segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Seminário de encerramento da série Quitandinha +50 anos

Uma parte dos participantes do encontro de encerramento da
série Quitandinha +50
Foi realizado nos dias 08 e 09 de novembro, no Hotel Quitandinha em Petrópolis, o Seminário de encerramento da série de encontros que o IAB promoveu ao longo do ano de 2013 sobre Política Urbana. A série homenageia o encontro histórico, realizado em 1963, na cidade de Petrópolis no mesmo Hotel Quitandinha, que debateu a Reforma Urbana e o problema da habitação no país. Esse encontro se inseria num debate geral do governo João Goulart, que era o das reformas de base. A série contemporânea de encontros envolveu temas caros à cidade brasileira, procurando exatamente modificar a forma como ela vem sendo construída, dando protagonismo ao projeto e ao plano, como instrumentos que democratizam as hipóteses que lutam por seu vir a ser. Os encontros se realizaram nas seguintes cidades, com os temas assinalados:

Rio de Janeiro, RJ, fevereiro de 2013 - Democratizar cidades sustentáveis
Rio Grande, RGS, abril de 2013- A moradia brasileira
São Paulo, SP, maio 2013 - A gestão das cidades
Brasilia, DF, junho de 2013 - Sustentabilidade Urbana
Belo Horizonte, MG, junho 2013 - Mobilidade Urbana
Manaus, AM, setembro de 2013 - Amazônia Urbana

Petrópolis, RJ, novembro de 2013 - Encerramento

A cidade brasileira permanece extremamente injusta e segmentada. O desafio do país é perceber o potencial que a promoção de cidades mais inclusivas pode fazer para o seu desenvolvimento sustentado, gerando distribuição de renda e equidade. A propaganda governamental; " País rico é país sem pobreza" poderia ser efetivamente alcançada se os governos dedicassem mais tempo a uma política urbana estruturada, articulada e com profundidade. A série de encontros oferece uma série de ações, planos e projetos, que pretendem transformar a realidade das cidades brasileiras no sentido de torná-las mais inclusivas.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A declaração do ministro Walmir Campello do TCU explica muito a origem da intransparência das obras brasileiras

A matéria que foi ao ar, hoje dia 06 de novembro de 2013, no Jornal da Globo, explica muito do problema das obras no Brasil. Nas palavras do ministro Valmir Campelo do Tribunal de Contas da União (TCU):

 "Falta ao Brasil a cultura do planejamento. Falta ao Brasil a consciência, de que antes de se iniciar qualquer obra tem que se elaborar um bom projeto executivo. Sem um bom projeto executivo a obra está fadada a sobrepreço, superfaturamento..."

Estamos diante, do real problema de execução das obras que o Brasil tanto necessita para transformar o espaço construído pelo homem. Sem uma vontade política mais clara, quanto a este aspecto, permaneceremos sem consciência do real benefício de várias obras.

Vale a pena ver a matéria inteira...

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2013/11/tcu-encontra-irregularidades-em-obras-viarias-de-todo-o-brasil.html

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Encontro histórico no Hotel Quitandinha, dias 08 e 09 de novembro de 2013

O IAB realiza nesta sexta e sábado, dias 08 e 09 de novembro no Hotel Quitandinha em Petrópolis, o encontro de fechamento de uma série de eventos realizados no ano de 2013 em várias cidades brasileiras, que debateram a Questão Urbana do país. O evento também celebra os cinquenta anos do histórico encontro de 1963 que debateu a Reforma Urbana, no mesmo Hotel Quitandinha em Petrópolis. A idéia é cobrar das autoridades brasileiras - federal, estadual ou municipal - a mudança na forma de desenvolvimento das cidades brasileiras, buscando um outro projeto mais inclusivo, que melhore a qualidade de vida de forma generalizada.

