quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Entrevista na Rede Brasil e os trens urbanos da cidade metropolitana do Rio de Janeiro

Na entrevista  na Rede Brasil nesta quarta feira dia 02 de outubro de 2013, procurei mencionar como a cidade metropolitana do Rio de Janeiro perde com a falta de investimentos na rede de trens urbanos já existentes. O declínio deste sistema de trens urbanos da cidade metropolitana do Rio de Janeiro condena amplas parcelas da população a um movimento pendular da casa para o trabalho de péssima qualidade e com uma tarifa cara, que precisa ser denunciado. O envolvimento deste problema numa cortina de fumaça técnica deve ser rejeitado de forma veemente. Os modais de alta capacidade, como os trens urbanos devem ser privilegiados.

O transporte público nas cidades metropolitanas brasileiras devem ser planejados e projetados de forma sistêmica e integrada, de tal forma que o tempo do movimento pendular diminua efetivamente, impactando de forma positiva no cotidiano da população. Parâmetros concretos devem medir a qualidade do serviço prestado, possibilitando o mapeamento da evolução de sua qualidade. Abaixo o link da entervista.

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterrio/episodio/entrevista-com-o-arquiteto-e-diretor-do-iab-pedro-da-luz-moreira-sobre-obras

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Apresentação preliminar do Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) do Rio de Janeiro

Na última quarta feira dia 25 de setembro foi apresentado ao Conselho de Transportes e Mobilidade da cidade do Rio de Janeiro uma apresentação preliminar do Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) de 2013 da cidade metropolitana do Rio de Janeiro. Uma série de dados relativos a mobilidade da população da cidade metropolitana do Rio de Janeiro foram apresentados, e precisam ser disponibilizados de forma mais ampla, para que diferentes agentes possam tirar suas conclusões.
Matéria publicada no jornal O Globo
de quinta feira dia 26 de setembro de 2013

Nesta ocasião ficou também clara a pretensão de envolver em abstratas tecnicalidades, aquilo que a população carioca e das grandes cidades brasileiras sofre em seu cotidiano. Precisamos ter parâmetros de medição que façam a aferição da qualidade dos transportes e não de meros aspectos quantitativos.

Há um dado que choca e mostra muito da contramão na qual, nós moradores urbanos estamos metidos nas cidades brasileiras, e particularmente no Rio de Janeiro. A comparação entre transportes motorizados, isto é aqueles feitos de forma mecânica, entre individual (carro ou moto) e coletivo (trens, metrô, ônibus, barcas, vans etc...). Há um acréscimo do transporte individual de 25,8% para 28,5% de 2003 para 2012, e um decréscimo do transporte coletivo correspondente de 74,2% para 71,5% no mesmo periodo de tempo. O que claramente aponta para o declínio da utilização do transporte público na cidade do Rio de Janeiro, certamente devido a ineficiência dos serviços, que estão mais caros e demorados. A ampliação da frota de veículos, particularmente de motos, indicam o descrédito que o sistema de transporte público possui na cidade do Rio de Janeiro.

A matéria do jornal O Globo, do dia seguinte, na quinta feira dia 26 de setembro de 2013 mostra um pouco nossa situação degradante.

sábado, 28 de setembro de 2013

Um debate sobre a Operação Urbana Consorciada do Porto Maravilha

Na última quinta feira dia 26 de setembro de 2013 houve em São Paulo um debate sobre a Operação Urbana Consorciada (OUC) do Porto Maravilha, que está em andamento na cidade do Rio de Janeiro, patrocinado pelo jornal Valor Econômico. Nesta ocasião expressei minha preocupação com uma certa hegemonia da lógica financeira destas operações, que tendem a gerar territórios urbanos descontínuos baseados na torre corporativa. Além da inadequação da cidade mono funcional, restrita as torres de escritórios com vidros espelhados, argumentei que a paisagem da cidade precisa ser levada em conta na definição da estrutura das edificações a serem construídas. A lógica das CEPACs (certificados de potencial adicional de construção) que estrutura as OUCs acabam por impedir a visualização do futuro desenho da cidade como um todo, fragmentando-o em ações pontuais, pois sua definição se dá a partir da área do terreno urbano onde ela ocorre. Nesta lógica, nem a quadra, que se configura como o conjunto dos terrenos está sendo considerada.
A emblemática paisagem do Rio de Janeiro,
um valor inestimável

A cidade do Rio de Janeiro, com suas paisagens emblemáticas de maciços graníticos, como o Pão de Açúcar e o Corcovado, possui uma ocupação urbana onde se destaca uma certa continuidade da quadra determinada por uma altura da edificação que tende a ser homogênea. O bairro de Copacabana, por exemplo possui um gabarito de onze andares, esta continuidade é rompida apenas por duas torres, dos hotéis Othon e Meridien. Esta conformação me parece mais adequada para a paisagem do Rio de Janeiro, pois o destaque não recai sobre o conjunto edificado mas sobre os maciços graníticos, que tendem a ser os protagonistas diante de uma continuidade edilícia que apenas sublinha sua importância.

