quinta-feira, 9 de maio de 2013

Fotógrafo documenta o universo particular do filho autista

Fotógrafo documenta o universo particular do filho autista. As imagens são maravilhosas e mostram muito do mistério que envolve o autismo, que meu filho mais novo Felipe também tem. Vale dar uma olhada...


http://www.hypeness.com.br/2013/05/pai-capta-universo-particular-do-filho-autista-em-uma-serie-de-fotos-cheia-de-sensibilidade/

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Prefeito do Rio de Janeiro volta atrás, mas a internet não esquece jamais

A notícia veiculada hoje no jornal O Globo sobre o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, de que um site na internet denominado "Prefeito volta atrás", brinca com as indecisões do alcaide carioca, que sofre de uma constante instabilidade, deve ser pensada. A noticia demonstra a inconstância a que ficou condenada a administração da cidade maravilhosa, que se ressente da falta de continuidade em uma série de ações. Talvez seja o caso de lembrar ao prefeito de um velho ditado brasileiro, de que, "Roma não foi feita num dia". Apenas para citar um caso emblemático, que comprova esta falta de perseverança, o Programa Morar Carioca, que foi anunciado em 2010 e alardeava que seria o legado social das olimpíadas de 2016, pregando que se dispunha a urbanizar todas as favelas da cidade até o ano de 2020. Foi claramente relegado a segundo plano na atual administração. Das quarenta equipes selecionadas no concurso de urbanização de favelas promovido pelo IAB-RJ, apenas onze foram contratadas, e não estão sendo privilegiadas no seu desenvolvimento, como ações prioritárias do governo. Cabe a pergunta ao prefeito, como fica a questão da urbanização das favelas na cidade do Rio de Janeiro?

http://blogdotas.terra.com.br/2013/05/07/paes-volta-atras-mas-a-internet-nao-esquece-jamais/

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O ano de 1848 na Europa

A biografia da familia de Marx, Amor e Capital da jornalista americana Mary Gabriel é um livro maravilhoso sobre a dura existência do casal Karl Marx e Jenny Von Westphalen Marx. Um ano particularmente abordado no livro é o de 1848, onde uma sequência incrivel de revoltas populares devastou as cidades da Europa, começando por Paris, atingindo Viena, Berlim e Palermo na Itália. 

Na terceira semana de fevereiro de 1848 Luis Filipe I abdicara do trono e fugira para o exílio na Inglaterra, um governo provisório foi empossado e a França era agora uma república.  Um pouco antes na Sicilia, na parte mais pobre do que viria a se constituir na atual Itália, devido a uma terrível escassez de alimentos, os moradores de Palermo, obrigaram o rei Fernando II a aceitar uma assembléia constitucional, num território que ia desde o extremo sul (Sicilia) a Apúlia, atingindo os limites do estado papal. Na então federação alemã, na capital da Prussia Berlim, o rei Frederico Guilherme, no dia 19 de março, ordena que seu exército abandone a cidade, abrindo as portas de seu arsenal para que o povo se encarregasse da defesa da capital, após um dia de carnificinas. Em Viena no dia 13 de março de 1848, um grupo de estudantes reivindicava reformas liberais na Austria, como liberdade de imprensa, uma Constituição e liberdade acadêmica, montando uma manifestação que foi duramente reprimida pela Guarda Nacional, resultando na morte de quinze pessoas. No dia seguinte, a rebelião atingiu tal proporção que o príncipe Metternich, a quarenta anos no poder, renunciou, fugindo disfarçado para a Inglaterra, como Luis Filipe I de França.

O casal Marx abandona Bruxelas com tres filhos, um menino recém nascido e duas meninas e dirige-se a Paris, no dia 04 de março, expulsos da Bélgica pelo governo. Marx havia lançado o Manifesto Comunista no final de janeiro, que começava com a dramática frase; "Um espectro ronda a Europa- o espectro do comunismo" e terminava com a conclamação "Trabalhadores de todos os países uni-vos!". Jenny a esposa de Marx enviou uma carta com informações vivas dos movimentos das ruas de Paris; "Eu gostaria de poder lhe escrever muito mais sobre o movimento interessante que está acontecendo aqui, e que cresce a cada minuto (hoje a noite 400 mil trabalhadores marcharam diante do Hotel de Ville). As massas de manifestantes estão crescendo cada vez mais. Mas estou tão atarefada com as coisas de casa e cuidando dos três pequenos que só arranjei tempo para lhe enviar e a sua querida esposa saudações cordiais vindas de longe."