Abaixo a programação


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Chapa propõe rejuvenescer o IAB-RJ

CHAPA - Planos e projetos para democratizar a cidade

O século XXI é um tempo de grandes perplexidades. Frente à quantidade inusitada de informações, emerge uma tendência de diluição das prioridades e das ações. O planeta começa a apresentar sintomas de que seus recursos são finitos. A arquitetura e o urbanismo enveredam no referenciamento vazio, distanciado e descontextualizado, que superestima as imagens e despreza as estruturas produtoras.
Por outro lado, a metrópole contemporânea adquire a condição de lugar de vida e de trabalho para grande parte da humanidade, abrindo um horizonte inédito para positivas interações e interdependências. E, acima de tudo, esperanças. Nesse contexto, a ampliação do debate sobre as novas hipóteses de planejamento e projeto para as cidades brasileiras é fundamental. Apenas assim interações e interdependências poderão gerar esperanças transformadoras. Arquitetos e urbanistas precisam se comprometer com o cotidiano de nossas cidades, melhorando efetivamente os padrões de habitabilidade.
As cidades brasileiras precisam transformar o modo como vêm sendo construídas. Para tanto, sugerimos priorizar quatro proposições objetivas:
•  a Cidade deve ser compacta e densa, evitando-se a dispersão interminável e       enfatizando-se o papel aglutinador do antigo centro histórico;
       a Cidade deve ser lugar da convivência da diversidade de classes e de usos, evitando-se os guetos de ricos e pobres e monofuncionalidade;
       a Cidade deve ter mobilidade efetiva para todos, evitando-se a exclusão determinada pela ineficiência ou tarifação alta dos sistemas de transporte coletivo;
       a Cidade deve ampliar o reconhecimento da ecologia e dos biomas locais, construindo-se melhor relação com a natureza.
Há mais de noventa anos, desde a fundação do Instituto dos Arquitetos do Brasil, a luta pela contratação de projetos por meio de concursos públicos era a forma de se obter transparência para os custos e benefícios das obras. Esse patrimônio de lutas e de ações, algumas exitosas, construiu um sentido para o IAB, que permanece pautando seus objetivos nas complexas relações existentes entre plano e projeto de um lado e a realidade do outro.
O IAB, em seus objetivos, busca ser a casa dos arquitetos, onde o debate do espaço construído pelo homem possa auxiliar no aperfeiçoamento da experiência democrática.. Nesse sentido, nossa meta comum é a requalificação da nossa sede, abrindo-a para os interesses mais amplos de outros grupos e para uma construção compartilhada.
Diante da constituição do conselho uniprofissional, velha bandeira configurada e incorporada ao IAB, devemos acompanhar a estruturação das novas instituições, enfatizando a dimensão cultural da arquitetura. Um IAB renovado em representatividade atrairá as novas gerações, buscando uma inserção social no cotidiano das cidades brasileiras.
O século XXI é um tempo de consolidação da democracia, que coloca o desafio da autonomia para amplas camadas de cidadãos. As condições de sustentabilidade ambiental requeridas devem partir da premissa da convivência mútua entre natureza e cidade. Essa convivência tem papel importante para o cidadão, tornando-o consciente da complexidade do planeta.
O compromisso dos arquitetos e urbanistas com as cidades brasileiras não pode ser vazio, baseado numa onda momentânea, simplesmente retórica. Devemos acreditar que as mudanças são possíveis!
Planos e projetos para democratizar a cidade
O IAB-RJ deseja incorporar os esforços de todos os arquitetos, em múltiplas aptidões e inserções profissionais, na defesa de um novo modo de construir as cidades brasileiras. Assim, temos os seguintes objetivos:
1.       IAB-RJ independente e participativo
2.       Promoção e ampliação do debate sobre as cidades brasileiras
3.       Aumentar o número de concursos públicos de projetos
4.      Construção da sustentabilidade do IAB-RJ
5.        Aproximação com as novas gerações, atraindo sócios novos
6.       Ampliação da comunicação com os arquitetos
7.        Intensificação do uso da sede como ponto de encontro dos arquitetos
8.       Reforma da sede para reabrigar a biblioteca da entidade
9.        Conexão da biblioteca com um sistema de bibliotecas de arquitetura
10       Novos cursos
                                                 

CONSELHO ADMINISTRATIVO - CA:

Pedro da Luz Moreira (Presidente)

Vice Presidentes:
Marcio Tomassini (Financeiro)
Marat Troina (Administrativo)
Fabiana Izaga (Institucional)
Ceça Guimaraens (Cultural)

CONSELHO SUPERIOR – COSU:

Conselheiros Vitalícios do COSU

Demetre Anastassakis
Sérgio Magalhães

Titulares:

Adir Ben Kauss
Flávio Ferreira
Jerônimo de Moraes Neto
Luiz Fernando Janot
Norma Taulois
Vicente Loureiro