Copacabana e a continuidade de seu conjunto edificado
A paisagem do Rio de Janeiro foi recentemente tombada, ela possui um valor inestimável, com seus ícones geológicos dos maciços graníticos que pontuam diferentes recintos muitas vezes definindo seus bairros. A zona portuária do Rio de Janeiro possui um conjunto de montanhas que a separa da região da Avenida Presidente Vargas, que é constituído pelos morros da Conceição, da Providência e do Pinto. Este conjunto de montanhas deve ser o protagonista que determinará o caráter da intervenção humana, que deve se pautar por uma sensibilidade não competitiva, que as recentes torres espelhadas apresentadas por diferentes grupos na zona Portuária estão negando.
A cidade metropolitana do Rio de Janeiro

A visão de conjunto está sendo prejudicada por uma excessiva fragmentação, baseada nos terrenos, que as CEPACs ao meu ver condicionam. A arquitetura e o urbanismo da cidade precisam olhar mais para o conjunto da cidade metropolitana do Rio de Janeiro, pensando esta estrutura de forma holística e integrada, e nunca da forma fragmentada como as OUCs vem sendo desenhadas. A paisagem carioca me parece ter um valor inestimável, que está sempre a cobrar dos arquitetos e urbanistas esta visão do conjunto.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Uma viagem de BH ao Rio de Janeiro de carro, uma reflexão sobre o modo de fazer estradas no Brasil

Uma viagem de BH ao Rio de Janeiro de carro, uma distância de quatrocentos e cinquenta quilômetros feito de uma maneira geral em cinco horas, mostra-nos muito das condições do espaço construído pelo homem no Brasil. A estrada de uma maneira geral, com seus cortes, aterros, obras de arte (viadutos, pontes e contenções) se preocupa muito pouco com seus impactos na paisagem, com sua capacidade de construir um lugar com personalidade. Particularmente, esta estrada cruza um dos mais belos conjuntos de paisagens, diversificadas e exuberantes da região sudeste, cruzando três importantes maciços montanhosos; o Espinhaço, a Mantiqueira e a Serra do Mar. Ela também cruza importantes unidades paisagísticas e ambientais, como o quadrilátero ferrífero, o serrado, a mata atlântica de altitude, a bacia do Paraiba do Sul, a serra do Mar, a baixada da Baía de Guanabara e o manguezal. As estradas no Brasil não são consideradas como presenças efetivas nas nossas paisagens, sendo reduzidas a uma objetividade limitadora, que as reduz a meros trajetos ponto a ponto, sem qualquer preocupação com as ambiências geradas. A ausência de preocupação com os impactos sobre a paisagem, tanto com as pré-existências, como também com aspectos indutores após sua implantação são recorrentes nas estradas brasileiras de uma maneira geral, e denunciam muito da importância dada ao projeto, como uma ação holística e estruturada.

Um dos campos que devem ser pleiteados pelo expertise de arquitetos e paisagistas brasileiros, certamente é o de projeto de estrada, como disciplina que deve participar com outras especialidades na concepção destes espaços, tão característicos da vida contemporânea. A capacidade destes profissionais de estabelecer relações mais equilibradas entre as estradas e as cidades lindeiras, ou entre as estradas e a fruição da paisagem em geral, podem representar uma melhora significativa no impacto destas estruturas sobre o meio ambiente onde se assentam.

Enfim as estradas no Brasil nos últimos anos, e a BR040 é um exemplo emblemático, não apresentam qualquer preocupação paisagística, se restringindo a serem meras linhas assentadas sobre o território sem preocupação com o contexto existente ou, o que ela irá gerar.

sábado, 21 de setembro de 2013

Uma visita ao edifício do museu Ibere Camargo do arquiteto Alvaro Siza

Uma visita ao edifício do museu Iberê Camargo em Porto Alegre do arquiteto Alvaro Siza provoca uma infinidade de questões relevantes sobre o projetar e o construir no mundo contemporâneo. Temas caros ao ofício da arquitetura e do urbanismo. De como no campo do projeto há gestos repetidos mecânicos e simplificadores de um lado, e inovação inusitada de outro. O enfrentamento do papel em branco, do terreno antes da obra, ou da imensa gama de opções possíveis que existem no enfrentamento de um tema pelo projetista nos remete a uma das frases mais emblemáticas de Louis I Kahn; "antes do projeto se realizar, o que ele quer ser?"

