quarta-feira, 17 de abril de 2013

Em vez do Cristo Redentor uma gatinha

Interessante gravura de 1920 da cidade do Rio de Janeiro, onde então existia o Chapéu do Sol, o mirante do topo do morro do Corcovado, antes da construção da estátua do Cristo Redentor. Ela mostra uma mulher seminua sobre o telhado do Chapéu do Sol. Seria uma homenagem às mulheres cariocas?

Gravura de 1920

Chapéu do Sol, abrigo que antecede a estátua do Cristo Redentor

terça-feira, 16 de abril de 2013

Resultado do Concurso da Estação Antártica

No dia 15 de abril de 2013 na sede do IAB-RJ foi apresentado o projeto vencedor do Concurso Nacional de Projetos, para a Estação Brasileira da Antártica Comandante Ferraz. O projeto vencedor possui a potência da simplicidade. Simples e bonito. Muito de sua força está expressa pela resolução da seção, o que me parece ser uma atitude de projeto vinculada a arquitetura paulista.


Seção do projeto vencedor da Estação Comandante Ferraz na
Antártica
O conjunto dos trabalhos apresentados é uma amostra interessante da capacidade da arquitetura brasileira de enfrentar um tema compromissado, com uma operatividade de construção em condições extremas, e, com a sustentabilidade. É uma amostra que deve ser publicada e debatida de forma mais aprofundada, pois possui valores simbólicos que acabam por representar o país internacionalmente. Além disto, é uma prática que deveria ser promovida de forma recorrente pelos órgãos públicos, o concurso de projetos de arquitetura.

Vista geral da Estação Comandante Ferraz na Antártica

Vista Geral da nova Estação Brasileira Comandante Ferraz na
Antártica

Da série cidades italianas: Bevagna

Bevagna é uma cidade no centro da Itália, no vale da Umbria, na província de Perugia, distante de Roma 148 quilômetros, localizada ao norte de Spoleto e ao sul de Assis. Duas cidades mais conhecidas das ordas de turistas que atualmente circulam pela Itália. Infelizmente não a conheço. A cidade é etrusca e suas origens remontam aos anos 80 e 90 antes de Cristo, a comuna permanece com sua muralha medieval. O que aqui deve ser destacado é que esta cidade com um patrimônio construído invejável, como testemunha a foto da
Bevagna, cidade entre Assis e Spoleto na Umbria
praça mostrada ao lado, não consta dos guias turísticos oficiais, como o Guia Folha de São Paulo da Itália. Apesar, desta espacialidade invejável desta praça, a cidade não consta dos destinos turísticos oficiais.

Talvez por isto é que muitas escolas de arquitetura ao redor do mundo a partir do século XIX, instituíram entre seus alunos o prêmio Roma ou Itália. No qual, o melhor aluno da instituição nos cinco anos de curso, com melhor desempenho, tinha o direito a passar um ano na Itália, com suas contas pagas, estudando este patrimônio construído invejável. Granjean de Montigny o arquiteto francês da missão francesa trazida por Dom João VI para o Brasil foi ganhador deste prêmio ao final de seu curso na academia francesa Outros arquitetos mais próximos de nossa contemporaneidade, como Venturi, também tiveram direito ao ano sabático em Roma ou na Itália.

Sem dúvida, um prêmio digno para qualquer amante do espaço construído pelo homem.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Artigo do Janot no Globo de 13-04-2013, boa leitura

O artigo do arquiteto e amigo Luiz Fernando Janot do dia 13 de abril de 2013, no Jornal O Globo, mostra como obras no Brasil vem sendo executadas sem o ancoramento numa cultura do projeto e do plano, que desempenha o papel de se antecipar ou antever, custos e benefícios da obra. O improviso e a execução sem o adequado planejamento acabam gerando obras descartáveis e de baixa qualidade. A planilha de preços é definida antes que os projetos estejam detalhados, ou pior antes que a adequação da transformação seja avaliada. A superficicialidade é a tônica, como estivéssemos diante de uma incapacidade de imaginar o vir a ser, o futuro. A análise com maior profundidade das infinitas possibilidades do futuro foi descartada em nome de um sentido de urgência. Esta prática acaba determinando uma cultura do descartável ou da obsolescência imediata.
O artigo de 13 de abril de 2013 do arquiteto e amigo Luiz Fernando Janot, boa leitura
O

sábado, 13 de abril de 2013

Vergonha do Transporte Público de Passageiros

Até quando as cidades brasileiras terão transportes público de passageiros de péssima qualidade. Os modais de alta capacidade, como os trens urbanos, estão constantemente apresentando problemas estruturais, que deixam os usuários inseguros e desconfiados. Não existem planos e projetos estruturados e articulados em andamento para realizar estas melhorias.