CONSELHO DELIBERATIVO – CD:

Titulares:

Alder Catunda Timbó
Alice Varella
Bruno Michel
Celso Girafa
Cesar Jordão
Cláudio Crispim
Cristiane Duarte
Eduardo Cotrim
Luiz Carlos Flórido
Maria Isabel Tostes


CONSELHO FISCAL – CF:

Titulares:

José Miguez
Luciano Medeiros
Martha Allemand









Suplentes:

Cêça Guimaraens
Fabiana Izaga
Gerônimo Leitão
Lucas Franco
Marat Troina
Pablo Benetti



Suplentes:

Carlos Alberto Perez  Krykhtine
Cristiane Ramos Magalhães
Gabriel Soares
Maria do Carmo Maciel Di Primio
Verena Andreatta







Suplentes:

André Luiz Pinto
Luiz Claudio Franco
Ricardo Villar

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O filme gravidade

O filme gravidade é uma interessante reflexão sobre o espaço, a ausência de gravidade, o medo, o silêncio, a comunicação e a interação entre seres humanos e suas tragédias pessoais. O desenvolvimento da trama nos leva a considerações sobre o espaço externo e interno, na nossa experiência corporal mais elementar. Relações de proximidade, distância, segurança, aconchego, abrigo, ordem, desordem, interior e exterior, que perpassam nosso cotidiano diário, dominado pela lei da gravidade, são enfatizados pela imensidão do espaço sideral, a falta de gravidade e as condições de um roteiro preciso e cirúrgico.

As cidades iluminadas em nosso planeta,
o limite entre dia e noite e o nascer do Sol
Para começar, a espacialidade do filme é dominada por uma dualidade literalmente aterradora. Na maior parte das cenas, a tela estará dividida em duas partes, de um lado há o nosso planeta, e de outro a imensidão do cosmos, as cidades iluminadas da Terra, o sol no horizonte, e a fronteira entre o dia e a noite. De um lado o abrigo, o aconchego, o conhecido, nossas vidas com seus dramas pessoais, seus momentos trágicos, e muitas vezes desconfortáveis, e de outro, o desconhecido, o inexplorado, uma fronteira sem limites de possibilidades assustadoras de reconstrução, e de abandono de nossas tragédias pessoais. A deriva, a exploração, a coragem pioneira são escavadas de uma maneira que recorrentemente se pergunta; a coragem para enfrentar este desafio advém da nobreza de sentimentos ou do desconforto de situações particulares que nos lançaram na busca do desconhecido?
George Clooney e Sandra Bullock
O pioneirismo envolve uma coragem desproporcional ou é fruto de uma vontade de se afastar de problemas que não podemos efetivamente resolver? O filme não responde estas questões de forma simplista e reducionista, mas simplesmente desfila diante de nossos olhos as personalidades diferenciadas dos dois protagonistas; o veterano astronauta Matt Kowalsky (George Clooney) e a novata Ryan Stone (Sandra Bullock) em diálogos primorosos, que ao mesmo tempo mostram a grandeza e a fraqueza do humano.

Sandra Bullock e nosso planeta
A exploração de novas fronteiras, o pioneirismo, o desconforto com nossas vidas passadas confrontam de maneira inteligente a espacialidade interna de cada um de nós, com a espacialidade externa sem limites da imensidão de nosso próprio planeta e do cosmo. A segurança, o desconforto das vidas pregressas, as possibilidades da imensidão do espaço sideral. A Terra é vista também como um lugar cheio de lugares e especificidades, como o lago Zurich, no estado Illinois, origem da astronauta Ryan Stone, interpretada pela atriz Sandra Bullock, ou a Califórnia de Clooney. A dimensão da fronteira, do inexplorado não está apenas no além, mas também dentro de nós mesmos. Na complexidade da vida no lago, onde Bullock retorna a terra, quando um sapo ou uma rã simplesmente assistem a astronauta se desvencilhar da roupa de astronauta para conseguir chegar a superfície e respirar o ar da terra.

