segunda-feira, 15 de abril de 2013

Artigo do Janot no Globo de 13-04-2013, boa leitura

O artigo do arquiteto e amigo Luiz Fernando Janot do dia 13 de abril de 2013, no Jornal O Globo, mostra como obras no Brasil vem sendo executadas sem o ancoramento numa cultura do projeto e do plano, que desempenha o papel de se antecipar ou antever, custos e benefícios da obra. O improviso e a execução sem o adequado planejamento acabam gerando obras descartáveis e de baixa qualidade. A planilha de preços é definida antes que os projetos estejam detalhados, ou pior antes que a adequação da transformação seja avaliada. A superficicialidade é a tônica, como estivéssemos diante de uma incapacidade de imaginar o vir a ser, o futuro. A análise com maior profundidade das infinitas possibilidades do futuro foi descartada em nome de um sentido de urgência. Esta prática acaba determinando uma cultura do descartável ou da obsolescência imediata.
O artigo de 13 de abril de 2013 do arquiteto e amigo Luiz Fernando Janot, boa leitura
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sábado, 13 de abril de 2013

Vergonha do Transporte Público de Passageiros

Até quando as cidades brasileiras terão transportes público de passageiros de péssima qualidade. Os modais de alta capacidade, como os trens urbanos, estão constantemente apresentando problemas estruturais, que deixam os usuários inseguros e desconfiados. Não existem planos e projetos estruturados e articulados em andamento para realizar estas melhorias.

A Supervia na cidade metropolitana do Rio de Janeiro, possui uma rede de trilhos urbanos com uma extensão cinco vezes maior que a da cidade metropolitana de São Paulo. No entanto, a rede carioca hoje está transportando apenas 600mil passageiros/dia, enquanto a rede paulista transporta 1,2milhão de passageiros/dia. O investimento necessário para colocar esta rede de trens urbanos funcionando é muito menor do que o dispendido pela atual ampliação do Metrô para a Barra da Tijuca. Basta apenas redesenhar as estações existentes garantindo conforto e acessibilidade universal, comprar composições de trens modernos e garantir um intervalo de composições no padrão do metrô. A população beneficiada por esta melhoria dos trens urbanos cariocas, nos ramais de Santa Cruz, Deodoro e Caxias, que moram ao longo destes ramais chega 9,4milhões de pessoas. Enquanto, que na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes vivem apenas 180mil habitantes, sendo que o metrô chegará apenas ao Jardim Oceânico. Portanto, no começo da Barra da Tijuca.

Realmente é um descalabro, um crime de leso planejamento e orçamento. A população carioca deveria se mobilizar para cobrar dos governos uma atitude para reverter a atual situação.

Manchete do O Globo de 13-04-2013

Marx e Jenny em Londres em meados do século XIX

A biografia da familia de Marx, Amor e Capital da jornalista americana Mary Gabriel é um livro maravilhoso sobre a dura existência do casal Karl e Jenny. Karl Marx era filho de uma familia judia, que teve que se converter ao cristianismo, seu pai, Heschel Marx advogado optou pelo luteranismo, adotando o nome Heinrich, pois com a derrota de Napoleão em 1815, o governo da Prussia revogou os direitos dos judeus e oficialmente os excluiu do serviço público. A familia de Marx tinha entre seus membros desde o século XIV na Itália alguns dos mais importantes rabinos da Europa. A mulher de Karl Marx era Jenny Von Westphalen, filha de uma familia aristocrática, que reunia um barão prussiano e uma filha de ministro escocês, que descendia dos duques de Argyll e Angus. Apesar desta origem o pai de Jenny o barão Ludwig Von Westphalen admirava Saint Simon o fundador do socialismo francês.

