizada, no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, audiência pública que discutiu detalhes sobre o projeto do píer em “Y”, na Zona Portuária da capital fluminense. Na ocasião, eu estive representando o IAB-RJ como vice-presidente, falei sobre o papel do projeto de arquitetura e urbanismo em conciliar os interesses públicos e privados nas intervenções na cidade e a importância de se preservar a frente marítima desalfandegada. Assista abaixo trecho da audiência, que foi transmitida pela TV Câmara.
trecho da audiência pública
Exposição sobre arquiteto português Nuno Portas no IAB-RJ
Exposição O Ser Urbano de Nuno Portas vai ser levada ao Rio de Janeiro
SÉRGIO C. ANDRADE 29/05/2013 - 19:30
Arquitecto e urbanista português regressa a um país onde viveu momentos marcantes no seu percurso profissional. Exposição será apresentada entre 18 de Junho e 31 de Julho.A exposição produzida por Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, e já apresentada também no CCB, em Lisboa, O Ser Urbano – Nos caminhos de Nuno Portas, vai agora ser levada ao Rio de Janeiro.Comissariada pelo arquitecto e professor Nuno Grande, discípulo do urbanista, a mostra será apresentada no Instituto de Arquitectos do Brasil entre 18 de Junho e 31 de Julho. A “exportação” desta exposição biográfica-documental, que Nuno Grande chegou a classificar como uma espécie de “gabinete de curiosidades” e que reconstitui cerca de meio século (1956-2010) do percurso profissional de Nuno Portas, foi conseguida pela Guimarães 2012 e pelo projecto Garagem Sul do CCB.A sua apresentação no Rio de Janeiro vai também proporcionar mais um regresso de Nuno Portas a um país onde viveu momentos marcantes da sua vida profissional. Na década de 60, o arquitecto-urbanista deslocou-se ao Rio de Janeiro para estudar o fenómeno das favelas, tendo acompanhado de perto – recorda Nuno Grande – o projecto de intervenção social levado a cabo pelo arquitecto brasileiro Carlos Nelson dos Santos na favela Brás de Pina. “Esta experiência foi marcante para o trabalho que Nuno Portas viria a desenvolver, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, no lançamento do projecto SAAL [Serviço de Apoio Ambulatório Local]”, destinado a minorar o problema da habitação nas grandes áreas urbanas do país, nota o comissário.Nos anos 90, Nuno Portas regressou ao Rio de Janeiro, convidado pelo prefeito da cidade, o arquitecto Luiz Paulo Conde, para desenhar a frente urbana da baía de Guanabara, em parceria com o catalão Oriol Bohigas – o projecto acabaria por ficar na gaveta, na sequência da perda das eleições por aquele responsável autárquico.Já mais recentemente, o arquitecto e urbanista português foi convidado para fazer parte do júri que escolheu o projecto para o Parque Olímpico para os Jogos de 2016.Com este capital de experiência e de conhecimento da evolução do caso brasileiro ao longo das últimas décadas, Nuno Portas foi agora convidado pelo Instituto de Arquitectos do Brasil a fazer uma conferência e participar num colóquio aquando da abertura da exposição no Rio de Janeiro, em cuja Universidade Federal irá também dar aulas.Na sua chegada ao Brasil, a exposição O Ser Urbano será acrescentada com uma maqueta de um dos projectos que Nuno Portas fez para três ruas do Rio de Janeiro nos anos 90. No resto, terá a mesma montagem apresentada em Guimarães e em Lisboa.
sábado, 1 de junho de 2013
O filme Vontade Indômita
Ontem fizemos uma projeção do filme Vontade Indômita, que no título original em inglês chama-se The Fountainhead, na casa do José Pessoa. Com direção de King Vidor, e roteiro de Ayn Rain e a participação de Gary Cooper, Patricia Neal e Raymond Massey, o filme narra a atribulada vida profissional de um arquiteto atuante em Nova York na década de quarenta do século XX. Alinhado ideologicamente com os princípios da arquitetura moderna, o arquiteto Howard Roark (Gary Cooper), sofre uma certa dificuldade para trabalhar numa cidade que prefere os prédios ecléticos, com citações historicistas. Há uma cena antológica, na qual um grupo de executivos de um banco seleciona o projeto do arquiteto e solicita que ele promova algumas mudanças em sua fachada, agregando uma série de citações historicistas. É óbvio, que o arquiteto recusa as solicitações abrindo mão do contrato, complicando ainda mais sua vida financeira, que chega então ao extremo de levá-lo a trabalhar como operário manipulando uma britadeira numa pedreira.
O filme me lembrou muito um texto do TAFURI, Manfredo A Montanha Desencantada, o arranha céu e a cidade (la montaña desencantada, el rascacielo y la ciudad - Gustavo Gilli Barcelona 1975), no qual o crítico italiano desdenha de alguns teóricos da arquitetura americana, que chegaram a projetar sobre o tema da torre a capacidade de reordenação do território da cidade industrial.
De todo modo, o filme possui interessantes debates sobre a autonomia individual do arquiteto sobre a mídia, sobre o gosto instalado, sobre a sua inserção na sociedade. A visão do self made man americano é celebrada até o extremo...