Outra questão presente no filme é a comunicação entre seres humanos, num mundo que desenvolveu incrivelmente as possibilidades de conexão, as interações parecem se banalizaram, tendendo a um relacionamento superficial, sem aprofundamento. O silêncio da imensidão do espaço e o palavrório da nossa comunicação contemporânea. Enfim um filme maravilhoso...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Publicado no O Globo de 26/10/2013 um artigo meu sobre arquitetura feia

O Conjunto habitacional no antigo terreno do Presídio
Frei Caneca
Foi publicado no jornal O Globo de 26 de outubro de 2013, um artigo meu sobre arquitetura feia. A matéria trazia alguns exemplos mencionados por outros colegas de edificações na cidade do Rio de Janeiro que não primavam pela beleza. Dentre eles o conjunto habitacional construído no terreno do antigo presídio da Frei Caneca, que prima pela inadequação ao contexto. A arquitetura do programa Minha Casa Minha Vida vem recorrentemente reproduzindo este tipo de implantação inadequada, que mais contribui para estigmatização, do que para a integração. No artigo menciono o caráter impositivo da arquitetura frente a outras artes, baseado num crítico italiano Bruno Zevi. Menciono também a cúpula de Santa Maria del Fiori em Florença, relembrando o cuidado e o debate que envolveu sua solução e concepção por um concurso público, vencido por Bruneleschi no século XIV. Abaixo a íntegra do artigo:

O que gera arquitetura feia? 

Ou melhor, o que faz a arquitetura inadequada diante de determinados contextos? Certamente um dos itens mais recorrentes nesta avaliação é a ausência de uma generosidade urbana, isto é, edifícios que não compreendem as complexidades da cidade e se posicionam de forma autista e alheia ao entorno urbano. 

Edifícios que não compreendem que a fruição do espaço pelo ser humano não sofre descontinuidade entre interior e exterior, mas que representa uma só continuidade. O crítico italiano Bruno Zevi escreveu que há na obra de arquitetura um inevitável caráter impositivo. Diferentemente de outros campos da arte, a obra arquitetônica impunha sua presença de forma autoritária e inexorável. Usuários variados podiam não assistir a uma peça de teatro, ou a um filme, ou se recusar a comprar um determinado livro ou obra literária, ou ainda não ir a uma exposição de um artista. Mas com a arquitetura estas opções não existiam, pois sua presença se impunha à paisagem urbana.


A saída inevitável para tal dilema é a ampliação da discussão da adequação de determinadas obras aos seus contextos específicos. A cultura do projeto, que se antecede, simulando os efeitos, benefícios e impactos das novas obras é algo inevitável, que certamente nos defende de muitos desastres anunciados. O desenvolvimento de técnicas de apresentação virtual de projetos, a confecção de maquetes físicas em várias escalas, o confronto de diversas hipóteses de implantação e desenvolvimento são certamente antídotos para a arquitetura feia. 

O duomo de Florença projetado por
Bruneleschi
Recentemente li que Bruneleschi, autor da cúpula de Santa Maria Del Fiori na cidade de Florença, apresentou no concurso em questão uma maquete que descrevia sua solução, mostrando a Comissão da Ópera sua concepção em detalhe. Esta antevisão e debate aprofundado sobre as complexas relações de custo e benefício que toda obra envolve são certamente um antídoto à arquitetura feia. O projeto é certamente um instrumento poderoso para ampliação da efetiva democracia neste campo, e esta não é garantia de acerto, mas da diminuição dos riscos de se produzir uma arquitetura feia

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Entrevista na Globo News sobre transporte público

Dei entrevista nesta quinta feira dia 24/10/2013 na Globo News, ao reporter Sidney Resende, sobre pesquisa divulgada do IPEA sobre a mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras. A pesquisa do IPEA mostra que 50% dos domicílios brasileiros possuem carro ou motocicleta disponíveis na garagem. O indice impressiona quando comparamos com o ano de 1992, quando esta porcentagem era de apenas 14,6%. Esta ampliação certamente se deve também a piora nos serviços de transporte público no país. O Rio de Janeiro é a pior capital em termos de tempo médio de deslocamento da casa para o trabalho com 47 minutos, superando São Paulo que tem 45,6 minutos. Na minha opinião, assim como a inflação, estes indices deveriam ser divulgados mensalmente, para que possamos medir e cobrar melhorias nas condições de deslocamento das nossas metrópoles.

Os links abaixo mostram a entrevista...

http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2013/10/devemos-pensar-no-transporte-como-uma-rede-diz-arquiteto-do-iab.html

http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/t/todos-os-videos/v/brasileiros-gastam-cada-vez-mais-tempo-para-chegar-ao-trabalho/2910708/