Apesar do Manifesto Comunista ter sido naquele mesmo ano traduzido em várias línguas, os motivos do terremoto na Europa era a fome, o frio e o desemprego que castigavam as principais capitais. Alexis Tocquevile, um aristocrata, posicionado longe das aspirações comunistas de Marx escreveu que a necessidade havia fomentado a rebelião; "Voces não veem que as paixões deles, em vez de políticas, tornaram-se sociais? Voces não veem que eles estão aos poucos formando opiniões e ideias destinadas não apenas a combater essa ou aquela lei, um ou outro ministério ou forma de governo, mas a própria sociedade?"

terça-feira, 30 de abril de 2013

A questão da sustentabilidade das UPPs nas favelas cariocas

A questão levantada hoje na coluna do jornalista Merval Pereira, sobre a sustentabilidade das UPPs nas favelas cariocas é central no debate sobre a integração das populações carentes à economia formal, e à sociedade como um todo. Destaca o jornalista, que Beltrame, o secretário de segurança do governo estadual está "preocupado com as medidas sociais que considera indispensáveis para dar consequência às medidas policiais que estão sendo tomadas com sucesso na implantação das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) nas comunidades antes dominadas pelo tráfico de drogas." As medidas sociais mencionadas parecem estar mais lentas, postergando a resolução de questões sociais que não podem ser resolvidas apenas pela polícia. O papel da polícia, já várias vezes destacado por Beltrame, é criar um ambiente propício, para que serviços variados alcancem às favelas, construindo uma ambiente de confiança e auto-estima que promova a integração. Vale a pena a leitura...

http://oglobo.globo.com/blogs/blogdomerval/

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Leia o artigo Minha casa no país do carro zero - Sérgio Magalhães

Interessante as colocações do presidente do IAB a respeito do programa Minha Casa, Minha Vida, arquiteto Sérgio Magalhães. Enquanto não for dado protagonismo ao usuário, e a industria da construção civil não for instada a produzir de forma diversificada, gerando casas urbanas e não apenas abrigos, continuaremos repetindo o mesmo de sempre; dispersão urbana, e ausência de urbanidade nos conjuntos habitacionais.

 Clique aqui para ler o artigo



Minha casa, nossa cidade - Roberto Ghione

Interessante o texto de Roberto Ghione do IAB-PE sobre a produção da habitação no Brasil. A idéia de contraposição entre produto e processo dentro da lógica de produção da habitação de interesse social é bastante adequada, talvez envolva uma visão excessivamente dualista e simplificadora. Em todo caso, é claro hoje no desenvolvimento do programa Minha Casa, Minha Vida do governo federal a predominância da lógica do produto, frente ao processo. No atual panorama de nossa sociedade é importante desenvolver e privilegiar a lógica da produção, no entanto, não é possível descartar totalmente a outra lógica. No entanto, vale a leitura...

Minha casa, nossa cidade

Roberto Ghione
       
       Os processos de produção da casa popular brasileira respondem às ideologias que determinam os programas, mecanismos e instrumentos de ação, assim como aos interesses dos diferentes atores envolvidos.

            Dois conceitos permeiam a consciência política e social acerca da produção da moradia brasileira. Um a considera um produto, objeto de consumo que se comercializa dentro das leis de oferta e procura do mercado imobiliário. O outro a considera um processo de promoção social e de integração urbana da população menos favorecida.

            A concepção da casa como produto ou como processo é o reflexo de ideologias divergentes, cuja manifestação materializa-se na estrutura urbana da cidade e confronta comportamentos sociais diferentes, as vezes antagônicos.

            A transferência da modalidade de produção de um grupo social para outro evidencia conflitos de adaptação e apropriação do produto oferecido, disfarça os alcances e objetivos dos programas sociais e favorece os atores intermediários do processo em detrimento dos destinatários finais. Produzir a habitação de interesse social dentro das leis do mercado imobiliário, para grupos de baixo poder de compra, ou que atenda aos interesses das construtoras intermediadoras, resulta em produtos desqualificados como casas e inviáveis como cidades.

