quinta-feira, 17 de abril de 2014

Exposição do arquiteto Harry Seidler

Está exposto na sede do IAB-RJ a obra de Harry Seidler, arquiteto austríaco, que viveu na Austrália desde o final da segunda guerra mundial até o começo do século XXI. A exposição fica exposta na sede do IAB-RJ do dia 11 de abril a 16 de maio de 2014, mostrando um interessante painel da prática de projeto do segundo pós guerra, até o inicio do século XXI. Harry Seidler nasceu em Viena em 1923 numa familia judaica, com a invasão de Hitler da Austria em 1938, a familia se dividiu, tendo sua mãe ido para a Australia e o jovem Seidler ido para a Inglaterra. Até aqui a narrativa parece se referir a uma série de relatos ocorridos nas décadas de trinta e quarenta, com o início da segunda guerra mundial.

No entanto, o video mostrado na exposição, logo em seu inicio apresenta um intrigante acontecimento, ocorrido na Inglaterra logo no inicio da segunda guerra mundial, com o jovem Harry Seidler, sem explicitar uma justificativa para tais acontecimentos. Seidler, então com dezessete anos é preso na Inglaterra a princípio por ser um imigrante ilegal, e é deportado para o Canadá, onde viverá num campo de concentração no Novo Mundo na cidade de Quebec. No video há uma narração impressionante de Seidler sobre a viagem num navio entre a Inglaterra e o Canadá, onde os oficiais nazistas ocupam os espaços da primeira classe, enquanto ele e outros deportados são instalados nos porões do navio. A prisão e a deportação de Seidler da Inglaterra é realizada no ano de 1940, portanto no ano seguinte da sua declaração de guerra à Alemanha. O mais estranho é que Seidler é instalado num campo para deportados no Canadá? E, compartilha o alojamento com um comunista austríaco, que havia lutado na Guerra Civil Espanhola. Pensei em várias hipóteses para explicar o ocorrido:

1. Essa era reação corriqueira dos aliados ocidentais aos deportados judeus da Alemanha?
2. Judeus e comunistas eram vistos na época como criminosos pelos aliados?

De qualquer maneira ficam as dúvidas relativas aos tratamentos privilegiados dispensados aos oficiais alemães no navio no qual Seidler empreende sua viagem. Vale a pena conferir na sede do IAB-RJ, na rua do Pinheiro, 10 bairro do Flamengo, perto da estação do Metrô do Largo do Machado.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Revista Q+50 no Ancelmo Góis

A capa da revista do IAB
A coluna do jornalista Ancelmo Góis publicou hoje no jornal O Globo on line uma boa síntese do conteúdo da revista Q+50, que foi lançada no IAB-RJ nesta segunda feira dia 14 de abril de 2014, para uma audiência qualificada. A revista apresenta nesse ano eleitoral uma agenda centrada na questão urbana brasileira, que está precisando ser melhor considerada por nossos governantes e candidatos. A emergência da questão urbana brasileira ficou clara nas manifestações de junho de 2013, que reinvindicaram  a melhora de serviços urbanos, como transporte, saneamento, acessibilidade e outros. A vida nas cidades brasileiras vem se deteriorando exatamente porque o país não possui uma política urbana estruturada e articulada.

Leia a matéria no link abaixo

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2014/04/14/iab-defende-meta-para-urbanizacao-de-favelas-531112.asp

domingo, 13 de abril de 2014

Entrevista no Globo da comunidade

O economista Sérgio Besserman
e o arquiteto Pedro da Luz
Moreira no Globo Comunidade
Participei de um debate na TV Globo no programa Comunidade, que foi ao ar hoje dia 13 de abril de 2014 as 7:00 da manhã deste domingo. Como o horário é muito cedo para um domingo, mesmo que seja o de Ramos, do início da semana santa, posto aqui uma parte do debate. A questão é complexa e o tempo da TV é sempre curto para abarcar problema tão preocupante em nossa sociedade, como o da habitação em nossas cidades. Mas acho que algumas questões importantes foram abordadas, como o preço da terra urbana, a sensação de ausência do poder público em partes de nossas cidades, a emergência de pensarmos tipologias variadas para nossos empreendimentos habitacionais, a dispersão interminável das cidades brasileiras.

