Diário de Pedro da Luz Moreira, interessado em discutir a arquitetura, a cidade e o projeto
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Iluminação do Cristo Redentor RJ
Prezados:
Segue texto publicado pela Cora Ronai no O Globo sobre iluminação da estátua do Cristo Redentor na cidade do Rio de Janeiro, no qual nosso amigo Miguez argumenta embasado. Vale a pena a leitura, abs
Pedro da Luz Moreira
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Cidades Italianas
Dentro do tema da cultura da construção, as cidades italianas representam um capítulo especial. Dentro de uma grande variedade de ocupações, históricas, topográficas ou hidrológicas, há cidades onde o predominio construtivo é medieval, renascentista, barroco, neoclássico, eclético ou até mesmo moderno. Elas se estruturaram como agrupamentos humanos consolidados, com importante presença de manifestações artísticas relevantes num periodo no qual as mudanças e transformações da cidade eram mais demoradas no tempo. Este fato foi determinante para que se construisse um patrimônio único, onde as ocorrências artísticas e singulares são contínuos representativos que foram sendo reocupados por diferentes atividades humanas ao longo de distintos ciclos sem que os objetos tenham sido demolidos ou reconstruídos.
Roma, a cidade eterna com seus atuais 2,5 milhões de habitantes, é talvez o testemunho mais emblemático deste processo. Constantemente novas ruínas são descobertas, revelando facetas novas de tempos imemoráveis. Apesar desta museificação constante e de um afluxo expressivo diário de turistas, a cidade permanece viva com uma diversidade de usos e de estratos sociais diferenciados em todo em seu território. Mesmo em seu centro, onde se concentra grande parte dos achados arqueológicos e dos marcos arquitetônicos e artísticos, Roma se demonstra uma cidade onde ainda há moradia de romanos, que determinam um cotidiano particular e próprio.
sábado, 17 de setembro de 2011
As Passagens de Walter Benjamim
O projeto do livro das Passagens de Walter Benjamim é um admirável esforço intelectual, enigmático e envolvente, mas também fragmentado, a obra inacabada pretendia construir uma filosofia material da história do século XIX. A pretensão era retomar uma metodologia da montagem na construção histórica, partindo das citações para se chegar a obra acabada. O texto escrito em 1935, Paris Capital do século XIX, faz parte do conjunto de fragmentos e parece ser um esboço dos temas a serem abordados, como um índice. A primeira menção ao texto é de 1950 por Adorno, criando em torno dele uma série de lendas e rumores. O projeto ocupou Benjamim nos últimos anos de sua vida, desde 1927 até 1940, quando cometeu suicídio na travessia dos Pirineus com medo de ser alcançado pela Gestapo. A estrutura fragmentada pretende destruir a pretensão de conferir qualquer sentido a história humana;
"Na realidade, não existe um único instante que não traga consigo sua chance revolucionária..." BENJAMIM, Walter - As Passagens - editora UFMG Belo Horizonte 2009
domingo, 11 de setembro de 2011
Dados interessantes sobre as torres gêmeas do 11 de setembro em NY
O Conjunto de Pruitt Igoe em St Louis
As torres gemeas em Nova York atacadas por terroristas em 11 de setembro de 2001 foram projetadas pelo arquiteto Minoru Yamasaki, o mesmo que projetou o conjunto habitacional de Pruitt-Igoe na cidade de St Louis, no Missouri nos EUA. Minoru Yamasaki recebeu uma série de prêmios por esta obra em St Louis, a mais importante delas do American Institute of Architecture (AIA) em 1951. Apesar disto, quando Minoru Yamsaki escreveu sua autobiografia em 1979, A Life in architecture, não havia qualquer menção a este projeto. Minoru Yamasaki havia expurgado o projeto de Pruitt Igoe até do seu currículo. Os motivos para tal expurgo se iniciaram com o crítico de arquitetura do Washington Post, Wolf von Eckardt, que apontava na arquitetura do conjunto as origens para a presença de uma enorme violência urbana na área. Outros detratores se somaram como Lewis Munford, Jane Jacobs e Peter Hall, que invariavelmente apontavam no conjunto o fracasso das propostas modernistas para a cidade. Em 15 de julho de 1972 o conjunto de Pruitt Igoe foi implodido e Charles Jencks, outro crítico de arquitetura celebrou este momento como a morte da arquitetura modernista e surgimento da pós modernidade. A implosão portanto ocorreu durante a vida de Minoru Yamasaki, ao contrário dos atentados às torres gêmeas, que ocorreram quando o arquiteto já estava morto. Estudos posteriores apontaram que as causas da deterioração do conjunto habitacional não eram apenas causadas pelas determinações do projeto de Minoru Yamasaki, mas também pela ação premeditada de empreiteiros, políticos e autoridades locais. Apenas para ilustrar tal fato, um juiz da Suprema Corte americana ordenou a dessegregação do conjunto, apontando que as edificações eram exclusivamente ocupadas pelas camadas mais enjeitadas da população negra.
As torres gêmeas de Minoru Yamasaki
As torres gêmeas de Minoru Yamasaki possuíam fortes referências ao decorativismo abstrato da arte islâmica. Estas referências não se limitavam apenas ao desenho da fachada, que mostravam pilares, que hora se juntavam, hora se separavam na conformação das janelas. No texto da sua auto-biografia, Minoru Yamasaki destaca explicitamente a origem islâmica de sua concepção, e sublinha como parte essencial do projeto a praça de cinco acres, que intermediava as duas torres;
"Os visitantes, bem como aqueles que trabalham no World Trade Center, encontrarão nesta five acre plaza uma Meca onde experimentarão um enorme alivio depois da experiência das ruas e dos passeios densos que envolvem a área de Wall Street" YAMASAKI, Minoru - A life in architecture - p 115, citado em TAVARES, Rui - O arquiteto - Martins Fontes São Paulo 2007Minoru Yamasaki havia trabalhado na Arábia Saudita, sendo o autor do projeto do aeroporto de Dahran. Certamente esta vivência havia construído esta lógica de contraposição entre o burburinho da rua e a intimidade do pátio. Mas aqui, também havia uma redução simplificadora, típica da hipertrofia consumista da Nova York de todos os tempos, onde compreensão ligeira de outras culturas aderia a novas formas de mistificação e idealização, que ao final impulsionavam os negócios e o consumo.
Nesta mesma perspectiva também é que deve ser compreendida a figura do egípcio, Mohamed Atta, piloto do primeiro avião a se chocar com uma das torres. Formado em arquitetura pela Universidade do Cairo, Mohamed Atta fez também um mestrado na Universidade de Hamburgo, onde se interessou pela cidade de Alepo, na Síria, que é um dos estabelecimentos humanos mais antigos do mundo. A pergunta que hoje se faz, e que parece não estar documentada de forma adequada, é se Mohamed Atta tinha conhecimento da autobiografia de Minoru Yamasaki? E, quanto esta se demonstrou ofensiva frente as suas convicções islâmicas? Enfim, nosso passado recente precisa ser reconstruído, mostrando-nos os seu problemas e potencialidades.
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