A figura discreta e provocante do arquiteto Alvaro Siza no sistema de profissionais reconhecidos internacionalmente, por si só já demandaria uma ampla reflexão. A teoria do projeto, que se refere a gênese da concepção dos objetos arquitetônicos, precisa se debruçar sobre a obra deste arquiteto de forma mais consequente e aprofundada. Na verdade Siza Vieira, como os portugueses o chamam, parece condensar em vários de seus projetos, de maneira emblemática; uma premissa de adequação, a partir de  analogias repetidoras e criações inusitadas, que sempre se questionam a partir de uma reafirmação de uma subjetividade arbitrária e particular. Enfim dramas, que acompanham o projeto desde tempos imemoriais, onde uma objetividade que se auto-justifica, encontra-se com uma arbitrariedade subjetiva muito potente.

Uma questão de saída desponta quando adentramos a soleira do museu de Iberê Camargo, o que é constância e repetição, e o que é inovação no esforço de elaboração deste projeto. O museu Iberê se situa no restrito conjunto de resposta a pergunta de Kahn de uma forma complexa, que nos faz pensar sobre as interrelações entre adequação e simbolismo, subjetividade e objetividade, risco e conforto, esforço e benefício, legibilidade de percurso e surpresa. Há uma premissa de coragem no enfrentamento de todas estas dualidades, como se afastando de forma determinada de qualquer zona de conforto. O edifício basicamente surpreende, tanto pela repetição de temas organizacionais sedmentados na história moderna da arquitetura (Guggenheim de Nova York), quanto pela inovação dentro desta mesma moldura.

Realmente uma obra de arte complexa e corajosa, que basicamente questiona; a fruição da arte, o preparo do olhar para esta compreensão, sua relação com o sítio, o circuito desta fruição, os momentos de protagonismo e de coadjuvante da arquitetura frente as artes plásticas.

Nada no Museu Iberê é muito simples, mas num paradoxo, tudo parece se restringir a uma simples coragem de realizar de forma profunda.

sábado, 14 de setembro de 2013

Lançamento do livro Desenho Urbano Contemporãneo no Brasil realizado no IAB-RJ

Mesa redonda durante o lançamento do livro Desenho Urbano Contemporâneo no Brasil, no IAB-RJ no dia 12 de setembro de 2013, segunda feira, debateu a relevância do desenho de qualidade para as cidades brasileiras. A necessidade de promoção de operações de projeto que requalifiquem os espaços de nossas cidades, melhorando a compreensão do espaço público como o lugar de interação da diversidade da sociedade, não para controlar mas para fazer livre a construção da cidadania. Como afirmou LEFEBVRE de forma definitiva; "A vida urbana, a sociedade urbana, numa palavra "o urbano" não podem dispensar uma base prático-sensível, uma morfologia." P49 "Ao mesmo tempo que lugar de encontros, convergência das comunicações e das informações, o urbano se torna aquilo que ele sempre foi: lugar do desejo, desequilíbrio permanente, sede da dissolução das normalidades e coações, momento do lúdico e do imprevisível." P79 LEFEBVRE, Henry O direito à cidade editora Centauro 2001 São Paulo 


Na foto, da esquerda para a direita: Gunter e Maria Elaine Kohldsdorf, Pedro Da Luz Moreira (vice-presidente do IAB-RJ), Cristiane Rose S.DuarteDenise Alcantara, e Vicente del Rio

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Leticia Galizzi expõe em Nova York

Minha querida cunhada, Leticia Galizzi, expõe em Nova York seus belos trabalhos de pintura. Realmente são trabalhos da maior competência. Quem puder deve conferir...

"Over Here, In There"
Recent work by Beverly Acha and Leticia Galizzi 

September 5 - 23, 2013

Abrazo Interno Gallery
Clemente Soto Velez Cultural Center
107 Suffolk St. New York, NY
between Delancey St. and Rivington St. in the Lower East Side
(F, to Delancey St. or J, M, to Essex St.)

Gallery Hours:
Monday - Sunday, 3:30 - 7:30 pm
or by appointment (contact Bev or Leticia)

Opening Reception: Sunday, September 8th, 5-8 pm.

For more info:
www.beverlyacha.com
www.leticiagalizzi.tumblr.com