Enfim, abaixo o link da entrevista

http://g1.globo.com/videos/rio-de-janeiro/globo-comunidade/t/edicoes/v/convidados-discutem-sobre-as-consequencias-da-falta-de-habitacao-no-rio-de-janeiro/3278463/

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A despoluição da baía de Guanabara

A despoluição da baía de Guanabara pode ser um dos mais importantes legados deixados pelas Olimpíadas de 2016 para a cidade metropolitana do Rio de Janeiro. Ela é um dos mais belos cenários da cidade maravilhosa, um verdadeiro anfiteatro de montanhas e maciços graníticos expressivos. Uma série de modalidades de esportes se utilizarão da baía para suas provas. A sua despoluição pode impactar positivamente, os bairros de Botafogo, Flamengo, o centro da cidade, as ilhas do Governador, Paquetá, Fundão, uma série de bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro, os municípios de Duque de Caxias, Magé, Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, trazendo amenidades para cerca de sete milhões de pessoas da metrópole. Imaginem as potencialidades desta imensa frente marítima, como área de lazer e amenidades. As Estações de Tratamento de Esgotos para tal obra já estão prontas, falta a ligação e o saneamento das áreas urbanas no seu entorno. Uma categoria de obra que nossos políticos não gostam de realizar, pois não aparece, mas que é fundamental para melhoria de vida de uma parcela expressiva da cidade metropolitana do Rio de Janeiro.

Precisamos nos mobilizar, pressionar e participar. Ajudem a causa.

Assinem a Petição!

Adam Smith em Pequim de Giovanni Arrighi

Já postei aqui neste blog uma resenha sobre o livro de ARRIGHI, Giovanni O Longo Século XX, como uma das mais interessantes interpretações do nosso tempo contemporâneo. Agora relato uma outra publicação do mesmo autor, Adam Smith em Pequim, um livro provocante, e mais uma vez uma reflexão que foge a toda ortodoxia. A tese central de ARRIGHI nesta publicação é que durante os séculos XVI, XVII e parte do XVIII a China tinha a hegemonia do comércio mundial, e agia fora da lógica da acumulação de capital. A percepção da importância histórica da China foi pontuada pelo próprio Adam Smith, que via no império do meio um equilibrio entre a oferta e o mercado, que sacrificava a acumulação capitalista. Marx rompeu com a idéia de um limite econômico, enquanto Malthus com a questão do limite demográfico. Marx apontou a acumulação capitalista como agente que corrompe este equilíbrio, enquanto Malthus identificava a progressão geométrica da população como desestabilizadora deste mesmo equilíbrio. Arrighi aponta a visão utópica de Smith que imagina um mercado, onde todos estão igualmente empoderados de forma a possibilitar a dinamização das trocas de forma inusitada.

No inicio do século XX a hegemonia européia na Ásia e África era um fato. Nos anos cinquenta no mesmo século nestas duas partes do mundo haviam surgido uma série de estados variados, que se libertaram do julgo colonial e consolidaram um forte movimento anti-ocidental. Essa transformação em um relativo curto espaço de tempo, talvez tenha sido um dos mais importantes eventos do século XX. A sucessão dos estados da Asia oriental, que começa com o Japão nas décadas de cinquenta e sessenta, passando para a Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Malasia e Tailandia nas décadas de setenta e oitenta, que culmina nos anos noventa com o ressurgimento da China como centro da expansão econômica e comercial mais dinâmica do mundo.

Na década de sessenta o maior poderio militar do ocidente, os EUA sofreram um forte revés no Vietnam. Este fato parecia apontar para um maior equilíbrio entre as nações conforme a análise de Adam Smith, que entendia como fundamental para o desenvolvimento de um comércio uma distribuição maior do poder entre as nações. Mas na década de oitenta a demanda americana no mercado financeiro mundial esgotou a oferta de crédito, dificultando a situação do terceiro mundo. O desenvolvimento então retornou ao primeiro mundo com a mesma força que havia tendido para o terceiro mundo na década de sessenta. Ao final da década de oitenta o império soviético desintegrou-se, suprimindo a idéia de segundo mundo. O ocidente, os EUA e a União Européia, aproveitaram o colapso da URSS para impor pela força e pela coação ideológica a desregulamentação da economia mundial como novo paradigma.

