sábado, 1 de junho de 2013

O filme Vontade Indômita

Ontem fizemos uma projeção do filme Vontade Indômita, que no título original em inglês chama-se The Fountainhead, na casa do José Pessoa. Com direção de King Vidor, e roteiro de Ayn Rain e a participação de Gary Cooper, Patricia Neal e Raymond Massey, o filme narra a atribulada vida profissional de um arquiteto atuante em Nova York na década de quarenta do século XX. Alinhado ideologicamente com os princípios da arquitetura moderna, o arquiteto Howard Roark (Gary Cooper), sofre uma certa dificuldade para trabalhar numa cidade que prefere os prédios ecléticos, com citações historicistas. Há uma cena antológica, na qual um grupo de executivos de um banco seleciona o projeto do arquiteto e solicita que ele promova algumas mudanças em sua fachada, agregando uma série de citações historicistas. É óbvio, que o arquiteto recusa as solicitações abrindo mão do contrato, complicando ainda mais sua vida financeira, que chega então ao extremo de levá-lo a trabalhar como operário manipulando uma britadeira numa pedreira. 
O filme me lembrou muito um texto do TAFURI, Manfredo A Montanha Desencantada, o arranha céu e a cidade (la montaña desencantada, el rascacielo y la ciudad - Gustavo Gilli Barcelona 1975), no qual o crítico italiano desdenha de alguns teóricos da arquitetura americana, que chegaram a projetar sobre o tema da torre a capacidade de reordenação do território da cidade industrial. 
De todo modo, o filme possui interessantes debates sobre a autonomia individual do arquiteto sobre a mídia, sobre o gosto instalado, sobre a sua inserção na sociedade. A visão do self made man americano é celebrada até o extremo...

O Arquiteto Howard Roark (Gary Cooper)
no filme Vontade Indômita

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Audiência pública avalia impactos do novo píer em Y na Câmara Municipal do Rio de Janeiro

 

Participei hoje pela manhã de uma audiência pública sobre o projeto do novo pier para navios transatlânticos nas proximidades da Praça XV no Rio de Janeiro. Arquitetos, vereadores, representantes da Companhia Docas, da Prefeitura do Rio, da Cedurp, alunos da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF, e representantes da sociedade participaram nesta quarta-feira, 29 de maio, de audiência pública, no Plenário da Câmara Municipal da cidade, para discutir detalhes sobre o projeto do píer em “Y”, na Zona Portuária da capital carioca. A audiência foi uma iniciativa da Comissão Especial instituída para apurar os detalhes do projeto de construção do píer, em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ).
De acordo com a Comissão Especial, a discussão sobre o projeto do novo píer tem como finalidade garantir a transparência das ações de intervenção na paisagem da cidade e avaliar o impacto visual e urbanístico que esse novo equipamento poderá causar, levando em consideração o que é melhor para a cidade.
O presidente da Cia. Docas do Rio de Janeiro, Jorge Melo, defendeu o píer em Y e falou que as obras já estão em andamento. Segundo Melo, há um contrato com o Comitê Olímpico Brasileiro e que a Docas precisa aumentar a capacidade do porto para receber navios que vão gerar 20 mil vagas para hóspedes durante as Olimpíadas, em 20116.
“De 2007 a 2012, o número de turistas que desembarcaram pelo Porto do Rio aumentou de 300 mil para 600 mil pessoas. A estimativa é que 1 milhão de pessoas desembarcarão em 2016”, afirmou Jorge Melo.
Na minha opinião, a Cia. Docas está tratando o píer como uma infraestrutura de carga e descarga ao levar em consideração apenas um projeto de engenharia, pouco sofisticado e simplificado que se esquece das questões arquitetônicas e urbanísticas. Claramente questões relativas a dragagem do porto, das fundações do pier são tratadas de forma ligeira e imediata, relegando a segundo plano os aspectos do conforto dos turistas e do acesso público a frente marítma. O projeto do píer em Y não pensa nos impactos que poderão causar ao seu entorno e nem no conforto dos seus usuários. Penso que os procedimentos de alfândega e controle dos turistas podem conviver com o acesso público à frente marítima. Vejam matéria da Globo sobre o assunto...


http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/05/audiencia-publica-discute-formato-de-novo-pier-na-praca-maua-no-rio.html


Um outro link de entrevistas, que não menciona a questão a meu ver central de preservar a frente marítima com acesso público...

http://globotv.globo.com/rede-globo/rjtv-2a-edicao/t/edicoes/v/audiencia-publica-discute-formato-de-novo-pier-na-praca-maua/2603671/

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O encontro do Quitandinha +50 em São Paulo

O encontro realizado em São Paulo do Quitandinha +50 debateu a gestão e governança  das cidades metropolitanas do Brasil. As cidades brasileiras, como São Paulo (20 milhões), Rio de Janeiro (12 milhões) são consideradas megacidades pela ONU, cidades com mais de 10 milhões de habitantes. Salvador, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Brasilia, Belém, Fortaleza e outras concentram uma expressiva população do Brasil, que reune uma conurbação de outros municípios, e uma concentração de problemas muito parecidos. A face destas realidades precisa mudar no Brasil em seu cotidiano. Isto é, as pessoas precisam chegar mais rápido em seu trabalho ou em suas escolas em seus movimentos pendulares diários, e,  com tarifas mais baratas. Precisam morar em melhores condições. Precisam ser mais densas, ocupando menos área. Precisam ser construídas a partir da convivência entre diferentes estratos sociais. Enfim precisam ser mais inclusivas, precisam mudar.

