segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

52a Premiação Anual do IAB-RJ, algumas considerações

Na última sexta feira dia 12 de dezembro de 2014 foi realizada na sede do IAB-RJ a tradicional festa de premiação anual dos arquitetos, que nesse ano teve uma expressiva procura com 81 trabalhos inscritos. Nesse ano a direção do IAB-RJ propos um tema - a Baía de Guanabara - instando aos arquitetos que apresentassem suas propostas e planos para promover uma aproximação positiva e propositiva entre mancha urbana e esse acontecimento geográfico. A idéia do tema pretende promover uma maior aproximação da Premiação Anual com o conjunto da sociedade brasileira, atraindo a área de meio ambiente dos problemas de ocupação do território pelo homem, que são afeitas aos arquitetos e urbanistas. A festa, que montou uma exposição na grande nave da sede do IAB-RJ, revela um retrato da produção da arquitetura nacional, com interessantes manifestações nas categorias; urbanismo e paisagismo, edificações, arquitetura de interiores e design, e Baía de Guanabara.

O IAB-RJ também homenageou como personalidade do ano, o Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame e o Museu da Favela da Maré, para celebrar a retomada dos territórios das favelas cariocas do tráfico de drogas e de atividades ilícitas. Além desses o IAB-RJ também homenageou o arquiteto Edisom Musa como arquiteto do ano, pela sua obra e presença na cidade do Rio de Janeiro.

A homenagem as personalidades do ano geraram protestos de uma minoria barulhenta, que não concordava com essa indicação e que se manifestou constrangendo o Secretário Beltrame de forma discricionária, durante a solenidade. Além disso essa minoria pichou as fachadas do IAB-RJ, com frases agressivas ao Secretário num ato de vandalismo contra um imóvel tombado pelo patrimônio, o que é inadmissível.

O IAB-RJ repudia essa atitude dessa minoria barulhenta e autoritária, reafirmando seus compromissos com a democracia de forma ampla e irrestrita, permitindo inclusive que o contraditório se manifestasse livremente na sua sede. No entanto, não se pode admitir a cassação da palavra do Secretário de Segurança na solenidade, nem tão pouco a depredação do patrimônio tombado pelo IEPHA estadual e pelo Município. Numa democracia é importante que os diversos agentes e atores possam dialogar sem quaisquer constrangimentos, permitindo a livre expressão das idéias.

Habermas, um filósofo alemão contemporâneo, que prega a busca de uma certa horizontalidade do debate entre diferentes agentes, a partir do conceito da busca da racionalidade intersubjetiva. Um novo conceito de racionalidade, longe de personalismos, mas firmados a partir da livre argumentação entre diferentes posicionamentos. Enfim, o que Habermas propõe é a escuta da diversidade de opiniões, o ouvir o outro, aquele que pensa diferente de nós. Prática fundamental para o desenvolvimento da idéia republicana que toda democracia pretende alcançar.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Mais diálogo, planos e projetos

Na última sexta-feira, dia 12 de dezembro de 2014, o IAB-RJ realizou a sua a 52ª Premiação Anual. O evento teve uma expressiva marca de 82 trabalhos inscritos entre estudantes e profissionais, numa demonstração de força e jovialidade de uma instituição que jamais se pautou pelo pensamento único, por alinhamentos confortáveis, e sim pela promoção constante do diálogo, do contraditório e do debate tão característicos da democracia e das cidades.
Nesta edição, foi proposta uma premiação especial sobre a Baía de Guanabara, importante acontecimento geográfico que justificou a antiga cidade colonial do Rio de Janeiro. Pensar uma articulação e aproximação positiva e propositiva dos seres urbanos com contínuos ambientais como a Baía de Guanabara é o grande desafio de nossa contemporaneidade.
A proposta do IAB-RJ, ao incitar arquitetos a pensar a Baía, é mobilizar o pensamento sobre o desenho do território para reequilibrá-lo em suas oportunidades. Consideramos, portanto, que a despoluição desse patrimônio ambiental é uma forma de ampliar os confortos e benfeitorias que essa ação traz para o antigo centro da cidade, para a sua Zona Norte e para municípios como São Gonçalo, Duque de Caxias, Magé, entre outros.
Olhemos para as nossas bordas. Numa cidade tão ligada ao mar, queremos voltar a celebrar todas as suas águas e mananciais.
Mas nem tudo foi festa na Premiação Anual do IAB-RJ. Houve protestos de uma minoria autoritária e barulhenta, contra a escolha feita pelo IAB-RJ para os títulos de personalidades homenageadas no ano – o secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, e o Museu da Maré.
Tais indicações, corajosas e longe dos alinhamentos confortáveis, foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo da entidade.
Elas têm o propósito de alertar a sociedade para a importância da política das Unidades de Policia Pacificadora (UPPs) nas favelas cariocas. O IAB-RJ acredita que a reconquista dos territórios para a normalidade constitucional e a garantia de livre acesso às favelas são valores absolutamente essenciais para a discussão da cidade.
As homenagens indicam, ainda, a urgência da aproximação entre favelas, representadas pelo pioneiro e inspirador trabalho realizado pelo Museu da Maré, e o poder público, na figura do idealizador das UPPs, Beltrame. O IAB-RJ aposta firmemente no aprimoramento deste diálogo como único caminho para a obtenção de resultados na cidade.
E, não menos importante, as escolhas de Beltrame e do Museu da Maré são estratégicas no sentido de fortalecer a posição do IAB-RJ como agente ativo nas discussões futuras sobre o território das favelas no Rio de Janeiro.
Com essas homenagens o IAB-RJ – das UPPs, do Museu da Maré e também com o arquiteto do ano Edison Musa – pretende, por fim, enfatizar o significado do planejar e projetar. Afinal, planos e projetos articulados e interligados não devem desempenhar um papel descritivo de ações a serem implementadas de forma autoritária. E sim, em suas fases iniciais, medir sua adequação ao contexto em que se implantam. São, portanto, instrumentos fundamentais na ampliação da transparência de nossa democracia.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Lançamento dos três livros de Nabil Bounducki no IAB-RJ