A familia de Karl e Jenny, após vários exílios na Bélgica e na França e retornos a Prussia ou a Confederação Alemã, se instala em Londres no bairro do Soho na Dean Street, a um quilometro e meio da City. Este bairro em meados do século XIX era uma verdadeira cloaca, com condições de higiene muito piores que a pior favela brasileira contemporânea. Em 1853 a cidade de Londres foi castigada por uma epidemia do cólera, que matou apenas neste ano onze mil pessoas. Os motivos para tal proporção de óbitos foram descobertos por um médico do próprio bairro do Soho, John Snow, que descobriu vazamentos de esgotos para dentro de poços de água considerada potável. Um destes poços ficavam na Broad Street, rua que ficava a cerca de um minuto a pé da residência dos Marxs. A familia Marx perdeu no periodo londrino tres filhos vitimados por doenças diversas. As condições de salubridade do apartamento em Dean Street são descritas em vários trechos:

" A água corrente não chegava a mais de tres metros do nivel da rua, de modo que os Marx precisavam ir buscar água no térreo. Da mesma forma, não havia toalete conectado a caixa d´água central; as opções eram um vaso comunitário (que despejava tudo na fossa do porão) ou um penico dentro do apartamento."

A biografia da jornalista americana destaca a personalidade e inteligência de Jenny, assim como o carinho de Karl com seus filhos e com a própria mulher. É interessante perceber a sucessão de revoltas e rebeliões que as cidades européias sofreram e as restaurações conservadoras. De uma maneira geral, Paris representava a vanguarda com a Comuna de 1848, quer irá incendiar toda a Europa Central em seguida.  

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Mais uma da Igreja da Pampulha

Perspectiva do espaço interno da Igreja da Pampulha
A igreja da Pampulha de Oscar Niemyer é uma das mais interessantes criações deste arquiteto brasileiro, dotada de uma simplicidade potente. Ela é destas obras de arquitetura que já se inscreveram neste imenso patrimônio construído pelo homem. Certamente daqui a alguns anos ela será reconhecida como uma obra singular e única, apesar de manipular elementos tradicionais vinculados ao sagrado. 

Sua implantação voltada para a frente aquática da lagoa, de costas para a avenida que a margeia é hoje evidente, mas é um das mais importantes escolhas do jovem arquiteto carioca.

Sua estrutura em casca de concreto é, como assinalou BRUAND, uma das primeiras a serem aplicadas fora dos temas da engenharia, como nos hangares do francês Freyssinet, ou nas pontes do suíço Maillart. A simplicidade da solução estrutural, que constroe e reproduz a nave central da igreja é um gesto de projeto tão despojado e direto, que parece uma evidência óbvia e fácil. 

A captura da luz e a hierarquização das abóbodas e cascas, presentes nesta obra, são uma lição de escala e proporção única. A manipulação de toda a materialidade aplicada ao conjunto da obra é testemunho de um cuidado com o envelhecimento da obra, que o mestre no futuro irá abandonar. Por tudo isto, a Igreja de São Francisco na Pampulha de Oscar Niemyer merece entrar no restrito mundo das grandes obras humanas.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A igreja da Pampulha

A Igreja de São Francisco de Assis na Pampulha, projetada pelo arquiteto Oscar Niemyer é uma das mais belas obras da história da arquitetura moderna. Dotada de uma espacialidade única e original, que manipula os elementos tradicionais do tema das igrejas católicas (nave, coro, altar, campanário, etc...) Ela demonstra logo cedo a capacidade e o controle do ofício da arquitetura, pelo jovem arquiteto carioca. A igreja é de 1943, quando Oscar Niemyer tinha apenas 38 anos. A estrutura em casca de concreto com panos fechados, contrasta com a leveza do campanário e da laje de acesso à nave central. 

Fachada da Igreja de São Francisco de Oscar Niemyer




Forma das cascas da Igreja de São Francisco

Há uma antiga história repetida em BH pelos moradores da Pampulha, de que a igreja demorou a ser consagrada, pois o bispo da cidade via em sua fachada uma foice e um martelo...

Pampulha, obras do Oscar Niemyer

A biblioteca do IAB-RJ possui um exemplar de uma publicação da Imprensa Nacional de 1944 sobre o novo bairro da Pampulha em Belo Horizonte. Nesta aparece uma foto de Juscelino Kubitschek (prefeito de BH), Benedito Valadares (governador de Minas Gerais) e Getúlio Vargas (presidente do Brasil) subindo a rampa do Iate Clube.