CUMINGS, Bruce mencionava então o arquipélago capitalista do oriente ou da Asia oriental, composto por Japão, Cingapura, Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul, que tiveram crescimento virtuoso desde a década de sessenta para cá. O governo Bush, após o onze de setembro lançou o projeto para o Novo Século norte americano, uma tentativa de dar sobre vida ao primeiro império verdadeiramente mundial. No entanto, sucede um novo fracasso do imenso poderio militar americano na segunda guerra do Iraque. Neste contexto, emerge ao longo dos anos noventa um processo de desenvolvimento impressionante na China. A China não é como Japão, Taiwan, Coréia, Cingapura ou Malasia, embora seu poderio militar seja ridículo quando comparado com os EUA, o império do meio é uma imensa extensão territorial com um mercado consumidor de tamanho impressionante. Essa nova potência começa a comprar títulos do tesouro americano, emerge como a mais nova potência mundial, substituindo aos EUA como principal motor da expansão comercial e econômica do mundo.

Marx em Detroit e Smith em Pequim

Os economistas frequentemente erram em suas projeções. No ano de 1996 um famoso economista norte americano, dentro do espírito da desregulamentação geral, disse a uma platéia atenta, que a Russia e não a China havia acertado o caminho das reformas. Essa mesma opinião foi repetida na revista de Economist no ano seguinte. Joseph Stiglitz logo inverteu a tese de Economist, afirmando que o sucesso chinês advinha da não aceitação das terapias de choque defendidas por Washington. A China nunca havia confundido os fins - o bem estar de sua população - com os meios - privatização e liberação do mercado.

A afirmação algo enigmática de Deng Schiao Pin de que as reformas pretendiam criar uma economia de mercado socialista, não foi levada a sério fora da China e mesmo por membros do Partido Comunista Chinês. O mercadismo-leninismo que estava embutido no lema; "é glorioso enriquecer", também lançado por Deng conclamou ao país a imaginar empreendimentos. Ele foi lançado por Deng em 1982, mas apenas na década de noventa ganhou capilaridade. Numa visita do primeiro ministro chinês às províncias do sul, na qual pediu que o país se dedicasse aos negócios e a enriquecer. No entanto, essa posição não era compartilhada pelo meio acadêmico:

"He Oinglain da Universidade de Fudan defendeu que os principais resultados das reformas de Deng foram a enorme desigualdade, a corrupção generalizada e a erosão da base moral da sociedade." Pg31

Muitos marxistas ocidentais corroboram as afirmações descartando a idéia da existência de qualquer coisa similar ao socialismo na China atual. Essa questão continua controversa, Samir Amim afirma que o socialismo não perdeu nem ganhou na China, e ainda se resguarda no princípio do acesso igualitário à terra.

"As classes populares chinesas tem confiança em si... Em grande parte rejeitam atitudes submissas... As lutas sociais são ocorrência diária, contam-se aos milhares, costumam ser violentas e nem sempre resultam em fracasso."

As afirmativas de Amim parecem ser corroboradas pelas iniciativas do governo chinês em fevereiro de 2006, quando foi lançado um novo campo socialista, ampliando a assistência médica, educacional e previdenciária para agricultores e adiando a privatização das terras. Liu Guoguang da Academia de Ciências Sociais da China teme pela elitização da criação da economia de mercado, se não for enfatizado o espírito socialista de justiça e responsabilidade social. Mas afinal, o que é uma economia de mercado elitista, é o mesmo que uma economia de mercado capitalista? Pode existir uma economia de mercado socialista?

O PCC no começo de 2005 lançou uma campanha entre líderes públicos e acadêmicos para mobilizar e modernizar o marxismo, para enfrentar o que Ju Jintao chamou de "problemas e contradições em todos os campos". A idéia por trás da iniciativa de Ju Jintao é discutir o marxismo a luz do problema de que empresas privadas vem se tornando a base da economia chinesa. Parece que a prática na China antecede a formulação teórica, que permanece perplexa.

Marxismo Neo Smithiano

Em 1968, Mario Tronti, um teórico marxista italiano publicou um artrigo com o provocante título de "Marx em Detroit". A tese de Tronti era que o verdadeiro epicentro da luta de classes teria ocorrido nos EUA, onde os trabalhadores haviam sem qualquer influência marxista, conseguido dobrar o capital, acomodando suas reinvindicações salariais e efetivamente obtendo ganhos substanciais. Numa analogia com a Ideologia Alemã, Tronti dizia que na Europa

"Marx existia ideologicamente, mas era nos EUA que as relações trabalho e capital foram objetivamente marxianas."