O presidente do IAB-RJ Pedro da Luz, o arquiteto e vereador
Nabil Bounducki, o presidente nacional do IAB Sérgio
Magalhães e as arquitetas Rose Compans e Silvia Barbosa
no lançamento do livro
Nessa última quinta feira dia 04 de dezembro de 2014 foi lançado os três volumes do livro do arquiteto e vereador Nabil Bounducki do PT-SP, um esforço memorável de compilação dos esforços brasileiros para construção de conjuntos habitacionais no país. Os pioneiros da habitação social se desenvolvem em três volumes, com farta documentação iconográfica, fundamental para compreensão dos projetos selecionados. O debate que antecedeu a noite de autógrafos teve a presença do arquiteto Sérgio Magalhães, presidente nacional do IAB e de profissionais expressivos da arquitetura e do urbanismo na cidade do Rio de Janeiro.

Os debates acabaram se referindo ao atual programa de produção habitacional do governo federal, o Minha Casa Minha Vida (MCMV), que vem repetindo erros da política da ditadura militar, centrada no extinto Banco Nacional de Habitação (BNH), que lhe antecedeu, e a forma de produção e reprodução da cidade brasileira, que permanece injusta e excludente para amplos setores sociais. A oportunidade que estamos perdendo com o programa MCMV de reestruturar as cidades brasileiras, fazendo-as mais inclusiva é notória e amplamente compartilhada pelos arquitetos.

A moldura da produção habitacional brasileira permanece presa a uma lógica quantitativa, sem atender a demanda qualitativa da sociedade brasileira, que não solicita mais a casa isolada, mas a casa urbana. A inserção da moradia no contexto urbano significa garantia de acesso a oportunidades, trabalho, lazer, infraestruturas, que muitas vezes são capazes de promover melhorias significativas a diferenciadas famílias.

A habitação representa uns 80% da massa construída de todas as cidades no mundo. Promover assentamentos habitacionais articulados a uma urbanidade mais consolidada, que garanta as famílias acesso a empregos, lazer, educação, cultura pode significar uma mudança na perspectiva de vida da população mais frágil economicamente.

O governo federal, que continuamente se auto define como promotor de uma melhora na distribuição de renda no Brasil, parece que ainda não entendeu, que a política urbana é fundamental para isso.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Debate no IAB-RS sobre a Olimpíada no Rio de Janeiro

Na última quarta feira dia 03 de dezembro de 2014 estive em Porto Alegre no Rio Grande do Sul, debatendo os projetos para a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro, no contexto dos encontros de quarta no Instituto de Arquitetos do Brasil departamento do Rio Grande do Sul (IAB-RS). A recepção e acolhida dos companheiros gaúchos foi maravilhosa e bem proveitosa, com questionamentos e posicionamentos bem articulados, que debateram de forma acalorada o projeto da cidade contemporânea no Brasil.

Montei minha argumentação a partir da constatação de que existe uma inércia do construir cidades no Brasil, que precisa ser modificada e transformada, pois estamos gerando uma urbanidade incompleta e insegura. A configuração de um território urbano onde existe, de um lado, pequenos trechos infraestruturados com comodidades sofisticadas, e de outro, imensas extensões com precariedades primárias, como falta de abastecimento básico, ausência de calçamento, iluminação, coleta de lixo, dentre outras, determinava uma compreensão geral de injustiça e de desequilíbrio de acesso à oportunidades na sociedade brasileira.

