quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mais uma do concurso do BNDES, apoio da FNA à posição do IAB-RJ

O concurso do BNDES, como já foi dito aqui, fere de maneira frontal a idéia de projeto arquitetônico, pois fragmenta em etapas aquilo que deve ser percebido como íntegro e coeso, desde a concepção até o detalhamento. O IAB-RJ desde o anúncio do concurso vem se manifestando contrário a este concurso de anteprojetos de arquitetura. No último dia 08 de abril de 2014 a Federação Nacional dos Arquitetos FNA se pronunciou contra o mesmo concurso convergindo com o IAB-RJ. 

Abaixo a íntegra da carta da FNA

EDITAL DE CONCURSO DO BNDES FERE
DIREITOS DOS ARQUITETOS

A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas sugeriu ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo/RJ que avalie a possibilidade de reconsiderar o convênio de apoio institucional com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A sugestão da Federação deve-se ao Edital do concurso para seleção de anteprojeto do prédio anexo do Banco na cidade do Rio de Janeiro.

O item 2, do anexo IV do Edital, determina que: "A presente cessão e transferência total de direitos autorais compreende todos os direitos patrimoniais previstos em lei referentes à sua 'OBRA', manifestando o(s) CEDENTE(S), desde já, plena e inequívoca concordância com a alteração posterior do Anteprojeto pelos profissionais habilitados constantes nos quadros do BNDES ou por outro profissional por este designado;" (grifos nossos).

Em ofício encaminhado ao presidente do CAU/RJ, Sidney Menezes, na tarde desta quarta-feira, 08 de abril, o presidente da Federação Jeferson Salazar argumenta que: "Ao contrário do que argumenta o BNDES, S.M.J., o referido item avança sobre os direitos autorais morais, infringindo a Resolução 67/2013 do CAU/BR. Transparente está que não se trata de uma simples transferência de direitos autorais patrimoniais, já prevista no item 1 do mesmo Anexo, mas sim de autorização prévia de alteração de anteprojeto, ou seja, de cessão de direitos autorais morais, imposta unilateralmente e de forma constrangedora pelo BNDES, sem a possibilidade de oposição daqueles que pretendem participar do concurso."
Outro trecho do ofício alega: "Em todas as suas argumentações sobre restrições legais para atender aquilo que entendemos como moralmente e profissionalmente aceitáveis, o BNDES cita explicitamente acórdãos e orientações do TCU como impedimento para avanços maiores. Admitindo que possam estar corretas as alegações jurídicas, cabe uma pergunta: podemos exigir que uma empresa ou órgão público deixe de cumprir os ditames legais ou do órgão de controle competente?
Ocorre que estamos vivenciando um paradoxo constrangedor! Por um lado temos um Conselho Profissional, órgão público cuja atribuição legal é orientar, regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão, que, na mesma linha das Entidades de Arquitetos e Urbanistas, entende que o projeto é indivisível e um de outro lado o Tribunal de Contas da União, órgão público de controle, que entende que o projeto pode ser dividido em etapas, partes ou parcelas, como se fosse um produto qualquer que se vende nos balcões do comércio varejista."
Além do Edital do BNDES, visto como afronta aos profissionais de arquitetura, a FNA aponta outros ataques à profissão, como o Regime Diferenciado de Contratação (RDC) no Programa Minha Casa Minha Vida. O RDC prevê a implantação da contratação integrada, na qual a contratação da obra, na maioria dos casos sem processo licitatório, inclui como subproduto da obra projetos de arquitetura e urbanismo de má qualidade, deficientes e/ou incompletos. Segundo o ofício, o Regime é " a eliminação do papel do projeto como elemento indispensável ao planejamento, à otimização de recursos financeiros e à qualidade da obra acabada. E isso com o patrocínio de recursos do tesouro nacional e com a anuência dos órgãos de controle, privilegiando a falta de planejamento e, até o presente, que damos inertes diante do descalabro com os gastos dos recursos públicos e com a desvalorização da profissão."
Ao final do ofício, Jeferson Salazar propõe a unidade entre todas as entidades nacionais e o CAU e um amplo debate "sobre a ingerência dos órgãos de controle sobre as atividades de profissões regulamentadas, em especial de arquitetura e urbanismo e de engenharia, com a participação dos respectivos Conselhos e Entidades Profissionais."