 




Getulio Vargas, Benedito Valadares e Juscelino Kubitcshek sobem a rampa do Iate Clube na Pampulha


O texto de apresentação da publicação é uma verdadeira pérola do compromisso modernista do então Prefeito de Belo Horizonte, Juscelino kubitschek, no qual fica claro o compromisso de construir o "domínio do homem sobre a natureza", ou, a sucessão de administrações da cidade que "não representam uma dádiva fácil das circunstâncias naturais", ou ainda, na "dupla função utilitária e decorativa". 

O texto também é testemunho da constante melancolia mineira que vive apartada do mar, pois faz uma analogia da Pampulha com um "sonho Atlântico entre as montanhas", que ao final também denota esta mesma capacidade de transformar a natureza em favor dos desígnios humanos...


Texto do prefeito de BH Juscelino Kubitschek de Oliveira numa publicação de 1944 sobre a Pampulha

"Centro geográfico de Minas, Belo Horizonte condensa a vida econômica, política e social do Estado. Entre menina e moça, caracteriza-se pela modernidade de suas linhas e relevos. Com efeito delineada há quarenta e cinco anos, à beira do sertão virgem, é tão nova que ainda se lhe percebe o cheiro da terra lavrada de pouco. Mas já exubera em realizações: grande cidade povoada de cerca de duzentos e cinquenta mil habitantes, agita-se, produz, estuda, diverte-se, amplia-se e prospera.
Obra de audácia e tenacidade, Belo Horizonte assenta-se no domínio do homem sobre a natureza, que a emoldura de híspidas montanhas de ferro. Os elementos essenciais, de que já dispõe a fartar a cidade azul e verde, foram acumulados e disciplinados pela energia de suas administrações, e não representam uma dádiva fácil das circunstâncias naturais.

A dez quilômetros do centro da cidade, a Pampulha corresponde a uma destas concepções do gênio e do esforço dos homens que a edificaram: um lago artificial circundado por uma avenida de quase vinte quilômetros de extensão, ali rebrilha, como uma placa de cristal, à luz do céu - espelho do mar longíquo - com uma dupla função utilitária e decorativa.
Reserva de milhões de litros d´água para a cidade que se agiganta, a Pampulha realiza, ali, um sonho do Atlântico entre as montanhas. O Cassino, o Baile, o Iate Golfe Clube e o Parque em construção, em meio das vivendas que se debruçando sobre o lago, completam, no soberbo conjunto, o núcleo turístico, em função do qual os homens submetem, por fim Belo Horizonte, integralmente, ao seu signo de modernidade."













A barragem da Pampulha em construção













Cassino da Pampulha, atual Museu de Artes



 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Primeira Mesa de Debates do Seminário Q+50 A Moradia brasileira

No dia 05 de abril de 2013 reuniu-se na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, no contexto do Seminário Q+50 A Moradia Brasileira, a mesa redonda composta por; Pablo Benetti, Elizabeth França e Claudia Pires mediados por Pedro da Luz Moreira. 

Pablo Benetti apresentou uma evolução do debate em torno da produção da Moradia Brasileira, especificando cinco momentos desta produção; O Modernismo, O BNH, O Conjunto do Cafundá, O Favela Bairro e o Momento Atual. Pablo destacou que a produção da Moradia Brasileira deve se pautar pela construção de urbanidade, que garanta a reprodução familiar no contexto da cidade.

Elizabeth França destacou o nome dado ao Seminário em pauta - A Moradia Brasileira - sem a adjetivação da habitação social. A arquiteta também enfatizou que é necessário dar protagonismo às familias e comunidades, permitindo que estas escolham os locais e os arquitetos que desenharão suas moradias.

Claudia Pires assinalou o momento atual, como uma oportunidade única para a produção da moradia no Brasil, uma vez que estão disponíveis um instrumental poderoso, como o Estatuto da Cidade, a Lei de Assistência Técnica, a NBR 15575, os Planos Diretores e o Minha Casa, Minha Vida. A sinergia que poderá ser obtida pela manipulação deste instrumental é única e potente para mudar a face das cidades brasileiras.

Claudia Pires, Pedro da Luz Moreira, Pablo Benetti e Elizabeth França no de bate Q+50 - A Moradia Brasileira