A cidade é a materialização mais concreta e fiel da sociedade. Nela estão reproduzidas as práticas cotidianas de exclusão e elitismo dos extratos sociais brasileiros de maneira geral. A definição de um programa de prioridades, que mudasse a inércia do construir da cidade brasileira deveria enfrentar quatro pontos bem objetivos. Nossas cidades precisam passar a ser:

  1. Densas e compactas, passando a possibilitar a universalização geral dos serviços urbanos em todo seu território, com reforço da mais antiga centralidade.
  2. Cidade que fomente a convivência de diversos extratos sociais e usos, que combata a tendência de gerar guetos separados, de ricos e pobres, e aproxime atividades como habitação, trabalho  e lazer.
  3. Cidade de mobilidade ampliada, que combata a exclusão determinada a partir da ausência ou tarifação cara do transporte público, possibilitando acesso a oportunidades variadas ao conjunto de sua população.
  4. Cidade que amplie a visibilidade e a aproximação dos seus conjuntos naturais, aproximando seus cidadãos de biomas particulares.
E
Enfim, quatro pontos fundamentais para ampliar a democracia brasileira. Abaixo a íntegra do debate

https://www.youtube.com/watch?v=qx80upYVxTE

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Vencedor do concurso do Museu da Imagem e do Som - Profissional

O trabalho primeiro colocado de Silvio Oksman
Foi anunciado nessa sexta feira dia 05 de dezembro de 2014 o vencedor do concurso de projetos para o edifício do Museu da Imagem e do Som para atender os profissionais (MIS-PRO) dedicados a pesquisa. Um edifício dedicado a guardar o acervo do MIS voltado para os pesquisadores que se debruçam sobre o rico patrimônio da música brasileira.

Os responsáveis pelas equipes que foram premiados são os seguintes trabalhos:

1º lugar - Silvio Oksman (SP)
2º lugar - Pedro Varella ( RJ)
3º lugar - André Lompreta de Oliveira (RJ)
Menção Honrosa - Matias Revello Vazquez (RS)
Menção Honrosa - Pablo Emilio Robert Herenu (SP)


O nível do concurso atingiu um patamar extraordinário, a imagem do vencedor demonstra o que estou dizendo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Resultado do Concurso de Projetos da Biblioteca Nacional no IAB-RJ

Dia do anúncio da vitória pelo arquiteto Hector Viglieca
Na última quarta feira dia 02 de dezembro foi entregue o prêmio do Concurso de Projetos para o acervo de periódicos da Biblioteca Nacional, localizado na zona Portuária do Rio de Janeiro. O projeto vencedor foi do arquiteto uruguaio Hector Viglieca de 72 anos radicado em São Paulo.

Na ocasião o arquiteto mostrou seu projeto vencedor e emocionou a platéia presente no IAB-RJ. A exposição de Viglieca enfatizou a inserção pública da edificação, que se implanta no novo boulevard da zona portuária da Rua Rodrigues Alves com uma grande generosidade urbana, articulando com sabedoria acesso e espaço público.

O arquiteto Hector Viglieca a presenta seu projeto no IAB-RJ
A edificação será um exemplo da complexa articulação existente entre espaço urbano e arquitetônico, as animações previstas e presentes nas duas categorias se auto sustentam.  A frente da Baía de Guanabara com a retirada do viaduto da Perimetral terá uma nova visibilidade, que deve ser franqueada ao público.

A Biblioteca Nacional é um marco da nossa cultura, que figura como um dos acervos mais importantes do mundo, ao promover o concurso de projetos de arquitetura essa instituição também reconheceu o valor simbólico e cultural de sua edificação.

Sem dúvida um marco importante na cultura de fazer cidades.

sábado, 29 de novembro de 2014

Seminário sobre cidade sustentável em Duque de Caxias

A programação do encontro
Na semana que vem nos dias 01 e 02 de dezembro de 2014 haverá um seminário na cidade de Duque de Caxias sobre a Produção da cidade sustentável. O termo sustentável me parece bastante inadequado porque hoje em dia é usado para tudo, e aquilo que serve para tudo não é nada. No entanto divido a mesa com alguns craques, que certamente trarão visões e questionamentos notáveis para esse desafio; Luis Renato Vergara (secretário municipal de meio ambiente, agricultura e abastecimento), Luiz Edmundo (secretário municipal de urbanismo e planejamento), Vicente Loureiro (subsecretário de urbanismo regional e metropolitano), e Marilena Ramos ( ex-presidente do IPEA).

O tema do meio ambiente é hoje hegemônico em nosso mundo contemporâneo, no entanto ele possui imensa interface com o urbano e a ocupação humana do território. Na cidade metropolitana do Rio de Janeiro um acontecimento geográfico notável assume uma dimensão fundamental na questão da sustentabilidade, a Baía de Guanabara. Esse acontecimento geográfico é um dos mais belos cenários da nossa cidade, ela possibilitou a fundação da cidade colonial e pode ser vista como uma fortaleza natural, um anfiteatro de montanhas e pedras graníticas memoráveis. A cidade de Duque de Caxias possui profundos vínculos com esse acontecimento geográfico, que no entanto não estão desfrutáveis. A premiação anual do IAB-RJ desse ano conclama os arquitetos do Brasil a apresentarem propostas que reaproximem a Baía de Guanabara de sua mancha urbana, imaginando equipamentos e instalações que ampliem sua visibilidade.

As cidades ocupam apenas 2% do território do planeta, no entanto é nelas que se encontra grande parte de nosso passivo ambiental, como esgotos, resíduos sólidos, emissão de carbono, etc... A arquitetura e o urbanismo podem impulsionar uma convivência mais integrada entre natureza e citadinos.