Matéria no jornal O Globo sobre a Favela da Telerj

Invasão na antiga edificação da Telerj
Hoje, quinta feira dia 10 de abril de 2014, no jornal O Globo há uma matéria sobre a invasão recentemente realizada na edificação da antiga Telerj no bairro do Engenho Novo. Essa invasão demonstra de forma clara a demanda existente por habitação dentro de contextos urbanos consolidados, isto é a produção da habitação para as faixas de renda mais fragilizadas precisa ser produzida onde existam oportunidades e comodidades urbanas, presença de áreas de lazer, instalações educacionais, de saúde, oferta de emprego, etc... Essa inserção pode determinar para estas familias a possibilidade de melhora nas perspectivas de vida, pois garantem acesso a emprego, lazer, educação, saúde, cultura e informação. O espaço da cidade, uma política urbana mais articulada e coordenada podem ser fator de melhora das condições de vida das populações economicamente frágeis.

Hoje também foi publicado no blog Outras Palavras uma matéria descrevendo uma invasão no centro da cidade de São Paulo, em uma série de edificações, que reforça a minha tese explicitada na matéria do O Globo.

Abaixo links das matérias:

http://oglobo.globo.com/rio/prefeito-defende-reintegracao-de-posse-de-terreno-no-engenho-novo-12146964

http://outraspalavras.net/destaques/sao-paulo-madrugada-plebeia/

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Assinatura nas edificações

Matéria no jornal o Globo de hoje, dia 09 de abril de 2014, debate a questão da assinatura do arquiteto em edificações, uma prática que sublinha a autoria do projeto. Na entrevista dada a repórter também considerei importante a prática de nomear as edificações, pois ela representa o ganho de protagonismo do projeto em nossa cultura. O projeto antecipa a obra, portanto quer controlar o processo de produção do edifício, evitando o descontrole do resultado final, do orçamento, e do prazo. Celebrar a autoria é localizar a responsabilidade no autor do projeto.

Ver a matéria no link abaixo.

http://oglobo.globo.com/rio/decreto-obriga-novos-edificios-exibirem-nome-de-autor-do-projeto-12136015

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Mais uma noticia do Concurso de Anteprojetos do BNDES

Hoje segunda feira dia 07 de abril de 2014 o jornal O Globo na Coluna Gente Boa noticiou a desistência do arquiteto Jaime Lerner de participar do Concurso de Anteprojetos do BNDES no Rio de Janeiro. Uma vitória dos que prezam a cultura arquitetônica brasileira. No subtítulo "Me inclui fora desta" está assinalada a posição do arquiteto Jaime Lerner de apoio ao IAB-RJ. A mesma coluna registra a resistência do IAB Nacional e do IAB-RJ a este concurso desde fevereiro do corrente ano no subtítulo "Assim não dá" (ver matéria ao lado). Importante ressaltar que o IAB luta contra os princípios do famigerado concurso, pois este fragmenta a idéia de projeto, entre concepção e detalhamento, não privilegiando a integridade de sua autoria. Além de subvalorizar a remuneração de anteprojeto de arquitetura para um edifício deste porte. Estamos diante de uma interpretação perversa do que é o ato de projetar, dada pelo jurídico do BNDES, sem a menor sensibilidade para o significado de uma obra pública escolhida por concurso.