É verdade que a tese também espelhava a crise de identidade eurocêntrica do marxismo, que parecia migrar para a periferia; o terceiro mundo, Vietnam, Cuba, China, etc... Era como se o Capital de Marx tivesse perdido sustância para explicar o cotidiano do primeiro mundo, ganhando por outra parte musculatura para explicar as relações de dependência do terceiro mundo. Tronti na verdade relembrava um convite feito por Marx no livro I do Capital, para que deixássemos a esfera barulhenta do mercado e entendêssemos a morada oculta da produção, o chão da fábrica, onde está o segredo da formação do lucro. É importante assinalar que o mais brilhante dos discípulos de Tronti, Antonio Negri, irá na contemporaneidade formular o provocante livro: Multidão. Um livro escrito junto com Michael Hardt, que celebra a possibilidade de um mundo onde seja possível atingir a liberdade e a igualdade, uma exigência que emerge da multidão, exigindo uma sociedade global democrática e inclusiva.

Na verdade, é preciso que se reconheça que Marx no século XIX empreendeu um enorme esforço para compreender o funcionamento do Capital na Inglaterra, mas não tinha o instrumental para a análise de sua disseminação pelo mundo. E isto, se refere ao outro lado do oceano Atlântico, apesar das recorrentes solicitações intelectuais que Marx recebeu dos EUA. Enfim, as reflexões de Marx sobre a disseminação do capitalismo no mundo não possuiam o lastro, que o próprio método exigia.

Nesse sentido, as reflexões de Marx possuem muita semelhança com a idéia de "mundo plano" defendida por Thomas Friedman muito depois, que nasceram a partir da leitura deste último autor do famoso Manifesto Comunista. É preciso que se reconheça uma vertente homogeneizadora no Manifesto, que trabalha a partir da Revolução Industrial inglesa, uma clara tentativa de supressão do espaço físico, ou das especificidades locacionais. No entanto, mais uma vez o mundo contemporâneo nos mostra que as teses homogeneizadoras do século XIX não se realizaram, havendo hoje um quase consenso sobre as especificidades do desenvolvimento em função da diversidade de contextos. Segundo ARRIGHI:

"... é que nesses cento e cinquenta anos a interdependência cada vez maior das nações não aplainou o mundo com o desenvolvimento capitalista generalizado... nos últimos dois séculos a crescente interdependência entre os mundos ocidental e não-ocidental tem sido associada não a convergência presente no Manifesto Comunista, mas uma enorme divergência."

Ao mesmo tempo de Tronti, André Gunther Frank lançava Desenvolvimento e Subdesenvolvimento que reforçou a tese da diferenciação do mundo em arquétipos como, metrópole e periferia.  Mais uma vez a ortodoxia marxista condenou a interpretação entre centro e periferia, como algo que revelava a erosão da tese da luta de classes. A tese de Frank explica muito do tipo de desenvolvimento que o Brasil teve, onde não emerge um grupo de interesses coesos mobilizados pela transformação do estágio de relacionamento econômico do país:

" a burguesia nacional passou a se interessar não pelo desenvolvimento, mas pelo apoio exatamente ao sistema de classes de produção e de extração de excedentes que limitam o desenvolvimento econômico..."

Em outras palavras, a inércia do desenvolvimento capitalista consolidou a estrutura centro e periferia, que as elites dos países absorvidos não precisam mais de um pensamento autônomo para serem inseridas ou aceitas. Por um outro lado, nesse mesmo debate ressurge a partir dos argumentos de Robert Brenner a centralidade do mecanismo de classe, como uma estratégia para sobreviver no mercado.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mais uma do concurso do BNDES, apoio da FNA à posição do IAB-RJ

O concurso do BNDES, como já foi dito aqui, fere de maneira frontal a idéia de projeto arquitetônico, pois fragmenta em etapas aquilo que deve ser percebido como íntegro e coeso, desde a concepção até o detalhamento. O IAB-RJ desde o anúncio do concurso vem se manifestando contrário a este concurso de anteprojetos de arquitetura. No último dia 08 de abril de 2014 a Federação Nacional dos Arquitetos FNA se pronunciou contra o mesmo concurso convergindo com o IAB-RJ. 

Abaixo a íntegra da carta da FNA

EDITAL DE CONCURSO DO BNDES FERE
DIREITOS DOS ARQUITETOS

A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas sugeriu ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo/RJ que avalie a possibilidade de reconsiderar o convênio de apoio institucional com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A sugestão da Federação deve-se ao Edital do concurso para seleção de anteprojeto do prédio anexo do Banco na cidade do Rio de Janeiro.