A abertura do evento...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Mais uma matéria sobre o pier para grandes navios no Rio de Janeiro

Mais uma matéria sobre o pier para grandes navios no Rio de Janeiro na Praça Mauá. Uma parte que não foi publicada da minha entrevista, é que independente da forma da letra, o importante é manter a orla toda como espaço público. Isto é, sem impedir o acesso público à frente marítima, por conta de eventuais constrangimentos para reservar áreas de controle alfandegário ou controle de turistas.

http://globotv.globo.com/rede-globo/rjtv-2a-edicao/t/edicoes/v/prefeito-eduardo-paes-sugere-nova-localizacao-do-cais-para-ancorar-transatlanticos/2594578/

quarta-feira, 22 de maio de 2013


Prezados amigos estréia em BH com o Grupo Galpão e meu irmão Duca (Eduardo Moreira), "OS GIGANTES DA MONTANHA" - Peça do Pirandelo, com direção: Gabriel Villela: 30 de maio a 2 de Junho na Praça do Papa | 8 e 9 de junho no Parque Ecológico da Pampulha.


sábado, 18 de maio de 2013

Antonio Cândido sugere uma lista de leitura para compreender o Brasil

Interessante a lista sugerida por Antonio Cândido para compreender o Brasil. Este sem dúvida nenhuma é um grande desafio intelectual, talvez um dos maiores mistérios da humanidade. O Brasil. Cheguei a organizar um texto para ir dando como lido. Alguns dos livros já li, mas não na sequência indicada, introdução geral, os elementos constituintes, etc...No link abaixo ele menciona dez livros para compreender o Brasil, mas acaba ficando com pena de abrir mão de alguns textos que considera fundadores. Realmente um desafio. O único que se refere mais especificamente ao nosso espaço humano construído (arquitetura e urbanismo) é Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre...


1.  Introdução Geral: O povo brasileiro (1995), de Darcy Ribeiro
2. O português: Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda
3. O Indio: História dos índios do Brasil (1992), organizada por Manuela Carneiro da Cunha 
4. O negro: Ser escravo no Brasil (1982), Kátia de Queirós Mattoso. A escravidão africana no Brasil (1949), de Maurício Goulart ou A integração do negro na sociedade de classes (1964), de Florestan Fernandes, O abolicionismo (1883), de Joaquim Nabuco
5. Integração dos três elementos; português, índio e negro: Casa grande e senzala (1933), de Gilberto Freyre. Formação do Brasil contemporâneo, Colônia (1942), de Caio Prado Júnior
6. Independência do Brasil: A América Latina, Males de origem (1905), de Manuel Bonfim.  D. João VI no Brasil (1909) Oliveira Lima e O movimento da Independência (1922) Oliveira Lima
7. O Império: Do Império à República(1972), de Sérgio Buarque de Holanda. Joaquim Nabuco: Um estadista do Império(1897)
8. Isolamento do Brasil Rural: Euclides da Cunha n’Os sertões (1902)
9. Da proclamação da República a 1930: Coronelismo, enxada e voto (1949), de Vitor Nunes Leal
10. Modernização do Brasil:  A revolução burguesa no Brasil (1974) Florestan Fernandes
11. Imigrantes:  A aculturação dos alemães no Brasil (1946), de Emílio Willems; Italianos no Brasil (1959), de Franco Cenni, ou Do outro lado do Atlântico (1989), de Ângelo Trento




http://blogdaboitempo.com.br/2013/05/17/antonio-candido-indica-10-livros-para-conhecer-o-brasil/

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Entrevista a Rede Brasil de TV sobre o fechamento da Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro

A Prefeitura do Rio de Janeiro propôs fechar a avenida Rio Branco no antigo centro da cidade. A proposta me parece ligeira e impensada, desarticulada de outras ações da mesma prefeitura, que envolvem a área. Ao invés de articular e coordenar tendências e pré-existências, a proposta investe numa superficialidade, encarando o urbanismo como uma mera transformação das aparências. Enfim, na entrevista concedida a Rede Brasil proponho o inicio de um debate que aprofunde estas questões...

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterrio/episodio/prefeitura-lanca-licitacao-do-projeto-de-reurbanizacao-que-preve-fim-de-carros#media-youtube-1