A Supervia na cidade metropolitana do Rio de Janeiro, possui uma rede de trilhos urbanos com uma extensão cinco vezes maior que a da cidade metropolitana de São Paulo. No entanto, a rede carioca hoje está transportando apenas 600mil passageiros/dia, enquanto a rede paulista transporta 1,2milhão de passageiros/dia. O investimento necessário para colocar esta rede de trens urbanos funcionando é muito menor do que o dispendido pela atual ampliação do Metrô para a Barra da Tijuca. Basta apenas redesenhar as estações existentes garantindo conforto e acessibilidade universal, comprar composições de trens modernos e garantir um intervalo de composições no padrão do metrô. A população beneficiada por esta melhoria dos trens urbanos cariocas, nos ramais de Santa Cruz, Deodoro e Caxias, que moram ao longo destes ramais chega 9,4milhões de pessoas. Enquanto, que na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes vivem apenas 180mil habitantes, sendo que o metrô chegará apenas ao Jardim Oceânico. Portanto, no começo da Barra da Tijuca.

Realmente é um descalabro, um crime de leso planejamento e orçamento. A população carioca deveria se mobilizar para cobrar dos governos uma atitude para reverter a atual situação.

Manchete do O Globo de 13-04-2013

Marx e Jenny em Londres em meados do século XIX

A biografia da familia de Marx, Amor e Capital da jornalista americana Mary Gabriel é um livro maravilhoso sobre a dura existência do casal Karl e Jenny. Karl Marx era filho de uma familia judia, que teve que se converter ao cristianismo, seu pai, Heschel Marx advogado optou pelo luteranismo, adotando o nome Heinrich, pois com a derrota de Napoleão em 1815, o governo da Prussia revogou os direitos dos judeus e oficialmente os excluiu do serviço público. A familia de Marx tinha entre seus membros desde o século XIV na Itália alguns dos mais importantes rabinos da Europa. A mulher de Karl Marx era Jenny Von Westphalen, filha de uma familia aristocrática, que reunia um barão prussiano e uma filha de ministro escocês, que descendia dos duques de Argyll e Angus. Apesar desta origem o pai de Jenny o barão Ludwig Von Westphalen admirava Saint Simon o fundador do socialismo francês.

A familia de Karl e Jenny, após vários exílios na Bélgica e na França e retornos a Prussia ou a Confederação Alemã, se instala em Londres no bairro do Soho na Dean Street, a um quilometro e meio da City. Este bairro em meados do século XIX era uma verdadeira cloaca, com condições de higiene muito piores que a pior favela brasileira contemporânea. Em 1853 a cidade de Londres foi castigada por uma epidemia do cólera, que matou apenas neste ano onze mil pessoas. Os motivos para tal proporção de óbitos foram descobertos por um médico do próprio bairro do Soho, John Snow, que descobriu vazamentos de esgotos para dentro de poços de água considerada potável. Um destes poços ficavam na Broad Street, rua que ficava a cerca de um minuto a pé da residência dos Marxs. A familia Marx perdeu no periodo londrino tres filhos vitimados por doenças diversas. As condições de salubridade do apartamento em Dean Street são descritas em vários trechos:

" A água corrente não chegava a mais de tres metros do nivel da rua, de modo que os Marx precisavam ir buscar água no térreo. Da mesma forma, não havia toalete conectado a caixa d´água central; as opções eram um vaso comunitário (que despejava tudo na fossa do porão) ou um penico dentro do apartamento."

A biografia da jornalista americana destaca a personalidade e inteligência de Jenny, assim como o carinho de Karl com seus filhos e com a própria mulher. É interessante perceber a sucessão de revoltas e rebeliões que as cidades européias sofreram e as restaurações conservadoras. De uma maneira geral, Paris representava a vanguarda com a Comuna de 1848, quer irá incendiar toda a Europa Central em seguida.  

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Mais uma da Igreja da Pampulha

Perspectiva do espaço interno da Igreja da Pampulha
A igreja da Pampulha de Oscar Niemyer é uma das mais interessantes criações deste arquiteto brasileiro, dotada de uma simplicidade potente. Ela é destas obras de arquitetura que já se inscreveram neste imenso patrimônio construído pelo homem. Certamente daqui a alguns anos ela será reconhecida como uma obra singular e única, apesar de manipular elementos tradicionais vinculados ao sagrado. 

Sua implantação voltada para a frente aquática da lagoa, de costas para a avenida que a margeia é hoje evidente, mas é um das mais importantes escolhas do jovem arquiteto carioca.

Sua estrutura em casca de concreto é, como assinalou BRUAND, uma das primeiras a serem aplicadas fora dos temas da engenharia, como nos hangares do francês Freyssinet, ou nas pontes do suíço Maillart. A simplicidade da solução estrutural, que constroe e reproduz a nave central da igreja é um gesto de projeto tão despojado e direto, que parece uma evidência óbvia e fácil. 

A captura da luz e a hierarquização das abóbodas e cascas, presentes nesta obra, são uma lição de escala e proporção única. A manipulação de toda a materialidade aplicada ao conjunto da obra é testemunho de um cuidado com o envelhecimento da obra, que o mestre no futuro irá abandonar. Por tudo isto, a Igreja de São Francisco na Pampulha de Oscar Niemyer merece entrar no restrito mundo das grandes obras humanas.