O item 2, do anexo IV do Edital, determina que: "A presente cessão e transferência total de direitos autorais compreende todos os direitos patrimoniais previstos em lei referentes à sua 'OBRA', manifestando o(s) CEDENTE(S), desde já, plena e inequívoca concordância com a alteração posterior do Anteprojeto pelos profissionais habilitados constantes nos quadros do BNDES ou por outro profissional por este designado;" (grifos nossos).

Em ofício encaminhado ao presidente do CAU/RJ, Sidney Menezes, na tarde desta quarta-feira, 08 de abril, o presidente da Federação Jeferson Salazar argumenta que: "Ao contrário do que argumenta o BNDES, S.M.J., o referido item avança sobre os direitos autorais morais, infringindo a Resolução 67/2013 do CAU/BR. Transparente está que não se trata de uma simples transferência de direitos autorais patrimoniais, já prevista no item 1 do mesmo Anexo, mas sim de autorização prévia de alteração de anteprojeto, ou seja, de cessão de direitos autorais morais, imposta unilateralmente e de forma constrangedora pelo BNDES, sem a possibilidade de oposição daqueles que pretendem participar do concurso."
Outro trecho do ofício alega: "Em todas as suas argumentações sobre restrições legais para atender aquilo que entendemos como moralmente e profissionalmente aceitáveis, o BNDES cita explicitamente acórdãos e orientações do TCU como impedimento para avanços maiores. Admitindo que possam estar corretas as alegações jurídicas, cabe uma pergunta: podemos exigir que uma empresa ou órgão público deixe de cumprir os ditames legais ou do órgão de controle competente?
Ocorre que estamos vivenciando um paradoxo constrangedor! Por um lado temos um Conselho Profissional, órgão público cuja atribuição legal é orientar, regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão, que, na mesma linha das Entidades de Arquitetos e Urbanistas, entende que o projeto é indivisível e um de outro lado o Tribunal de Contas da União, órgão público de controle, que entende que o projeto pode ser dividido em etapas, partes ou parcelas, como se fosse um produto qualquer que se vende nos balcões do comércio varejista."
Além do Edital do BNDES, visto como afronta aos profissionais de arquitetura, a FNA aponta outros ataques à profissão, como o Regime Diferenciado de Contratação (RDC) no Programa Minha Casa Minha Vida. O RDC prevê a implantação da contratação integrada, na qual a contratação da obra, na maioria dos casos sem processo licitatório, inclui como subproduto da obra projetos de arquitetura e urbanismo de má qualidade, deficientes e/ou incompletos. Segundo o ofício, o Regime é " a eliminação do papel do projeto como elemento indispensável ao planejamento, à otimização de recursos financeiros e à qualidade da obra acabada. E isso com o patrocínio de recursos do tesouro nacional e com a anuência dos órgãos de controle, privilegiando a falta de planejamento e, até o presente, que damos inertes diante do descalabro com os gastos dos recursos públicos e com a desvalorização da profissão."
Ao final do ofício, Jeferson Salazar propõe a unidade entre todas as entidades nacionais e o CAU e um amplo debate "sobre a ingerência dos órgãos de controle sobre as atividades de profissões regulamentadas, em especial de arquitetura e urbanismo e de engenharia, com a participação dos respectivos Conselhos e Entidades Profissionais."

Matéria no jornal O Globo sobre a Favela da Telerj

Invasão na antiga edificação da Telerj
Hoje, quinta feira dia 10 de abril de 2014, no jornal O Globo há uma matéria sobre a invasão recentemente realizada na edificação da antiga Telerj no bairro do Engenho Novo. Essa invasão demonstra de forma clara a demanda existente por habitação dentro de contextos urbanos consolidados, isto é a produção da habitação para as faixas de renda mais fragilizadas precisa ser produzida onde existam oportunidades e comodidades urbanas, presença de áreas de lazer, instalações educacionais, de saúde, oferta de emprego, etc... Essa inserção pode determinar para estas familias a possibilidade de melhora nas perspectivas de vida, pois garantem acesso a emprego, lazer, educação, saúde, cultura e informação. O espaço da cidade, uma política urbana mais articulada e coordenada podem ser fator de melhora das condições de vida das populações economicamente frágeis.

Hoje também foi publicado no blog Outras Palavras uma matéria descrevendo uma invasão no centro da cidade de São Paulo, em uma série de edificações, que reforça a minha tese explicitada na matéria do O Globo.

Abaixo links das matérias:

http://oglobo.globo.com/rio/prefeito-defende-reintegracao-de-posse-de-terreno-no-engenho-novo-12146964

http://outraspalavras.net/destaques/sao-paulo-madrugada-plebeia/