            Quando a ideologia de implementação dos programas favorece o produto em detrimento do processo se produzem conflitos de exclusão social e urbana provocados pela subordinação dos mesmos à relação custo-benefício, que desvaloriza a produção da própria casa em localizações periféricas e carentes de serviços urbanos, hoje evidente em inúmeros conjuntos construídos para o programa Minha Casa Minha Vida. Resulta contraditório gastar grandes quantidades de recursos públicos em produtos questionáveis (apesar da boa intenção de resolver o problema da moradia popular brasileira), assim como perder uma oportunidade impar de desenvolvimento social e integração urbana. A evidente falta de planejamento e alinhamento do programa com as necessidades de desenvolvimento das cidades, o predomínio da quantidade acima da qualidade e o encobrimento de um objetivo social para beneficiar o crescimento econômico e o lucro dos produtores, não faz outra coisa se não complicar os resultados sociais e urbanísticos desejáveis.

            O próprio nome do programa revela a ideologia que favorece o consumo do produto e não o processo: Minha Casa é o objeto, Minha Vida é o sonho. A repetição do possessivo singular de primeira pessoa, "minha", marca a necessidade de possuir e o estímulo consumista. Muito bom para quem produz; não tanto para quem tem que morar em conjuntos habitacionais carentes de condições adequadas de urbanidade e de integração efetiva com a cidade existente. Subordinar as soluções de arquitetura e urbanismo às condicionantes tecnocráticas de uma instituição de financiamento representa uma situação inadmissível, que pouco tem a ver com o fato de fazer cidade e de construir habitações qualificadas. A ausência de créditos para usos complementares, como comercial, de escritórios e outros, conduz à produção exclusiva de habitações sem favorecer uma consolidação urbana efetiva.

            Estimular o processo em substituição do produto implica considerar os mecanismos de construção da cidade, a integração de novos habitantes em bairros consolidados, as relações e vínculos preexistentes, a oferta de serviços, a garantia de mobilidade e acessibilidade, as relações de continuidade física e funcional, a configuração e qualificação da paisagem urbana, os modos de vivenciar as casas, edifícios e espaços de convivência, as adequações às condições culturais, climáticas, ambientais e topográficas, dentre outras situações, preocupações que a implantação de unidades padronizadas desconsideram em função da produtividade, quantidade, tempo político, lucro empresarial e ignorância acerca dos procedimentos urbanísticos e sociais implicados, assim como uma certa arrogância e preconceito acerca de como os "pobres" devem se comportar e viver na cidade. Os resultados exacerbam as diferenças e conflitos sociais e denigram a própria cidade, que é patrimônio de todos.

            Em relação à produção de arquitetura, a consideração do processo implica estimular a pesquisa tecnológica para a obtenção de sistemas de produção alternativos às ofertas convencionais do mercado, considerar tipos arquitetônicos e soluções adaptadas aos modos de vida e condições climáticas, topográficas e urbanísticas em substituição do "projeto padrão", assim como de todas aquelas manifestações que possibilitam a originalidade e criatividade inerentes à profissão dos bons arquitetos e urbanistas.

            Em relação aos processos sociais, a participação, o consenso e a democracia são procedimentos a serem estimulados em oposição à imposição de soluções "fechadas", burocráticas e padronizadas. Para famílias de carência extrema, os sistemas de autoconstrução e ajuda mútua permitem inserir as pessoas beneficiadas no mercado de trabalho através do aprendizado do ofício de construir, ao mesmo tempo que marcam o acesso a casa própria como uma conquista social.  

            Conceber o produto "casa" como meio de desenvolvimento social e urbano resultará em produtos arquitetônicos e urbanísticos com a qualificação ausente em muitas experiências recentes. Conciliar o anseio pessoal da "minha casa" com o sentimento solidário e participativo em relação a "nossa cidade" constitui um desafio que, com certeza, promoverá sociedades melhores em cidades mais justas, dignas e integradas.

Roberto Ghione é arquiteto e Diretor do IAB/PE

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Em vez do Cristo Redentor uma gatinha

Interessante gravura de 1920 da cidade do Rio de Janeiro, onde então existia o Chapéu do Sol, o mirante do topo do morro do Corcovado, antes da construção da estátua do Cristo Redentor. Ela mostra uma mulher seminua sobre o telhado do Chapéu do Sol. Seria uma homenagem às mulheres cariocas?

Gravura de 1920

Chapéu do Sol, abrigo que antecede a estátua do Cristo Redentor