O filme me lembrou muito um texto do TAFURI, Manfredo A Montanha Desencantada, o arranha céu e a cidade (la montaña desencantada, el rascacielo y la ciudad - Gustavo Gilli Barcelona 1975), no qual o crítico italiano desdenha de alguns teóricos da arquitetura americana, que chegaram a projetar sobre o tema da torre a capacidade de reordenação do território da cidade industrial.
De todo modo, o filme possui interessantes debates sobre a autonomia individual do arquiteto sobre a mídia, sobre o gosto instalado, sobre a sua inserção na sociedade. A visão do self made man americano é celebrada até o extremo...
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| O Arquiteto Howard Roark (Gary Cooper) no filme Vontade Indômita |
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Audiência pública avalia impactos do novo píer em Y na Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Participei hoje pela manhã de uma audiência pública sobre o projeto do novo pier para navios transatlânticos nas proximidades da Praça XV no Rio de Janeiro. Arquitetos, vereadores, representantes da Companhia Docas, da Prefeitura do Rio, da Cedurp, alunos da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF, e representantes da sociedade participaram nesta quarta-feira, 29 de maio, de audiência pública, no Plenário da Câmara Municipal da cidade, para discutir detalhes sobre o projeto do píer em “Y”, na Zona Portuária da capital carioca. A audiência foi uma iniciativa da Comissão Especial instituída para apurar os detalhes do projeto de construção do píer, em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ).
De acordo com a Comissão Especial, a discussão sobre o projeto do novo píer tem como finalidade garantir a transparência das ações de intervenção na paisagem da cidade e avaliar o impacto visual e urbanístico que esse novo equipamento poderá causar, levando em consideração o que é melhor para a cidade.
O presidente da Cia. Docas do Rio de Janeiro, Jorge Melo, defendeu o píer em Y e falou que as obras já estão em andamento. Segundo Melo, há um contrato com o Comitê Olímpico Brasileiro e que a Docas precisa aumentar a capacidade do porto para receber navios que vão gerar 20 mil vagas para hóspedes durante as Olimpíadas, em 20116.
“De 2007 a 2012, o número de turistas que desembarcaram pelo Porto do Rio aumentou de 300 mil para 600 mil pessoas. A estimativa é que 1 milhão de pessoas desembarcarão em 2016”, afirmou Jorge Melo.
Na minha opinião, a Cia. Docas está tratando o píer como uma infraestrutura de carga e descarga ao levar em consideração apenas um projeto de engenharia, pouco sofisticado e simplificado que se esquece das questões arquitetônicas e urbanísticas. Claramente questões relativas a dragagem do porto, das fundações do pier são tratadas de forma ligeira e imediata, relegando a segundo plano os aspectos do conforto dos turistas e do acesso público a frente marítma. O projeto do píer em Y não pensa nos impactos que poderão causar ao seu entorno e nem no conforto dos seus usuários. Penso que os procedimentos de alfândega e controle dos turistas podem conviver com o acesso público à frente marítima. Vejam matéria da Globo sobre o assunto...
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/05/audiencia-publica-discute-formato-de-novo-pier-na-praca-maua-no-rio.html
Um outro link de entrevistas, que não menciona a questão a meu ver central de preservar a frente marítima com acesso público...
http://globotv.globo.com/rede-globo/rjtv-2a-edicao/t/edicoes/v/audiencia-publica-discute-formato-de-novo-pier-na-praca-maua/2603671/
segunda-feira, 27 de maio de 2013
O encontro do Quitandinha +50 em São Paulo
O encontro realizado em São Paulo do Quitandinha +50 debateu a gestão e governança das cidades metropolitanas do Brasil. As cidades brasileiras, como São Paulo (20 milhões), Rio de Janeiro (12 milhões) são consideradas megacidades pela ONU, cidades com mais de 10 milhões de habitantes. Salvador, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Brasilia, Belém, Fortaleza e outras concentram uma expressiva população do Brasil, que reune uma conurbação de outros municípios, e uma concentração de problemas muito parecidos. A face destas realidades precisa mudar no Brasil em seu cotidiano. Isto é, as pessoas precisam chegar mais rápido em seu trabalho ou em suas escolas em seus movimentos pendulares diários, e, com tarifas mais baratas. Precisam morar em melhores condições. Precisam ser mais densas, ocupando menos área. Precisam ser construídas a partir da convivência entre diferentes estratos sociais. Enfim precisam ser mais inclusivas, precisam mudar.
A abertura do evento...
A abertura do evento...
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Mais uma matéria sobre o pier para grandes navios no Rio de Janeiro
Mais uma matéria sobre o pier para grandes navios no Rio de Janeiro na Praça Mauá. Uma parte que não foi publicada da minha entrevista, é que independente da forma da letra, o importante é manter a orla toda como espaço público. Isto é, sem impedir o acesso público à frente marítima, por conta de eventuais constrangimentos para reservar áreas de controle alfandegário ou controle de turistas.
http://globotv.globo.com/rede-globo/rjtv-2a-edicao/t/edicoes/v/prefeito-eduardo-paes-sugere-nova-localizacao-do-cais-para-ancorar-transatlanticos/2594578/
http://globotv.globo.com/rede-globo/rjtv-2a-edicao/t/edicoes/v/prefeito-eduardo-paes-sugere-nova-localizacao-do-cais-para-ancorar-transatlanticos/2594578/
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