sábado, 5 de abril de 2014

Apresentação da candidatura do Rio de Janeiro ao Congresso da UIA em 2020

Na reunião da Federação Panamericana de Arquitetos (FPAA), realizada na cidade do Panamá, estive defendendo a candidatura da cidade do Rio de Janeiro a sediar o Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos no ano de 2020. A idéia desta iniciativa é conclamar a categoria na mobilização da sociedade para uma nova compreensão da inserção social da arquitetura e do urbanismo. Uma busca por maior protagonismo do projeto e do plano em nosso cotidiano. O programa celebra a diversidade de implantações humanas existentes no mundo, e pretende refletir sobre o sentido de realizar uma reunião deste porte frente o desenvolvimento das tecnologias de comunicação no mundo contemporâneo. A idéia do tema do Congresso da UIA está sintetizada no título proposto:

Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21

Mais detalhes ver link abaixo:

http://www.uia2020rio.org/index_pt.asp

domingo, 30 de março de 2014

Manifestação contra o RDC dia 02 de abril em Brasilia

O Regime Diferenciado de Contratação (RDC) possibilita a contratação de obras públicas sem projeto de arquitetura, e está tramitando no Congresso Nacional como Medida Provisória (MP-630/13). O CAU-BR, o IAB, o CONFEA e as demais entidades nacionais de arquitetura, urbanismo e engenharia se posicionaram contra a aprovação da MP630/13. E, convocam a todos para uma manifestação no Congresso Nacional as 14:00 no dia 02 de abril de 2014. A possibilidade de aprovação desta MP no Congresso Nacional demonstra para nós - arquitetos e urbanistas - como as autoridades brasileiras encaram a atividade de projeto e de planejamento. As recentes notícias e denuncias de problemas com as obras públicas no Brasil, que invariavelmente atrasam o cronograma ou estouram o orçamento, são consequências diretas da forma como entendemos projeto e planejamento. A sociedade precisa parar de celebrar o improviso e o inesperado neste campo, pois acaba determinando o descontrole no campo das obras públicas. Projeto e planejamento bem feitos e bem remunerados são fatores importantes para o controle dos orçamentos e cronogramas de obras em qualquer parte do mundo.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Ainda sobre o concurso do BNDES

Prezados colegas,

Infelizmente, apesar de nosso empenho para que o Banco ajustasse seu Edital a condições razoáveis, não fomos bem sucedidos. 
O Edital continua o mesmo, com aquelas cláusulas inaceitáveis, como a que expressa a absurda condição de que o arquiteto vencedor do concurso não será contratado para desenvolver o seu Anteprojeto e, ainda por cima, é obrigado a abrir mão dos seus direitos autorais em benefício do Banco, para que este, a seu critério, estabeleça a forma de contratação do desenvolvimento do projeto.
Mantivemos reunião com o presidente do BNDES, expusemos nosso ponto de vista, fundamentado amplamente, e reiterado em ofício expedido a seu pedido, mas prevaleceu o entendimento do seu departamento jurídico - que declaradamente não quis considerar a experiência de outros concursos promovidos recentemente pelo governo federal, como o Concurso Estação Antártica (Min. da Defesa/Marinha do Brasil) e o Concurso Casa de Rui Barbosa (Min. Cultura).
Nada mais cabendo a argumentar, e em defesa de nossa profissão e da cultura arquitetônica, somos levados a desaconselhar a participação de arquitetos no Concurso, nos termos da Nota anexa.
Para tanto, solicito aos colegas que façam a mais ampla divulgação desse posicionamento de nossa entidade, de modo a que os colegas fiquem informados da posição do IAB. Em especial, faço esse pedido aos presidentes dos Departamentos.
A luta continua, colegas!
Muito temos a trabalhar, em conjunto e em unidade, em benefício de nosso país e da arquitetura.
Cordialmente,
Sérgio Magalhães
Pedro da Luz, presidente do IAB RJ
Luiz Fernando Janot, Conselheiro do IAB e Coordenador Geral de Concursos.

Anexo matéria no jornal O Globo
http://oglobo.globo.com/rio/concurso-para-eleger-projeto-para-nova-sede-do-bndes-gera-polemica-11929459